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22 de junho de 2026

Sustentabilidade

Biocombustíveis no Brasil: Expansão, Sustentabilidade e o Potencial da Carinata – MAIS SOJA

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Foto de capa: Planeta Campo (2025).

A produção de biocombustíveis tem se consolidado como um dos pilares da matriz energética brasileira, contribuindo para a redução da dependência de combustíveis fósseis e das emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE). No ano de 2024, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP, 2025), o Brasil atingiu um recorde histórico, com a produção de 793 mil barris por dia, representando aproximadamente 46 bilhões de litros de etanol e biodiesel. Se compararmos aos anos anteriores, em 2023 e 2022 foram produzidos 43 e 37 bilhões de litros respectivamente, o que demonstra um aumento gradativo na produção de biocombustíveis (ANP, 2025).

Esse volume representa não apenas um avanço tecnológico e logístico, mas também a consolidação do país como um dos líderes mundiais na produção de biocombustíveis (BRASIL, 2024). De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, 2022), o Brasil ocupa a segunda posição global em produção de biocombustíveis, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (Figura 1), e desempenha papel estratégico no cumprimento das metas internacionais de descarbonização, especialmente no setor de transportes.

Nos Estados Unidos, maior produtor mundial, a capacidade instalada de etanol alcançou cerca de 18 bilhões de galões/ano no início de 2024 (EIA, 2024), a produção média nas quatro semanas encerradas em 23 de maio de 2025 foi de aproximadamente 1,03 milhão de barris/dia (EIA, 2025) e, em 2023, a capacidade de diesel renovável superou a de biodiesel (EIA, 2023).

Na União Europeia, a participação de renováveis no transporte chegou a 10,8% em 2023 (EUROSTAT, 2025), enquanto as biorrefinarias produziram cerca de 6,4 bilhões de litros de etanol em 2023 (EPURE, 2024).

Figura 1: Evolução da produção de biocombustíveis no mundo.

Fonte: Elaborado por IBP (2022) com dados de IEA (2022).

Esse protagonismo brasileiro está diretamente relacionado ao uso intensivo da cana-de-açúcar como matéria-prima para o etanol. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA, 2024), na safra 2023/2024 foram produzidos aproximadamente 30,2 bilhões de litros de etanol a partir da cana-de-açúcar, o que corresponde a cerca de 85% da produção total de etanol no país.

Outro aspecto relevante diz respeito à eficiência ambiental do etanol de cana-de-açúcar. Estudos da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, 2023) mostram que o etanol brasileiro apresenta uma emissão de CO2 até 90% menor que a gasolina. Esse diferencial é fruto tanto do ciclo biológico da cana quanto das tecnologias aplicadas nas usinas brasileiras, que utilizam fontes renováveis em seus processos produtivos (NUNES, 2017). Tais características tornam o etanol brasileiro altamente competitivo e desejável nos mercados internacionais, sobretudo frente à demanda crescente por combustíveis sustentáveis, como os exigidos pela União Europeia e por companhias aéreas globais (MOSQUERA, 2024).

No entanto, a predominância da cana-de-açúcar como a principal matéria-prima para o etanol apresenta riscos associados à variabilidade climática. Em anos de anomalias climáticas, como os registrados em 2021 e 2023, a produção foi severamente impactada por longas estiagens, geadas e ondas de calor, comprometendo o fornecimento de matéria-prima para as usinas (CONAB, 2023). Além disso, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2022) projeta que o Brasil poderá enfrentar, até 2050, um aumento de 2 a 4 °C nas temperaturas médias, além de alterações significativas no regime de chuvas, com maior frequência de eventos extremos como secas, tempestades e inundações. Tais cenários colocam em risco não apenas a estabilidade da produção agrícola, mas também a segurança energética e alimentar do país.

Diante disso, a diversificação de culturas e a expansão de áreas para outros estados tornam-se estratégias cruciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas e reduzir a dependência de uma única commodity energética. Nesse sentido, a introdução da Carinata (Brassica carinata) no sistema produtivo brasileiro representa uma inovação relevante. Também conhecida como mostarda-etíope, essa oleaginosa é originária do nordeste da África, e tem demonstrado grande potencial para uso na produção de biocombustíveis avançados, especialmente bioquerosene de aviação (Biojet fuel) e biodiesel. Conforme estudo de Mulvaney et al. (2019), suas sementes apresentam teores médios de 39,7% de óleo e 31,6% de proteína (Tabela 1), com predominância de ácidos graxos monoinsaturados (57,2%), o que facilita sua conversão industrial em combustíveis de alta qualidade.

