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Entidades solicitam medidas urgentes para o setor arrozeiro

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), e a Cooperativa de Cereais de Camaquã (COOPACC) realizaram reunião com Ministro da Agricultura e Pecuária, solicitando, em caráter de urgência, a adoção de medidas políticas e administrativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do arroz.
De acordo com os presidentes da Federarroz, Denis Dias Nunes, da Farsul, Domingos Velho Lopes, e da COOPACC, Volzear Longaray Júnior, é de conhecimento público que, em razão de um complexo cenário nacional e internacional, que os produtores de arroz atravessam o início de um quadro de grave crise econômica no setor, situação que pode se agravar significativamente caso não sejam adotadas medidas estruturantes de apoio à atividade.
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Em ofício encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) os dirigentes reforçam que a cultura do arroz possui relevância estratégica para o país “tanto sob a perspectiva da segurança alimentar quanto da estabilidade de preços para a população brasileira, razão pela qual a manutenção da viabilidade econômica da atividade produtiva torna-se tema de interesse público”.
Entre as medidas solicitadas estão:
- Alongamento das operações de custeio com recibo de depósito, referentes à safra 25/26;
- Intensificação da fiscalização quanto à tipificação do arroz beneficiado comercializado no mercado brasileiro, especialmente no que se refere aos produtos oriundos de importação, garantindo transparência e proteção ao consumidor;
- Alocação de recursos para instrumentos de apoio à comercialização no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), especialmente por meio de mecanismos de subvenção como PEP e PEPRO.
As três entidades entendem que tais medidas são fundamentais para preservar a sustentabilidade econômica da produção arrozeira.
“Também evitam a retração da área plantada e garantem a continuidade do abastecimento interno de um dos principais alimentos da mesa do brasileiro”, destacam os presidentes da Federarroz, Farsul e COOPACC ao assinarem o ofício enviado ao Mapa.
As medidas acima fazem parte de um pacote de ações recentemente divulgadas, de forma conjunta pelas entidades, na defesa do setor.
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Índia é a nova China para o agro brasileiro, diz professor de agronomia

Entre os dias 19 e 21 de fevereiro, o governo brasileiro viajou à Índia em uma das maiores missões de abertura de mercados já realizada pela gestão atual.
O objetivo da diplomacia econômica nacional é o de posicionar o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, como o “novo sonho de consumo” e parceiro estratégico para o agronegócio e a tecnologia nacional.
Para o professor do curso de Agronomia da UniCesumar Tiago Costa, esse movimento de diversificação espelha a aproximação com a China nas últimas décadas.
“A Índia possui uma nova classe média urbana de mais de 350 milhões de pessoas e apresenta uma demanda crescente por proteínas e alimentos industrializados. Este cenário, combinado à busca indiana por fornecedores confiáveis, cria uma janela de oportunidade única para o Brasil”, considera.
O professor ressalta que o poder aquisitivo da população indiana tem aumentado 7% ao ano desde 2022, intensificando a demanda por produtos de maior valor agregado. “A combinação dessas tendências faz com que o agronegócio brasileiro enxergue no mercado indiano uma janela estratégica e promissora”, diz.
Lições da China
O governo e o setor produtivo consideram que a aproximação com a Índia é estratégica para reduzir a forte dependência que o Brasil tem da China, mercado que em 2025 foi destino de 40% das exportações das commodities nacionais.
Costa ressalta que a experiência comercial com a China, que absorveu US$ 54 bilhões em produtos do agro brasileiro no último ano, ensinou a importância da diplomacia, da adaptação cultural dos produtos e da superação de barreiras sanitárias, lições que agora serão aplicadas à Índia.
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“A dependência de um único mercado traz vulnerabilidades, como vimos com as suspensões na importação de carne bovina pela China, que provocaram quedas de até 35% nos embarques mensais. Por isso, a diversificação, sobretudo via Índia e outros emergentes asiáticos, é indispensável para mitigar riscos e ampliar a resiliência do setor”, afirma.
Segundo ele, enquanto o óleo de soja, o açúcar e o algodão lideram a pauta de exportações, há um vasto potencial para produtos de maior valor agregado. Neste rol, a carne de frango, por exemplo, viu suas exportações crescerem 21% em 2025, atingindo US$ 85 milhões. O café brasileiro superou a marca de US$ 38 milhões em vendas, ao passo que as frutas tropicais, como manga e melão, ganham espaço entre os consumidores jovens e urbanos.
No entanto, o caminho envolve desafios, uma vez que a Índia é um mercado conhecido por seu protecionismo, com tarifas de importação que chegam a 35% para carnes, além de barreiras sanitárias e fitossanitárias. “A logística também é um ponto-chave, com um tempo de trânsito marítimo de 28 dias entre Santos e Mumbai”, destaca o professor.
Relação promissora
Apesar dos obstáculos, o futuro da relação tende a ser promissora. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estima que a Índia poderá representar 8% das exportações do agronegócio brasileiro até 2030, movimentando cerca de US$ 9 bilhões por ano.
“O avanço da relação com a Índia tende a impulsionar a inovação, a sustentabilidade e a reputação internacional do agronegócio brasileiro, fortalecendo a balança comercial e contribuindo para o crescimento sustentável do PIB do setor”, conclui o professor.
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Resiliência tropical é arma brasileira na liderança global do mercado de bioinsumos

