Sustentabilidade
A partir de que estádio a geada compromete o milho? – MAIS SOJA

As adversidades climáticas estão entre os principais desafios enfrentados pelos produtores agrícolas na busca por altas produtividades. Na cultura do milho, em especial nos sistemas de produção do milho safrinha (segunda safra), a geada é um dos principais fatores climáticas relacionados a queda da produtividade e/ou até mesmo da inviabilização de lavouras, especialmente nas regiões Sul do Brasil.
Sob o ponto de vista físico, a geada corresponde ao congelamento das gotas de orvalho depositadas sobre o solo, as plantas ou outras superfícies, quando a temperatura do ar próximo ao solo atinge valores iguais ou inferiores a 0 °C. Já do ponto de vista agronômico, o conceito é mais amplo: considera-se geada toda condição térmica capaz de provocar danos às partes sensíveis das plantas, especialmente quando ocorre em fases críticas do desenvolvimento (Gonçalves; Farias; Sibaldelli, 2019).
Na prática, os efeitos da geada sobre a cultura do milho dependem diretamente do estádio fenológico em que ocorre o evento, podendo resultar em danos severos e, em situações extremas, inviabilizar a lavoura. Entre as fases mais sensíveis destaca-se o período reprodutivo, quando a planta já direciona grande parte dos fotoassimilados para o enchimento de grãos.
De acordo com Ciampitti, Elmore e Lauer (2016), quando a geada ocorre no estádio R4 (grão pastoso), os impactos sobre a produtividade e a qualidade dos grãos tendem a ser expressivos. Nesse estágio, a interrupção do enchimento compromete o acúmulo de matéria seca e favorece a formação de grãos leves e mal formados, podendo resultar em perdas produtivas que variam de 25% a 40%, a depender da intensidade da geada, ou até mesmo inviabilizar a lavoura, levando a morte das plantas.
No entanto, para efeito de manejo, há um período em que as geadas ainda não afetam significativamente o desenvolvimento do milho, e conhece-lo pode contribuir para o posicionamento da estratégias de manejo que contribuam para o reestabelecimento da cultura, bem como avaliar o impacto das geadas no milho.
Até o estádio V3, tanto a ocorrência de geadas quanto de granizo ou ventos intensos tende a resultar em pequena ou nenhuma redução na produtividade do milho. Isso ocorre porque, nessa fase inicial, o ponto de crescimento e os tecidos meristemáticos permanecem abaixo da superfície do solo, protegidos contra danos diretos às folhas expostas. Assim, mesmo que haja destruição significativa da parte aérea visível no estádio V3, a região de crescimento meristemática e os órgãos ainda em diferenciação não são comprometidos, permitindo a retomada do desenvolvimento e, na maioria dos casos, sem reflexos expressivos na produção final de grãos (Ritchie; Hanway; Benson, 2003; Fancelli, 2015).
Figura 1: Planta V3 dissecada.
Em síntese, os danos causados pela geada no milho estão diretamente condicionados ao estádio fenológico da cultura. Enquanto nas fases iniciais, como até V3, a planta apresenta maior capacidade de recuperação devido à proteção do ponto de crescimento abaixo do solo, nos estádios reprodutivos, especialmente durante o enchimento de grãos, os prejuízos podem ser expressivos e irreversíveis. Dessa forma, compreender essa relação é fundamental para o planejamento do milho safrinha, permitindo ajustar estratégias de manejo, reduzir riscos e embasar decisões técnicas diante da ocorrência do evento.
Veja mais: Adubação com enxofre pode contribuir para o aumento da produtividade do milho
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Referências:
CIANPITTI, I. A.; ELMORE, R. W.; LAUER, J. FASES DO DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DO MILHO. Kansas State University Agricultural Experiment Station and Cooperative Extension Service, 2016. Disponível em: < https://bookstore.ksre.ksu.edu/pubs/corn-growth-and-development-portuguese-fases-de-desenvolvimento-da-cultura-do-milho_MF3305BP.pdf >, acesso em: 04/03/2026.
FANCELLI, A. L. MANEJO BASEADO NA FENOLOGIA AUMENTA EFICIÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTIVIDADE. Visão Agrícola, n. 13, 2015. Disponível= em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/VA_13_Fisiologia-artigo2.pdf >, acesso em: 04/03/2026.
GONÇASVES, S. L.; FARIAS, J. R. B.; SIBALDELLI, R. N. R. EVENTOS CLIMÁTICOS ADVERSOS E SEUS IMPACTOS PARA AS CULTURAS DE SOJA, MILHO E TRIGO NO BRASIL. Embrapa Soja, Documentos, n. 420, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117026/1/Doc420OLfinal.pdf >, acesso em: 04/03/2026.
RITCHIE, S. W.; HANWAY, J. J.; BENSON, G. O. COMO A PLANTA DE MILHO SE DESENVOLVE. Potafos, Arquivo do Agrônomo, n. 15, 2003. Disponível em: < https://www.npct.com.br/npctweb/npct.nsf/article/BRS-3137/$File/Encarte103.pdf >, acesso em: 04/03/2026.
Foto de capa: Embrapa Agropecuária Oeste. 
Sustentabilidade
Às vésperas de feriado no Brasil, saiba como as cotações de soja fecharam o dia

