Sustentabilidade
Tratamento biológico de sementes: tecnologia e sustentabilidade para uma agricultura de alto desempenho – MAIS SOJA

Por Flávio Lamanna – Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Indigo
Aumentar o desempenho das lavouras é essencial para atender à crescente demanda global por alimentos, fibras e biocombustíveis, especialmente com o crescimento populacional e a urbanização acelerada. Isso é particularmente importante no Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Ao elevar a produtividade de forma sustentável, a agricultura também fortalece a economia, gera emprego e promove o desenvolvimento de regiões rurais.
Além disso, o aumento do desempenho agrícola, quando aliado às práticas sustentáveis, contribui para a conservação ambiental. A incorporação de tecnologias, como bioinsumos e manejo biológico, é um aliado importante na preservação e recuperação da saúde do solo.
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) revelam que o mercado de produtos biológicos no Brasil vem crescendo mais de 30% ao ano com a comercialização de bionematicidas, biofungicidas, bioinseticidas, bioherbicidas, biofertilizantes e bioestimulantes. Nesse contexto é preciso ressaltar a importância do tratamento biológico de sementes. Peças-chave na produtividade, as sementes carregam todas as características genéticas imprescindíveis para uma agricultura mais produtiva.
Dentre os biológicos registrados no MAPA, cerca de 20% são recomendados para o tratamento de sementes, visando uma melhor qualidade e estabelecimento inicial das culturas, proteção das sementes contra fungos e pragas de solo e condições climáticas adversas. Os microrganismos são os ingredientes ativos da maioria desses bioinsumos. Fungos do gênero Trichoderma e as bactérias do gênero Bacillus são os mais utilizados, além das bactérias que são base para os inoculantes destinados à fixação de nitrogênio (Azospirillum e os rizóbios).
Pesquisas já comprovaram que as sementes são um importante veículo para transporte de patógenos para as áreas de plantio, sobretudo na soja e no milho, o que pode comprometer toda a produção e é por isso que o manejo biológico tem crescido ano a ano.
Esse é um processo que envolve a aplicação de microrganismos benéficos diretamente nas sementes antes do plantio. Nesse momento, bactérias e fungos selecionados, ativas nos bioinsumos, atuam em conjunto para proteger as plantas desde a germinação, promovendo o desenvolvimento saudável e robusto.
Benefícios múltiplos
O tratamento biológico de sementes não só contribui para uma lavoura mais produtiva, como também melhora a saúde do solo e fortalece a resiliência das plantas contra pragas, doenças e variações climáticas, fatores cruciais para uma agricultura de alto desempenho. Essa é uma prática eficaz para melhorar a qualidade do material genético e o potencial germinativo, reduzindo o nível de patógenos presentes na lavoura. Esses benefícios incluem:
– Saúde do solo: biológicos de alta performance melhoram a estrutura e a biodiversidade do solo, promovendo o equilíbrio e a fertilidade da rizosfera – a camada ao redor das raízes, onde ocorre intensa atividade microbiana essencial para o desenvolvimento das plantas.
– Proteção e crescimento: além de proteger contra pragas e doenças, os biológicos estimulam o vigor das plantas, fortalecendo o sistema radicular. Isso resulta em plantas mais saudáveis e produtivas, com raízes profundas e robustas que absorvem melhor os nutrientes do solo.
– Resistência a estresse: este manejo ajuda as plantas a enfrentarem condições de estresse, seja por pragas e doenças ou por condições ambientais adversas, como seca e temperaturas extremas. Essa resistência aumenta as chances de uma maior produtividade, mesmo em condições desafiadoras.
Importante ressaltar que, após a aplicação do tratamento, o produtor vai contar com uma estabilidade do microrganismo na semente que varia de acordo com cada produto, sendo de 24 horas e em alguns casos, até 300 dias após a aplicação.
