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12 de agosto de 2026

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Como o comportamento do fogo se modificou ao longo dos anos nos biomas

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Segundo dados do MapBiomas, Mato Grosso lidera o ranking nacional de área queimada acumulada nos últimos 40 anos. Em 2024, a Amazônia foi o bioma mais atingido, com 17,9 milhões de hectares consumidos, o maior número desde o início da série histórica, em 1985. Pela primeira vez, a área de floresta queimada (6,7 milhões de hectares) superou a de pastagens (5,2 milhões), representando 43% e 33,7%, respectivamente, da vegetação afetada.

No Cerrado, 9,7 milhões de hectares foram queimados no mesmo ano, sendo que 85% dessa área corresponde à vegetação nativa. Apesar de o fogo ser parte da ecologia natural do bioma, especialistas alertam para a alteração no regime do fogo, com queimadas mais frequentes, intensas e fora de época. Paradoxalmente, 55% do Cerrado não sofreu queimadas ao menos uma vez em 40 anos, o que compromete seu ciclo ecológico.

Já o Pantanal, mesmo com área absoluta menor, registrou a maior proporção relativa de queimas no país: 61,8% de sua superfície foi afetada pelo fogo entre 1985 e 2024, revelando a vulnerabilidade de um ecossistema que historicamente dependia do ritmo das águas para se proteger das chamas.

A mudança no regime do fogo, conjunto de características que determinam como o fogo se manifesta em uma paisagem, como frequência, intensidade, área afetada e sazonalidade – é um fenômeno crescente e desigual entre os biomas. No Cerrado, o fogo sempre teve papel ecológico relevante; no Pantanal, era controlado pelas cheias; e na Amazônia, era praticamente ausente em florestas intactas.

Essas alterações são resultado da pressão humana, mudanças climáticas e uso inadequado do fogo, o que desregula dinâmicas ecológicas essenciais à preservação ambiental. A continuidade desse cenário representa sérios riscos não apenas para os ecossistemas e comunidades locais, mas também para a estabilidade climática em escala nacional.

Cerrado

O Cerrado é um bioma naturalmente adaptado e dependente do fogo. Muitas espécies vegetais precisam do calor para germinar, rebrotar ou florescer, e os ciclos naturais de fogo, com intervalos de dois a cinco anos, ajudam a manter a biodiversidade. No entanto, o problema no Cerrado atual não é a presença do fogo, é o descontrole sobre como, quando e
com que frequência ele ocorre.

Hoje, as queimadas são muitas vezes provocadas por manejo inadequado, incêndios acidentais ou criminosos, e ocorrem com frequência muito maior do que o ecossistema pode suportar. Isso enfraquece a vegetação nativa e favorece a invasão por gramíneas exóticas, que alteram o combustível do solo e aumentam a inflamabilidade.

Alessandra Fidelis, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Rio Claro e especialista na ecologia do fogo, alerta que os regimes de fogo no Cerrado encontram-se alterados, como por exemplo em épocas inadequadas, afetando assim a regeneração das espécies nativas. Ela defende que o manejo do fogo deve seguir tanto os princípios ecológicos, respeitando os tempos de regeneração da vegetação, como os saberes tradicionais do uso do fogo.

”O problema do Cerrado não é o fogo em si, mas quando, onde e como ele ocorre: tanto queimar demais como não queimar podem trazer consequências igualmente prejudiciais para a biodiversidade”, aponta Fidelis.

Mário Barroso, coordenador de monitoramento da The Nature Conservancy Brasil (TNC Brasil), comenta como o MapBiomas, uma iniciativa colaborativa que mapeia a cobertura e o uso da terra no Brasil e em outros países da América do Sul, com base em imagens de satélite e tecnologias de sensoriamento remoto, tem sido fundamental para aprimorar a gestão
ambiental.

“Ter informações claras sobre o regime de fogo sempre foi um desafio. Hoje com o MapBiomas temos uma visão muito mais clara das transformações do regime do fogo nos biomas e de como devemos orientar as políticas públicas e o engajamento das pessoas para tratar desse tema”, afirma Barroso.

Manejo Integrado do Fogo

O Manejo Integrado do Fogo (MIF) é uma estratégia que reconhece que o fogo, em vez de ser apenas combatido ou proibido, pode ser usado de forma controlada e planejada como ferramenta de manejo ambiental, redução de risco e conservação. Ao contrário de abordagens tradicionais, que focam apenas no combate a incêndios, o MIF busca equilibrar prevenção, uso ecológico e resposta rápida.

O MIF é adotado em países como EUA, mas enfrenta desafios para ser implementado no Brasil, especialmente por causa das
particularidades de cada bioma. A pesquisadora Natashi Pillon está começando um experimento para adaptar o MIF para o Cerrado, especialmente com foco na conservação da biodiversidade. O projeto reconhece os avanços do MIF na proteção de áreas sensíveis e visa, em conjunto com os gestores, avançar na lapidação da prática para fins de conservação e proteção da biodiversidade de espécies e ecossistemas dependentes do fogo.

