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21 de julho de 2026

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Conflito entre EUA e Irã preocupa, mas impacto imediato deve ser limitado, avalia setor do milho

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Foto: Aiba/divulgação

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã acendeu um alerta no mercado internacional de grãos e passou a ser acompanhada com atenção pelo setor de milho brasileiro. O país do Oriente Médio é hoje o principal destino das exportações brasileiras do cereal, responsável por cerca de 20% dos embarques realizados em 2025.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), o Irã importou 9,08 milhões de toneladas do grão brasileiro no ano passado, consolidando-se como um parceiro estratégico para o agronegócio nacional. Do lado iraniano, a dependência também é significativa: cerca de 80% de todo o milho importado pelo país tem origem no Brasil.

Apesar da preocupação inicial, a entidade avalia que o impacto direto sobre o comércio internacional do cereal tende a ser limitado no curto prazo.

Segurança alimentar reduz risco de interrupção

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, afirma que o conflito gera instabilidade nos mercados, mas ressalta que o milho é um produto ligado diretamente à segurança alimentar, o que tende a manter os fluxos comerciais.

“É óbvio que a preocupação com o conflito é grande. A gente vê como ele começa, mas não sabe quando e como termina. Isso traz instabilidade para todos os mercados, inclusive para o mercado brasileiro de grãos, em especial o milho”, afirma.

Ainda assim, ele acredita que os embarques não devem sofrer grandes interrupções.

“O Irã é um dos principais destinos do milho brasileiro e essa relação comercial é muito importante. Mas acreditamos que, por se tratar de um produto ligado à segurança alimentar, o milho não deve ser afetado diretamente pelo conflito.”

Bertolini lembra ainda que episódios semelhantes já ocorreram recentemente sem comprometer de forma relevante as exportações.

“No ano passado já houve um conflito armado envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e naquela ocasião não houve uma interrupção significativa dos embarques de milho para o país”, destaca.

Exportações maiores ocorrem no segundo semestre

Outro fator que reduz o impacto imediato da crise é o calendário da produção brasileira. Neste período do ano, os embarques de milho ainda são relativamente baixos.

Isso ocorre porque o Brasil está no momento da colheita da primeira safra, que é predominantemente de soja, fazendo com que os portos estejam concentrados nas exportações do grão.

“As exportações de milho entram com volumes maiores apenas no segundo semestre”, explica Bertolini.

A primeira safra brasileira produz entre 26 milhões e 27 milhões de toneladas. No entanto, o consumo interno no primeiro semestre chega a cerca de 50 milhões de toneladas, o que faz o país utilizar estoques remanescentes da segunda safra do ano anterior.

Dessa forma, eventuais impactos mais relevantes sobre as exportações poderiam surgir apenas na segunda metade do ano.

“Por isso a maior preocupação seria um eventual impacto a partir do segundo semestre, quando os volumes embarcados aumentam”, afirma o presidente da Abramilho.

Brasil tem mais de 100 destinos para o milho

Mesmo com a importância do mercado iraniano, o setor avalia que o Brasil possui capacidade para redirecionar parte das exportações caso ocorram restrições comerciais.

Diferentemente da soja, que possui destinos mais concentrados, o milho brasileiro é exportado para uma grande variedade de mercados.

“O Brasil tem mais de 100 destinos para o nosso milho nos cinco continentes. Isso garante uma diversificação importante de mercados”, afirma Bertolini.

Segundo a Abramilho, essa característica reduz o risco de dependência excessiva de um único comprador e amplia as alternativas comerciais para o país.

Relação comercial de mão dupla

A relação comercial entre Brasil e Irã no agronegócio ocorre em via de mão dupla. O milho brasileiro é um dos principais produtos exportados para o país persa, enquanto fertilizantes fazem o caminho inverso.

Em 2025, o Brasil importou aproximadamente US$ 84 milhões em produtos iranianos, valor considerado relativamente pequeno quando comparado ao comércio com outros grandes fornecedores globais de fertilizantes.