Diversidade
Existem diversos tipos de biológicos aplicados no tratamento de sementes, cada um com funções específicas para aumentar a eficiência e sustentabilidade das lavouras. Entre os mais utilizados, destacam-se os inoculantes, que fornecem microorganismos que estimulam o crescimento das plantas, como as bactérias fixadoras de nitrogênio, amplamente utilizadas na cultura da soja; os bioestimulantes, que melhoram o desenvolvimento das plantas, aumentando a absorção de nutrientes e promovendo maior vigor; e os bionematicidas, que protegem as plantas de nematoides, pragas que podem comprometer seriamente a produtividade das culturas.
Na linha de produtos Indigo, por exemplo, encontramos um bionematicida, que protege as lavouras dos nematoides de cisto, galha e lesão, conhecidos por causar danos significativos, afetando a saúde das plantas e a produtividade das culturas.
O biotrinsic bionematicida atua em todos os estágios de desenvolvimento desses nematoides, desde ovos até adultos, promovendo um controle eficaz e contribuindo para a saúde do solo e das plantas. Desenvolvido à base de microorganismos endofíticos, o bionematicida é de fácil absorção, tornando as plantas mais robustas e resistentes.
Os produtores contam ainda com o biotrinsic simplex. Com microrganismos promotores de crescimento para as culturas de milho e soja, ele é o primeiro produto no mercado brasileiro à base de Bacillus simplex. Esta é uma solução que garante uma produção mais sustentável ao associar diversos benefícios em um só produto e potencializar a solubilização de fósforo, ajudando as plantas a absorverem melhor esse nutriente essencial.
Impacto na produtividade
Estudos indicam que o tratamento biológico de sementes aumenta significativamente a produtividade em culturas de soja, milho e algodão. Isso acontece porque a aplicação de biológicos nas sementes estimula o crescimento uniforme e robusto das plantas, o que se traduz em ganhos de produtividade em campo.
Em um estudo de campo da Embrapa observou-se um aumento de produtividade de até 10% nas lavouras de soja tratadas com biológicos, enquanto no milho e algodão a melhoria na absorção de nutrientes e no vigor das plantas resultou em safras mais consistentes e produtivas.
E é por conta de tais benefícios que o futuro dos tratamentos biológicos na agricultura é promissor, com uma tendência de crescimento acelerado impulsionada pela busca por soluções mais sustentáveis e eficientes. E a tecnologia tem sido um grande motor dessa evolução, permitindo o desenvolvimento de produtos que atuam de maneira precisa e integrada com as necessidades das plantas e do solo.
Ferramentas como inteligência artificial e bioinformática ajudam a identificar e desenvolver microrganismos que aumentam a resistência das plantas e promovem um ecossistema equilibrado. Além disso, os tratamentos biológicos estão fortemente alinhados com práticas agrícolas regenerativas, que visam restaurar e enriquecer a saúde do solo e dos recursos naturais.
Essa relação fortalece o compromisso do setor com a sustentabilidade, permitindo uma agricultura que não só mantém a produtividade, mas também revitaliza o solo e promove a biodiversidade – uma inovação que redefine o futuro da agricultura sustentável. E essa é uma paixão que nos move e nos faz investir cada vez mais em tecnologia para desenvolver as melhores soluções para o tratamento biológico de sementes.
Nosso time combina bioinformática, inteligência artificial e trabalha tendo à sua disposição o maior banco de microrganismos endofíticos do mundo. Tudo para que possamos desenvolver biológicos que contribuem para uma agricultura mais produtiva.
Fonte: Assessoria de Imprensa Indigo
Sustentabilidade
Soja: Bactérias do gênero Bacillus apresentam eficiência no controle de fitonematoides – MAIS SOJA

Os nematoides fitopatogênicos, dentre eles, Heterodera glycines (nematoide do cisto da soja), Meloidogyne spp. (nematoide das galhas), Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme) e Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares), integram o grupo das principais espécies de pragas da cultura da soja. Os danos variam em função da espécie, suscetibilidade da cultivar e densidade populacional da praga, podendo resultar em perdas expressivas de produtividade, ou até mesmo inviabilizando o cultivo.
