Agro Mato Grosso
Agrishow 2026: ‘vivendo uma tempestade’, diz presidente da feira sobre queda de 22% nos negócios

Com R$ 11,4 bilhões em prospecções, maior feira de tecnologia agrícola registrou primeiro recuo nas vendas desde 2015. Mesmo com safra recorde, cenário econômico e falta de subsídios não favorecem investimentos no campo, dizem representantes do setor.
A queda de 22% no volume de negócios prospectados pela Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, reflete uma combinação de fatores que desafiam o produtor rural, sem condições de fazer novos investimentos em tecnologia, na avaliação do presidente do evento, João Carlos Marchesan.
“Nós estamos vivendo uma tempestade perfeita”, afirmou o representante, após o encerramento do evento em Ribeirão Preto (SP) esta semana.
A feira terminou com uma projeção de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios firmadas para os próximos meses, R$ 3,2 bilhões a menos do que na edição de 2025. Este é o primeiro recuo nos números desde 2015, quando o evento anunciava uma retração de 30%.

Agrishow 2026 tem queda de 22% nas intenções de negócios
Plano Safra, juros e aumento de custos
Os problemas apontados 11 anos atrás, inclusive, estão entre os que agora incomodam o setor: incertezas sobre o anúncio do Plano Safra e altas taxas de juros, que encarecem o acesso ao crédito. Atualmente, mesmo com o recente anúncio de baixa do Banco Central, a Selic, que é a taxa básica básica da economia brasileira, está em 14,5% ao ano.
Enquanto isso, embora a União tenha prometido um novo recorde nos valores concedidos e linhas com taxas abaixo dos 10%, o Plano Safra só deve ser anunciado no fim do primeiro semestre e com condições ainda incertas.
Além disso, também ainda não estão disponíveis os R$ 10 bilhões anunciados na própria Agrishow pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para compra de máquinas e equipamentos agrícolas pelo programa Move Agrícola. Segundo Marchesan, a espera pelos recursos também desmotivou visitantes a fazer negócios na feira.
“Nós já estávamos pedindo uma linha especial para a Agrishow, mais de 90 dias insistindo para que houvesse essa linha. Só que ele anunciou esse linha aqui e a linha não está operacionalizando.”
A instabilidade internacional e o aumento nos custos causada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã também entram nas contas do setor, principalmente para quem planta soja e milho.
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Representantes do agro questionam problemas para ter acesso a crédito e investir no campo. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
“Estamos vivendo um momento difícil com essa situação dessa conflito que existe ali no Oriente Médio. Isso leva ao encarecimento, principalmente dos insumos, dos fertilizantes, e isso também reflete no preço do diesel. É um insumo básico para o agricultor que está acabando de colher”, afirma Marchesan.
Para Maurilio Biagi, presidente de honra da Agrishow, o agronegócio é apenas um dos setores afetados pelas questões econômicas.
“Não existe um brasileiro, não existe um jornalista, um encanador, um portador de cana, uma pessoa no Brasil que não ache absolutamente abusivos os juros. (…) O endividamento das pessoas e das famílias é uma coisa enlouquecedora, os números e as estatísticas que nós temos são muito sérios. Essa questão dos juros no Brasil é uma questão muito séria que atinge a toda a população brasileira. O agro está inserido nisso.”
Para a Federação de Agricultura e Pecuária do estado (Faesp), as medidas de apoio ao setor precisam ser tomadas logo pelas autoridades, pois os benefícios demoram a ser sentidos por quem trabalha no campo.
“O produtor precisa de medidas sólidas para que continue conseguindo investir. Faltou por parte do governo federal o anúncio de soluções concretas em relação a juros, plano safra, planejamento, segurança jurídica e econômica. Os investimentos no campo demoram mais de cinco anos para retornar. Então o produtor está esperando medidas para conseguir voltar a investir”, disse Tirso Meireles, presidente da Faesp.
Agro Mato Grosso
Fazendeiro é condenado por degradação na Terra Indígena Marãiwatséd, em MT

