Connect with us
7 de agosto de 2026

Business

Crédito rural despenca e inadimplência aumenta: e agora?

Published

on


Foto: Ministério da Agricultura

O início da nova safra trouxe um sinal que precisa ser levado a sério. De um lado, o governo anuncia centenas de bilhões de reais para financiar a agricultura empresarial e familiar. Do outro, o desembolso do crédito rural perde força justamente quando começa um novo ciclo produtivo.

Parece uma contradição. E, de certa maneira, é.

O Plano Safra 2026/27 disponibiliza R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, além dos recursos destinados à agricultura familiar por meio do Pronaf. Mas anunciar dinheiro é uma coisa. Fazer esse dinheiro chegar ao produtor é outra.

Hoje, o problema não é apenas quanto crédito existe. É quem consegue acessá-lo.

A inadimplência mudou o jogo

A inadimplência do crédito rural entre produtores pessoas físicas alcançou patamares próximos de 7,5%. É um nível muito elevado para uma atividade historicamente reconhecida pela capacidade de honrar seus compromissos.

Isso muda a postura de quem empresta.

Com o risco maior, os bancos ficam mais seletivos, exigem mais garantias e analisam com maior rigor a capacidade de pagamento.

Forma-se então um círculo perigoso:

O produtor perde renda, aumenta o endividamento, o risco sobe, o banco restringe o crédito e, sem crédito, fica ainda mais difícil recuperar a renda.

O produtor não deixou de pagar porque quis

Não podemos olhar para a inadimplência rural sem considerar o que aconteceu dentro da porteira.

Nos últimos anos, muitos produtores enfrentaram uma combinação muito ruim: problemas climáticos, redução dos preços de algumas commodities, custos elevados e juros extremamente pesados.

É evidente que também existem casos de má gestão e produtores excessivamente alavancados. Mas seria um erro atribuir toda a deterioração do crédito rural a isso.

Existe uma parcela importante de produtores economicamente viáveis que sofreu sucessivas perdas e perdeu capacidade de pagamento no curto prazo.

Quando não pagar vira uma defesa

Aqui existe uma questão delicada, mas necessária.

Para alguns produtores, a inadimplência acabou se tornando uma última forma de defesa.

Não porque deixar de pagar seja desejável ou deva ser estimulado. O produtor depende do crédito e sabe da importância de preservar sua credibilidade.

Mas chega um momento em que ele precisa escolher entre utilizar o caixa para pagar integralmente uma dívida ou preservar recursos para manter a propriedade funcionando e continuar produzindo.

Quando isso ocorre de maneira disseminada, deixa de ser apenas um problema individual. Torna-se um problema econômico.

Quem paga em dia também sofre

Esse talvez seja um dos efeitos mais perversos.

Quando a inadimplência aumenta, o banco precisa incorporar esse risco. Torna-se mais criterioso, exige garantias maiores e reduz sua disposição para emprestar.

E quem está em dia também acaba atingido.

É justamente aí que as duas notícias se encontram: a inadimplência elevada ajuda a explicar por que o desembolso do crédito rural está perdendo força.

Menos crédito significa menor capacidade de investir, comprar tecnologia e financiar o custeio. Um problema financeiro começa, então, a ameaçar a própria produção.

Negociar é necessário. Mas não resolve tudo

O Brasil costuma enfrentar as crises rurais depois que elas aconteceram. Vem uma quebra de safra, aumenta o endividamento e surgem as renegociações.

Em determinados momentos, isso é indispensável. Um produtor economicamente viável não pode perder décadas de patrimônio por duas ou três safras ruins.

Mas precisamos atacar a origem do problema.

E isso passa necessariamente pelo seguro rural e pela gestão de risco.

Um seguro robusto protege o produtor, mas protege também o banco, a cooperativa, o fornecedor e o próprio governo.

É muito mais racional dividir o risco antes da perda do que socializar a dívida depois dela.

O seguro rural deveria ser uma das principais defesas contra esse ciclo de endividamento. Quando o clima derruba a produção, o seguro preserva parte da renda, reduz a necessidade de renegociação e protege também quem financiou a safra. O problema é que o Brasil ainda investe pouco neste instrumento e acaba gastando depois para socorrer quem perdeu capacidade de pagamento.

