Sustentabilidade
Como o conflito EUA-Irã pode impactar a soja brasileira? Especialista responde

Os recentes acontecimentos no Oriente Médio, especialmente no Irã, acendem um alerta para a cadeia da soja brasileira. Segundo Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito do Agronegócio, o cenário de instabilidade econômica, jurídica e política global pode gerar reflexos diretos na logística e nos contratos do setor.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,9 bilhões ao Irã dentro de uma corrente de comércio de aproximadamente US$ 3 bilhões. Milho e soja representaram 87,2% desse total, sendo 19,3% referentes à soja. Embora o Irã responda por menos de 1% das exportações totais brasileiras, mantém relevância dentro da pauta agrícola.
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“A restrição ou bloqueio no Estreito de Ormuz compromete o fluxo das exportações”, afirma. A rota é estratégica para o escoamento marítimo da região e, com interrupções, a soja brasileira destinada ao mercado iraniano enfrenta atrasos, aumento de custos e necessidade de redirecionamento logístico.
Para o especialista, o momento exige cautela. “A guerra pode ser enquadrada como caso típico de força maior, um evento imprevisível e inevitável, o que pode permitir revisão de cláusulas contratuais e até de preços previamente negociados”, explica.
Ele também destaca que a alta do petróleo tende a pressionar os custos logísticos. Com fretes marítimos mais caros e possível encarecimento do transporte interno, o impacto pode atingir diretamente a rentabilidade da soja brasileira, tanto nas exportações quanto no escoamento doméstico.
Para Moraes, o conflito amplia o risco operacional e jurídico para o setor e exige acompanhamento constante do mercado internacional.
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Sustentabilidade
Sojicultores ainda esperam por preços melhores; negócios não andam e dia é fraco para a soja

O mercado brasileiro de soja apresentou pequenos ajustes negativos nesta terça-feira (21), mas sem mudanças nos fundamentos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve uma perspectiva favorável para a safra norte-americana, mesmo diante das ondas de calor no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Ainda assim, a demanda segue dando sustentação às cotações.
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No mercado físico, as cotações foram mistas, com algumas regiões registrando estabilidade e outras pequenas quedas nas indicações de compra. Apesar disso, os vendedores mantiveram pedidas elevadas, sustentados por um basis positivo no mercado interno.
Silveira destaca que algumas praças continuam com ofertas firmes e, embora os portos apresentem boas oportunidades de comercialização, o volume de negócios segue limitado, já que os produtores continuam retendo a soja à espera de preços melhores.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): desceu de R$ 140,00 para R$ 139,00
- Santa Rosa (RS): desceu de R$ 141,00 para R$ 140,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 134,00
- Rondonópolis (MT): desceu de R$ 127,00 para R$ 126,00
- Dourados (MS): desceu de R$ 128,00 para R$ 127,50
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 129,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 145,00
- Rio Grande (RS): desceu de R$ 146,00 para R$ 145,00
Soja em Chicago
No mercado internacional, os contratos futuros da soja encerraram o dia em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). Após a valorização registrada nas últimas sessões, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, pressionado também pela melhora das condições das lavouras norte-americanas.
Dados do USDA
De acordo com o USDA, 66% das lavouras de soja dos Estados Unidos estavam em condições boas a excelentes até 19 de julho, acima dos 65% registrados na semana anterior. As áreas classificadas como regulares representavam 26%, contra 27% na semana anterior, enquanto 8% permaneciam entre ruins e muito ruins.
Nos próximos dias, o mercado continuará atento às previsões meteorológicas para avaliar se o clima seco e as temperaturas elevadas poderão comprometer o potencial produtivo da safra norte-americana. Além disso, os agentes seguem monitorando possíveis sinais de aquecimento da demanda pela soja dos Estados Unidos, principalmente por parte da China.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam cotados a US$ 12,19½ por bushel, com queda de 5,50 centavos de dólar, ou 0,41%. O vencimento novembro encerrou a US$ 12,22¾ por bushel, com recuo de 3,50 centavos, ou 0,28%.
Entre os derivados, o farelo de soja para agosto avançou US$ 3,20, ou 0,98%, para US$ 326,70 por tonelada. Já o óleo de soja para agosto fechou a 74,30 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 0,50%.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,30%, cotado a R$ 5,0730 para venda e R$ 5,0710 para compra. Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0664 e a máxima de R$ 5,0859.
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Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Cotações têm leves ajustes; safra brasileira pode ser a menor desde 2020 – MAIS SOJA

