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Crédito rural despenca e inadimplência aumenta: e agora?

O início da nova safra trouxe um sinal que precisa ser levado a sério. De um lado, o governo anuncia centenas de bilhões de reais para financiar a agricultura empresarial e familiar. Do outro, o desembolso do crédito rural perde força justamente quando começa um novo ciclo produtivo.
Parece uma contradição. E, de certa maneira, é.
O Plano Safra 2026/27 disponibiliza R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, além dos recursos destinados à agricultura familiar por meio do Pronaf. Mas anunciar dinheiro é uma coisa. Fazer esse dinheiro chegar ao produtor é outra.
Hoje, o problema não é apenas quanto crédito existe. É quem consegue acessá-lo.
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A inadimplência mudou o jogo
A inadimplência do crédito rural entre produtores pessoas físicas alcançou patamares próximos de 7,5%. É um nível muito elevado para uma atividade historicamente reconhecida pela capacidade de honrar seus compromissos.
Isso muda a postura de quem empresta.
Com o risco maior, os bancos ficam mais seletivos, exigem mais garantias e analisam com maior rigor a capacidade de pagamento.
Forma-se então um círculo perigoso:
O produtor perde renda, aumenta o endividamento, o risco sobe, o banco restringe o crédito e, sem crédito, fica ainda mais difícil recuperar a renda.
O produtor não deixou de pagar porque quis
Não podemos olhar para a inadimplência rural sem considerar o que aconteceu dentro da porteira.
Nos últimos anos, muitos produtores enfrentaram uma combinação muito ruim: problemas climáticos, redução dos preços de algumas commodities, custos elevados e juros extremamente pesados.
É evidente que também existem casos de má gestão e produtores excessivamente alavancados. Mas seria um erro atribuir toda a deterioração do crédito rural a isso.
Existe uma parcela importante de produtores economicamente viáveis que sofreu sucessivas perdas e perdeu capacidade de pagamento no curto prazo.
Quando não pagar vira uma defesa
Aqui existe uma questão delicada, mas necessária.
Para alguns produtores, a inadimplência acabou se tornando uma última forma de defesa.
Não porque deixar de pagar seja desejável ou deva ser estimulado. O produtor depende do crédito e sabe da importância de preservar sua credibilidade.
Mas chega um momento em que ele precisa escolher entre utilizar o caixa para pagar integralmente uma dívida ou preservar recursos para manter a propriedade funcionando e continuar produzindo.
Quando isso ocorre de maneira disseminada, deixa de ser apenas um problema individual. Torna-se um problema econômico.
Quem paga em dia também sofre
Esse talvez seja um dos efeitos mais perversos.
Quando a inadimplência aumenta, o banco precisa incorporar esse risco. Torna-se mais criterioso, exige garantias maiores e reduz sua disposição para emprestar.
E quem está em dia também acaba atingido.
É justamente aí que as duas notícias se encontram: a inadimplência elevada ajuda a explicar por que o desembolso do crédito rural está perdendo força.
Menos crédito significa menor capacidade de investir, comprar tecnologia e financiar o custeio. Um problema financeiro começa, então, a ameaçar a própria produção.
Negociar é necessário. Mas não resolve tudo
O Brasil costuma enfrentar as crises rurais depois que elas aconteceram. Vem uma quebra de safra, aumenta o endividamento e surgem as renegociações.
Em determinados momentos, isso é indispensável. Um produtor economicamente viável não pode perder décadas de patrimônio por duas ou três safras ruins.
Mas precisamos atacar a origem do problema.
E isso passa necessariamente pelo seguro rural e pela gestão de risco.
Um seguro robusto protege o produtor, mas protege também o banco, a cooperativa, o fornecedor e o próprio governo.
É muito mais racional dividir o risco antes da perda do que socializar a dívida depois dela.