Natashi destaca que os modelos de Manejo Integrado do Fogo (MIF) atualmente aplicados no Brasil ainda enfrentam desafios para alcançar resultados mais amplos em termos de conservação. Embora muitos enfoquem aspectos importantes como a redução de combustível e a proteção de áreas agrícolas, ainda há espaço para avanços na incorporação do papel ecológico do fogo e das necessidades específicas de cada bioma.

“O Cerrado demanda um manejo do fogo que respeite sua dinâmica ecológica singular. Modelos utilizados em países do hemisfério norte oferecem aprendizados valiosos, mas não podem ser aplicados diretamente sem adaptações. Estamos construindo uma abordagem contextualizada considerando o conhecimento acumulado dos gestores e equipe de manejo,
com foco na biodiversidade, pois ela é essencial para que o Manejo Integrado do Fogo (MIF) cumpra plenamente seu propósito” explica a pesquisadora.

Pantanal

O Pantanal sempre foi regulado pelo pulso das águas. Os ciclos anuais de cheia e seca determinavam quando e onde a vegetação secava. Esse equilíbrio, no entanto, vem sendo profundamente alterado. Cheias mais curtas, irregulares ou até ausentes em algumas regiões têm permitido o acúmulo de biomassa seca em áreas antes permanentemente alagadas.

A alteração desse regime hídrico tem sido um fator-chave para o agravamento dos incêndios florestais no Pantanal, ao romper o equilíbrio entre períodos de cheia e seca que historicamente regulavam a dinâmica da vegetação e do fogo. Com cheias cada vez mais curtas, irregulares ou ausentes, áreas que antes permaneciam alagadas por longos períodos agora acumulam grande quantidade de matéria orgânica seca, criando um ambiente altamente inflamável.

Esse cenário reduz a umidade do solo e da vegetação, prolonga a estação seca e favorece a propagação do fogo mesmo em regiões que antes resistiam naturalmente às chamas. O colapso desse ciclo hídrico transforma o bioma em uma paisagem mais vulnerável e permanentemente suscetível a incêndios de maior intensidade e duração.

Responsável por liderar as estratégias institucionais de prevenção e combate a incêndios, Leonardo Gomes, diretor executivo do SOS Pantanal, tem defendido a adoção e fortalecimento do Manejo Integrado do Fogo (MIF) no bioma. “Temos avançado na implantação do Manejo Integrado do Fogo, mas ainda precisamos de investimentos expressivos em prevenção, especialização de profissionais, pesquisa e infraestrutura.

A adoção desse conceito exige um trabalho conjunto entre sociedade civil, instituições de pesquisa e poder público. Não estamos perdendo só árvores ou animais com os incêndios. Estamos perdendo um patrimônio natural que regula o clima, sustenta comunidades inteiras e nos conecta com o futuro. Se o Pantanal continuar queimando nessa escala, vamos sentir
os impactos muito além da fronteira do bioma.”

Amazônia

Na Amazônia mato-grossense, onde o fogo historicamente não fazia parte do ciclo natural, as queimadas estão se tornando mais recorrentes e resistentes. A porção amazônica de Mato Grosso é caracterizada por florestas densas, com alta umidade e um dossel fechado que, historicamente, dificultava a ocorrência de incêndios. Esse equilíbrio, no entanto, vem sendo quebrado principalmente pela expansão de pastagens plantadas, que impulsiona o desmatamento, ação que abre caminho para a fragmentação florestal e agrava a vulnerabilidade da vegetação ao fogo. A intensificação das secas, associada às mudanças climáticas, contribui ainda mais para a permanência e propagação dos incêndios nessas áreas.

Hoje, áreas onde a floresta ainda permanece de pé estão sendo atingidas pelo fogo. Nessas regiões, a presença de matéria orgânica acumulada e o ressecamento das bordas florestais aumentam a inflamabilidade, mas a queima só ocorre quando há um foco de incêndio externo. Ou seja, não se trata de combustão espontânea. O resultado é o aumento de florestas degradas na paisagem

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Sebrae leva palestra sobre Inteligência Artificial para pequenos negócios em Juína

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Evento gratuito será realizado no dia 25 de agosto e vai apresentar aplicações práticas da IA para aumentar a produtividade, otimizar processos e melhorar os resultados das empresas

Empreendedores de Juína terão a oportunidade de conhecer, na prática, como a Inteligência Artificial (IA) pode ser utilizada para facilitar a rotina dos pequenos negócios, aumentar a produtividade e apoiar decisões mais estratégicas no dia a dia. No dia 25 de agosto, o Sebrae/MT (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso) realiza a palestra “IA Aplicada ao seu Negócio”, com participação gratuita.

A palestra foi pensada para aproximar a tecnologia dos empreendedores e mostrar, de forma simples e prática, que o uso da Inteligência Artificial não é exclusividade de grandes empresas. Nos pequenos negócios, a ferramenta também pode contribuir para organizar tarefas, aprimorar o atendimento, economizar tempo, tornar os processos mais eficientes.

