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21 de julho de 2026

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Colheita de café da Expocacer alcança 51% da safra 2026/27

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A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) chegou a 51% do total previsto para a safra 2026/27 até o dia 17. Na semana anterior, o índice era de 40%. Apesar do avanço, os trabalhos seguem atrasados em relação ao mesmo período do ciclo passado, quando 58% das operações já haviam sido concluídas.

Segundo a Expocacer, chuvas isoladas ao longo da última semana comprometeram temporariamente a secagem nos terreiros e prejudicaram as operações mecanizadas de recolhimento do café de chão. Ainda assim, as condições climáticas permitiram a continuidade da colheita do fruto na planta nas propriedades dos cooperados no Cerrado Mineiro.

O boletim técnico semanal da cooperativa informa que cerca de 31% do café já foi beneficiado, com rendimento médio em torno de 520 litros por saca beneficiada. Na semana, houve aumento do porcentual de catação, para 19,7%, e redução no porcentual de grãos com peneira 17 acima, para 27,65%. Também foi registrado baixo porcentual de cafés com incidência de broca.

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De acordo com os técnicos de campo da Expocacer, o principal ponto neste momento é a necessidade de acelerar o ritmo da colheita, que permanece abaixo da média histórica da região. A cooperativa afirma que a permanência da carga nas plantas eleva o estresse fisiológico e encurta o intervalo entre o fim da colheita e a florada.

Esse quadro, conforme a entidade, pode comprometer o período de recuperação das lavouras, limitar a recomposição das reservas nutricionais e energéticas das plantas e afetar o desenvolvimento vegetativo, a uniformidade da florada e o potencial produtivo da próxima safra.

Para os próximos dias, os modelos meteorológicos indicam tempo seco e ausência de chuvas significativas até o dia 22, condição que tende a favorecer a continuidade das operações de campo. A Expocacer projeta produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua região de abrangência em 2026 e reúne mais de 800 produtores associados.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Plano Safra: crédito sai ainda em julho e juros estão ‘muito baratos’, diz secretário do Mapa

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Foto: Reprodução

Os recursos do Plano Safra 2026/27 com juros equalizados devem estar disponíveis para contratação dos produtores ainda em julho, disse o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.

Segundo ele, não há demora no oferecimento do crédito e o processo segue o rito costumeiro. “Temos o anúncio e, posteriormente, a adequação das instituições financeiras ao que foi definido pelo programa. Está no final da fase de ajustes e logo estará disponível para todos. […] Este mês estará tudo resolvido”, garantiu.

Para ele, os juros de custeio, principalmente para os agricultores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), está muito acessível. “Nove por cento [de juros] nesse mercado [com taxa Selic a 14,25%] é muito barato”, afirmou.

Setor critica redução da linha de custeio

O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 610,3 bilhões, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para a familiar.

Mesmo com alta nominal ante os R$ 594,4 bilhões da temporada anterior, representantes do setor avaliam que os recursos e as condições de financiamento seguem insuficientes diante do cenário no campo.

Entre os pontos centrais criticados pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a redução dos recursos para custeio, que somam R$ 384,9 bilhões nesta temporada, queda de 7,18% ante o programa do ciclo 2025/26. Essa linha financia despesas diretamente ligadas ao plantio, como sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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Brasil em rota de colisão com a maior dependência de importações de trigo da história

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Foto: Embrapa

O Brasil está prestes a entrar em um novo capítulo da sua história na triticultura. Os números do levantamento final de área cultivada para a safra 2026/27 mostram uma retração muito mais profunda do que uma simples oscilação de mercado.

Se as estimativas se confirmarem, o país deverá registrar a menor produção dos últimos anos e, como consequência, a maior necessidade de importação de trigo já observada para garantir o abastecimento interno.