O seguro rural deveria ser uma das principais defesas contra esse ciclo de endividamento. Quando o clima derruba a produção, o seguro preserva parte da renda, reduz a necessidade de renegociação e protege também quem financiou a safra. O problema é que o Brasil ainda investe pouco neste instrumento e acaba gastando depois para socorrer quem perdeu capacidade de pagamento.
O verdadeiro Plano Safra começa na renda
Não basta comemorar o tamanho do Plano Safra, seja para a agricultura empresarial ou familiar.
O número realmente importante para quem está na propriedade é outro: quanto desse dinheiro efetivamente chega ao produtor e em quais condições?
Crédito não cria rentabilidade. É dinheiro que terá de ser devolvido com a renda futura da produção. Se essa renda não existir, aumentar o crédito apenas transfere o problema para frente.
Por isso, precisamos discutir juros, seguro rural, gestão de risco, garantias e, principalmente, rentabilidade.
O produtor não quer viver renegociando a dívida. Ele quer produzir, colher, vender, pagar suas contas e continuar investindo.
A inadimplência elevada e a queda na liberação do crédito são dois sinais do mesmo problema: o campo perdeu capacidade financeira.
Enquanto tratarmos apenas a dívida, estaremos cuidando da consequência.
O verdadeiro desafio é devolver renda a quem produz.
Porque produtor com renda paga dívida, consegue crédito e investe. E é isso, muito mais do que qualquer número anunciado em Brasília, que mantém o agro de pé.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Conab instala linhas de vida móveis em unidades do RN e do PI

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) concluiu a instalação de linhas de vida móveis em dez unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí. Os equipamentos foram adotados para reforçar a segurança de empregados e terceirizados em atividades executadas a mais de dois metros do solo. A medida integra a adequação da estatal à Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), voltada ao trabalho em altura.
O sistema conecta o operador a um ponto seguro da estrutura e, em caso de desequilíbrio ou queda, atua para impedir o impacto contra o chão ou níveis inferiores. Segundo a Conab, a medida também fortalece a segurança jurídica nas relações de trabalho.
No Piauí, o investimento em seis conjuntos de linhas de vida móveis somou R$ 376 mil, por meio do Pregão Eletrônico nº 90.015/2025. As unidades de Floriano e Picos receberam um conjunto cada. Parnaíba recebeu dois equipamentos, sendo um para a unidade do município e outro para a Unidade Satélite de Vendas de Piripiri. Em Teresina, os dois conjuntos restantes foram instalados nas estruturas do 1º Distrito Industrial e do bairro Itararé.
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No Rio Grande do Norte, a aquisição contemplou as unidades de Assú, Caicó, Currais Novos, Mossoró, Umarizal e Natal Caiapós. O investimento foi de R$ 318 mil, viabilizado pelo Pregão Eletrônico nº 90.002/2026.
De acordo com o superintendente regional da Conab no Rio Grande do Norte, Sebastião José de Arruda Júnior, a falta de um sistema adequado de ancoragem limitava a altura das pilhas de sacarias a dois metros, o que restringia o aproveitamento total do espaço nos galpões. Com a instalação dos novos equipamentos, essa limitação foi superada.
Arruda Júnior afirmou que a mudança permite elevar as pilhas com segurança e ampliar a capacidade de armazenagem de milho, cestas de alimentos e outros produtos. Ele também destacou que o modelo móvel reduz em cerca de 80% o custo da ancoragem em relação às estruturas fixas convencionais, que exigem cabos de aço em todo o galpão.
Com a instalação das linhas de vida móveis, a Conab reforça a segurança no trabalho em altura em unidades armazenadoras do Rio Grande do Norte e do Piauí e amplia o uso da capacidade operacional dos galpões.
Fonte: gov.br
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Roberto Rodrigues revela seu maior sonho para o agro

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues foi homenageado com o prêmio Semeador da Paz, durante o Fórum Planeta Campo 2026, realizado nesta sexta-feira (6), em São Paulo. O reconhecimento celebra a trajetória de um dos principais nomes do agronegócio brasileiro, que dedicou décadas ao fortalecimento do cooperativismo, à modernização da agricultura e à defesa da segurança alimentar.
