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3 de junho de 2026

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Aprosoja MT alerta para cenário estrangulado: estado só tem como guardar 50% da safra

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve produzir entre soja e milho pouco mais de 103,131 milhões de toneladas na safra 2025/26. Contudo, o estado possui capacidade de armazenagem para aproximadamente 50% disso, descompasso que tem afetado a rentabilidade do produtor, a comercialização e ampliado os custos operacionais, além de comprometer a segurança alimentar.

A perspectiva de produção para o ciclo 2025/26 é 3% inferior às 106,326 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. Somente em soja, conforme revisão de estimativa de safra divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na última segunda-feira (2), devem ser colhidas pouco mais de 51,412 milhões de toneladas. Já em relação ao milho segunda safra, as projeções foram mantidas em 51,719 milhões de toneladas.

“Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Atualmente, aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada, o restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber.

Até janeiro, o estado havia comercializado 49,49% da soja 2025/26, apontou o último relatório do Imea. Quanto ao milho apenas 32% estava negociado antecipadamente.

Juros altos dificultam acesso ao crédito

Conforme Beber, os juros elevados têm dificultado o acesso dos produtores ao crédito, limitando ainda mais a construção de estruturas de armazenagem em Mato Grosso, principalmente dentro das propriedades rurais, e assim reduzir esse déficit.

“Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação. A necessidade de escoamento rápido pressiona os produtores a venderem em um curto espaço de tempo, o que favorece a redução dos preços e impacta diretamente a renda no campo”, ressalta o presidente da Aprosoja MT.

armazenagem foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Dados recentes divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso, apontam que a produção brasileira de grãos cresce cerca de 10 milhões de toneladas ao ano, sendo necessários R$ 15 bilhões em investimentos em armazenagem anualmente para manter tal ritmo. Hoje no país, entre 14% e 16% da capacidade estática de armazenamento de grãos se encontra nas fazendas.

De acordo com o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, o cenário estrangulado na armazenagem no estado se intensifica ainda mais nas regiões de expansão agrícola mais recente, como é o caso do Vale do Araguaia.

“Todo estado do Mato Grosso, de maneira geral, é afetado com a falta de armazenagem. O produtor sofre com filas, com a dificuldade de entregar o seu produto”. Bier ressalta ainda que a situação se agrava ainda mais durante o período mais chuvoso. “Existem algumas linhas de crédito, como o FCO Armazenagem, também como o PCA, que estão disponíveis para o produtor. Porém, constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, completa.

Produtor em Água Boa, na região do Vale do Araguaia, Vinicius Baldo relata que a limitação de crédito e juros altos de fato são os pontos que mais pesam na hora de investir. “A gente tem armazém, mas não é suficiente e a gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, esse cenário mudaria bastante, pois poderíamos programar melhor as vendas e retirar com mais tempo a soja”.

Falta energia de qualidade para abastecer armazéns

Outro ponto que limita a construção de armazéns dentro das propriedades, além dos juros altos e falta de crédito, é a questão da energia elétrica. A ausência de uma energia de qualidade para abastecer os armazéns, segundo a Aprosoja MT, eleva ainda mais os custos da porteira para dentro.

“Um armazém precisa funcionar com um gerador de energia e nós temos um problema de custo com o óleo diesel. A energia gerada pelo gerador, acaba sendo uma energia mais cara, que muitas vezes dificulta a viabilidade do armazém. A energia elétrica do Mato Grosso é precária, vários e vários municípios têm energia de má qualidade, e outros municípios sequer têm energia suficiente para ampliação de novos armazéns”, pontua o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier.


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Semeadura do trigo avança no Rio Grande do Sul com redução de área em perspectiva

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A semeadura do trigo segue de forma gradual nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, de acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Associação Rio-grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) nesta quinta-feira (3). O avanço ocorre dentro da janela do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e depende das condições de umidade do solo e da trafegabilidade das áreas. Nas lavouras já implantadas, a emergência e o estabelecimento inicial são considerados satisfatórios.

Segundo a Emater/RS-Ascar, o preparo das áreas para o cereal teve continuidade, mas a projeção é de redução expressiva da área cultivada em 2026 na comparação com a safra anterior. Entre os fatores apontados estão os custos elevados de produção, as restrições de crédito e de seguro rural e a maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno. Em várias regiões, o relatório também registra menor uso de sementes fiscalizadas e maior participação de recursos próprios no custeio.

Na safra passada, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa de área para 2026 ainda está em levantamento.

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Entre as demais culturas de inverno, a aveia-branca avança sobre a maior parte da área projetada, favorecida pela umidade do solo e por temperaturas amenas. Em 2025, foram 393.135 hectares, com produção de 935.664 toneladas e produtividade média de 2.394 quilos por hectare. Na canola, a semeadura se aproxima do fim e a expectativa é de expansão da área sobre os 174.394 hectares cultivados em 2025. Já a cevada segue em fase inicial, com perspectiva de retração superior a 30% frente aos 32.010 hectares do ciclo anterior.

Nas culturas de verão, a colheita da soja entra na fase final, com produtividade média estimada em 2.871 quilos por hectare em 6.624.988 hectares. O milho alcança 97% da área colhida, enquanto o arroz teve a colheita concluída em 891.908 hectares, segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), mas com cenário de comercialização pressionado por preços abaixo dos custos de produção.

O quadro atual indica que o desempenho inicial das lavouras de inverno é tecnicamente favorável, mas a definição de área e investimento segue condicionada ao ambiente de crédito, seguro e risco climático. Novas estimativas da Emater/RS-Ascar devem detalhar o tamanho efetivo da safra gaúcha de 2026 nas próximas semanas.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Corteva e Aprosoja lançam cartilha para controle de pragas quarentenárias na soja

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A Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram, nesta quarta-feira (3), em Brasília, uma cartilha com estratégias de manejo e controle de pragas quarentenárias na cultura da soja. O material foi apresentado durante o Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja e tem como foco orientar produtores a reduzir riscos fitossanitários na lavoura e na comercialização do grão.