A área plantada foi confirmada em 1,905 milhão de hectares, redução de 20% em relação aos 2,381 milhões de hectares cultivados na safra anterior. A consequência direta é uma produção potencial estimada em apenas 5,855 milhões de toneladas, volume 27,9% inferior às 8,120 milhões de toneladas colhidas em 2025/26. A produtividade média nacional também deverá recuar, passando de 3.410 kg/ha para 3.073 kg/ha, reflexo de uma estratégia mais conservadora dos produtores, que reduziram investimentos diante de um ambiente de baixa rentabilidade.

Embora o clima continue sendo um dos principais fatores de risco para a cultura, a forte redução da safra brasileira não nasceu nas lavouras. Ela começou muito antes, durante o planejamento da temporada, quando milhares de produtores precisaram decidir se valeria a pena investir novamente no trigo. A resposta, em grande parte do país, foi negativa.

A principal razão dessa mudança foi o enfraquecimento da rentabilidade da cultura. Enquanto os custos de produção permaneceram elevados, especialmente em função da valorização dos fertilizantes nitrogenados após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, os preços do trigo continuaram pressionados pela elevada oferta mundial e pela competitividade do cereal importado.

Essa combinação produziu uma das piores relações de troca da história recente da triticultura brasileira, obrigando o agricultor a entregar volumes cada vez maiores de trigo para adquirir os mesmos insumos utilizados na lavoura.

Entretanto, o problema vai além da relação entre preços e custos. Depois de vários anos consecutivos de margens reduzidas ou negativas, boa parte dos produtores chegou à safra 2026/27 financeiramente desgastada. O elevado endividamento reduziu a capacidade de investimento, dificultou o acesso ao crédito rural e levou muitos agricultores a diminuir o pacote tecnológico das lavouras.

Em diversas regiões, a decisão foi reduzir a área cultivada; em outras, optou-se por manter o plantio, porém com menor utilização de fertilizantes, defensivos e sementes de maior potencial produtivo. O resultado aparece agora nas estimativas de produtividade. Outro componente importante dessa equação foi a ausência de uma política de seguro agrícola capaz de oferecer previsibilidade ao produtor.

Clima desmotivou produtores

Em um cenário de crescente instabilidade climática, muitos agricultores passaram a considerar excessivo o risco financeiro de investir em uma cultura altamente sensível às condições meteorológicas. Sem um mecanismo eficiente de mitigação desse risco, preservar capital tornou-se prioridade, mesmo que isso significasse abrir mão de produtividade ou reduzir a participação do trigo na propriedade.

Essa percepção foi intensificada pela expectativa de um ciclo sob influência do El Niño. Embora ainda seja cedo para mensurar seus impactos efetivos sobre a produção, a possibilidade de um padrão climático mais instável ao longo do desenvolvimento das lavouras elevou a cautela dos produtores. Excesso de chuvas, geadas tardias e dificuldades durante a colheita são fatores que podem comprometer não apenas o rendimento das lavouras, mas também a qualidade industrial dos grãos, aspecto particularmente relevante para um país que já apresenta déficit estrutural de trigo de padrão moageiro.

A retração ocorreu de forma praticamente generalizada. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, reduziu sua área em 28,6%, passando para 750 mil hectares, enquanto a produção potencial caiu 33,3%, para 2,4 milhões de toneladas.

No Paraná, a área diminuiu 13,5%, para 740 mil hectares, com produção estimada em 2,2 milhões de toneladas, retração de 21,4%. Também houve reduções expressivas em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Bahia, evidenciando que a perda de competitividade da cultura ocorreu de maneira ampla e não ficou restrita a uma região específica.

Apesar da forte redução, os números ainda representam apenas o potencial produtivo inicial e não incorporam eventuais perdas climáticas ao longo do ciclo. A exceção ocorre em Minas Gerais e Goiás, onde a estiagem já compromete parte das lavouras de trigo de sequeiro. Nos demais estados, o desempenho final dependerá das condições meteorológicas dos próximos meses. Ainda assim, mesmo que o potencial atual seja integralmente confirmado, a produção nacional ficará muito distante da necessidade de consumo do país.