Em um vídeo exibido durante a homenagem, Rodrigues relembrou momentos importantes de sua carreira e destacou o papel que o Brasil pode desempenhar na produção mundial de alimentos. Para ele, o desenvolvimento do agronegócio brasileiro representa também uma oportunidade de contribuir para a paz mundial.
“Se nós alimentarmos o mundo, nós seremos também, o Brasil será também o campeão mundial da paz. E esse é o único legado que eu sonho em deixar ainda”, afirmou.
A declaração resume uma das principais bandeiras defendidas pelo ex-ministro: transformar o potencial produtivo do país em uma estratégia nacional voltada à segurança alimentar.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também homenageou Roberto Rodrigues e destacou sua contribuição para transformar a agricultura brasileira em referência internacional.
“Roberto Rodrigues foi um dos personagens que mudou a agricultura brasileira, que a tornou referência para o mundo inteiro”, afirmou Alckmin.
Alckmin também falou sobre a atuação de Rodrigues em questões relacionadas às mudanças climáticas e ao combate à fome, além de sua trajetória nos setores público, acadêmico, industrial e científico.
Além disso, o vice-presidente agradeceu pelo trabalho desenvolvido em prol do Brasil e dos brasileiros.
Origem
A ligação de Roberto Rodrigues com a agricultura começou ainda na infância. Filho de um profissional ligado à pesquisa agrícola, ele cresceu na Estação Experimental de Cordeirópolis, no interior de São Paulo, onde seu pai trabalhava.
“A ligação com a agronomia e com a agricultura era muito íntima. Cresci na fazenda desde que nasci, na Estação Experimental de Cordeirópolis, onde meu pai era chefe, e passei a infância toda na roça, vivendo intensamente a vida rural”, recordou.
Entre 1961 e 1965, estudou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), instituição que considera determinante para sua formação pessoal e profissional. “A Esalq foi, na verdade, a grande escola da minha vida”, afirmou.
Sua trajetória ganhou projeção nacional com a atuação no cooperativismo e na articulação de entidades representativas do setor agropecuário.
À frente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodrigues participou, ao lado de Alysson Paolinelli, então presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e Flávio Telles de Menezes, que presidia a Sociedade Rural Brasileira (SRB), da criação da Frente Ampla da Agropecuária, que reuniu mais de 70 entidades.
“Acabei criando, por causa disso, a atual Frente Parlamentar da Agropecuária”, lembrou.
Participação na criação da Agrishow
Outro marco destacado no vídeo foi sua participação na criação da Agrishow, feira realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que se consolidou como um dos principais eventos de tecnologia agropecuária da América Latina.
Rodrigues relembrou as articulações para viabilizar o projeto, envolvendo a Secretaria de Agricultura de São Paulo e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
“Vamos fazer uma feira dinâmica lá em Ribeirão Preto. A Secretaria de Agricultura vai entrar com a estação experimental”, contou, ao recordar a proposta que deu origem ao evento.
A atuação no cooperativismo também levou Rodrigues ao cenário internacional. Ele se tornou o primeiro não europeu a presidir a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), além de representar pela primeira vez o segmento agrícola no comando da organização. “Levei o Brasil, a brasilidade para a ACI”, destacou.
Em 2002, assumiu a presidência da Abag, ampliando sua participação nas discussões sobre políticas públicas e desenvolvimento do agronegócio.
Modernização da agricultura brasileira
À frente do Ministério da Agricultura, Rodrigues participou de decisões relacionadas à modernização da produção agropecuária brasileira.
Entre os avanços destacados em seu depoimento está a aprovação da legislação de biossegurança, que estabeleceu regras para a utilização de organismos geneticamente modificados no país.
“Isso mudou o Brasil, gente. Se você olhar os gráficos de produção agrícola…”, afirmou, fazendo um gesto ascendente com a mão para ilustrar o crescimento da atividade.