Há ainda suspeitas no mercado de triangulação de cargas, com produtos iranianos chegando ao Brasil por meio de bandeiras de outros países, como Nigéria, Omã ou Catar, como forma de contornar sanções internacionais.

Cenário segue sob monitoramento

A Abramilho afirma que continuará acompanhando os desdobramentos do conflito internacional e seus possíveis efeitos sobre o comércio agrícola.

A avaliação inicial da entidade é que, desde que a escalada militar não comprometa portos ou rotas marítimas por questões humanitárias, o abastecimento interno e o fluxo comercial do milho brasileiro não devem sofrer impactos relevantes.

Ainda assim, o setor mantém atenção redobrada sobre a evolução do cenário geopolítico, especialmente com a aproximação do período de maior exportação do cereal no Brasil.

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Tarifaço dos EUA: setor de máquinas pede saída diplomática ao governo

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Foto: Divulgação Mapa

O governo federal iniciou nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes dos setores afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Entre os primeiros encontros esteve o da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que levou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, um pacote de medidas para reduzir os impactos da decisão americana.

Segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, o setor de máquinas e equipamentos está entre os mais expostos ao mercado norte-americano. Antes da elevação das tarifas, as exportações para os Estados Unidos somavam cerca de US$ 4 bilhões.

“O setor de máquinas e equipamentos é um dos que mais exportam para os Estados Unidos. Com essa nova tarifa de 25%, será altamente afetado”, afirmou.

Pacote de propostas

A Abimaq dividiu as sugestões apresentadas ao governo em dois eixos: medidas para preservar a competitividade das exportações e aperfeiçoamentos no programa Brasil Soberano.

Na área tributária, a entidade defende a retomada do Reintegra e a criação de mecanismos de compensação de tributos indiretos acumulados ao longo da cadeia produtiva. Segundo Velloso, essas medidas ajudariam a reduzir, na prática, o impacto da tarifa adicional sobre os produtos brasileiros.

Outra proposta é o diferimento temporário de tributos federais, como Imposto de Renda, CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária patronal.

De acordo com a Abimaq, a medida daria fôlego ao capital de giro das empresas, repetindo soluções já adotadas durante a pandemia de Covid-19 e após as enchentes no Rio Grande do Sul. A entidade também pediu reforço ao trabalho da ApexBrasil para ampliar a abertura de novos mercados.

Apesar da perda de competitividade nos Estados Unidos após o primeiro tarifaço, Velloso afirmou que as exportações do setor cresceram cerca de 13% graças à diversificação dos destinos.

“Estamos batendo recorde de exportações. Devemos exportar mais de US$ 14,5 bilhões neste ano. O objetivo é buscar novos mercados, sem deixar de trabalhar o mercado norte-americano”, disse.

Outro pedido foi a prorrogação dos atos concessórios do drawback, regime que suspende tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens para exportação. Segundo a entidade, muitos compradores americanos passaram a adiar entregas, o que pode comprometer empresas que utilizam esse mecanismo.

Mudanças no Brasil Soberano

No eixo de crédito, a Abimaq propôs ajustes no programa Brasil Soberano para ampliar o acesso das empresas.

Entre as sugestões estão a flexibilização dos critérios de elegibilidade, ampliação do número de beneficiários, mudança do período de referência utilizado para enquadramento das empresas e redução das taxas de juros.

Segundo Velloso, os financiamentos atualmente oferecidos, entre 15% e 17% ao ano, ainda são caros para empresas que enfrentam perda de mercado externo.

A entidade também defendeu a isenção do IOF nas operações de crédito ligadas ao programa, a retirada da exigência de manutenção de empregos como condição para acesso aos recursos e o fortalecimento dos mecanismos de garantia e seguro de crédito.

Solução diplomática

Após a reunião, Velloso afirmou que a prioridade da indústria continua sendo uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a adoção de medidas de retaliação não seria o melhor caminho diante da atual crise comercial.