O Brasil não quer apenas ampliar as exportações de bioinsumos, quer redesenhar o mercado global de proteção de cultivos. A avaliação é do diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Mauro Heringer.
Segundo ele, o país construiu um ecossistema único de inovação tropical que o deixou com vantagem competitiva no cenário internacional. Para Heringer, o diferencial brasileiro vai além do volume de vendas. “O Brasil desenvolve bioinsumos sob alta pressão de pragas, calor extremo e cultivo contínuo, em seis biomas distintos”, afirma. O executivo chama esse processo de “prova da resiliência tropical”.
Isso porque se uma bactéria ou fungo que funciona no Cerrado tende a ter bons resultados em qualquer outro ambiente agrícola do mundo. “O Brasil exporta resiliência, não apenas microrganismos”, resume.
Em sua avaliação, isso significa que as empresas nacionais não vendem apenas um produto. Elas exportam conhecimento para substituir ou complementar insumos sintéticos em sistemas de alta produtividade.
Barreiras regulatórias
Expandir mercados, porém, exige superar gargalos. Heringer diz que o principal deles é regulatório, sendo que cada região adota critérios distintos para registro de bioinsumos.
Na União Europeia, por exemplo, prevalece o princípio da precaução, com o foco dirigido para a segurança toxicológica e para a ausência de contaminantes. Já nos Estados Unidos, a análise é baseada em risco real, com ênfase que recai sobre eficácia agronômica comprovada.
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Já na América Latina, o desafio é político. A meta é avançar na harmonização regional e no reconhecimento mútuo de registros. Além das regras, há um obstáculo técnico: a chamada “logística viva”.
“Exportar químicos é simples. Exportar seres vivos exige cadeia de frio e precisão”, salienta. Afinal, manter shelf-life e viabilidade biológica durante o transporte internacional ainda encarece a operação.
Capital nacional e disputa com multinacionais
Dados da Abinbio mostram que mais de 80% das empresas de bioinsumos registradas no país têm capital brasileiro. Para Heringer, isso criou uma dinâmica de soberania biotecnológica.
“Nas multinacionais, os biológicos muitas vezes são vistos como ‘complementares’ ou produtos defensivos para proteger a participação de mercado das moléculas químicas. Já nas empresas nacionais, o bioinsumo é o core business. Isso significa que 100% do setor de pesquisa e desenvolvimento é voltado para a biologia”, detalha o diretor.
Na visão dele, não há o “conflito de interesses” interno que ocorre em gigantes químicas, onde uma inovação biológica pode canibalizar as vendas de um fungicida sintético de alta margem. “A inovação brasileira é mais rápida, disruptiva e focada puramente em performance biológica”, define.
Ele reconhece, porém, avanço das fusões e aquisições. Isso porque gigantes globais têm comprado líderes nacionais. “Mas há o risco de o Brasil virar apenas celeiro de startups biológicas.”
Ainda assim, o diretor vê um “fosso defensivo” claro, visto que a performance comprovada em sistemas tropicais não se compra, mas se constrói ao longo de décadas em campo comercial.
Exportação de bioinsumos

