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3 de julho de 2026

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Trigo: ajuste temporário da balança comercial não altera dependência estrutural

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Foto: Embrapa

Os dados oficiais do governo federal brasileiro para o acumulado de agosto de 2025 a janeiro de 2026 — primeira metade do ano comercial 2025/26 — revelam uma reorganização relevante da balança comercial da cadeia tritícola. O período foi marcado por um ritmo mais moderado de importações, exportações antecipadas e uma melhora parcial do saldo comercial. Ainda assim, o quadro estrutural permanece inalterado: o Brasil segue fortemente dependente do trigo externo para equilibrar seu abastecimento ao longo do ano.

No período, as importações totais de trigo em grão e farinha (equivalente grão) somaram 3,39 milhões de toneladas, queda de 4% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior. O recuo concentrou-se no trigo em grão, cujas compras externas passaram de 3,35 para 3,21 milhões de toneladas, enquanto as importações de farinha também apresentaram retração.

Esse movimento reflete uma postura mais defensiva da indústria moageira, com compras pontuais, maior cautela na formação de estoques e aproveitamento seletivo de momentos de maior competitividade do produto doméstico. Soma-se a isso uma leve melhora da produção nacional, tanto em volume quanto em qualidade, na comparação com a safra anterior.

Apesar da relativa estabilidade no volume total importado de trigo em grão, a análise detalhada das origens e dos destinos evidencia mudanças importantes na dinâmica de abastecimento. A Argentina manteve ampla liderança como fornecedora, respondendo por cerca de 80% das importações brasileiras no período, sustentada pela proximidade geográfica, pela competitividade logística e pela histórica complementaridade entre a oferta argentina e a demanda brasileira.

O Paraguai aparece como segunda principal origem, com participação próxima de 10%, seguido pelo Uruguai. Já os fornecedores extra-Mercosul — como Estados Unidos, Canadá e Rússia — tiveram presença pontual, normalmente associada a demandas específicas de qualidade, arbitragem de preços ou ajustes regionais de abastecimento. No entanto, diante da queda na qualidade do trigo argentino no ciclo comercial 2025/26, cresce a possibilidade de maior participação dessas origens no segundo semestre do ano comercial brasileiro.

É fundamental considerar, ainda, a defasagem entre os anos comerciais. Os volumes registrados entre agosto e novembro de 2025, embora contabilizados no ano comercial brasileiro 2025/26, refletem majoritariamente a safra argentina 2024/25, de melhor qualidade, já que a nova colheita no país vizinho só passa a estar disponível a partir de dezembro.

A mesma lógica se aplica à temporada anterior, quando as importações entre agosto e novembro de 2024 estavam lastreadas na safra argentina 2023/24. Trata-se de um aspecto estrutural da relação comercial entre os dois países e essencial para a correta leitura dos dados.

Sob a ótica dos destinos, as importações seguem altamente concentradas. Ceará e São Paulo lideraram os desembarques em 2025/26, com cerca de 15% do total cada, reforçando o papel estratégico do Nordeste e do Sudeste tanto no consumo quanto na redistribuição do trigo importado. Na sequência aparecem Paraná, Bahia e Pernambuco, formando um grupo de cinco estados que concentra mais de dois terços das importações nacionais no período.

A presença de Paraná e Rio Grande do Sul entre os destinos, apesar de serem estados produtores, reflete compras complementares à produção doméstica, seja por questões de qualidade, seja por arbitragem logística ou necessidades específicas da indústria. No caso gaúcho, vale destacar que uma parcela relevante da produção foi direcionada à exportação, o que tende a apertar o quadro de abastecimento interno ao final da temporada. Já o Paraná consolidou-se, ao longo da última década, como o maior polo moageiro do país, migrando de uma condição historicamente superavitária para uma das mais deficitárias em trigo.

No sentido oposto às importações, as exportações e a cabotagem de trigo em grão avançaram de forma expressiva no primeiro semestre do ano comercial, totalizando 1,17 milhão de toneladas — alta de 30% em relação ao mesmo período de 2024/25. O crescimento esteve fortemente concentrado no trigo gaúcho, sinalizando janelas de competitividade do produto brasileiro no mercado externo e a necessidade de escoamento de volumes específicos. O Paraná registrou apenas um embarque via cabotagem para o Nordeste, de 32,7 mil toneladas. Cabe lembrar, ainda, o papel da intervenção governamental, que auxiliou no escoamento de cerca de 235 mil toneladas por meio dos mecanismos de PEP e Pepro.