É justamente esse ponto que transforma a safra 2026/27 em um marco para o mercado brasileiro de trigo. Com uma produção estimada em apenas 5,855 milhões de toneladas, o Brasil deverá necessitar de mais de 8 milhões de toneladas de importações para equilibrar sua oferta e demanda. Trata-se, possivelmente, da maior dependência do mercado internacional já registrada pelo país.

Esse cenário ganha ainda mais importância diante do atual contexto global. O comércio mundial de trigo atravessa um período de elevada volatilidade, marcado pelas tensões no Mar Negro, incertezas sobre a produção em importantes países exportadores e crescente sensibilidade dos preços aos eventos geopolíticos e climáticos.

Quanto menor a produção brasileira, maior será a exposição do abastecimento interno às oscilações cambiais, aos custos logísticos internacionais e às disputas por oferta entre os grandes importadores mundiais.

Mais do que uma redução pontual da safra, os números revelam uma mudança importante no comportamento do produtor brasileiro. A decisão de investir menos no trigo não decorre apenas das condições observadas nesta temporada, mas de um processo de perda gradual de competitividade acumulado ao longo dos últimos anos.

Custos elevados, crédito mais restrito, seguro agrícola insuficiente, margens apertadas e maior percepção de risco alteraram a lógica econômica da cultura. Se o potencial produtivo se confirmar, o Brasil registrará a maior necessidade de importação de trigo de sua história, ampliando a dependência do mercado internacional para garantir o abastecimento interno.

Contudo, é importante lembrar que as commodities agrícolas são, por natureza, mercados cíclicos. Historicamente, o melhor remédio para preços baixos são os próprios preços baixos, que desestimulam a produção ao redor do mundo, reduzem a oferta e, com o tempo, criam as condições para uma recuperação das cotações. Um ambiente internacional de preços mais elevados melhora a rentabilidade da atividade e devolve competitividade ao produtor brasileiro.

Esse ajuste de mercado, entretanto, não elimina a necessidade de enfrentar os desafios estruturais da triticultura nacional. Para que o trigo se consolide como uma cultura mais resiliente, será fundamental avançar em políticas de crédito, seguro rural e instrumentos de gestão de risco que permitam ao produtor atravessar os inevitáveis ciclos de baixa sem provocar reduções tão acentuadas de área e produção.

Mais do que responder às oscilações do mercado, o desafio é construir uma cadeia capaz de manter sua competitividade e garantir maior segurança de abastecimento ao país, independentemente da fase do ciclo de preços.

Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Pesquisa confirma presença da podridão salmão em lavouras de milho de Mato Grosso

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Foto: Wanderlei Dias Guerra/Aprosoja Mato Grosso

Pesquisas realizadas em propriedades de quatro municípios em Mato Grosso confirmaram a presença da podridão salmão em lavouras de milho. Segundo o estudo, em algumas áreas a doença, causada pelo fungo Waitea zeae, atingiu entre 22% e 42% das espigas avaliadas. Setor produtivo pontua já possuir uma lista com os híbridos que vem registrando incidência mais recorrente do fungo.

A doença fúngica se desenvolve de forma silenciosa dentro das espigas e pode comprometer o enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade das lavouras. A detecção em Mato Grosso da nova ameaça às lavouras de milho ocorreu somente no início da colheita. As espigas aparentemente normais escondiam o problema que ainda era desconhecido no estado.

A confirmação do diagnóstico veio após novas análises laboratoriais realizadas por uma equipe técnica contratada pela Aprosoja Mato Grosso em novas coletas em campo em propriedades de Brianorte, Nova Maringá, São José do Rio Claro e Itanhangá.

“É uma doença nova que normalmente não ocorria no milho. Foi detectada maior intensidade onde houveram mais chuvas recorrentes, principalmente após o pendoamento”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, ao projeto Mais Milho.