O mercado brasileiro de soja registrou uma sessão de bons negócios nesta quarta-feira (3), impulsionado principalmente por prazos de pagamento mais longos e pela valorização do dólar, que ajudaram a sustentar as operações mesmo diante da queda na Bolsa de Chicago.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o diferencial dos prazos alongados chegou a variar entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por saca ao mês, em alguns casos até mais, o que estimulou a comercialização ao longo do dia. No mercado interno, houve momentos de melhora nas cotações, enquanto nos portos também foram registrados negócios para embarques em julho.
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Silveira destacou ainda que a forte queda em Chicago acabou parcialmente compensada pela valorização do dólar e pelos bons níveis dos prêmios na curva de exportação. “Foi uma sessão com bons negócios”, resumiu o analista.
Soja no Brasil (preços):
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 126,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 127,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 121,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 110,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 114,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 113,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,00
- Rio Grande (RS): manteve em R$ 132,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Após iniciar o dia com bons ganhos, seguindo a alta de mais de 2% do petróleo, o mercado sucumbiu ao cenário fundamental.
As condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, a ampla oferta mundial e a falta de demanda pelo produto americano compuseram um quadro de pressão. Os fundamentos suplantaram o desempenho do petróleo, em meio à renovada tensão no Oriente Médio.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 11,25 centavos de dólar, ou 0,96%, a US$ 11,54 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,58 1/4 por bushel, com retração de 10,25 centavos de dólar ou 0,91%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 5,40 ou 1,65% a US$ 320,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 78,71 centavos de dólar, com ganho de 0,30 centavo ou 0,38%.
Câmbio
O câmbio, por sua vez, fechou em alta, com o dólar comercial avançando 1,11% e encerrando o dia a R$ 5,0658, fator que contribuiu para sustentar parte dos preços no mercado interno brasileiro.
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Sustentabilidade
Chicago sobe e deve trazer suporte ao mercado brasileiro de soja – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de soja deve ter um dia de preços sustentados, acompanhando o desempenho da commodity na Bolsa de Mercadorias de Chicago. Lá fora, a oleaginosa busca uma recuperação frente às perdas consistentes de ontem. O dólar abriu em alta ante o real, o que também traz suporte as cotações. Neste contexto, a comercialização pode ganhar algum ritmo.
Na terça, o mercado brasileiro de soja teve um dia de pouca movimentação, com cotações entre estáveis e mais altas na maior parte das praças. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a mudança de mês ajudou a sustentar os preços, mesmo com o recuo dos contratos futuros em Chicago ao longo da sessão.
A queda na Bolsa de Chicago limitou um movimento mais consistente de valorização, mas não impediu ajustes positivos em parte do mercado físico. Ainda assim, não houve reporte de movimentações mais expressivas em termos de volume negociado.
“O produtor continua buscando preços melhores”, destaca Silveira. Segundo ele, o spread entre as indicações de compra e venda segue mais aberto, o que dificulta o fechamento de negócios.
O resultado foi uma comercialização mais lenta, com compradores e vendedores encontrando dificuldades para convergir em níveis de preço. No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos avançou de R$ 125,50 para R$ 126,00, enquanto em Santa Rosa (RS) foi de R$ 126,50 para R$ 127,00. Em Cascavel (PR), as cotações passaram de R$ 120,50 para R$ 121,00. Já em Rondonópolis (MT), os preços subiram de R$ 109,00 para R$ 110,00, enquanto em Dourados (MS) permaneceram em R$ 114,00. Em Rio Verde (GO), a saca avançou de R$ 112,00 para R$ 113,00.
Nos portos, Paranaguá (PR) passou de R$ 131,50 para R$ 132,00 por saca. Em Rio Grande (RS), as referências também avançaram de R$ 131,50 para R$ 132,00.
CHICAGO
A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera em alta de 0,57%, com o contrato julho/26 do grão cotado a US$ 11,72.
O mercado é sustentado por um movimento de correção técnica após a oleaginosa atingir os menores níveis em dois meses na sessão anterior. Os preços também acompanham a alta do petróleo em Nova York, impulsionada pela renovação das tensões no Oriente Médio. O aumento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã elevou a cautela dos investidores.
CÂMBIO
O dólar comercial registra alta de 0,24%, a R$ 5,0177. O Dollar Index registra avanço de 0,17%, a 99,357 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
As principais bolsas da Ásia fecham em alta. China, +0,22%. Japão, +2,50%.
As principais bolsas na Europa operam em baixa. Paris, -0,25%. Frankfurt, -0,87%. Londres, -0,32%.
O petróleo opera em alta. Julho do WTI em Nova York: US$ 96,26 o barril (+2,66%).
AGENDA
Quarta-feira (03/06)
- 11:30 – EUA: Relatório Semanal de Petróleo da EIA.
- 15:00 – Resultado da balança comercial de maio.
- 15:00 – EUA: Livro Bege do Federal Reserve.
Quinta-feira (04/06)
- Brasil: Feriado Corpus Christi – mercados fechados.
- Alemanha: Feriado Corpus Christi.
Sexta-feira (05/06).
- 06:00 – Zona do Euro: PIB final (1º trimestre).
- 09:30 – EUA: Relatório de Emprego/payroll (maio)
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
Perda de cotilédones impacta o crescimento e produtividade da soja? – MAIS SOJA