Esse desempenho exportador, contudo, não deve ser interpretado como uma expansão estrutural. As estimativas indicam que, no total do ciclo 2025/26, os embarques brasileiros devem alcançar entre 1,6 e 1,65 milhão de toneladas, abaixo das cerca de 2,0 milhões de toneladas exportadas no ano comercial anterior. Ou seja, o que se observa é um adiantamento dos embarques, com maior concentração das vendas externas na primeira metade do ciclo.

Esse movimento está diretamente associado ao trigo gaúcho, origem de praticamente todo o volume exportado e transportado por cabotagem. Diante de um quadro de endividamento elevado, muitos produtores buscaram liquidez no mercado externo, antecipando vendas em relação ao padrão observado no ano passado. Como consequência, o potencial exportável para o segundo semestre do ano comercial tende a ser mais limitado.

Como resultado da combinação entre menor ritmo de importações e exportações antecipadas, o saldo comercial da cadeia tritícola apresentou melhora, com o déficit recuando de 2,64 para 2,22 milhões de toneladas, uma redução de 16%. Ainda assim, os dados reforçam que o Brasil segue estruturalmente deficitário em trigo e que essa melhora tende a ser temporária. Ao longo do segundo semestre da temporada, com a perda de fôlego das exportações e a intensificação da necessidade de aquisições externas — inclusive nos estados produtores —, o déficit volta a se ampliar.

A estimativa é de que, ao final da temporada 2025/26, as importações totais de trigo em grão e farinha alcancem 7,4 milhões de toneladas, enquanto as exportações somem cerca de 1,65 milhão de toneladas. O resultado será um déficit comercial de aproximadamente 5,75 milhões de toneladas, 535 mil toneladas acima do registrado no ciclo anterior, quando o Brasil importou 7,217 milhões de toneladas e exportou 2,002 milhões de toneladas.

Em síntese, os dados do primeiro semestre do ano comercial 2025/26 evidenciam um ajuste conjuntural da balança comercial da cadeia tritícola brasileira, marcado por importações mais contidas, exportações antecipadas e uma melhora pontual do saldo, sem que isso altere o quadro estrutural de dependência externa do país. A reorganização observada reflete decisões táticas da indústria e dos produtores diante de condições específicas de mercado — qualidade relativa das safras, janelas de competitividade e necessidade de liquidez —, e não uma mudança permanente no equilíbrio entre oferta e demanda.

À medida que o ano comercial avança, a tendência é de recomposição do déficit, impulsionada pela perda de fôlego das exportações e pela intensificação das compras externas para garantir o abastecimento interno.

Assim, a temporada 2025/26 caminha para encerrar com um déficit comercial ainda mais elevado, reforçando que a segurança do suprimento de trigo no Brasil segue condicionada ao mercado internacional e à dinâmica da oferta dos países vizinhos, em especial da Argentina.

Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos


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Rio Grande do Sul terá fim de semana seco e volta da chuva na próxima semana

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O Rio Grande do Sul deve ter tempo mais seco ao longo do fim de semana, antes da volta da instabilidade nos próximos dias. Segundo o Boletim Integrado Agrometeorológico 27/2026, a chuva deve retornar entre segunda-feira (6) e terça-feira (7) em praticamente todo o estado, com os maiores volumes previstos para a metade Norte.

O boletim foi elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Para sexta-feira (3), a previsão indica declínio das temperaturas e possibilidade de geada em diversas regiões do estado. Também há chance de rajadas de vento nas regiões litorâneas e em áreas adjacentes.

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No sábado (4), e até a manhã de domingo (5), a frente fria que ingressou no estado a partir da quinta-feira anterior deixa de influenciar o tempo no território gaúcho. Com isso, não há previsão de chuva significativa na maior parte das regiões.

Ao final de domingo (5), uma nova frente fria deve se aproximar do estado, favorecendo a volta da instabilidade. Na segunda-feira (6) e na terça-feira (7), a previsão é de chuva em todas as regiões, com maiores acumulados novamente concentrados na metade Norte.

Na quarta-feira (8), o sistema perde força e se afasta, reduzindo sua influência sobre o estado. A previsão indica apenas chuva isolada.

Ao longo da semana, os acumulados de precipitação devem variar entre zero e 50 milímetros, com pontos isolados podendo superar esse volume.

