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20 de julho de 2026

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Milho mais caro? Entenda os impactos do conflito no Oriente Médio

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Foto: Aiba/divulgação

Com a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, diversos segmentos do agronegócio brasileiro avaliam os impactos diretos e indiretos na cadeia produtiva. É o caso do milho, que tem os iranianos como principais compradores do cereal. Em 2025, 22% do milho produzido no Brasil foi embarcado para o Irã.

Enquanto a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) acredita que as exportações devem ser direcionadas para outros destinos, analistas alertam para o risco de excesso de oferta no mercado interno. Nesse sentido, os preços do milho poderiam ser afetados.

Na avaliação de Hyberville Neto, diretor da HN Agro, tudo depende da duração do conflito. Se a guerra se prolongar, os impactos no milho ocorreriam de forma indireta, por meio do encarecimento dos nitrogenados.

“A safra de verão é plantada no final do ano, mas as compras de fertilizantes ocorrem antes disso”, explica.

Apesar do potencial aumento dos custos de produção, o especialista afirma que o que rege a formação de preços no mercado nacional e internacional é a lei da oferta e da demanda.

“O custo de produção pode influenciar a área plantada e, consequentemente, a produção. Mas o preço da commodity é definido por oferta e demanda, tanto no mercado nacional quanto no global”, afirma.

O analista destaca ainda que, nos últimos anos, o mercado interno tem ganhado peso na formação das cotações do cereal no Brasil. “O milho cada vez mais tem sido definido pelo mercado doméstico, principalmente por causa da demanda da indústria de etanol”, diz.

Exportações e mercado interno

No curto prazo, um eventual redirecionamento das exportações também pode influenciar os preços. Caso parte do milho que seria enviado ao Irã permaneça no país, haveria pressão adicional sobre o mercado doméstico.

“A ausência dessas exportações seria, em princípio, um fator de baixa para o preço do milho”, avalia Neto.

Mesmo assim, ele pondera que outros fatores podem limitar esse efeito. Entre eles estão o atraso no plantio da segunda safra e a demanda aquecida por etanol de milho no país.

“Estamos falando de uma safrinha que foi plantada com atraso e de um cenário de demanda muito forte. Por isso, a expectativa é de preços firmes para o milho ao longo dos próximos meses”, afirma.

Para o analista, a evolução do conflito no Oriente Médio vai continuar sendo um ponto de atenção para o mercado. “Tudo vai depender de como essa situação vai evoluir e de quanto milho, de fato, deixaria de ser enviado para o Irã”, conclui.

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Exportadores correm o risco de assumir sozinhos a tarifa de 25% dos EUA, alerta advogada

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Foto: Portos do Paraná

Com a entrada em vigor nesta quarta-feira (22) da sobretaxa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, empresas brasileiras do agronegócio com contratos de exportação, fornecimento, armazenagem, transporte e financiamento atrelados aos EUA estão sem prazo para revisar cláusulas contratuais de preço, prazo de entrega e força maior.

O alerta é da advogada e coordenadora da área de Agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz. Segundo ela, os exportadores estão correndo o risco de assumir sozinhas o custo extra da medida.

“As tarifas exigem atenção redobrada na gestão dos contratos. A adequada alocação de riscos passa a ser determinante para preservar a viabilidade das operações em um ambiente internacional mais volátil”, afirma.

De acordo com a especialista, o setor precisa agir rapidamente em cinco frentes contratuais:

  • Cláusulas de preço, para incorporar o custo adicional da tarifa sem inviabilizar a operação;
  • Volumes e prazos de entrega, especialmente em contratos já fechados antes de 22/07;
  • Mecanismos de recomposição do equilíbrio econômico, para redistribuir o impacto entre as partes;
  • Dispositivos de hardship e força maior, testando se cobrem um aumento tarifário desta natureza; e
  • Cláusulas de alteração superveniente das circunstâncias, que podem justificar renegociação mesmo em contratos já assinados.

Segundo Ieda, a urgência é maior para cadeias diretamente atingidas, como carne bovina, algodão e celulose. Mesmo com a exclusão de itens estratégicos (carne bovina in natura, café, petróleo bruto, celulose e aeronaves civis), a advogada avalia que os efeitos sobre o setor são amplos, com tendência de redirecionamento de fluxos comerciais, aumento da oferta em outros mercados e maior volatilidade na formação de preços das commodities.

“Mais do que um impacto pontual sobre as exportações, as tarifas norte-americanas reforçam a necessidade de uma gestão integrada dos riscos comerciais, regulatórios e jurídicos”, diz.

Para ela, diversificação de mercados, revisão da matriz contratual e monitoramento constante das medidas geopolíticas são essenciais para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos meses.

‘Medida juridicamente frágil’

A tarifa de 25% aos produtos brasileiros foi formalizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em 15 de julho após determinação do presidente norte-americano Donald Trump.