Tabela 1:  Composição química das sementes de Brassica carinata em 304 amostras analisadas.
ParâmetroMédia (%)
Concentração de óleo39,7
Proteína na semente31,6
Ácidos graxos saturados6,2
Ácidos graxos monoinsaturados57,2
Ácidos graxos poli-insaturados35,9
Fonte: Adaptado de Mulvaney et al. (2019).

A carinata também se destaca por seu ciclo adaptado ao cultivo no inverno (Figura 2), sendo uma alternativa eficiente para o período de entressafra da soja e do milho. De acordo com Santos et al. (2020), “as principais doenças que afetam as culturas de brássicas no Brasil incluem a hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae) e o míldio (Peronospora parasitica), as quais representam sérios desafios fitossanitários”.

Essas características também reforçam a semelhança da cultura com a canola quanto a exigências nutricionais e manejo (GUIMARÃES et al., 2022; INSTITUTO BIOLÓGICO, 2024). Em estudos nos Estados Unidos foram observadas necessidades médias de 100 kg/ha de nitrogênio, 68 kg/ha de fósforo, 57 kg/ha de potássio e 24 kg/ha de enxofre para  produtividades de 30 a 46 sacas/ha (SEEPAUL et al., 2021).

Com relação ao preço de mercado, a saca de carinata girava em torno de R$ 110,00 em 2024 (GLOBO RURAL, 2025), conferindo-lhe competitividade frente a outras culturas de inverno tradicionais como trigo, que no início de 2025 custava R$ 70,00 a saca (COTRIJAL, 2025). De acordo com o Canal Rural (2024), foram cultivados cerca de 7 mil hectares de carinata no Brasil em 2024, com estimativa de expansão para 50 mil hectares em 2025, representando um aumento de mais de 600% da área cultivada.

Figura 2: Plantas de carinata em estágio de florescimento.

Fonte: Planeta Campo (2025).

Mais do que uma alternativa produtiva, a carinata contribui para a sustentabilidade do sistema agrícola. Permite a rotação de culturas com diferentes plantas de inverno, melhorando a estrutura do solo por evitar sua exposição direta à radiação solar e à erosão (SOARES et al., 2018). Isso reforça sua utilidade não apenas como geradora de energia, mas como componente de um modelo agroecológico resiliente.

Portanto, a cana-de-açúcar continuará a desempenhar papel central na matriz energética brasileira, especialmente pela eficiência do etanol. Contudo, a intensificação dos impactos das mudanças climáticas impõe a necessidade de diversificação agrícola.

Nesse contexto, a carinata se apresenta como uma cultura estratégica não somente para os produtores interessados em diversificar seus sistemas de cultivo, mas também capaz de reduzir a sazonalidade da produção de biocombustíveis, com benefícios econômicos, ambientais e agronômicos. Sua inclusão nos sistemas produtivos brasileiros, como no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste, contribui para um modelo mais sustentável e adaptado aos compromissos internacionais de neutralidade de carbono.

Sobre o autor: Kauê da Cunha Beier é Acadêmico do 7º semestre do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista do grupo PET Agronomia. E-mail: kauecunhabeier@gmail.com

Coautores : Fábio Joel Kochem Mallmann, Beatriz Schopf, Amanda Marim, Gustavo Luft.


Referências

ANP – AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (Brasil). Boletim de biocombustíveis: 2024. Brasília: ANP, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/dados-tecnicos/acervo-de-dados. Acesso em: 28 abr. 2025.

BRASIL. Produção de biocombustíveis cresce no Brasil e alcança recorde histórico. Agência Brasil, 18 jul. 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/producao-de-biocombustiveis-cresce-no-brasil-e-alcanca-recorde-historico-1. Acesso em: 24 ago. 2025.

CANAL RURAL. Carinata: oleaginosa avança nas lavouras brasileiras. Disponível em: https://www.canalrural.com.br. Acesso em: 28 abr. 2025.

CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra brasileira: Cana-de-açúcar, safra 2023. Brasília: CONAB, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conab/pt-br. Acesso em: 28 abr. 2025.

