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3 de junho de 2026

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Resiliência tropical é arma brasileira na liderança global do mercado de bioinsumos

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O Brasil não quer apenas ampliar as exportações de bioinsumos, quer redesenhar o mercado global de proteção de cultivos. A avaliação é do diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Mauro Heringer.

Segundo ele, o país construiu um ecossistema único de inovação tropical que o deixou com vantagem competitiva no cenário internacional. Para Heringer, o diferencial brasileiro vai além do volume de vendas. “O Brasil desenvolve bioinsumos sob alta pressão de pragas, calor extremo e cultivo contínuo, em seis biomas distintos”, afirma. O executivo chama esse processo de “prova da resiliência tropical”.

Isso porque se uma bactéria ou fungo que funciona no Cerrado tende a ter bons resultados em qualquer outro ambiente agrícola do mundo. “O Brasil exporta resiliência, não apenas microrganismos”, resume.

Em sua avaliação, isso significa que as empresas nacionais não vendem apenas um produto. Elas exportam conhecimento para substituir ou complementar insumos sintéticos em sistemas de alta produtividade.

Barreiras regulatórias

Expandir mercados, porém, exige superar gargalos. Heringer diz que o principal deles é regulatório, sendo que cada região adota critérios distintos para registro de bioinsumos.

Na União Europeia, por exemplo, prevalece o princípio da precaução, com o foco dirigido para a segurança toxicológica e para a ausência de contaminantes. Já nos Estados Unidos, a análise é baseada em risco real, com ênfase que recai sobre eficácia agronômica comprovada.

Já na América Latina, o desafio é político. A meta é avançar na harmonização regional e no reconhecimento mútuo de registros. Além das regras, há um obstáculo técnico: a chamada “logística viva”.

“Exportar químicos é simples. Exportar seres vivos exige cadeia de frio e precisão”, salienta. Afinal, manter shelf-life e viabilidade biológica durante o transporte internacional ainda encarece a operação.

Capital nacional e disputa com multinacionais

Dados da Abinbio mostram que mais de 80% das empresas de bioinsumos registradas no país têm capital brasileiro. Para Heringer, isso criou uma dinâmica de soberania biotecnológica.

“Nas multinacionais, os biológicos muitas vezes são vistos como ‘complementares’ ou produtos defensivos para proteger a participação de mercado das moléculas químicas. Já nas empresas nacionais, o bioinsumo é o core business. Isso significa que 100% do setor de pesquisa e desenvolvimento é voltado para a biologia”, detalha o diretor.

Na visão dele, não há o “conflito de interesses” interno que ocorre em gigantes químicas, onde uma inovação biológica pode canibalizar as vendas de um fungicida sintético de alta margem. “A inovação brasileira é mais rápida, disruptiva e focada puramente em performance biológica”, define.

Ele reconhece, porém, avanço das fusões e aquisições. Isso porque gigantes globais têm comprado líderes nacionais. “Mas há o risco de o Brasil virar apenas celeiro de startups biológicas.”

Ainda assim, o diretor vê um “fosso defensivo” claro, visto que a performance comprovada em sistemas tropicais não se compra, mas se constrói ao longo de décadas em campo comercial.

Exportação de bioinsumos

Pesquisa
Pesquisa

O Comitê Nacional de Exportação de Bioinsumos, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) que conta com a Abinbio como membro, iniciou trabalhos ao final de 2025 e tem o desafio de não se tornar apenas uma plataforma simbólica sem entrega prática.

Para evitar que isso aconteça, Heringer destaca que a governança do setor está sendo estruturada sobre mecanismos de execução técnica e diplomacia comercial. “A Lei nº 15.070/2024 [Marco Legal dos Bioinsumos] nos fornece a base legal, mas a tradução em resultados mensuráveis depende de três pilares de coordenação institucional e o comitê não atua apenas na promoção comercial, mas na convergência de normas”, contextualiza.

Segundo ele, o mecanismo concreto é a criação de grupos de trabalho conjuntos com órgãos como a EFSA (Europa) e a EPA (EUA), tendo em vistas a redução do tempo de registro no exterior através da aceitação de dados gerados no Brasil.