Embora a soja apresente certa capacidade de compensação frente à redução da área foliar, danos ocorridos nas fases iniciais de desenvolvimento podem comprometer significativamente o crescimento, o estabelecimento da lavoura e o potencial produtivo da cultura. Pragas, doenças e outros agentes bióticos podem atacar as plantas logo após a emergência, causando lesões severas nos cotilédones, comprometendo o desenvolvimento inicial ou até mesmo levando à morte das plântulas.
Figura 1. Lagarta do gênero Helicoverpa atacando planta de soja.
Durante os primeiros dias após a emergência, as plântulas de soja dependem das reservas armazenadas nos cotilédones para sustentar seu crescimento inicial (Tagliapietra et al., 2022). Dessa forma, danos que resultem na redução parcial ou total dessas estruturas podem comprometer o desenvolvimento da cultura, especialmente nas fases iniciais de estabelecimento.
Ao avaliarem o impacto da integridade dos cotilédones sobre o desenvolvimento inicial da soja, Amaral et al. (2026) verificaram que a remoção parcial ou total dessas estruturas compromete significativamente o crescimento vegetativo das plantas. No estudo, foram avaliados cinco níveis de dano: remoção total dos cotilédones (T1), remoção de 75% (T2), remoção de 50% (T3), remoção de 25% (T4) e preservação completa dos cotilédones (T5).
Os resultados obtidos pelos autores demonstram que o aumento da intensidade dos danos reduziu significativamente variáveis importantes do crescimento, como altura de plantas, diâmetro do caule e número de nós. De acordo com Amaral et al. (2026), houve relação linear entre o nível de dano e a redução dessas características, sendo observada diminuição média de 0,0727 cm na altura das plantas e de 0,013 nó por planta para cada 1% de aumento nos danos aos cotilédones. Esses resultados evidenciam a importância da preservação dos cotilédones para o adequado estabelecimento da lavoura e para a expressão do potencial produtivo da soja.
Figura 2. À esquerda: altura das plantas de soja em função da porcentagem de dano nos cotilédones. À direita: Número de nós das plantas de soja em função da porcentagem de dano nos cotilédones.

Considerando que características como altura de plantas e número de nós estão relacionadas à capacidade produtiva da soja, a redução da área dos cotilédones pode impactar indiretamente a produtividade da cultura. Essa hipótese é reforçada pelos resultados obtidos por Barbosa et al. (2012), que, ao avaliarem os efeitos de diferentes tipos de injúrias em cultivares de soja de hábito de crescimento determinado e indeterminado, observaram redução próxima de 10% na produtividade (≈ 401,22 kg ha⁻¹) em plantas submetidas à perda de um cotilédone, em comparação com a testemunha sem injúrias.
Esses resultados evidenciam a importância dos cotilédones para o adequado estabelecimento inicial da cultura, uma vez que danos a essas estruturas podem comprometer o crescimento vegetativo e refletir negativamente sobre a produtividade final. Nesse contexto, a adoção de estratégias de manejo que preservem a sanidade da lavoura e assegurem a integridade dos cotilédones durante os estádios iniciais de desenvolvimento torna-se fundamental para a manutenção do potencial produtivo da soja. Dessa forma, o controle eficiente de pragas, doenças e demais agentes causadores de injúrias aos cotilédones deve ser considerado uma prática essencial para maximizar o desempenho agronômico da cultura.
Confira o estudo completo realizado por Amaral e colaboradores (2026) clicando aqui!
Referências:
AMARAL, M. E. C. et al. IMPACTO DA INTEGRIDADE DOS COTILÉDONES NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DA SOJA. Revista Agri-Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://revista.unitins.br/index.php/agri-environmental-sciences/article/view/11445/6722 >, acesso em: 03/06/2026.
BARBOSA, G. C. et al. IMPACTO DE DIFERENTES NÍVEIS DE INJÚRIAS SOBRE A PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE SOJA DE HÁBITO DE CRESCIMENTO DETERMINADO E INDETERMINADO. VII Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2012. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/67783/1/ID-33358.pdf> acesso em: 03/06/2026.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

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