Dentre os fatores que mais influenciam no desenvolvimento dos fitonematoides em áreas agrícolas, destacam-se temperatura e textura do solo. De modo geral, solos de texturas mais leves (com menor teor de argila), tendem a apresentar condições melhores para o desenvolvimento dos fitonematoides, atrelados a isso, condições de temperaturas na faixa de 29 a 31°C favorecem o desenvolvimento do fitonematoides como o M. javanica (Inomoto & Asmus, 2009).
Por se tratar de pragas de solo, o controle direto dos fitonematoides via aplicação de nematicidas químicos é uma tarefa difícil, ainda mais se tratando de moléculas de baixo efeito residual. Além das boas práticas agronômicas que incluem a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a semeadura de cultivares de soja mais tolerantes, o uso de bioinsumos tem contribuído para o controle dos fitonematoides em áreas agrícolas, reduzindo os danos ocasionados por eles na cultura da soja.
Dentre os microrganismos empregados com esse intuito, destacam-se as bactérias do gênero Bacillus. Conforme relatado por Coelho et al. (2021) e Costa et al. (2019), o uso de bactérias do gênero Bacillus na cultura da soja tem se mostrado uma estratégia promissora tanto para o manejo de fitonematoides, como Pratylenchus brachyurus, quanto para a promoção do crescimento vegetal. Nesse contexto, estirpes de Bacillus, especialmente Bacillus subtilis, aplicadas via tratamento de sementes, contribuem para o incremento da parte aérea e do volume radicular das plantas, destacando-se as doses de 2 e 4 mL de produtos à base de B. subtilis por kg de sementes como as mais eficientes.
Os bionematicidas à base de bactérias, majoritariamente compostos por cepas do gênero Bacillus, lideram o mercado devido à ampla eficácia no controle de nematoides. Seu principal mecanismo de ação é a formação de biofilme no rizoplano, que atua como barreira física ao competir por sítios de penetração, além de liberar enzimas e compostos com efeito nematicida, capazes de afetar ovos e formas infectantes dos nematoides no solo (Dias-Arieira & Santana-Gomes, 2025).
Figura 1. Biofilme oriundo de Bacillus spp. ao redor da semente e da raiz de soja.
Corroborando a eficiência das bactérias do gênero Bacillus no controle dos fitonematoides da soja, Reis e Oliveira (2025) observaram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicu reduziu significativamente o número de nematoides Meloidogyne javanica nas raízes das plantas tratadas (figura 2), além de reduzir o número de nematoides por amostra de solo (100 cm³).
Figura 2. Resultados de número de nematoides para 5,0 g de raiz em sementes de soja tratadas com B.methylotrophicus e inoculadas com M. javanica.

Os resultados observados por Reis e Oliveira (2025) demonstram que o tratamento de sementes de soja com Bacillus methylotrophicus, contribui não só para a redução da densidade de nematoides no solo e nas raízes, mas também, para um melhoria da massa fresca de raízes e da parte aérea das plantas tratas, sendo que, os melhores resultados foram obtidos com doses de Bacillus methylotrophicus variando de 0,30 a 0,38 ml.kg de sementes.
Estudos anteriores como o realizado por Araújo; Silva; Araújo (2002) também evidenciam a eficiência do gênero Bacillus no biocontrole de fitonematoides da soja. Logo, pode-se dizer que essas bactérias, quando bem posicionadas, podem contribuir significativamente para o manejo de nematoides fitopatogênicos em soja, sendo, portanto, ferramentas essenciais para um manejo estratégico e sustentável em ambientes agrícolas.
Confira o estudo completo desenvolvido por Reis e Oliveira (2025) clicando aqui!
Referências:
ARAÚJO, F. F.; SILVA, J. F. V.; ARAÚJO, A. S. F. INFLUÊNCIA DE BACILLUS SUBTILIS NA ECLOSÃO, ORIENTAÇÃO E INFECÇÃO DE Heterodera glycines EM SOJA. Ciência Rural, v. 32, n. 2, 2002. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/7rcT8Hdw3bwh5qmZsVmyw6y/?lang=pt# >, acesso em: 03/02/2026.