O Comitê Nacional de Exportação de Bioinsumos, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) que conta com a Abinbio como membro, iniciou trabalhos ao final de 2025 e tem o desafio de não se tornar apenas uma plataforma simbólica sem entrega prática.
Para evitar que isso aconteça, Heringer destaca que a governança do setor está sendo estruturada sobre mecanismos de execução técnica e diplomacia comercial. “A Lei nº 15.070/2024 [Marco Legal dos Bioinsumos] nos fornece a base legal, mas a tradução em resultados mensuráveis depende de três pilares de coordenação institucional e o comitê não atua apenas na promoção comercial, mas na convergência de normas”, contextualiza.
Segundo ele, o mecanismo concreto é a criação de grupos de trabalho conjuntos com órgãos como a EFSA (Europa) e a EPA (EUA), tendo em vistas a redução do tempo de registro no exterior através da aceitação de dados gerados no Brasil.
Assim, o comitê utiliza o rigor do novo marco legal para pleitear que os dossiês de eficácia biológica aprovados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) possam ser aceitos como prova técnica em outros países, eliminando a necessidade de repetir testes de campo que duram anos.
O diretor da Abinbio reforça, também, que o comitê identifica gargalos biotecnológicos em países parceiros e poderá conectar diretamente as empresas brasileiras que possuem a solução específica, através de missões diplomáticas, feiras e eventos, e por meio das suas adidâncias agrícolas juntos às embaixadas brasileiras em países chaves.
De acordo com Heringer, outro aspecto para se evitar que o produto brasileiro possa ser barrado por questões subjetivas de sustentabilidade reside na implementação do fomento à certificação e rastreabilidade em um sistema de Selo de Conformidade dos Bioinsumos, onde auditorias garantem que o insumo exportado cumpre requisitos de bioeconomia e baixa emissão de carbono, integrando-os ao programa nacional de bioinsumos.
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Aprosoja MT alerta para cenário estrangulado: estado só tem como guardar 50% da safra

Mato Grosso deve produzir entre soja e milho pouco mais de 103,131 milhões de toneladas na safra 2025/26. Contudo, o estado possui capacidade de armazenagem para aproximadamente 50% disso, descompasso que tem afetado a rentabilidade do produtor, a comercialização e ampliado os custos operacionais, além de comprometer a segurança alimentar.
A perspectiva de produção para o ciclo 2025/26 é 3% inferior às 106,326 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. Somente em soja, conforme revisão de estimativa de safra divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na última segunda-feira (2), devem ser colhidas pouco mais de 51,412 milhões de toneladas. Já em relação ao milho segunda safra, as projeções foram mantidas em 51,719 milhões de toneladas.
“Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Atualmente, aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada, o restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber.
Até janeiro, o estado havia comercializado 49,49% da soja 2025/26, apontou o último relatório do Imea. Quanto ao milho apenas 32% estava negociado antecipadamente.
Juros altos dificultam acesso ao crédito
Conforme Beber, os juros elevados têm dificultado o acesso dos produtores ao crédito, limitando ainda mais a construção de estruturas de armazenagem em Mato Grosso, principalmente dentro das propriedades rurais, e assim reduzir esse déficit.
“Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação. A necessidade de escoamento rápido pressiona os produtores a venderem em um curto espaço de tempo, o que favorece a redução dos preços e impacta diretamente a renda no campo”, ressalta o presidente da Aprosoja MT.

Dados recentes divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso, apontam que a produção brasileira de grãos cresce cerca de 10 milhões de toneladas ao ano, sendo necessários R$ 15 bilhões em investimentos em armazenagem anualmente para manter tal ritmo. Hoje no país, entre 14% e 16% da capacidade estática de armazenamento de grãos se encontra nas fazendas.
De acordo com o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, o cenário estrangulado na armazenagem no estado se intensifica ainda mais nas regiões de expansão agrícola mais recente, como é o caso do Vale do Araguaia.
“Todo estado do Mato Grosso, de maneira geral, é afetado com a falta de armazenagem. O produtor sofre com filas, com a dificuldade de entregar o seu produto”. Bier ressalta ainda que a situação se agrava ainda mais durante o período mais chuvoso. “Existem algumas linhas de crédito, como o FCO Armazenagem, também como o PCA, que estão disponíveis para o produtor. Porém, constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, completa.
Produtor em Água Boa, na região do Vale do Araguaia, Vinicius Baldo relata que a limitação de crédito e juros altos de fato são os pontos que mais pesam na hora de investir. “A gente tem armazém, mas não é suficiente e a gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, esse cenário mudaria bastante, pois poderíamos programar melhor as vendas e retirar com mais tempo a soja”.
Falta energia de qualidade para abastecer armazéns
Outro ponto que limita a construção de armazéns dentro das propriedades, além dos juros altos e falta de crédito, é a questão da energia elétrica. A ausência de uma energia de qualidade para abastecer os armazéns, segundo a Aprosoja MT, eleva ainda mais os custos da porteira para dentro.
“Um armazém precisa funcionar com um gerador de energia e nós temos um problema de custo com o óleo diesel. A energia gerada pelo gerador, acaba sendo uma energia mais cara, que muitas vezes dificulta a viabilidade do armazém. A energia elétrica do Mato Grosso é precária, vários e vários municípios têm energia de má qualidade, e outros municípios sequer têm energia suficiente para ampliação de novos armazéns”, pontua o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier.
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