De acordo com a analista do Sebrae/MT em Juína, Adriana Barbosa, conhecer as possibilidades oferecidas pela IA é cada vez mais importante para quem empreende. “A proposta da palestra é justamente aproximar essa tecnologia da rotina empresarial, mostrando, de forma prática, como ela pode ajudar a ganhar tempo, organizar processos e buscar melhores resultados. Não é preciso ser especialista em tecnologia para começar a utilizar esses recursos”, destaca Adriana.

Durante o encontro, os participantes terão contato com ferramentas e aplicações práticas de Inteligência Artificial que podem ser utilizadas para aumentar a produtividade e reduzir custos. Segundo a analista, a proposta é apresentar exemplos que possam ser adaptados à realidade dos pequenos negócios e colocados em prática de forma imediata.

“Além de conhecer novas possibilidades, os empreendedores poderão ampliar a visão sobre como a tecnologia pode se tornar uma aliada na busca por mais eficiência, inovação e crescimento”, destaca Adriana.

A palestra será conduzida por Juliano Kimura, palestrante nacional e referência em Inteligência Artificial, redes sociais, Nova Economia, inovação digital e empreendedorismo. Com 20 anos de atuação, Kimura tem se dedicado a inspirar profissionais e empresas na busca por novos resultados por meio da tecnologia e da transformação digital.

A ação é gratuita para os empresários e integra as ações do Sebrae Mato Grosso ao fortalecimento dos pequenos negócios e do comércio local.

O evento será realizado a partir das 18h30, na Fábrica Doralice, localizada na Avenida JK, nº 1228W, no Setor de Serviços, em Juína.

Com Assessoria 



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Brasil melhora em 71% dos indicadores sociais, mas abismo de renda e gênero avança

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Relatório 2026 aponta avanços na redução da pobreza e desemprego, mas alerta que mulheres e negros continuam sendo os mais prejudicados

O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 aponta que o Brasil avançou, no último ano, em 34 (71%) dos 48 indicadores estudados para análise do processo de enfrentamento das desigualdades.

Os avanços apontados pelo estudo são relativos, principalmente, à melhoria de renda média, ao aumento do mercado de trabalho, à redução da pobreza, além de maior segurança alimentar e acesso aos serviços básicos.

Índices de saúde – como redução da desnutrição infantil e de idosos; educação – como queda do analfabetismo; e segurança, – como redução da taxa de homicídios registrados de jovens de 15 a 29 anos, também melhoraram.

Do total de indicadores analisados, oito pioraram e seis se mantiveram estáveis. Entre as pioras estão:

  • ampliação do número de mulheres que recebem remuneração inferior à dos homens;
  • agravamento da concentração da renda;
  • tributação menor conforme a renda é maior;
  • condições mais desfavoráveis à população negra;
  • aumento da concentração dos piores indicadores sociais no Norte e Nordeste.

Para os responsáveis pelo relatório, os indicadores que apresentaram piora revelam que os principais mecanismos de reprodução das desigualdades permanecem ativos.

“O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território”, destaca o relatório.

O relatório publicado neste ano é a quarta edição. O primeiro foi publicado em 2023. A última publicação traz análises atuais sobre indicadores de 2025, com exceção de algumas bases de dados não atualizadas anualmente.

Um exemplo são os indicadores derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisam gastos com transporte e carga tributária a cada dois anos. Outro caso é o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2024, após seis anos da pesquisa anterior.

Na avaliação da diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, a indisponibilidade desses indicadores atualizados em 2025 não interfere no comparativo com as edições anteriores do relatório.

“Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo.  Os indicadores que a gente acompanha já indicam tendências pelo fato de já termos quatro anos de relatórios”.

No prefácio da publicação, Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil e economista-chefe do Pnud Brasil avalia que a análise dos indicadores contribui para um aprofundamento de índices divulgados por diversas organizações e vão além do conceito de desenvolvimento humano com base exclusivamente em indicadores econômicos de saúde e educação.

“Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo tempo, profundamente desiguais”, destaca.

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Amizade de anos entre Pivetta e Gisela ajudou a consolidar nova chapa ao Governo

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Deputada também foi escolhida em consenso pelas principais lideranças do União Brasil

A escolha da deputada federal Gisela Simona (União) para ser candidata a vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) foi construída com respaldo das principais lideranças do União Brasil. A definição ocorreu após consultas internas sobre o nome que representaria o partido na composição majoritária.

Segundo o deputado estadual Júlio Campos (União), houve uma videoconferência conduzida pelo presidente nacional do Progressistas, Nilson Leitão, para ouvir parlamentares e dirigentes sobre a indicação. Gisela teria reunido consenso entre os participantes.

Amizade de Gisela e Pivetta também foi levada em conta…

Além do aval político, a escolha também é marcada pela relação pessoal construída há anos entre Gisela e Pivetta. Os dois mantêm uma amizade antiga e uma relação considerada próxima e saudável, o que contribuiu para a boa receptividade do nome da deputada dentro do grupo.

A definição ocorreu após Fábio Garcia (União) deixar a disputa pela vice e anunciar o retorno à corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados. Com Gisela, o União Brasil permanece na composição da chapa encabeçada por Pivetta para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.

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