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Foto: Wanderlei Dias Guerra/Aprosoja Mato Grosso

Dois problemas ocultos que exigem atenção

O diagnóstico realizado pela equipe técnica contratada revelou que o estado enfrenta, na verdade, dois desafios dentro das espigas. No início das avaliações, os pesquisadores encontraram a podridão branca, provocada pelo fungo Stenocarpella, conhecida no campo como Diplodia. Contudo as novas análises também confirmaram a presença do Waitea zeae, responsável pela podridão salmão. Duas doenças que passam a fazer parte do mapa de preocupação dos produtores de milho do estado.

Beber ressalta ainda que “assim como a Diplodia quebrou muito a cabeça da pesquisa até se achar o manejo adequado, talvez essa doença vamos ter que aprender um pouco até dominar 100% dela”. Diante disso, uma das orientações no momento é a eliminação de alguns manejos que já se mostraram ineficazes para o controle da podridão salmão.

De acordo com os resultados das análises, o impacto da podridão salmão aparece principalmente no enchimento dos grãos.  Em um dos testes, 100 sementes consideradas sadias pesaram 43,3 gramas. Já as sementes totalmente afetadas pelo fungo chegaram a apenas 24,9 gramas, uma redução de 42,5% no peso.

“Realmente ela tem causado grandes danos, chegando até a 40% de grãos avariados. Contratamos uma empresa especializada, vamos testar os fungicidas para saber quais os melhores manejos para a próxima safra”, frisa o diretor da Aprosoja Mato Grosso, Fernando Ferri, à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

podridão salmão da espiga de milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fungo é encontrado em áreas sem milho

A descoberta da existência da podridão salmão em Mato Grosso acendeu um alerta ainda maior nos pesquisadores ao se constatar a presença do fungo em duas áreas onde o milho nunca havia sido cultivado. A hipótese, segundo os especialistas, é que o agente causador da doença possa ter chegado por meio da própria semente. Uma suspeita que ainda será investigada, mas que muda o olhar sobre o avanço do problema.

Conforme Lucas Costa Beber, a podridão salmão possui um modo de multiplicação parecido com o mofo brando da soja. “Ou seja, difícil de manejar e ela pode ficar instalada por muitos anos dentro da lavoura. A grande probabilidade é que ela entre através da semente e um dos maiores problemas é a decomposição lenta da palhada do milho que fica de um ano para o outro, pois pode fazê-la reinocular novamente no ano seguinte”.

Com a confirmação da podridão salmão, começa agora uma corrida científica para entender o comportamento do fungo e encontrar formas de reduzir os impactos nas próximas safras. Entre as estratégias avaliadas estão o uso de produtos biológicos, a aceleração da decomposição da palhada e a busca por materiais genéticos menos suscetíveis.

Beber lembra ainda que por se tratar de um fungo não se pode esquecer que é possível haver um inóculo menor e o clima favorecer a multiplicação. “Não significa que em anos de menos chuvas também não possa dar, principalmente se o material for mais suscetível”.

Enquanto as respostas não chegam, a recomendação é uma só: monitorar. “Quanto mais unidos estivermos, desde os obtentores, multiplicadores de sementes e produtores, iniciando desde o acompanhamento da semente da sua originação quanto também os tratamentos, e a pesquisa da eficácia dos tratamentos de semente para o controle do inóculo, isso também vai avançar mais rápido para o controle e domínio dessa doença para que ela não se propague mais e traga prejuízos ainda maiores para os produtores”.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso frisa ainda que os produtores que tiverem algum problema podem entrar em contato com o Canal do Produtor da entidade. “Nossa equipe vai se deslocar até lá para acompanhar esses padrões já que esse ano nós tivemos chuvas extras no período em que normalmente não ocorrem, o que faz com que a propagação seja ainda maior. É importante que quanto mais dados nós pudermos reunir, nós teremos mais agilidade nas nossas pesquisas que ainda estão em aberto. Inclusive a Aprosoja Mato Grosso já tem uma relação dos híbridos que tem sido um problema mais recorrente no que se trata dessa doença”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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