Atualizado semanalmente, o boletim agrometeorológico reúne informações sobre o tempo e acompanha a situação de diferentes culturas e criações de animais no Rio Grande do Sul.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Inmet prevê maior demanda hídrica nas lavouras em julho

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média histórica ao longo de julho em grande parte do Brasil, com maior intensidade na porção Centro-Norte do território nacional. Segundo o instituto, o cenário eleva a demanda hídrica das culturas agrícolas e pode reduzir o armazenamento de água no solo, com efeitos sobre lavouras em desenvolvimento, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações.

De acordo com o Inmet, o quadro climático terá efeitos distintos conforme a cultura e a região. No Centro-Oeste, grande parte das lavouras de milho segunda safra e algodão está na fase final do ciclo produtivo, período em que o tempo seco favorece a maturação.

Para o algodão, o instituto afirma que as temperaturas mais elevadas favorecem a abertura dos capulhos, reduzem a incidência de doenças associadas ao excesso de umidade e ampliam as janelas operacionais de colheita. No oeste do Estado da Bahia, a previsão também tende a beneficiar a fase final do ciclo da cultura e o avanço da colheita.

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Em outra direção, o Inmet indica maior necessidade de atenção ao manejo hídrico nas lavouras de feijão terceira safra na Região Nordeste e nos cultivos irrigados da Região Sudeste. Segundo o instituto, os efeitos do calor podem comprometer o florescimento e o enchimento de grãos do feijão terceira safra.

Em áreas dos Estados de Mato Grosso e Goiás, o tempo seco tende a reduzir os níveis de armazenamento de água no solo. Já na Região Sul, o prognóstico aponta volumes de chuva próximos ou acima da média climatológica na maior parte do período, condição que, segundo o Inmet, favorece o desenvolvimento das culturas de inverno pela adequada disponibilidade hídrica.

Ao mesmo tempo, o instituto destaca que, nas culturas de inverno da região Sul, a combinação de umidade e temperaturas elevadas favorece a ocorrência de doenças fúngicas.

O cenário projetado pelo Inmet para julho combina aquecimento acima da média em grande parte do País com efeitos distintos entre regiões e culturas, exigindo atenção ao manejo hídrico, ao desenvolvimento das lavouras e às condições fitossanitárias no campo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Mapa entrega 36 máquinas do Promaq para municípios e governo do Piauí

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) entregou, na última quarta-feira (1º), 36 máquinas do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq) no Piauí. A ação foi realizada por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Piauí (SFA-PI) e somou R$ 9,4 milhões em investimentos. Os equipamentos foram destinados a prefeituras piauienses e à Secretaria de Transportes do estado.

A entrega ocorreu em dois momentos, na sede da Embrapa Meio-Norte, em Teresina. Pela manhã, foram entregues 19 pás carregadeiras aos municípios de Angical do Piauí, Baixa Grande do Ribeiro, Barra D'Alcântara, Batalha, Campo Alegre do Fidalgo, Dom Expedito Lopes, Francinópolis, Francisco Macêdo, Fronteiras, Guadalupe, Isaías Coelho, Itainópolis, Lagoa do Piauí, Madeiro, Paes Landim, Pedro Laurentino, Piracuruca, Ribeiro Gonçalves e São Julião.

À tarde, o Mapa entregou outras 16 pás carregadeiras e uma motoniveladora à Secretaria de Transportes do Piauí, responsável pelo repasse dos equipamentos a outros municípios do estado.

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Participaram da solenidade o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; o secretário de Transportes do Piauí, Jonas Moura; o superintendente da SFA-PI, Vinício Ferreira; o senador Marcelo Castro; deputados federais e estaduais; prefeitos; e o chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, Anísio Lima Neto.

Durante o evento, Vinício Ferreira afirmou que o Promaq contribui para fortalecer a infraestrutura rural, melhorar as condições de trabalho no campo, ampliar a capacidade operacional dos municípios e impulsionar o desenvolvimento da agropecuária.

Segundo o Mapa, as pás carregadeiras são usadas na movimentação de terra, areia, brita, grãos e outros materiais, além de operações de escavação. Os equipamentos também atendem obras de infraestrutura, manutenção de estradas vicinais e apoio às atividades agropecuárias. A motoniveladora é empregada na terraplenagem e no nivelamento de superfícies, com uso na conservação e recuperação de vias rurais.

Criado em fevereiro de 2025, o Promaq tem como objetivo modernizar o setor agropecuário por meio da mecanização agrícola, com foco em produtividade, redução de custos de produção, fortalecimento da infraestrutura rural, sustentabilidade e diminuição das desigualdades regionais.

Fonte: gov.br

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