O verdadeiro Plano Safra começa na renda

Não basta comemorar o tamanho do Plano Safra, seja para a agricultura empresarial ou familiar.

O número realmente importante para quem está na propriedade é outro: quanto desse dinheiro efetivamente chega ao produtor e em quais condições?

Crédito não cria rentabilidade. É dinheiro que terá de ser devolvido com a renda futura da produção. Se essa renda não existir, aumentar o crédito apenas transfere o problema para frente.

Por isso, precisamos discutir juros, seguro rural, gestão de risco, garantias e, principalmente, rentabilidade.

O produtor não quer viver renegociando a dívida. Ele quer produzir, colher, vender, pagar suas contas e continuar investindo.

A inadimplência elevada e a queda na liberação do crédito são dois sinais do mesmo problema: o campo perdeu capacidade financeira.

Enquanto tratarmos apenas a dívida, estaremos cuidando da consequência.

O verdadeiro desafio é devolver renda a quem produz.

Porque produtor com renda paga dívida, consegue crédito e investe. E é isso, muito mais do que qualquer número anunciado em Brasília, que mantém o agro de pé.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Crédito rural despenca e inadimplência aumenta: e agora? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Grupo é investigado por desvio de 197 toneladas de soja em MT

Published

on


Foto: Polícia Civil de Mato Grosso

A retirada de pelo menos 197 toneladas de soja de caminhões que circulavam pelas BR-163 e BR-364 levou a Polícia Civil de Mato Grosso a identificar um grupo suspeito de envolvimento em quatro roubos de cargas na região de Rondonópolis. Nesta sexta-feira (7), quatro pessoas foram presas preventivamente e outros 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rondonópolis e Primavera do Leste durante a Operação Entreposto.

A investigação começou a ganhar contornos mais claros quando os policiais perceberam que os crimes seguiam um padrão e que um dos supostos motoristas vítimas aparecia em mais de uma ocorrência. Ele havia registrado três roubos anteriores com características semelhantes e, durante a apuração, passou de vítima a investigado.

Segundo a Polícia Civil, a função do grupo não terminava na retirada dos grãos. A soja era transferida para outros veículos e seguia viagem acompanhada por carros menores, usados para observar a movimentação nas rodovias e possíveis fiscalizações.

A estrutura chamou a atenção dos investigadores principalmente pela tentativa de inserir novamente no mercado uma carga que havia sido roubada. Uma empresa de armazenagem e transporte de grãos ligada a um dos suspeitos teria emitido documentos usados para dar aparência regular à mercadoria.

“Essa associação criminosa tinha toda uma logística para, posteriormente, dar aparência de legalidade à carga, emitindo notas falsas para que ela pudesse ser transportada para outra região”, afirma a delegada Ana Paula Marien, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis.

Motorista que denunciou roubos também entrou na mira

A participação do motorista foi descoberta durante o cruzamento das informações das ocorrências. A repetição das circunstâncias em que ele aparecia como vítima fez com que os investigadores aprofundassem a apuração sobre os relatos.

A partir desse trabalho, a polícia concluiu que ele não estaria apenas fornecendo informações sobre os crimes, mas participando das ações. Por isso, também foi alvo de prisão preventiva nesta sexta-feira.

Os outros três investigados teriam papéis diferentes. Um deles seria responsável por conduzir a carreta depois que a carga era retirada, enquanto outro, proprietário da empresa de transporte, teria participação na logística para levar os envolvidos até os locais dos roubos.

O quarto suspeito é apontado como um dos responsáveis pela abordagem dos caminhoneiros e, conforme a investigação, portava a arma de fogo utilizada nas ações.

Documentação é um dos pontos da investigação

A emissão dos documentos fiscais é um dos pontos que devem ser aprofundados pelos investigadores. A suspeita é de que a documentação permitisse o transporte dos grãos sem levantar suspeitas sobre a origem da carga.

Durante as buscas, a Polícia Civil apreendeu celulares, documentos e equipamentos eletrônicos que poderão ajudar a reconstruir a movimentação do grupo e identificar outras pessoas envolvidas.

Também foram procurados veículos relacionados à operação, entre eles uma Toyota Hilux e um Chevrolet Onix. O material apreendido será analisado no decorrer da investigação.