COTRIJAL. Cotações. Disponível em: https://www.cotrijal.com.br/. Acesso em: 8 maio 2025.

EPE – EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço energético nacional: 2024. Brasília: EPE, 2024. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/balanco-energetico-nacional-2024. Acesso em: 28 abr. 2025.

EIA – U.S. ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION. U.S. Fuel Ethanol Plant Production Capacity (as of Jan. 1, 2024). Washington, DC: EIA, 15 ago. 2024. Disponível em: https://www.eia.gov/petroleum/ethanolcapacity/. Acesso em: 24 ago. 2025.

EIA – U.S. ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION. In 2023, U.S. renewable diesel production capacity surpassed biodiesel production capacity. Today in Energy, 5 set. 2023. Disponível em: https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=60281. Acesso em: 24 ago. 2025.

EIA – U.S. ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION. Weekly Ethanol Plant Production (Thousand Barrels per Day) – 4-Week Average. Washington, DC: EIA, 2025. Disponível em: https://www.eia.gov/dnav/pet/pet_pnp_wprode_s1_w.htm. Acesso em: 24 ago. 2025.

EPA – Environmental Protection Agency. Lifecycle Analysis of Greenhouse Gas Emissions under the Renewable Fuel Standard. Washington, DC: EPA, 2023. Disponível em: https://www.epa.gov/renewable-fuel-standard-program/lifecycle-analysis-greenhouse-gas-emissions-under-renewable-fuel. Acesso em: 1 maio 2025.

EPURE. European renewable ethanol – key figures 2023. Bruxelas: ePURE, 2024. Disponível em: https://www.epure.org/wp-content/uploads/2024/09/240904-DEF-PR-European-renewable-ethanol-Key-figures-2023-WEB.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.

EUROSTAT. Share of renewables in transport rose in 2023. News article, 7 fev. 2025. Disponível em: https://ec.europa.eu/eurostat/web/products-eurostat-news/w/ddn-20250207-1. Acesso em: 24 ago. 2025.

IEA – AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA. Renewable Energy Market Update – Outlook for 2024 and 2025. Paris: IEA, 2024. Disponível em: https://www.iea.org/reports/renewables-2024. Acesso em: 28 abr. 2025.

IFSP – Instituto Federal de São Paulo. Cana-de-açúcar: a produção de etanol e seus benefícios. São Paulo: Instituto Federal de São Paulo, 2017. Disponível em: https://brt.ifsp.edu.br/phocadownload/userupload/213354/IFMAN170005%20CANA%20DE%20ACAR%20A%20PRODUO%20DE%20ETANOL%20E%20SEUS%20BENEFCIOS.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.

INTERNATIONAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Sixth assessment report: climate change 2022. Genebra: IPCC, 2022. Disponível em: https://www.ipcc.ch/assessment-report/ar6/ Acesso em: 1 maio 2025.

GLOBO RURAL. Carinata é alternativa para período de entressafra de grãos. Globo Rural, 18 jan. 2025. Disponível em: https://globorural.globo.com/agricultura/noticia/2025/01/carinata-e-alternativa-para-periodo-de-entressafra-de-graos.ghtml. Acesso em: 28 abr. 2025.

GUIMARÃES, C. G.; SANTOS, A. dos; RODRIGUES, E. V.; LAVIOLA, B. G. Canola: panorama atual e tecnologias de produção no Brasil. Brasília, DF: Embrapa, 2022. (Documentos / Embrapa Agroenergia, 40). ISSN 2177-4439. Disponível em: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1140176. Acesso em: 24 ago. 2025.

MOSQUERA, Luis R. Biofuel Dynamics in Brazil: Ethanol–Gasoline Price Parity and Competitiveness in Renewable Energy Transition. Energies, v. 17, n. 21, p. 5265, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/1996-1073/17/21/5265. Acesso em: 28 abr. 2025

MULVANEY, M. J. et al. Carinata (Brassica carinata) as an industrial oilseed crop: oil composition and agronomic performance. Industrial Crops and Products, Amsterdam, v. 134, p. 274–282, 2019. Disponível em: https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.2134/agronj2018.05.0316. Acesso em: 28 abr. 2025

NUNES, Elis Fernando. Cana-de-açúcar: a produção de etanol e seus benefícios. São Paulo: Instituto Federal de São Paulo, 2017. Disponível em: https://brt.ifsp.edu.br/phocadownload/userupload/213354/IFMAN170005%20CANA%20DE%20ACAR%20A%20PRODUO%20DE%20ETANOL%20E%20SEUS%20BENEFCIOS.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.