O executivo também disse que o governo demonstrou preocupação com os impactos das tarifas e informou que novas reuniões estão previstas com outras entidades representativas da indústria. A expectativa é que, após ouvir os setores afetados, a equipe econômica defina o alcance das medidas de apoio.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira (22). Entre os produtos atingidos estão máquinas agrícolas, etanol, roupas e calçados. Já itens do agronegócio, como café, carne bovina, mel, laranja e suco de laranja, ficaram fora da cobrança adicional.

*Com informações do repórter Bruno Amorim, de Brasília

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Etanol de milho amplia demanda pelo cereal e muda dinâmica do mercado no Brasil

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Foto: Freepik

O avanço da produção de etanol de milho deve transformar ainda mais o mercado brasileiro do cereal na safra 2026/27. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o consumo de milho destinado à fabricação do biocombustível deve atingir 37,7 milhões de toneladas, um crescimento de 36% em relação às 27,7 milhões de toneladas estimadas para a temporada 2025/26.

Com esse avanço, o etanol passará a representar cerca de 34% de todo o consumo doméstico de milho, acima dos aproximadamente 28% registrados no ciclo anterior, consolidando-se como um dos principais motores da demanda interna pelo grão.

O crescimento é impulsionado principalmente pela expansão da capacidade industrial no Centro-Oeste. Levantamento do Itaú BBA identifica mais de 28 projetos entre novas usinas e ampliações de capacidade previstos até 2030. Parte desses empreendimentos também considera o uso de matérias-primas alternativas, como o sorgo.

Na avaliação de Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a maior participação das usinas de etanol na compra de milho altera o equilíbrio do mercado brasileiro.

“A maior presença das usinas de etanol na demanda por milho altera a dinâmica de comercialização do grão no Brasil, ampliando a disputa pelo produto entre diferentes consumidores, como produtores de biocombustível, indústria de proteína animal e tradings exportadoras”, afirma.

Segundo o especialista, esse movimento tende a reduzir o volume disponível para exportação e aumenta a sensibilidade dos preços domésticos em períodos de menor oferta, fortalecendo a competição pelo cereal entre os diferentes segmentos consumidores.

Transição energética impulsiona investimentos

Além da expansão das plantas industriais, o crescimento do etanol de milho é sustentado por fatores estruturais ligados à transição energética. A maior demanda por biocombustíveis e o desenvolvimento de combustíveis renováveis, como o diesel verde (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF), ampliam as perspectivas para o setor.

Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, esse cenário fortalece a integração entre os mercados agrícola e energético e aumenta a importância da gestão de riscos para produtores, indústrias e demais agentes da cadeia do milho.

Com novos investimentos previstos ao longo dos próximos anos, a tendência é que o etanol de milho continue ampliando sua participação no consumo nacional, tornando-se um dos principais fatores de influência sobre a formação dos preços e a destinação da produção brasileira do cereal.

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Plano Safra: crédito sai ainda em julho e juros estão ‘muito baratos’, diz secretário do Mapa

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Foto: Reprodução

Os recursos do Plano Safra 2026/27 com juros equalizados devem estar disponíveis para contratação dos produtores ainda em julho, disse o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.

Segundo ele, não há demora no oferecimento do crédito e o processo segue o rito costumeiro. “Temos o anúncio e, posteriormente, a adequação das instituições financeiras ao que foi definido pelo programa. Está no final da fase de ajustes e logo estará disponível para todos. […] Este mês estará tudo resolvido”, garantiu.

Para ele, os juros de custeio, principalmente para os agricultores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), está muito acessível. “Nove por cento [de juros] nesse mercado [com taxa Selic a 14,25%] é muito barato”, afirmou.

Setor critica redução da linha de custeio

O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 610,3 bilhões, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para a familiar.

Mesmo com alta nominal ante os R$ 594,4 bilhões da temporada anterior, representantes do setor avaliam que os recursos e as condições de financiamento seguem insuficientes diante do cenário no campo.

Entre os pontos centrais criticados pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a redução dos recursos para custeio, que somam R$ 384,9 bilhões nesta temporada, queda de 7,18% ante o programa do ciclo 2025/26. Essa linha financia despesas diretamente ligadas ao plantio, como sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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