Assim, o comitê utiliza o rigor do novo marco legal para pleitear que os dossiês de eficácia biológica aprovados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) possam ser aceitos como prova técnica em outros países, eliminando a necessidade de repetir testes de campo que duram anos.

O diretor da Abinbio reforça, também, que o comitê identifica gargalos biotecnológicos em países parceiros e poderá conectar diretamente as empresas brasileiras que possuem a solução específica, através de missões diplomáticas, feiras e eventos, e por meio das suas adidâncias agrícolas juntos às embaixadas brasileiras em países chaves.

De acordo com Heringer, outro aspecto para se evitar que o produto brasileiro possa ser barrado por questões subjetivas de sustentabilidade reside na implementação do fomento à certificação e rastreabilidade em um sistema de Selo de Conformidade dos Bioinsumos, onde auditorias garantem que o insumo exportado cumpre requisitos de bioeconomia e baixa emissão de carbono, integrando-os ao programa nacional de bioinsumos.

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Corteva e Aprosoja lançam cartilha para controle de pragas quarentenárias na soja

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A Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram, nesta quarta-feira (3), em Brasília, uma cartilha com estratégias de manejo e controle de pragas quarentenárias na cultura da soja. O material foi apresentado durante o Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja e tem como foco orientar produtores a reduzir riscos fitossanitários na lavoura e na comercialização do grão.

Pragas quarentenárias incluem insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas que representam risco econômico e à sanidade vegetal. Cada país importador mantém listas próprias de organismos ausentes em seu território e pode barrar cargas que descumpram protocolos sanitários. Nesse caso, os embarques podem ser devolvidos ou embargados.

A divulgação da cartilha ocorre após a China ter vetado, em março deste ano, a entrada de cargas de soja brasileira com detecção de sementes de plantas daninhas e resíduos de pragas ausentes no país asiático. O tema ganhou peso adicional por envolver o principal destino das exportações brasileiras da oleaginosa.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Segundo Mauro Rizzardi, engenheiro agrônomo, professor da Universidade de Passo Fundo e responsável pela elaboração do material, plantas daninhas podem comprometer de 5% a 10% da produtividade da soja. Em casos específicos, o caruru-gigante, já identificado em diferentes estados, tem potencial de reduzir em até 80% a produtividade de soja, milho e algodão.

Entre as práticas recomendadas estão o uso de sementes e mudas certificadas, a limpeza de máquinas e implementos vindos de áreas externas, o monitoramento de beiras de estrada, o manejo de plantas daninhas durante o desenvolvimento da cultura e o controle no pós-colheita com manejo outonal. O material também alerta para espécies observadas com atenção em embarques para a China, como capim-massambará, capim-carrapicho, aveia-barbada, crotalária, carrapichão e leiteiro.

De acordo com a Aprosoja Brasil, a campanha será realizada em nível nacional com apoio de 16 associações estaduais. A entidade destaca que o controle fitossanitário ganha relevância em um cenário de crédito mais restrito e maior pressão sobre custos de produção.

A orientação técnica apresentada pelas entidades é de adoção contínua de boas práticas agrícolas para reduzir a disseminação de pragas quarentenárias e diminuir o risco de recusas comerciais. O efeito da campanha sobre produtividade e exportações dependerá da adesão dos produtores e do cumprimento dos protocolos fitossanitários exigidos pelos mercados compradores.

Fonte: Estadão Conteúdo

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‘O produtor rural está retraído’, afirmam lideranças do agro sobre insegurança vivida no campo

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Crédito rural, custos de produção elevados, competitividade, conflitos geopolíticos e a possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27 foram os principais focos dos debates da Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra em Querência, região leste de Mato Grosso. Segundo o setor produtivo, o produtor rural mato-grossense “está retraído” em meio aos desafios vividos hoje, o levando a segurar os investimentos diante tamanhas incertezas.

O evento, realizado na Estância VN, integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso, afiliado do Canal Rural, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso).

A programação da Abertura da Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra ocorreu ao pôr do sol, feito inédito nos 10 anos do projeto Mais Milho. O encontro contou com dois painéis técnicos voltados aos desafios enfrentados pelos produtores e às oportunidades que surgem com o crescimento da cadeia do milho no estado e no país.

abertura nacional da colheita do milho segunda safra querência Foto: Canal Rural Mato Grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

A safra 2025/26 tem surpreendido, principalmente em Mato Grosso, após um início de plantio da soja com ausência de chuvas e excesso durante a colheita, o que levou a um atraso da retirada dos grãos das lavouras e, consequentemente, a semeadura do milho. Contudo, os desafios envolvendo os conflitos geopolíticos, somado aos custos de produção elevados e os preços da saca de 60 quilos das duas commodities estacionados, preocupam o setor produtivo.