SANTOS, C. A. dos; et al. Produção de brássicas na região Serrana do Rio de Janeiro. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2020. Disponível em: https://rima.ufrrj.br/jspui/bitstream/20.500.14407/10023/3/2020%20-%20Carlos%20Antonio%20dos%20Santos.pdf. Acesso em: 24 ago. 2025.

SEEPAUL, R. et al. Nutrient management and yield performance of Brassica carinata. Agronomy Journal, Madison, v. 113, n. 1, p. 234–243, 2021. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/gcbb.12804. Acesso em: 28 abr. 2025

SOARES, R. et al. Avaliação da estabilidade de agregados em marcadores ambientais terrestres do Antropoceno submetidos a diferentes períodos de pousio. 2018. Disponível em. http://static.sites.sbq.org.br/rvq.sbq.org.br/pdf/v10n6a05.pdf Acesso em: 28 abr. 2025

UNIÃO DA INDÚSTRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR (UNICA). Produção de etanol no Brasil – safra 2023/2024.Disponível em: https://www.unica.com.br. Acesso em: 28 abr. 2025.

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Rotação de culturas pode reduzir perdas no trigo – MAIS SOJA

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A resposta produtiva do trigo depende em cerca de 50% da interferência do ambiente, mas a outra metade é resultado do solo, da genética e do manejo da lavoura. Investir em conhecimento sobre as tecnologias disponíveis para conviver com o El Niño é fundamental para a sustentabilidade da lavoura.

Neste cenário, a rotação de culturas surge como uma prática importante para reduzir perdas. Dados de pesquisa mostram que, historicamente, a rotação agrega entre 35 a 40% na produtividade dos grãos quando comparada ao monocultivo, podendo apresentar resultados ainda melhores quando comparada ao monocultivo do trigo. “Em anos de El Niño esse incremento pode chegar a 60% na produtividade do trigo”, destaca o pesquisador Genei Dalmago. Segundo ele, “não estamos falando de trigo no inverno e soja no verão, mas de rotação inverno/inverno, verão/verão. Por exemplo, a área que recebeu trigo no inverno passado, poderá receber canola neste inverno; onde teve soja no verão, poderá receber o milho”. De forma prática, o pesquisador sugere dividir a área em três ou quatro talhões para fazer rotação de culturas, especialmente entre gramíneas, leguminosas e brássicas, entre outras, evitando o cultivo de trigo sobre trigo.

Cultura antecessora define adubação nitrogenada

A cultura que antecede o trigo pode alterar a demanda por adubação nitrogenada (N).

O nabo forrageiro é uma importante alternativa para aumentar a disponibilidade de nitrogênio para o trigo. “Apesar de não fixar o nitrogênio da atmosfera como as leguminosas, o nabo forrageiro possui raízes profundas que exploram camadas inferiores do solo e promovem a ciclagem de nutrientes, trazendo-os para a superfície por meio da biomassa produzida”, explica o pesquisador André Julio do Amaral. Com a produção de biomassa próximo aos 3 mil kg/ha, o nabo forrageiro pode acumular entre 50 a 60 kg de N/ha na parte aérea, disponibilizando parte desse nutriente para o trigo, por meio da ciclagem de nutrientes e da rápida decomposição da palhada. “Com a produção adequada de biomassa, o nabo forrageiro pode fornecer quase a metade do N necessário para que o trigo produza cerca de 4 mil kg de grãos por hectare. A estratégia reduz custos de produção, aumenta a eficiência do uso de nutrientes e contribui para a sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui Amaral.

O milho, embora deixe mais volume de palha no solo do que a soja, disponibiliza menos nitrogênio. Conforme o pesquisador Fabiano De Bona, a lenta degradação da palhada do milho dificulta a oferta desse nitrogênio para o a cultura do trigo. “Áreas de trigo após milho podem demandar até 30 kg/ha adicionais de N em relação ao trigo pós soja”, alerta De Bona.

