Agro Mato Grosso
Longas filas em Miritituba prejudicam escoamento da soja pelo corredor Norte

As más condições da estrada que dá acesso aos terminais portuários de Miritituba, em Itaituba (PA), têm provocado longas filas de caminhões carregados de soja e acendem um alerta no setor produtivo de Mato Grosso, em pleno pico da colheita da oleaginosa. O gargalo logístico preocupa produtores e transportadores, principalmente pelo impacto direto no custo do frete e na disponibilidade de veículos para o escoamento da safra.
O cenário é marcado por pátios de postos de combustíveis lotados, filas que chegam a cerca de 30 quilômetros e disputa por espaço na única via de acesso aos portos. Caminhoneiros vindos do norte de Mato Grosso e do sudeste do Pará enfrentam dias de espera para conseguir descarregar nos terminais.
O caminhoneiro Rony Lima está há mais de um dia na fila e relata que a demora já faz parte da rotina. “Quem vai pegar a fila não descarrega em menos de dois dias, não”. Ele destaca que melhorias na infraestrutura e na organização do fluxo são necessárias para reduzir o tempo de espera. “O que tem que melhorar é a transportuária”.
A situação também tem desanimado profissionais do transporte. Mauro Dioniz da Silva afirma que enfrenta dias de viagem e espera conseguir descarregar. “Três dias para chegar aqui, encarar fila, buraco e confusão. É um descaso com os motoristas aqui. Quero até desistir já porque você não ganha dinheiro só dentro de caminhão”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
As condições enfrentadas nas filas também afetam a rotina básica dos caminhoneiros. Gilson Carlos Martins Sales explica que, em muitos casos, não há estrutura adequada durante a espera, especialmente para quem transporta cargas perigosas. “Não pode ter cozinha, não pode ter fogão por indução, porque é proibido qualquer tipo de chama, aí a gente fica Deus dará”.
Ele relata que a permanência na fila pode ultrapassar um dia inteiro até conseguir concluir o trajeto e retornar. “Já entrei na fila às 8 horas da manhã e cheguei em casa às 4 horas da manhã do outro dia”. Segundo ele, a melhoria das condições da estrada é essencial para resolver o problema. “É pavimentar, duplicar. Se duplicar isso aí melhora bastante”.
Gargalo está no acesso aos terminais
O principal entrave logístico não está dentro dos portos, mas no acesso ao distrito de Miritituba, de acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). Trechos sem pavimentação e com buracos dificultam o tráfego e, em períodos de chuva, a lama impede a passagem dos caminhões, agravando ainda mais os congestionamentos. “Hoje chegam em torno de 2,5 mil a 3 mil carretas descarregam por dia aqui nos portos de Miritituba”, pontua o coordenador técnico da entidade, Paulo Roberto Almeida Ferreira.
Ele explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que a situação exige manutenção constante da via. “A gente ainda tem trechos de chão em que existe muito buraco. Essa estrada precisa estar passando constantemente por manutenção”.
Paulo Roberto observa que, quando chove, as condições da estrada impedem o tráfego e comprometem o fluxo da produção. “Quando chove e dá lama os caminhões não conseguem trafegar nesses trechos de chão, aí dificulta o descarregamento da soja. É caos. E a população de um modo geral acaba se tornando muito vulnerável com toda essa situação”.
Nos terminais, a estrutura é considerada suficiente para receber os caminhões, mas muitos não conseguem chegar dentro do cronograma previsto. O gerente de operações de granéis, Cliver Matheus Tavares da Costa, explica que as metas operacionais são cumpridas quando os veículos conseguem acessar os pátios. Conforme ele, o problema está justamente na retenção dos caminhões ao longo da estrada.
“Todos os terminais têm o mesmo problema. Eles ficam com os pátios vazios e as operações paradas porque os caminhões não conseguem chegar nos terminais. As empresas trabalham com o regime de agendamento justamente para não tumultuar essa rodovia que não tem tanta estrutura para receber essa quantidade de caminhões”, frisa Cliver.
Ele ressalta que a expansão das operações portuárias deve aumentar ainda mais a pressão sobre a rodovia. Hoje atuam no local cerca de oito empresas, que recebem entre três milhões de toneladas e cinco milhões de toneladas por ano. “Provavelmente abrirá mais umas cinco empresas de grãos, o que vai tumultuar mais ainda a rodovia porque não tem tanta capacidade de fluxo pela quantidade de caminhão que tem”.
Produtores sentem impacto e cobram solução
O cenário também preocupa o setor produtivo de Mato Grosso, responsável por grande parte da soja escoada pelo corredor Norte. O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, afirma que os impactos logísticos acabam sendo absorvidos diretamente pelo produtor. “O caminhão hoje é o silo desse lugar aqui”.
Ele ressalta que os custos adicionais reduzem o valor recebido pela produção. “Quem paga por isso somos nós lá ganhando R$ 10, R$ 15 a menos na saca de soja para aguentar tudo isso que está acontecendo aqui”.
Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Antônio César Brólio, o problema ocorre justamente no início do escoamento da safra, o que amplia a preocupação no campo. “O escoamento da safra recém começou, então a gente vê o quanto está travado isso daqui”.
Na avaliação dele, o aumento do custo logístico compromete diretamente a rentabilidade da atividade. “Encarece o nosso custo, porque encarece o frete e é menos dinheiro no bolso do produtor rural”.
Uma comitiva do Sistema Famato, formada por representantes de aproximadamente 20 sindicatos rurais, percorreu a região nesta semana para acompanhar o escoamento da produção mato-grossense. No último ano, cerca de 17 milhões de toneladas de soja oriundas de Mato Grosso foram enviadas pelos portos do corredor Norte.
O presidente da entidade, Vilmondes Tomain, destaca que a estrutura portuária é eficiente, mas o acesso precisa acompanhar o crescimento da demanda. “A infraestrutura da barcaça onde estão fazendo o descarregamento, o transbordo, é de excelente qualidade, mas até você chegar aqui é uma dificuldade danada”.
Ele defende investimentos em infraestrutura e armazenagem como parte da solução para melhorar o fluxo logístico. “Não é só o Porto, nós temos que começar desde lá [estrada] para melhorar as condições, para poder melhorar aqui também o fluxo”.
Agro Mato Grosso
Batida entre caminhões deixa 2 mortos e provoca incêndio na BR-364 em MT; vídeo