“Estamos sofrendo muito com essa questão geopolítica. O produtor rural está retraído, segurando seus investimentos”, salientou o vice-presidente Leste da Aprosoja Mato Grosso, Lauri Jantsch. “É um momento de apreensão, de preocupação. Está gerando um desequilíbrio nas contas do produtor”, frisou o vice-presidente Norte da entidade, Ilson Redivo.

De acordo com o superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer, somente em milho Mato Grosso deve colher 53,3 milhões de toneladas. O volume 1,32% superior ao projetado em maio. Na avaliação dele, o momento é de pé no chão diante tamanhas situações em desfavor do produtor rural, em especial quando se olha para o ciclo 2026/27 que deve ser realizado com a presença do fenômeno El Niño.

“Ainda não sabemos a intensidade que será desse El Niño. Aumento ou redução de área é um ponto da gestão do negócio. Mas, o ideal é não dar um passo maior do que a perna”, aconselhou.

Abertura Colheita Milho Foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Usinas de etanol uma “salvação” para o milho

Para o setor produtivo mato-grossense o crescimento da presença das usinas de etanol de milho no estado, em especial na região leste, tem feito “toda a diferença”. “O milho há 10 anos recebíamos R$ 10, R$ 15 na saca. Plantamos mais por questão agronômica na época e hoje vemos outra coisa. O milho está trazendo rentabilidade tanto quanto a soja”, lembrou o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo.

Presente na Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, reforçou a importância do milho. Conforme ele, a verticalização do cereal é o que tem feito com que ele se sobressaia em relação à soja.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, lembrou que há 23 anos foi realizado o primeiro dia de campo no município sobre o cereal. “Muita coisa mudou. O milho vai se tornar a principal safra de Querência e de Mato Grosso. Momentos bons e ruins nós tivemos. Estamos vivendo uma transição e vamos sair dessa”, disse com otimismo sobre a atual situação do campo.

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Terra Indígena Marãiwatsédé recebe mini colheitadeira para safra de arroz em Mato Grosso

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A Terra Indígena Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista (MT), recebeu uma mini colheitadeira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 27 de maio. Segundo a estatal, o equipamento já está sendo utilizado na colheita da atual safra de arroz em uma área de pouco mais de 40 hectares cultivados. A ação integra o Programa Arroz da Gente e foi executada pela Superintendência Regional de Mato Grosso (Sureg/MT).

De acordo com a Conab, a entrega do maquinário foi direcionada ao fortalecimento da estrutura de colheita na área indígena. A medida reduz a dependência de serviços manuais ou terceirizados e amplia a capacidade operacional durante a safra. O valor do equipamento e a estimativa de produtividade por hectare não foram informados no material divulgado.

Além da colheitadeira, a companhia informou a doação emergencial de 5 mil quilogramas de sementes de arroz das variedades Sertaneja e Primavera. A operação ocorreu no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) – Sementes, Mudas e Materiais Propagativos, com mediação da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Ribeirão Cascalheira.

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O cultivo de arroz na Terra Indígena Marãiwatsédé é resultado de atuação conjunta entre a Conab, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e lideranças indígenas locais. Na prática, a combinação entre insumo e mecanização tende a melhorar a execução da colheita e a continuidade do plantio, desde que haja assistência técnica e organização operacional da área produzida.

O Programa Arroz da Gente é uma ação articulada entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com execução da Conab. Segundo o governo federal, a iniciativa busca incentivar a produção de arroz pela agricultura familiar, diversificar cultivos e viabilizar a compra da produção por meio do PAA.

Com os dados disponíveis, o efeito imediato da medida está concentrado no apoio à colheita da safra atual e na oferta de sementes para continuidade da produção. Ainda não foram divulgadas estimativas oficiais de volume colhido, produtividade ou expansão de área para os próximos ciclos.

Fonte: gov.br

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