O ex-ministro também relembrou a defesa de um modelo de produção baseado na integração entre lavoura, pecuária e floresta, associado a políticas de crédito rural e mecanismos de garantia de preços.
“Era um projeto para o Brasil, da integração entre lavoura, pecuária e floresta. Um projeto de política, crédito rural, preço de garantia, um projeto completo”, explicou.
Durante a retrospectiva, Rodrigues também prestou reconhecimento a Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura e um dos nomes associados à transformação da produção agropecuária brasileira.
“Eu devo dizer que o meu ídolo é o Alysson Paolinelli. Ele é que acendeu o farol do futuro, das expectativas”, declarou.
Uma história ligada ao Canal Rural
A trajetória de Roberto Rodrigues também está diretamente relacionada à história do Canal Rural, que completa 30 anos em 11 de novembro de 2026.
Inaugurado em 1996, o canal surgiu em um período de transformação da agropecuária brasileira, ampliando o espaço dedicado à informação, à tecnologia e aos desafios enfrentados pelos produtores rurais.
Rodrigues esteve entre os fundadores e primeiros apresentadores da emissora.
“O Canal Rural surge nesse contexto, o contexto da decolagem do Brasil para o primeiro mundo”, afirmou na época da inauguração.
Três décadas depois, sua trajetória permanece associada a iniciativas que contribuíram para a organização institucional, a representação política e a expansão da agricultura brasileira.
A homenagem com o prêmio Semeador da Paz reconhece essa contribuição e reforça a mensagem defendida pelo ex-ministro: a capacidade brasileira de produzir alimentos pode representar não apenas uma oportunidade econômica, mas também um instrumento para promover a segurança alimentar e a paz no mundo.
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Abertura oficial marca início da colheita do tabaco em Vera Cruz

A colheita do tabaco da safra 2026/2027 começou oficialmente nesta sexta-feira (6), em Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo. A 8ª Abertura Oficial da Colheita foi realizada na propriedade de Alceu e Eliane Tornquist, em Linha Progresso, com a presença de representantes do governo estadual e de entidades ligadas ao setor.
A propriedade da família Tornquist cultiva tabaco há quase 30 anos. Na área de 7,5 hectares, foram plantados 90 mil pés da cultura. Na safra 2025/2026, a produção superou 13 toneladas, o equivalente a 900 arrobas. Para a temporada atual, a projeção dos produtores é repetir resultado semelhante. Após a colheita do fumo, a área também é destinada à produção de grãos.
Participaram do evento o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, e o secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Alexandre Scheifler, além de representantes de instituições e entidades da cadeia produtiva. Segundo Madalena, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, mantida pela secretaria, atua como espaço de articulação entre produtores, indústrias, entidades representativas e instituições públicas para discutir desafios e perspectivas do setor.
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Scheifler afirmou que o tabaco tem importância para a agricultura familiar e para a economia de municípios como Vera Cruz, e citou temas como diversificação produtiva, negociação de preços, mitigação de riscos climáticos e exigências socioambientais.
De acordo com balanço final da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul somou 286.603 toneladas em 132.076 hectares, com 67.815 famílias produtororas e receita bruta de R$ 5,071 bilhões. Em 2025, as exportações gaúchas de tabaco e seus produtos alcançaram US$ 3,048 bilhões, com 513,6 mil toneladas embarcadas para 90 países. O produto ficou em terceiro lugar na pauta de exportações agropecuárias do Estado em valor, atrás do complexo soja e das carnes.
Em Vera Cruz, a produção chegou a 7.076 toneladas na safra 2025/2026, com 1.660 agricultores em 3.455 hectares. O município ocupou a 12ª posição entre os maiores produtores gaúchos e a 31ª no ranking nacional.
A abertura oficial da colheita reforçou o peso do tabaco na agricultura familiar do Vale do Rio Pardo e na pauta agropecuária do Rio Grande do Sul, em um cenário de forte participação do Estado na produção e nas exportações do produto.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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