Rodovia ficou totalmente interditada. Segundo a concessionária, veículos transportavam mudas de plantas e uma carga que aparenta ser milho.
Duas motoristas, que ainda não tiveram as identidades divulgadas, morreram em uma batida entre dois veículos de carga que pegaram fogo no km 540 da BR-364, em Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá, nesta quarta-feira (14). A pista foi totalmente interditada para o atendimento da ocorrência. (video abaixo)
Segundo a Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela rodovia, um dos veículos transportava mudas de plantas. O outro estava carregado com o que aparenta ser milho, e parte da carga ficou espalhada pela pista. Os dois caminhões pegaram fogo com o impacto.
Inicialmente, a concessionária informou que um dos veículos envolvidos era um caminhão-tanque. Em uma atualização, a empresa corrigiu a informação e confirmou que não houve envolvimento de veículo desse tipo.
A concessionária foi acionada às 13h18 e enviou equipes ao local, onde também atuam o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Às 16h08, as chamas já haviam sido controladas, segundo a concessionária. Uma equipe responsável pela conservação da rodovia aguardava para iniciar a limpeza da pista.
Ainda não há informações sobre a existência de outros feridos ou as circunstâncias da batida. Até a última atualização desta reportagem, a pista permanecia interditada.
VIDEO:
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Agro Mato Grosso
Milho lidera e Mato Grosso garante 6º lugar entre os maiores exportadores do país

A força do agronegócio de Mato Grosso continua injetando bilhões de dólares na economia local e movimentando a renda em todo o Estado. Apenas no mês de setembro, as exportações mato-grossenses movimentaram US$ 2,1 bilhões, garantindo a Mato Grosso o posto de 6º maior exportador do Brasil, responsável por 6% de tudo o que o país vendeu para o exterior.
Com importações somando US$ 233 milhões, concentradas principalmente em insumos como fertilizantes, o saldo da balança comercial do Estado fechou no azul em cerca de US$ 1,9 bilhão.
Milho puxa os embarques e China lidera as compras
A produção mato-grossense alcançou 115 países em setembro, impulsionada pelos grãos e pela pecuária, o milho sozinho respondeu por US$ 641,1 milhões (30,3% de tudo o que foi vendido pelo Estado). Soja em grão (US$ 354 milhões), carne bovina congelada (US$ 257,5 milhões), farelo de soja (US$ 249,3 milhões) e algodão (US$ 163,3 milhões).
A China liderou o ranking de destinos, adquirindo US$ 342,3 milhões em produtos (16,2% do total), seguida por Países Baixos, Egito, Irã e Espanha.
Crescimento no ano e o foco na agroindustrialização
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Mato Grosso já faturou US$ 26,5 bilhões em vendas externas, uma alta expressiva de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, injetando US$ 3,8 bilhões a mais na economia estadual.
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: SEDEC
Agro Mato Grosso
Mato Grosso tem dois alertas de tempestade com ventos fortes e risco de granizo; entenda

Defesa Civil alerta para chuvas intensas até a madrugada de quarta-feira (14). Inmet também prevê tempestades, ventos fortes e possibilidade de granizo na quinta (15).
Cuiabá está sob alerta de chuvas intensas e ventos de até 60 km/h a partir desta terça-feira (13). Segundo a Defesa Civil, a previsão é de chuva de até 30 milímetros por hora, com risco de queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. O aviso é válido até as 0h55 desta quarta-feira (14).
Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu um alerta de tempestade para quinta-feira (15), válido das 0h às 23h59. O aviso é classificado como perigo potencial, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo do dia.
Para quinta-feira, também há previsão de ventos entre 40 e 60 km/h e possibilidade de queda de granizo. Segundo o Inmet, há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.
⚠️☔Orientações de segurança
Em caso de rajadas de vento, a orientação é evitar abrigo debaixo de árvores, devido ao risco de queda de galhos e descargas elétricas. Também é recomendado não estacionar veículos próximos a torres de transmissão, placas de propaganda e outras estruturas que possam cair.
Durante as tempestades, a população deve evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada. Em caso de falta de energia, a recomendação é utilizar lanternas em vez de velas, para reduzir o risco de incêndios.
Se houver queda de fios elétricos, a orientação é manter distância e não tentar tocar ou remover os cabos.
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