As cotações do trigo registraram leves ajustes no mercado brasileiro, sustentadas principalmente pela retração de vendedores e pelas novas estimativas oficiais, que apontam redução da produção nacional neste ano para o menor volume desde 2020.
Segundo pesquisadores do Cepea, no Rio Grande do Sul, especificamente, a baixa liquidez, a demanda reduzida da indústria e o abastecimento relativamente confortável dos moinhos mantêm a pressão sobre os valores. Já no Paraná, a menor disponibilidade de trigo sustentou as cotações no mercado de lotes.
OFERTA NACIONAL – A Conab reduziu em 4,5% a estimativa da safra brasileira de trigo de 2026 em relação ao levantamento anterior, passando de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será a menor desde 2020, ficando 23,5% abaixo da registrada na safra passada. A revisão reflete, principalmente, a redução da área cultivada no Sul do País e a menor produtividade em parte do Centro-Oeste.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Tarifa de Trump muda cenário para o Agro brasileiro – MAIS SOJA

A nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar o agronegócio brasileiro em estado de atenção. O governo norte-americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, com entrada em vigor em 22 de julho de 2026, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Paralelamente, permanece em andamento uma investigação sobre supostas práticas de trabalho forçado que poderá resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5%, elevando a carga tarifária para 37,5% sobre os produtos eventualmente alcançados por essa medida.
Embora parte importante das exportações brasileiras tenha sido preservada, o anúncio aumenta a insegurança para empresas exportadoras e para cadeias produtivas que dependem do mercado norte-americano. Entre os produtos do agronegócio isentos da nova tarifa estão carne bovina, café em grãos, laranja, suco de laranja e outros itens considerados estratégicos para o abastecimento dos Estados Unidos. Já produtos como etanol de milho, madeira e diversos bens industriais permanecem sujeitos à nova alíquota de 25%, conforme a lista divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Efeitos relevantes
Especialistas avaliam que, apesar do impacto macroeconômico limitado para o conjunto da economia brasileira, os efeitos podem ser relevantes para segmentos específicos do agronegócio. Além da perda de competitividade em alguns nichos, há preocupação com a redução das margens de exportação, o redirecionamento de fluxos comerciais e o aumento da concorrência em outros mercados internacionais.
Pequeno impacto macroeconômico
Para o diplomata Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos Brics), a dimensão econômica do tarifaço é menor do que seu impacto político e estratégico. Em entrevista ao NeoFeed, Troyjo afirmou que a incidência das tarifas alcançaria, aproximadamente, 25% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 9,5 bilhões em vendas anuais.
Segundo ele, “o efeito macroeconômico é pequeno”, mas a situação poderia ter sido amenizada por uma atuação diplomática mais intensa do governo brasileiro. Troyjo também destacou que as iniciativas mais efetivas partiram do setor privado e de associações empresariais, que mobilizaram representação política em Washington para defender os interesses brasileiros.
Construção de diálogo
Troyjo afirmou ainda que o Brasil desperdiçou oportunidades de construir um diálogo político mais consistente com a Casa Branca e classificou como insuficiente a condução das negociações pelo governo federal. Para o ex-presidente do Banco dos Brics, empresas como Weg, Embraer, Minerva e Gerdau, além de entidades representativas, atuaram de forma mais efetiva na defesa dos interesses nacionais do que o próprio governo.
Na avaliação do diplomata, mesmo que o impacto agregado sobre a economia seja relativamente pequeno, as tarifas afetam diretamente empresas, empregos, investimentos e a competitividade das exportações brasileiras.
Perdas mais severas
No setor agropecuário, entidades avaliam que a manutenção das isenções para produtos como carne bovina, café e suco de laranja reduz o risco de perdas mais severas nas exportações brasileiras para os Estados Unidos. Ainda assim, o ambiente de maior incerteza comercial pode acelerar estratégias de diversificação de mercados, fortalecer negociações com países asiáticos e do Oriente Médio e estimular novos acordos comerciais, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.
Fatores geopolíticos
Para analistas, a decisão da Casa Branca reforça que fatores geopolíticos passaram a exercer influência crescente sobre o comércio internacional. Nesse cenário, competitividade, diplomacia econômica e ampliação do acesso a novos mercados tendem a ganhar ainda mais importância para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Autor/Fonte: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Agradecimento a Marcos Troyjo, membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA), pela liberação de sua fala.
Autor:SNA
Site: SNA
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