Para o sócio da área de Agronegócios do Santos Neto Advogados e advogado especialista em contratos internacionais, Frederico Favacho, o processo carece de base fática consistente. Segundo ele, mesmo no tema ambiental — um dos pilares da investigação — a acusação de que o Brasil não aplicaria suas próprias leis “não resiste ao exame da realidade”, já que o país possui uma das legislações florestais mais exigentes do mundo.

Para Favacho, a lista de produtos isentos da tarifa reforça a fragilidade jurídica da medida: ao excluir insumos dos quais os EUA não podem prescindir, a lista deixa claro que o objetivo é “criar alavancagem”, e não corrigir as práticas que a investigação alegou combater.

Na avaliação do advogado, a ação viola pilares da ordem jurídica multilateral do comércio, como o princípio da nação mais favorecida e as consolidações tarifárias assumidas pelos Estados Unidos no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, na sigla em inglês).

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Colheita da safrinha de milho avança para 49% no Centro-Sul, diz AgRural

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A colheita da safrinha de milho de 2026 no Centro-Sul do Brasil alcançou 49% da área cultivada até quinta-feira (16), informou a AgRural. O índice representa avanço sobre os 40% registrados uma semana antes. O ritmo dos trabalhos acelerou pela segunda semana consecutiva, depois de um início mais lento em razão do excesso de umidade, mesmo com chuvas isoladas ainda presentes em algumas áreas.

Segundo a AgRural, o avanço da colheita ocorreu de forma mais consistente e simultânea nos diversos Estados da região. Na comparação anual, o ritmo ainda está abaixo do observado no mesmo período da safrinha de 2025, quando 55% da área já havia sido colhida.

Mato Grosso segue na liderança dos trabalhos. De acordo com a consultoria, a colheita já está finalizada ou muito próxima disso em áreas do Médio-Norte do Estado.

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Na sequência aparecem Paraná e Goiás, embora ainda com distância relevante em relação ao ritmo registrado em Mato Grosso. Os demais Estados também apresentaram evolução na semana passada.

O destaque foi Mato Grosso do Sul, onde a colheita ainda não havia ganhado tração na primeira quinzena de julho por causa da demora na perda de umidade dos grãos. Com a melhora das condições, os trabalhos avançaram junto com os demais Estados do Centro-Sul.

O levantamento reforça a mudança de ritmo da safrinha após um começo arrastado, marcado pelas dificuldades operacionais associadas à umidade excessiva nas áreas produtoras.

Até quinta-feira (16), a colheita da safrinha de milho de 2026 no Centro-Sul chegou a 49% da área, acima dos 40% da semana anterior e abaixo dos 55% de igual período do ano passado, com Mato Grosso na dianteira dos trabalhos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Conab projeta safra de 460 mil toneladas de sorgo para Mato Grosso

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Reconhecido pela rusticidade e maior tolerância da cultura ao déficit hídrico, o sorgo deve registrar um crescimento de 34,3% de produção nesta safra 2025/26, conforme estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), em relação ao ciclo passado. As perspectivas apontam para um volume de 460,1 mil toneladas, o que coloca o estado na sexta colocação entre os principais produtores no Brasil.

Levantamento da Conab divulgado no último dia 14 de julho destaca uma área cultivada de 133,1 mil hectares com sorgo em Mato Grosso, superando em 38,6% os 96 mil hectares da temporada 2024/25. No ciclo 2024/25 o estado colheu 342,6 mil toneladas de sorgo.

A presença da cultura nas lavouras mato-grossenses é crescente nos últimos anos como alternativa de segunda safra devido a sua maior tolerância ao déficit hídrico e, em especial, em substituição ao milho em áreas consideradas arriscadas de plantio após o término de sua janela ideal.

A liderança na produção de sorgo pertence ao estado de Goiás com 1,969 milhão de toneladas, seguido de Minas Gerais com 1,456 milhão de toneladas e Mato Grosso do Sul com 1,075 milhão. A Bahia ocupa a quarta colocação com uma projeção de 851,4 mil toneladas e São Paulo a quinta com 542,4 mil toneladas. Atrás de Mato Grosso surge o Piauí com 446,6 mil toneladas.

Produção de gergelim deve recuar 27%

O 10º Boletim da Safra de Grãos 2025/26 da Conab aponta para o gergelim um decréscimo de 27,1% na perspectiva de produção em relação a safra 2024/25, queda de 288,9 mil toneladas para 210,7 mil toneladas.

Conforme a Conab, apesar das chuvas registradas durante o ciclo terem favorecido o desenvolvimento da cultura, as projeções atuais apontam um rendimento médio 15% menor em comparação à safra passada. A retração é creditada ao atraso no plantio em boa parte das regiões produtoras, visto a priorização na semeadura do milho segunda safra.

Outro fator contribuinte é a redução de 14,2% da área, diante do milho.

Apesar do recuo nas projeções em relação à safra 2024/25, Mato Grosso segue como o principal produtor de gergelim do Brasil. A estimativa nacional é de 294,5 mil toneladas. O segundo maior produtor é o Pará com 57,8 mil toneladas, seguido do Tocantins com 24 mil e Goiás com 2 mil toneladas.


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