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23 de outubro de 2026

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Milho em alta: Juína aposta na segunda safra para impulsionar a pecuária

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Localizada no noroeste de Mato Grosso, Juína vive um momento de reorganização produtiva que amplia o protagonismo do município no agronegócio estadual. A diversidade de atividades, aliada à regularização ambiental e ao avanço dos investimentos privados, vem fortalecendo a economia local e abrindo novas perspectivas de crescimento sustentável.

Tradicionalmente ligada à base florestal e à pecuária, a cidade passa por um processo de transição marcado pela segurança jurídica e pela ampliação das cadeias produtivas. Para o produtor rural Alcides Szulczewski Filho, esse cenário cria condições concretas para novos ciclos de desenvolvimento. “É uma das cidades hoje mais pujante, tendo em vista várias frentes. Podemos citar o setor madeireiro, que é muito forte aqui, é uma madeira totalmente legalizada dentro de áreas documentadas”, diz.

Ele observa que a legalização trouxe estabilidade para quem produz. “É uma segurança jurídica que nós do setor buscávamos há muito tempo e agora conseguimos chegar em um ponto que dá para trabalhar de forma legal, preservando o meio ambiente e explorando apenas aquelas árvores que estão maduras para o abate”, completa em entrevista ao Projeto Mais Milho.

madeira juína foto pedro silvestre canal rural mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Soja ocupa áreas degradadas e sinaliza nova fronteira agrícola

Além da madeira, do minério e da pecuária, a agricultura começa a redesenhar a paisagem produtiva de Juína. Áreas antes ocupadas por pastagens degradadas estão sendo convertidas em lavouras de soja, com resultados que surpreendem os produtores e reforçam o potencial agrícola da região.

O produtor rural Renato Tozzo destaca que mesmo solos com menor teor de argila têm respondido bem. “Tem áreas que a gente está produzindo soja com 18% de argila e ela está dando 70 sacas de soja”, relata. Já em áreas mais argilosas, o desempenho também chama atenção. “Tenho uma área de 75% de argila aqui tem uma produção altíssima”, acrescenta.

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Diante dos resultados, os investimentos seguem em ritmo de crescimento. “O potencial agrícola da nossa região é excelente. Agora a gente vem diversificando as nossas máquinas e aumentando as nossas áreas também”, conta Renato à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

milho juína foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Milho amplia renda e fortalece a integração com a pecuária

Na sequência da soja, o milho ganha espaço como alternativa estratégica de renda e como elo fundamental com a pecuária. O grão passa a integrar a alimentação animal, estimula sistemas mais intensificados e cria expectativa de maior agregação de valor dentro do próprio município.

O prefeito de Juína, Paulo Augusto Veronese, avalia que esse movimento amplia as oportunidades de industrialização. “Nós temos a base florestal muito forte e hoje uma oferta de biomassa na região, além do milho que está chegando, com possibilidade de instalação de indústrias que necessitam dessa biomassa para geração de energia”, pontua.

Ele ressalta que o aumento da produção também fortalece a busca por novos investimentos. “Com a produção de milho aumentando, a gente está almejando investimentos, principalmente com relação ao etanol. Essa mudança de modelo de negócio tem ajudado muito na economia e tem trazido muitas oportunidades”, observa. Para o prefeito, o milho passou a ser um componente central da estratégia produtiva local, contribuindo para agregar valor à pecuária.

Milho Juína foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima favorece produtividade e mantém consumo na região

As condições climáticas de Juína também colaboram para o bom desempenho das lavouras. O engenheiro agrônomo Joelton Simionatto acompanha de perto a evolução da cultura e destaca a regularidade das chuvas. “A gente tem chuvas bem regulares, a janela é bem definida, e plantando milho até dia 20 de fevereiro conseguimos excelentes produtividades”, explica.

Mesmo em áreas mais baixas, os resultados têm sido consistentes. “O milho tem se mostrado responsivo em produtividade, com médias de 140, 160 sacas e, em algumas áreas melhores, até 180 sacas”, detalha. Segundo ele, a maior parte da produção permanece no próprio município. “Como a pecuária é bastante intensificada, a demanda de milho é grande e praticamente nada do que se produz aqui hoje vai para fora”, relata.

Integração recupera áreas e projeta novos ciclos de crescimento

Na fazenda de Alcides Szulczewski Filho, os primeiros 700 hectares de milho marcam a estreia da cultura em um sistema integrado com a pecuária. O produtor conta ao Canal Rural Mato Grosso que o início exige atenção especial ao manejo do solo. “Como estamos produzindo em áreas mistas, nos primeiros anos é bom fazer uma correção melhor no solo, porque ele é um pouco diferenciado”, diz.

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A proposta, conforme ele, não substitui a atividade pecuária, mas amplia suas possibilidades. “A pecuária não vai se perder no caminho porque a agricultura chegou, ela vai integrar junto com a agricultura”, afirma. O planejamento inclui soja, milho, algodão e gergelim, com uso das áreas na entressafra para a engorda do gado.

Ao projetar o futuro, Alcides resume a percepção de quem aposta no município. “Juína é um monstro adormecido no desenvolvimento de Mato Grosso”.

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Mapa inclui tomate industrial irrigado no zoneamento de risco climático

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta sexta-feira (23), no Diário Oficial da União (DOU), a Portaria nº 378, que inclui o tomate destinado ao processamento industrial irrigado no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O estudo indica os períodos mais favoráveis ao plantio em diferentes municípios e estabelece parâmetros para mitigação de riscos climáticos na cultura.

Segundo o Mapa, o zoneamento orienta produtores, instituições financeiras e seguradoras na tomada de decisões e contribui para o planejamento da atividade agrícola. As datas de plantio previstas no Zarc devem ser observadas por quem pretende acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) e o crédito rural.

O estudo foi direcionado ao tomate para processamento industrial irrigado, sistema recomendado para esse segmento. De acordo com os responsáveis pelo trabalho, a escolha se deve à padronização do modelo produtivo no país, baseado em irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada. No Brasil, 40% da produção de tomate é destinada ao uso industrial e 60% ao consumo fresco. Em 2025, a produção nacional voltada ao processamento industrial somou 1,88 milhão de toneladas.

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A cadeia está concentrada no Cerrado, com plantios entre fevereiro e meados de abril. Goiás responde por 65% da produção, seguido por Minas Gerais, com 17%, São Paulo, com 16%, e Pernambuco, com 2%. A produção se caracteriza por lavouras irrigadas de grande escala, elevada mecanização e integração com agroindústrias.

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O pesquisador da Embrapa Hortaliças Marcos Braga afirma que, mesmo com irrigação, a cultura permanece sujeita a oscilações extremas de temperatura, excesso de chuva, inadequação de solo e de cultivares. O estudo definiu janelas de plantio com faixas de risco de 20%, 30% e 40% de probabilidade de perda de produção, detalhadas por município, tipo de solo, ciclo da cultivar e decêndio do ano. Foram avaliados cultivos com ciclo de até 120 dias e de 121 dias ou mais.

Entre os parâmetros considerados, o cenário ideal para a cultura reúne temperaturas entre 20°C e 27°C. Máximas acima de 35°C na floração podem reduzir produtividade e qualidade. Temperaturas mínimas abaixo de 3°C e médias abaixo de 19°C em período crítico também afetam o desenvolvimento. O trabalho avaliou ainda o excesso de chuva no início e no fim do ciclo, com referência a acumulados superiores a 240 mm nos primeiros 40 dias e acima de 90 mm na maturação e colheita.

Os resultados do zoneamento para o tomate industrial irrigado estão disponíveis no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais por estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo, para Android e iOS.

Fonte: gov.br

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Bolsa de Rosário eleva estimativa da safra de trigo da Argentina para 23,8 milhões de toneladas

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A Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) elevou de 21 milhões para 23,8 milhões de toneladas sua estimativa para a produção de trigo da Argentina em 2026/27. Segundo a entidade, o volume projetado seria o segundo maior dos últimos 17 anos, abaixo apenas do recorde de 28,5 milhões de toneladas registrado no ciclo anterior. O rendimento médio nacional foi estimado em 3,53 toneladas por hectare.

A BCR informou que a nova projeção para o trigo coloca a safra 2026/27 como a terceira melhor marca de rendimento médio desde 2010. Ao mesmo tempo, a bolsa observou que as condições climáticas registradas em outubro seguem no radar dos produtores.

De acordo com a entidade, o mês tem sido marcado por temperaturas baixas, menor incidência de radiação solar e chuvas abaixo do esperado. Esse quadro, segundo a bolsa, pode comprometer o desenvolvimento das plantas e limitar os rendimentos.

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Para o milho, a estimativa é de uma área plantada de 10,6 milhões de hectares e produção de cerca de 67,5 milhões de toneladas. Mesmo com a perspectiva de uma safra expressiva, a área representa recuo de 3,6% em relação aos 11 milhões de hectares do ciclo anterior.

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No caso da soja, o plantio começa sob incertezas climáticas. A Bolsa de Rosário afirmou que os produtores acompanham com perplexidade o comportamento do fenômeno El Niño, que até agora não se apresentou como esperado. As temperaturas baixas também têm dificultado o início dos trabalhos, com relatos de frio ainda excessivo para a semeadura.

A área destinada à oleaginosa foi estimada em 16,7 milhões de hectares, alta de 2% sobre o ciclo anterior. Se as condições climáticas permanecerem dentro da normalidade, a produção argentina poderá alcançar 47,8 milhões de toneladas, projetou a entidade.

As projeções da Bolsa de Rosário indicam expectativa de produção elevada para trigo, milho e soja na Argentina em 2026/27, enquanto o clima de outubro segue como um fator acompanhado pelos produtores no início do ciclo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Estudo estima alta de até 49% na soja sem manejo fitossanitário

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Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG), em cooperação técnico-científica com a CropLife Brasil, simulou um cenário extremo de ausência de controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sojicultura. O levantamento indica perda média de 121,3 milhões de toneladas, valor econômico estimado em R$ 223,5 bilhões e alta potencial de até 49% no preço da soja. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (23), em São Paulo.

Segundo o estudo, a redução da oferta em relação à produção potencial pode chegar a cerca de 65% nos principais estados avaliados. O modelo também projeta contribuição de aproximadamente 0,26 ponto porcentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O pesquisador Emerson Del Ponte, docente da UFV e doutor em Fitopatologia, afirmou que a metodologia converteu perdas de produtividade em quebra de oferta e, com elasticidades calibradas com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), estimou a alta no preço da soja e o repasse para alimentos.

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Pelos cálculos do estudo, uma elevação de 10% no preço da soja poderia resultar em aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. A pesquisa destaca que a soja é matéria-prima do óleo e que o farelo é usado na alimentação animal, o que conecta o preço do grão aos custos de produção de leite, ovos e carnes.

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O trabalho também avaliou exportações e demanda por terra. Para repor o volume perdido em um cenário sem controle, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, considerando a produtividade média de referência.

Foram realizadas 10 mil simulações por estado, com comparação entre ausência de controle, controle parcial e controle ótimo. No controle parcial, as medidas reduziriam em 40% os danos estimados sem controle. No controle ótimo, a redução considerada é de 80%. Com esses parâmetros, a perda média simulada cai para 72,8 milhões de toneladas no controle parcial e para 24,3 milhões de toneladas no controle ótimo.

A parceria entre UFV e CropLife Brasil, formalizada em setembro de 2025, prevê estudos sobre outras culturas de importância para a agricultura brasileira. No levantamento sobre soja, o cenário extremo foi usado para dimensionar os efeitos produtivos e econômicos associados ao manejo fitossanitário.

Fonte: Estadão Conteúdo

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