As áreas com inoculação de Azospirillum brasilense nas sementes de trigo também devem contar com aporte de N. “A inoculação não substitui a adubação nitrogenada, já que as bactérias não são capazes de suprir toda a necessidade de nutrientes que a planta de trigo precisa”, esclarece o pesquisador José Pereira da Silva Júnior. Ele alerta que o comportamento das cultivares em resposta à inoculação é muito variável: “Se o produtor conhece a cultivar e sabe como responde à inoculação, é possível reduzir em até 30% a dose de nitrogênio recomendada. É preciso ter conhecimento de cada cultivar no ambiente de cultivo”.

Serviço:

Veja mais conteúdos da Campanha Safra de Inverno 2026 nas mídias sociais da Embrapa Trigo, no Youtube e no Instagram (@embrapa.trigo).

Assista as orientações do pesquisador André do Amaral sobre o uso do nabo forrageiro no aporte de N no trigo:



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Estudo avalia resistência de cultivares de trigo à brusone – MAIS SOJA

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A Rede de Ensaios Cooperativos acaba de divulgar o resultado da avaliação de cultivares de trigo quanto à resistência à brusone da espiga. Foram realizados dez ensaios a campo em cultivo de trigo de sequeiro, em seis estados do Brasil Central, nas safras 2024 e 2025. O boletim com os resultados foi publicado pela Embrapa Trigo.

O estudo, conduzido pela Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Recorbe), avaliou a reação à brusone de 20 cultivares de trigo em dez ensaios conduzidos nas safras de 2024 (quatro locais) e de 2025 (seis locais). Seguindo um protocolo, as instituições de pesquisa que participam da Recorbe instalaram ensaios, a partir de sementes cedidas pelas empresas obtentoras, para avaliar a brusone em seis estados: Fundação MS (Maracaju, MS), UFLA (Lavras, MG), Coopadap (São Gotardo, MG), IDR (Londrina, PR), Círculo Verde (Luis Eduardo Magalhães, BA), além das unidades da Embrapa Trigo (Uberaba, MG), Cerrados (Planaltina, DF) e Tabuleiros Costeiros (São Miguel dos Campos, AL).

O pesquisador da Embrapa Trigo João Leodato Nunes Maciel explica que foram avaliadas três variáveis no estudo: rendimento de grãos, peso hectolitro (PH) e incidência de brusone na espiga. “Apesar da relação direta entre as variáveis no campo, o grupo de pesquisadores optou por isolar cada uma delas favorecendo aspectos que podem distinguir as cultivares frente à presença da bursone nas lavouras de trigo”.

Desta forma, as cultivares que se destacaram em relação às três variáveis analisadas no estudo foram as seguintes:

  • menor incidência de brusone a campo: TBIO Convicto, ORS Feroz e TBIO Duque;
  • maior rendimento de grãos: TBIO Valente, ORS 1403 e BRS Savana;
  • maior peso do hectolitro: BRS Savana e TBIO Valente.
Figura: Caracterização de cultivares de trigo em ambiente tropical em relação ao rendimento de grãos e à incidência de brusone em espigas sob condições de campo.

RECORBE a Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone da Espiga de Trigo (Recorbe), iniciada em 2018, tem como base a execução de ensaios de campo por empresas ou instituições brasileiras interessadas no tema “reação de cultivares de trigo à brusone”. Entre os parceiros que conduzem os ensaios da rede estão cooperativas, instituições de pesquisa e universidades. O principal objetivo da rede é caracterizar as cultivares de trigo disponibilizadas para os produtores rurais quanto à resistência da brusone da espiga. A coordenação é da Embrapa Trigo que, a cada dois anos de condução dos ensaios, reúne as informações junto ao grupo da Recorbe para elaboração de um boletim técnico, onde são apresentados e analisados os resultados obtidos nos ensaios.


Brusone ainda desafia a triticultura

A brusone do trigo continua sendo um grande desafio nas lavouras brasileiras, cuja redução na produtividade pode chegar aos 63% para uma incidência de 50% nas espigas. Os danos maiores são observados nas lavouras dos estados do Brasil Central, embora também prejudique a cultura de forma relativamente importante nos estados da Região Sul, especialmente no norte do Paraná.

Desde a identificação da doença, em 1985, diversas ações têm sido desenvolvidas no Brasil por instituições de pesquisa, universidades, cooperativas e associações de produtores, com o objetivo de gerar e divulgar conhecimento sobre as melhores opções de manejo e controle da brusone do trigo. Ajustes no calendário de semeadura buscando o escape da brusone no espigamento do trigo, bem como a eficiência no uso dos fungicidas são resultados de pesquisa apresentados frequentemente pelas instituições.