O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação de um fazendeiro a recuperar 145,81 hectares degradados dentro da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso. A sentença, da Vara Federal Cível e Criminal de Barra do Garças, também determinou que ele não realize atividades incompatíveis com a recuperação ambiental e fixou indenização por dano moral coletivo.
A ação civil pública apurou o impedimento da regeneração de floresta nativa e a manutenção de lavoura de soja mesmo após o embargo da área. Em 2008, fiscais do Ibama constataram a degradação e aplicaram multa de R$ 7,86 milhões. Em 2010, nova fiscalização encontrou plantação de soja na área embargada, resultando em outra multa, de R$ 1 milhão, e na apreensão de 47 mil sacas do produto.
A área originalmente discutida na ação tinha 1.571,20 hectares. Como 1.425,39 hectares já eram objeto de outro processo, a sentença analisou os 145,81 hectares remanescentes.
O fazendeiro deverá apresentar, em até 90 dias após o trânsito em julgado, um plano de recuperação de área degradada (PRAD) e executá-lo até a completa recuperação da área. A sentença também estabeleceu que eventual indenização por danos materiais será aplicada apenas se a recuperação for tecnicamente impossível ou houver descumprimento injustificado das medidas determinadas.
A indenização por dano moral coletivo foi fixada em 5% do valor da reparação material, a ser calculado posteriormente. Segundo a sentença, a degradação atingiu extensa área de floresta amazônica dentro de terra indígena e continuou mesmo após o embargo, afetando bem ambiental coletivo e território destinado constitucionalmente ao povo Xavante.
Os valores deverão ser destinados ao fundo previsto na Lei da Ação Civil Pública, com preferência para projetos de recuperação da própria Terra Indígena Marãiwatsédé.
A decisão é de primeira instância e pode ser contestada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Agro Mato Grosso
Ave rara e ameaçada é registrada em área de preservação em MT

Marianinha-de-cabeça-amarela foi encontrada durante monitoramento ambiental no reservatório da Usina Hidrelétrica Colíder.
Uma marianinha-de-cabeça-amarela (Pionites leucogaster), ave ameaçada de extinção, foi registrada nesse fim de semana por uma equipe de monitoramento ambiental na área de preservação do reservatório de uma usina hidrelétrica, entre Nova Canaã do Norte e Colíder, a 696 km e 650 km de Cuiabá, respectivamente.
O registro foi feito durante um trabalho de acompanhamento dos animais que vivem na região. De acordo com a equipe, a identificação da ave ajuda os pesquisadores a conhecer melhor a fauna local e a reunir informações para ações de proteção da espécie.
A marianinha-de-cabeça-amarela é classificada como “em Perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que significa que existe um alto risco de extinção. A ave é difícil de ser encontrada e costuma viver nas partes mais altas das árvores da Amazônia.
Com cerca de 23 centímetros, a ave tem cabeça alaranjada, rosto e pescoço amarelos, peito branco e corpo verde. Ela faz parte da mesma família dos papagaios e periquitos e também é conhecida como periquito-d’anta.
A espécie também é encontrada no Peru e na Bolívia. Ela vive principalmente em florestas preservadas e se alimenta de frutos, pétalas e néctar de flores. Ao espalhar sementes, ajuda no crescimento de novas plantas e na renovação das florestas.
A ave faz seus ninhos em buracos de árvores que ficam entre 15 e 30 metros de altura. A reprodução acontece principalmente em janeiro, quando a fêmea coloca ovos branco-amarelados.
Agro Mato Grosso
Avião que buscaria deputado Júlio Campos em MT pousa às margens de rodovia após emergência

Aeronave faria o translado de Aragarças (GO) para o município de Araguaiana (MT), onde embarcaria o deputado Júlio Campos e assessores para retorno a capital.
O avião que buscaria o deputado Júlio Campos (União) realizou um pouso de emergência em Araguaiana, a 570 km de Cuiabá, na manhã desta terça-feira (22). Conforme informações da assessoria, o parlamentar não estava na aeronave no momento do acidente.
A aeronave faria o translado de Aragarças (GO) para o município de Araguaiana (MT), onde embarcaria o deputado Júlio Campos e assessores para retorno a capital.
“Por motivos ainda desconhecidos a referida aeronave teve que fazer um pouso de emergência as margens da rodovia MT-100, na ocasião a aeronave estava apenas com o comandante a bordo, estamos providenciando comunicado as autoridades competentes. O comandante passou por avaliação médica no local e já foi liberado”, informou a empresa de táxi aéreo.
Um vídeo gravado no local mostra a aeronave às margens de uma estrada, próximo a uma fazenda (vídeo abaixo). Alguns carros circulavam na região no momento do pouco, mas nenhum veículo foi atingido.
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Avião do deputado Julio Campos parou às margens de estrada em MT — Foto: Reprodução
Segundo a assessoria, a situação foi controlada rapidamente e não há feridos. As circunstâncias que levaram ao pouso de emergência ainda são investigadas.
A aeronave de prefixo PT-VOD é um bimotor de pequeno porte, modelo Neiva EMB-810D Seneca III, usada para táxi aéreo no estado. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac, ela foi fabricada em 1991.
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