A polícia ainda apura se o grupo está ligado a outros roubos de cargas e trabalha para identificar possíveis novos integrantes. “As investigações continuam de forma a aprofundar e colher mais elementos de informação, bem como identificar outros autores”, disse Ana Paula.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Grupo é investigado por desvio de 197 toneladas de soja em MT apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Encontro de produtores de árvores de Mato Grosso está com inscrições abertas

Published

on


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

As inscrições para o Encontro Técnico dos Produtores de Árvores de Mato Grosso já estão abertas. O evento será realizado no dia 11 de setembro, em Cuiabá, e terá como foco temas relacionados à produtividade, manejo e tecnologias aplicadas às florestas plantadas.

A programação será das 8h às 18h30, no auditório Clóves Vettorato, na sede da Aprosoja Mato Grosso, no Centro Político Administrativo. Ao todo, serão disponibilizadas 100 vagas para produtores, pesquisadores e profissionais ligados à atividade florestal.

A proposta é reunir diferentes elos da cadeia para discutir desafios e alternativas para a produção de árvores no estado, aproximando conhecimento científico e realidade dos plantios.

Para o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa, o encontro deve contribuir para levar conhecimento técnico ao produtor. “A intenção do evento é discutir soluções para o aumento da produtividade média dos plantios através da inovação e disseminação de boas práticas”, pontua.

Pesquisa e manejo no foco dos produtores

A programação terá a participação do pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Maurel Behling, além de Robinson Cannaval Júnior e Carlos Wilcken, do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF/Esalq-USP).

Também estão confirmados Ronaldo Luiz Vaz, diretor da RR Agroflorestal; Marcos Moreira Magalhães, da Ralyza Agrotecnologia; Ranieri Souza, da CM Florestal; e o coronel Aluísio Metelo, da Ellos Soluções.

As inscrições podem ser feitas pela página do evento no Sympla, onde também está disponível a programação completa. As vagas são limitadas a 100 participantes. Inscrições e programação do Encontro Técnico dos Produtores de Árvores de Mato Grosso aqui.

O encontro tem como parceiros a Embrapa, o IPEF/Esalq-USP, a Aprosoja Mato Grosso e o Fase-MT, com patrocínio da CM Florestal, Ralyza Agrotecnologia e Ellos Soluções.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Encontro de produtores de árvores de Mato Grosso está com inscrições abertas apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

PIB do agronegócio cai 2% no primeiro trimestre de 2026, aponta Cepea/CNA

Published

on


PIB Agropecuário. Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado sucede o avanço superior a 12% registrado pelo setor em 2025.

Com base nos dados consolidados de janeiro a março, o PIB do agronegócio foi estimado em R$ 3,13 trilhões. Desse total, R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao pecuário.

Com o desempenho do primeiro trimestre e considerando também o resultado da economia brasileira no período, a participação do agronegócio no PIB nacional é estimada em 22,8% em 2026, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.

Segundo os pesquisadores do Cepea e da CNA, a retração dá continuidade ao movimento observado no quarto trimestre de 2025, quando o setor interrompeu a trajetória de crescimento verificada até o terceiro trimestre daquele ano. Apesar da desaceleração no fim do ano passado, o agronegócio encerrou 2025 com crescimento expressivo, impulsionado pelo desempenho dos primeiros nove meses.

Todos os segmentos recuaram

No primeiro trimestre de 2026, todos os segmentos que compõem o PIB do agronegócio apresentaram queda. O segmento primário registrou o maior recuo, de 4,15%, seguido por insumos (-2,15%), agrosserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%).

De acordo com o Cepea/CNA, o principal fator para o resultado foi a expectativa de redução do valor da produção agropecuária ao longo de 2026. A queda dos preços superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias.

Na agroindústria, as atividades de base agrícola registraram retração, enquanto as de base pecuária apresentaram crescimento, favorecidas pela redução mais intensa do consumo intermediário.

Já o segmento de agrosserviços foi influenciado pelo desempenho dos demais elos da cadeia. Houve queda nas atividades ligadas ao ramo agrícola, enquanto o segmento pecuário avançou, sustentado pela maior demanda por transporte, comércio e outros serviços associados ao aumento esperado da produção.

O post PIB do agronegócio cai 2% no primeiro trimestre de 2026, aponta Cepea/CNA apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT