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Sustentabilidade

Intervalo ideal entre aplicação de inseticidas: como garantir proteção contínua contra pragas sugadoras – MAIS SOJA

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O controle químico em lavouras comerciais é uma das estratégias de manejo mais utilizadas para reduzir a interferência das pragas em lavouras agrícolas. Ainda que distintos métodos de controle possam ser adotados de forma integrada ao longo do ciclo da cultura e durante os períodos entressafra, o uso de inseticidas químicos é praticamente indispensável no sistema de produção de grãos.

A elevada pressão de pragas, bem como o grande potencial de algumas espécies em reduzir a produtividade e depreciar grão, torna praticamente inevitável o emprego de inseticidas químicos no manejo fitossanitário das lavouras. Sobretudo, visando um manejo consciente e sustentável, sem perder potencial produtivo, é preciso compreender a dinâmica populacional das pragas, a biologia delas e as características dos inseticidas disponíveis no mercado, especialmente com relação a residualidade e intervalos de pulverização.

Pragas consideradas sugadoras com a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera) e a mosca-branca (Bemisia tabaci), tem demonstrado crescente participação em lavouras de milho e soja respectivamente, como elevado potencial em reduzir a produtividade dessas culturas.

Figura 1. Cigarrinha do milho Dalbulus maidis e Leptodelphax maculigera.
Fonte: Ferreira et al. (2023)

No caso da cigarrinha-do-milho, as perdas de produtividade em milho podem chegar a 100% nos casos mais severos, inviabilizando a lavoura (Cota et al., 2021). Não menos importante, a mosca-branca também pode inviabilizar lavouras de soja, com danos que podem chegar a 80% (Tomquelski et al., 2020).

Figura 2. Mosca-branca (Bemisia tabaci).

Essas pragas apresentam uma grande habilidade reprodutiva e um curto ciclo de vida, fato que dificulta um controle efetivo desses insetos, uma vez que há um rápido reestabelecimento das populações infestantes nas culturas agrícolas. Estima-se que a cigarrinha-do-milho produza de 400 a 600 ovos por ciclo. O ciclo de ovo a adulto tem duração entre 15 dias a 27 dias, dependendo da temperatura e umidade do ambiente. Os adultos apresentam longevidade de 51 dias a 77 dias (Ávila et al., 2022).

De forma semelhante, a mosca-branca apresenta um curto ciclo e alta fecundidade. Em média, o ciclo de vida da mosca-branca, do ovo ao adulto, dura cerca de 20 dias, enquanto a longevidade dos adultos é de aproximadamente 19 dias, além disso, a fêmea pode ovipositar de 100 e 300 ovos  (IRAC, 2013).

Figura 3. Ciclo de vida da mosca-branca (Bemisia tabaci).
Fonte: IRAC (2013)
Intervalo entre aplicações e cuidados para garantir proteção contínua

Sob condições ambientais favoráveis, especialmente de temperatura e umidade, o desenvolvimento das pragas é acelerado, reduzindo o intervalo entre gerações e favorecendo aumentos populacionais. Nesses cenários, o intervalo entre pulverizações tende a ser encurtado, exigindo maior frequência de aplicações para garantir um controle efetivo.

O efeito residual dos inseticidas aplicados no tratamento de sementes, embora proporcione proteção inicial, é geralmente limitado a 10 a 15 dias após a semeadura. Considerando que o período crítico de ocorrência da cigarrinha-do-milho se estende até cerca de 40 dias após a emergência, e que a mosca-branca pode ocorrer tanto em estádios vegetativos quanto reprodutivos da soja, o monitoramento periódico das lavouras torna-se essencial para definir o momento oportuno do controle.

Em condições ideais de temperatura, o ciclo biológico desses insetos é acelerado, encurtando o intervalo entre ovo e adulto e resultando em explosões populacionais. Nessas situações, mesmo com inseticidas de maior residual, frequentemente são necessárias reaplicações em intervalos de 5 a 7 dias para reduzir reinfestações (Agrofit, 2025).

Para o controle da cigarrinha-do-milho, diferentes estratégias podem ser integradas ao manejo, tanto no período pré como pós-safra, incluindo o uso de híbridos mais tolerantes, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a eliminação de plantas voluntárias de milho (milho tiguera). Já para a mosca-branca, devido ao seu caráter polífago, o vazio sanitário é uma das medidas mais eficazes (Roggia, et al., 2020). Entretanto, no sistema produtivo da soja, o controle de B. tabaci ainda é realizado predominantemente com inseticidas químicos, o que eleva o risco de seleção de populações resistentes (Tomquelski et al., 2020)..

O manejo da resistência requer a alternância de produtos com diferentes mecanismos de ação, sempre associados ao uso racional de inseticidas, de forma a reduzir a pressão de seleção (Tomquelski et al., 2020). Embora a cigarrinha-do-milho apresente alta suscetibilidade a inseticidas como metomil, carbosulfan e acefato (Machado et al., 2024), a inclusão de moléculas com mecanismos distintos, como os inseticidas fisiológicos, a exemplo do Fera® (buprofezina), tem demonstrado resultados satisfatórios tanto para cigarrinha quanto para mosca-branca.

Os inseticidas fisiológicos diferenciam-se por não atuarem diretamente sobre o sistema nervoso, mas por interferirem em processos biológicos fundamentais, como a síntese de quitina, comprometendo o crescimento e a reprodução dos insetos, e portanto, atuando sobre ninfas. Quando inseridos em programas de manejo, além de ampliar a eficácia do controle, contribuem para retardar a evolução da resistência. Estudos também indicam que a buprofezina, além de controlar a cigarrinha, reduz a fertilidade da praga, diminuindo a quantidade e a viabilidade dos ovos depositados (Sipcam Nichino, s. d.).

Vale ressaltar que o sucesso do manejo das pragas sugadoras depende não apenas do posicionamento correto dos inseticidas quanto ao ingrediente ativo, mecanismo de ação e intervalo de reaplicação, mas também do monitoramento constante das populações, sendo crucial, embasar a tomada de decisão com base nas recomendações técnicas para a cultura.

Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 26/08/2025.

ÁVILA, C. J. et al. CIGARRINHA-DO-MILHO.: DESAFIOS AO MANEJO DE ENFEZAMENTOS E VIROSES NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Agropecuária Oeste, Documentos, n. 149, 2022. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1152076/1/DOC-149-2022-ONLINE-1.pdf >, acesso em: 26/08/2025.

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 26/08/2025.

FERREIRA, K. R. et al. FIRST RECORD OF THE AFRICAN SPECIES Leptodelphax maculigera (Stål, 1859) (Hemiptera: Delphacidae) IN BRAZIL. Research Square, 2023. Disponível em: < https://www.researchsquare.com/article/rs-2818951/v1 >, acesso em: 26/08/2025.

IRAC-BR. RESISTÊNCIA DE MOSCA-BRANCA A INSETICIDAS. Comitê de Ação a Resistencia aos Inseticidas, IRAC-BR, 2013. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_e9a5d8f60a584e02aa5c5152b5a41e78.pdf >, acesso em: 26/08/2025.

MACHADO, E. P. IS INSECTICIDE RESISTANCE A FACTOR CONTRIBUTINGTO THE INCREASING PROBLEMS WITH Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) IN BRAZIL? Society of Chemical Industry, 2024. Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8237?domain=author&token=EFNPXSEM4KUXHHESVXEG >, acesso em: 26/08/2025.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 26/08/2025.

SIPCAM NICHINO. INOVAÇÃO NO CONTROLE DA CIGARRINHA-DO-MILHO: NOVO INSETICIDA DEMONSTRA ALTA EFICÁCIA. Sipcam Nichino Brasil, s.d. Disponível em: < https://www.sipcamnichino.com.br/post/inova%C3%A7%C3%A3o-no-controle-da-cigarrinha-do-milho-novo-inseticida-demonstra-alta-efic%C3%A1cia >, acesso em: 26/08/2025.

TOMQUELSKI, G. V. et al. EFICIÊNCIA DE INSETICIDAS PARA O CONTROLE DA MOSCA-BRANCA Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) EM SOJA NAS SAFRAS 2017/2018 E 2018/2019: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 158, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1121519/1/CT158.pdf >, acesso em: 26/08/2025.

 

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Sustentabilidade

Retração vendedora e escoamento externo sustentam cotações do arroz – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de arroz segue operando em ritmo lento, porém com cotações sustentadas, refletindo um equilíbrio delicado entre oferta crescente e mecanismos de escoamento relativamente ativos. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

Do lado da safra 2025/26, o avanço da colheita em março foi decisivo. O tempo firme permitiu melhor drenagem das áreas e redução da umidade do grão, diminuindo custos de secagem e favorecendo a eficiência operacional, conforme apontado pela Emater/RS.

“No campo comercial, um dos principais fatores de sustentação vem das exportações”, explica o analista. O volume embarcado em março, de 161,4 mil toneladas (base casca), “cumpre papel essencial ao retirar excedentes do mercado interno”.

O destaque é o forte fluxo de arroz em casca para México e Venezuela (85,9 mil toneladas), diretamente ligado à sustentação dos preços ao produtor. “Além disso, também foi registrado o escoamento de 51,3 mil toneladas de quebrados para África”, relata Oliveira.

Por outro lado, o varejo já sinaliza um ambiente mais pressionado. A queda de preços em diversas capitais indica expectativa de maior oferta e consumo mais cauteloso, o que limita a capacidade da indústria de pagar mais pela matéria-prima. “Esse fator explica, em parte, o ritmo demasiado lento dos negócios”, acrescenta.

Por fim, os riscos logísticos seguem no radar. “Possíveis problemas com combustíveis, transporte ou paralisações podem impactar diretamente o fluxo da cadeia e alterar rapidamente o comportamento dos preços”, pondera o consultor.

Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 59,86, alta de 3,19% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 8,97%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 25,90%.

Fonte: Agência Safras



FONTE

Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News

Site: Agência Safras

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Mercado de soja segue lento e com preços recuando no Brasil; Chicago e dólar caem – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de soja teve uma semana predominantemente travada, com registro de movimentos pontuais e sem volumes relevantes. Os prêmios apresentaram poucas mudanças, enquanto câmbio e Chicago acumularam perdas na semana, afastando os negociadores.

De modo geral, o movimento foi de preços mistos, sem direção clara. O analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que o produtor segue fora do mercado, assim como as tradings, o que limita a liquidez. “O quadro da semana, como um todo, foi de poucos movimentos”, resume.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 125,00 para R$ 124,00 na semana. Em Cascavel (PR), a cotação baixou de R$ 120,00 para R$ 119,00. Em Rondonópolis (MT), o preço caiu de R$ 110,00 para R$ 107,00. No Porto de Paranaguá, a saca passou de R$ 131,00 para R$ 130,00.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em maio acumularam desvalorização de 4,55%, encerrando a semana a US$ 11,69 1/2 por bushel. Após atingir na semana passada o maior patamar em dois anos, o mercado iniciou a semana no limite diário de baixa, sessão responsável pela queda semanal.

O motivo da queda foi a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar seu esperado encontro com o presidente chinês Xi Jinping. A reunião estava prevista para o final de março, mas as últimas informações é de que o encontro ficará para um período daqui 30 a 45 dias.

Por conta do conflito no Oriente Médio, Trump decidiu postergar o encontro. O atraso no encontro significa também adiamento de um possível acordo comercial. O mercado vive a expectativa de um acerto de compra de soja americana por parte dos chineses.

A semana também não foi das melhores em termos de câmbio. No balanço, o dólar comercial recuou 1,47%, sendo cotado na manhã da sexta a R$ 5,2387. O recuo tira competitividade da soja brasileira.

Fonte: Agência Safras



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Sustentabilidade

Mercado de trigo mantém preços firmes com liquidez limitada e cautela dos agentes – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com negociações pontuais e ritmo moderado, refletindo a postura cautelosa dos agentes diante de um ambiente ainda indefinido. A combinação de oferta imediata restrita, instabilidade nos referenciais externos e demanda enfraquecida por derivados limitou o avanço dos negócios.

“Os agentes atuam de forma mais conservadora, o que resulta em negócios pontuais e andamento lento tanto no Rio Grande do Sul quanto no Paraná”, disse o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento.

No mercado físico, os preços se mantiveram relativamente firmes, sustentados mais pela restrição de oferta do que por um consumo aquecido. No Rio Grande do Sul, negócios ocorreram ao redor de R$ 1.150 por tonelada FOB, enquanto pedidas entre R$ 1.200 e R$ 1.250/t encontraram resistência dos moinhos.

“Essa diferença reflete, principalmente, as dificuldades no escoamento de derivados e as margens comprimidas da indústria, o que mantém o mercado lento e bastante seletivo”, afirmou Bento.

No Paraná, o cenário foi semelhante, com negociações restritas e forte influência de fatores logísticos. Fretes elevados, escassez de caminhões, em meio ao pico de escoamento de soja e milho, e entraves operacionais contribuíram para limitar o fluxo de comercialização. “A logística continua sendo um fator relevante, com fretes elevados e menor disponibilidade de caminhões, o que impacta diretamente o fluxo de comercialização”, destacou o analista.

Além disso, a demanda fragilizada pelo fraco desempenho do mercado de farinha seguiu comprimindo margens e restringindo a atuação dos moinhos, que priorizam a gestão de estoques. Do lado da oferta, a menor urgência de venda por parte dos produtores também reduziu a pressão vendedora, mantendo o mercado tecnicamente firme, porém com baixa liquidez.

Para a próxima semana, a expectativa é de manutenção desse ambiente de negociações pontuais e seletivas. A evolução do câmbio, o comportamento das cotações internacionais e, principalmente, o avanço da colheita de verão, que pode destravar a logística, serão determinantes para uma eventual retomada do ritmo de negócios.

“Sem uma melhora mais clara no consumo ou maior estabilidade nos indicadores externos, a tendência é de manutenção desse ambiente de negociações pontuais, seletivas e de ritmo moderado”, aponta o especialista.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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