Pragas quarentenárias incluem insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas que representam risco econômico e à sanidade vegetal. Cada país importador mantém listas próprias de organismos ausentes em seu território e pode barrar cargas que descumpram protocolos sanitários. Nesse caso, os embarques podem ser devolvidos ou embargados.

A divulgação da cartilha ocorre após a China ter vetado, em março deste ano, a entrada de cargas de soja brasileira com detecção de sementes de plantas daninhas e resíduos de pragas ausentes no país asiático. O tema ganhou peso adicional por envolver o principal destino das exportações brasileiras da oleaginosa.

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Segundo Mauro Rizzardi, engenheiro agrônomo, professor da Universidade de Passo Fundo e responsável pela elaboração do material, plantas daninhas podem comprometer de 5% a 10% da produtividade da soja. Em casos específicos, o caruru-gigante, já identificado em diferentes estados, tem potencial de reduzir em até 80% a produtividade de soja, milho e algodão.

Entre as práticas recomendadas estão o uso de sementes e mudas certificadas, a limpeza de máquinas e implementos vindos de áreas externas, o monitoramento de beiras de estrada, o manejo de plantas daninhas durante o desenvolvimento da cultura e o controle no pós-colheita com manejo outonal. O material também alerta para espécies observadas com atenção em embarques para a China, como capim-massambará, capim-carrapicho, aveia-barbada, crotalária, carrapichão e leiteiro.

De acordo com a Aprosoja Brasil, a campanha será realizada em nível nacional com apoio de 16 associações estaduais. A entidade destaca que o controle fitossanitário ganha relevância em um cenário de crédito mais restrito e maior pressão sobre custos de produção.

A orientação técnica apresentada pelas entidades é de adoção contínua de boas práticas agrícolas para reduzir a disseminação de pragas quarentenárias e diminuir o risco de recusas comerciais. O efeito da campanha sobre produtividade e exportações dependerá da adesão dos produtores e do cumprimento dos protocolos fitossanitários exigidos pelos mercados compradores.

Fonte: Estadão Conteúdo

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‘O produtor rural está retraído’, afirmam lideranças do agro sobre insegurança vivida no campo

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Crédito rural, custos de produção elevados, competitividade, conflitos geopolíticos e a possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27 foram os principais focos dos debates da Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra em Querência, região leste de Mato Grosso. Segundo o setor produtivo, o produtor rural mato-grossense “está retraído” em meio aos desafios vividos hoje, o levando a segurar os investimentos diante tamanhas incertezas.

O evento, realizado na Estância VN, integra o projeto Mais Milho, desenvolvido pelo Canal Rural Mato Grosso, afiliado do Canal Rural, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso).

A programação da Abertura da Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra ocorreu ao pôr do sol, feito inédito nos 10 anos do projeto Mais Milho. O encontro contou com dois painéis técnicos voltados aos desafios enfrentados pelos produtores e às oportunidades que surgem com o crescimento da cadeia do milho no estado e no país.

abertura nacional da colheita do milho segunda safra querência Foto: Canal Rural Mato Grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

A safra 2025/26 tem surpreendido, principalmente em Mato Grosso, após um início de plantio da soja com ausência de chuvas e excesso durante a colheita, o que levou a um atraso da retirada dos grãos das lavouras e, consequentemente, a semeadura do milho. Contudo, os desafios envolvendo os conflitos geopolíticos, somado aos custos de produção elevados e os preços da saca de 60 quilos das duas commodities estacionados, preocupam o setor produtivo.

“Estamos sofrendo muito com essa questão geopolítica. O produtor rural está retraído, segurando seus investimentos”, salientou o vice-presidente Leste da Aprosoja Mato Grosso, Lauri Jantsch. “É um momento de apreensão, de preocupação. Está gerando um desequilíbrio nas contas do produtor”, frisou o vice-presidente Norte da entidade, Ilson Redivo.

De acordo com o superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer, somente em milho Mato Grosso deve colher 53,3 milhões de toneladas. O volume 1,32% superior ao projetado em maio. Na avaliação dele, o momento é de pé no chão diante tamanhas situações em desfavor do produtor rural, em especial quando se olha para o ciclo 2026/27 que deve ser realizado com a presença do fenômeno El Niño.

“Ainda não sabemos a intensidade que será desse El Niño. Aumento ou redução de área é um ponto da gestão do negócio. Mas, o ideal é não dar um passo maior do que a perna”, aconselhou.

Abertura Colheita Milho Foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Usinas de etanol uma “salvação” para o milho

Para o setor produtivo mato-grossense o crescimento da presença das usinas de etanol de milho no estado, em especial na região leste, tem feito “toda a diferença”. “O milho há 10 anos recebíamos R$ 10, R$ 15 na saca. Plantamos mais por questão agronômica na época e hoje vemos outra coisa. O milho está trazendo rentabilidade tanto quanto a soja”, lembrou o presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo.

Presente na Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, reforçou a importância do milho. Conforme ele, a verticalização do cereal é o que tem feito com que ele se sobressaia em relação à soja.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, lembrou que há 23 anos foi realizado o primeiro dia de campo no município sobre o cereal. “Muita coisa mudou. O milho vai se tornar a principal safra de Querência e de Mato Grosso. Momentos bons e ruins nós tivemos. Estamos vivendo uma transição e vamos sair dessa”, disse com otimismo sobre a atual situação do campo.

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