O pesquisador João Leodato Maciel destaca as ações de melhoramento genético no combate à brusone do trigo: “É importante destacar a disponibilização de cultivares de trigo com a sequência 2NS em seu genoma em meados de 2010,  condição que tem permitido ao produtor contar com cultivares com maior resistência à doença”, entretanto, mesmo com os benefícios proporcionados pelo 2NS, o pesquisador lembra que “é preciso manter o monitoramento para as possíveis mutações do fungo, o que pode gerar variantes deste patógeno com capacidade de romper essa resistência”.

Fonte: Embrapa


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Aprosoja MT articula com o Governo solução emergencial para o endividamento rural – MAIS SOJA

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O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, participou, neste sábado (20.06), em Dom Aquino, da cerimônia de inauguração da extensão do trecho ferroviário da Ferronorte, no Terminal Rodoferroviário da Rumo, às margens da BR-070.

Durante a agenda, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente da entidade entregou um ofício ao Governo Federal solicitando apoio institucional para a construção de uma solução urgente em relação ao endividamento do setor agropecuário.

No documento, a Aprosoja MT alerta para o agravamento do cenário financeiro enfrentado pelos produtores rurais, marcado pela combinação de queda nos preços das commodities, aumento dos custos de produção, juros elevados, eventos climáticos adversos, compressão das margens operacionais e maior restrição na concessão de crédito para a próxima safra.

A entidade também reforça a necessidade de que o Executivo colabore para a construção de um consenso rápido em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados e trata de mecanismos para renegociação e alongamento de dívidas rurais.

Segundo o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o momento exige responsabilidade institucional e diálogo efetivo entre os Poderes.

“O vice-presidente Geraldo Alckmin foi receptivo e atencioso com a demanda dos produtores. Levamos a preocupação do setor e colocamos nosso corpo técnico à disposição para contribuir com um diálogo rápido, objetivo e efetivo entre o Executivo e o Legislativo. O setor precisa de uma solução urgente, construída com equilíbrio, para pacificar esse tema e desafogar produtores que estão sendo atingidos em todo o Brasil”, afirmou.

No ofício, a Aprosoja MT também solicita a adoção de medida emergencial, transitória e suplementar à tramitação do PL 5.122/2023, com a suspensão temporária da exigibilidade das dívidas rurais em 2026. A entidade destaca que a proposta não representa perdão de dívida ou anistia, mas uma medida excepcional de estabilização, necessária para evitar o agravamento da inadimplência, preservar o acesso ao crédito e permitir que o Congresso Nacional conclua a análise da matéria com segurança.

Dados citados pela entidade, com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), apontam que, até abril de 2026, a carteira ativa de crédito rural em Mato Grosso somava R$ 108,028 bilhões, dos quais R$ 21,784 bilhões já estavam classificados como saldo problemático. No Brasil, a carteira ativa chegava a R$ 895,183 bilhões, com R$ 186,521 bilhões em saldo problemático.

Para Lucas Costa Beber, a deterioração do crédito rural deixou de ser uma preocupação pontual e passou a representar risco sistêmico para a continuidade da atividade produtiva, especialmente diante da necessidade de capital para o próximo ciclo agrícola.

“A urgência decorre do fato de que o tempo é decisivo no crédito. Quando o produtor fica inadimplente e esse atraso ultrapassa determinados marcos temporais, as provisões bancárias e as regulações prudenciais do sistema financeiro dificultam ainda mais a efetividade de políticas públicas voltadas à renegociação e ao alongamento de dívidas. Esse é um ponto técnico relevante, porque pode inviabilizar a tomada de crédito para o custeio da próxima safra por milhares de agricultores em todo o Brasil. Por isso, precisamos de uma solução rápida, com comprometimento, sensibilidade e diálogo entre todas as esferas do Poder Público”, completou ele.

A Aprosoja MT defende que a construção de uma saída para o endividamento rural deve preservar a segurança jurídica, a estabilidade do crédito e a viabilidade econômica no campo, sem comprometer o abastecimento, a geração de empregos, a arrecadação e a contribuição do setor agropecuário para a economia brasileira.

Fonte: Aprosoja/MT



 

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