COELHO, T. N., et al. CONTROLE BIOLÓGICO NO MANEJO DE Pratylenchus brachyurus EM DIFERENTES TRATAMENTOS NA CULTURA DA SOJA. Journal of Biotechnology and Biodiversity, 2021. Disponível em: < https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/JBB/article/view/11470/19047 >, acesso em: 03/02/2026.
COSTA, L. C. et al. DESENVOLVIMENTO DE CULTIVARES DE SOJA APÓS INOCULAÇÃO DE ESTIRPES DE Bacillus subtilis. Nativa, 2019. Disponível em: < https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/6261/5390 >, acesso em: 03/02/2026.
INOMOTO, M. M.; ASMUS, G. L. CULTURAS DE COBERTURA E DE ROTAÇÃO DEVEM SER PLANTAS NÃO HOSPEDEIRAS DE NAMATOIDES. Visão Agrícola, n. 9, 2009. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/VA9-Protecao04.pdf >, acesso em: 03/02/2026.
REIS, C. M. R.; OLIVEIRA, R. M. TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA COM Bacillus methylotrophicus PARA O MANEJO DE Meloidogyne javanica. Revista Cerrado Agrociências, 2025. Disponível em: < https://revistas.unipam.edu.br/index.php/cerradoagrociencias/article/view/5761/3386 >, acesso em: 03/02/2026.
Foto de capa: Cristiano Bellé

Sustentabilidade
Chicago fecha com ganhos moderados para a soja; óleo sobe mais de 2% e lidera recuperação – MAIS SOJA

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas abaixo das máximas do dia. O óleo subiu mais de 2% e liderou os ganhos de todo o complexo. Novidades sobre as diretrizes americanas para a política de biodiesel, o acordo entre Estados Unidos e India e o bom desempenho do petróleo asseguraram a recuperação.
Segundo a agência Reuters, os participantes do mercado continuam a analisar as diretrizes atualizadas do Tesouro sobre o crédito tributário 45Z para Produção de Combustível Limpo, que, entre outras mudanças, esclareceu que apenas matérias-primas provenientes dos Estados Unidos, do México e do Canadá se qualificam para o benefício e prorrogou o crédito até 2029.
Os preços dos contratos futuros do petróleo subiram, sob efeito do acordo comercial firmado ontem entre EUA e India e a possibilidade de afetar a commodity russa. O mercado também acredita que o acordo poderá garantir uma maior demanda indiana para os óleos vegetais americanos, principalmente o de soja.
Mas os ganhos foram limitados pelo bom desenvolvimento das lavouras e pelo avanço da colheita da maior safra da história do Brasil. Com isso, cresce o sentimento de que a demanda chinesa estaria se deslocando para a América do Sul.
Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 5,50 centavos de dólar, ou 0,51%, a US$ 10,66 3/4 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 10,77 1/4 por bushel, com elevação de 4,75 centavos de dólar ou 0,44%.
Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com baixa de US$ 2,60 ou 0,88% a US$ 291,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 54,49 centavos de dólar, com ganho de 1,29 centavo ou 2,42%.
Fonte: Agência Safras
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TRIGO/CEPEA: Preços apresentam movimentos distintos dentre os estados – MAIS SOJA

Em janeiro, os preços do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados acompanhados pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, os preços foram influenciados pelas diferentes condições de oferta e demanda. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná as cotações cederam, pressionadas por liquidação de estoques, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os valores estiveram mais firmes. No estado sulista, o bom fluxo das exportações deu suporte aos preços.
Em São Paulo, o movimento de avanço foi verificado pelo terceiro mês consecutivo e foi influenciado pela restrição vendedora. Levantamento do Cepea indica que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.158,92/tonelada em janeiro, recuos de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% em relação a janeiro/25 e o menor patamar real desde março/18 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de dezembro/25).
No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.178,66/t, baixa de 0,4% na comparação mensal e de 15,2% na anual e também a menor desde outubro/23, em termos reais. Já no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.050,89/t em janeiro, a mais elevada em três meses, com avanço mensal de 1,4%, mas queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25/t em janeiro, avanço de 0,4% frente ao de dezembro, porém, recuo de 19,9% em relação a janeiro/25.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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