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Guerra no Irã expõe, mais uma vez, a dependência do Brasil de fertilizantes importados

O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes. Dados da Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda) apontam que até 90% dos adubos que o país consome vêm do exterior.
Essa dependência deixa o Brasil mais exposto a choques externos, como conflitos geopolíticos e restrições comerciais, que afetam diretamente a oferta global e elevam os custos de produção no campo.
Com a guerra no Oriente Médio, o cenário tende a se agravar, uma vez que o Irã é um importante fornecedor de ureia e amônia.
“Desde que o conflito começou, a ureia vendida nos portos do Brasil (modalidade CFR) já aumentou 36% no mercado brasileiro”, explica Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo ele, se trata de uma valorização significativa de preços para o nitrogenado.
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Os iranianos também são importantes produtores de petróleo e controlam uma rota marítima de extrema relevância, que é o Estreito de Ormuz. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã causaram o fechamento da rota e, consequentemente, a elevação nos preços do petróleo.
O movimento influencia diretamente os preços de energia e, por tabela, os preços dos fertilizantes, porque a produção e o transporte desses insumos são muito dependentes de energia.
Comercialização travada e impactos no milho
O aumento no preço dos fertilizantes também afeta a comercialização.
“Os fornecedores não estão mantendo os preços, então o que tem acontecido é a reprecificação de acordo com o mercado”, relata Davi Alvim, CEO da Autem Trade Company. De acordo com ele, as compras ocorrem apenas quando não há outra opção.
Na avaliação do analista da StoneX, a alta dos nitrogenados causa maior preocupação para o milho, que é uma cultura intensiva em nitrogênio. “Se os preços permanecerem altos nos próximos meses, crescem as chances de que a safrinha do ano que vem tenha custos de produção mais altos”, alerta.
Ele também ressalta possíveis impactos na primeira safra de milho, mesmo que a área plantada seja menor se comparado à safrinha.
Restrição por parte da China também preocupa
A turbulência nesse mercado por causa de conflitos geopolíticos, entretanto, não é novidade. Em 2022, com o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, os preços dos fertilizantes também dispararam, aumentando os custos de produção da agricultura brasileira.
Diante das incertezas em relação ao mercado russo, principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil até então, a China passou a ocupar papel de destaque nas importações brasileiras. Contudo, o país asiático está restringindo as exportações sob a justificativa de proteger o mercado interno.
“Para alguns produtos, como o sulfato de amônio, a China domina praticamente 100% das nossas importações”, aponta Pernías. Contudo, o especialista ressalta que o movimento de restrição é comum em épocas de volatilidade.
Na mesma linha, Alvim afirma que o mercado já acompanhava essa restrição chinesa, que pode se estender até agosto. Na avaliação dele, esse fator também deve pressionar os preços para cima.
“Há quase uma impossibilidade de vinda de produto chinês no curto e médio prazo para o Brasil”, diz.
Segundo análise da Scot Consultoria, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a China foi responsável por 27,4% das compras de fertilizantes pelo Brasil em 2025. Em segundo lugar aparece a Rússia, com 25,4%.
No total, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de insumos no ano passado.
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Fim da cota da China deve ditar ritmo do mercado do boi gordo nos próximos meses

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com preços firmes em boa parte das regiões produtoras do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a expectativa de aumento da demanda no curto prazo e as escalas de abate mais encurtadas contribuíram para a valorização da arroba em diversos estados.
Apesar do cenário positivo, Iglesias avalia que o mercado pode passar por ajustes nas próximas semanas. Isso porque frigoríficos já buscam negociar compras em níveis mais baixos em algumas regiões, diante do esgotamento precoce da cota chinesa destinada ao Brasil em 2026. A expectativa é de que o limite seja preenchido entre junho e julho.
Com isso, pode haver redução nos abates e diminuição das bonificações pagas pelo chamado “boi China”, o que tende a limitar movimentos mais expressivos de alta para a arroba nos próximos meses.
Confira as cotações do boi gordo na modalidade a prazo em 11 de junho:
- São Paulo (SP): R$ 355,00, estável.
- Goiás (GO): subiu de R$ 330,00 para R$ 340,00
- Uberaba (MG): avançou de R$ 325,00 para R$ 330,00
- Dourados (MS): passou de R$ 350,00 para R$ 355,00
- Cuiabá (MT): aumentou de R$ 355,00 para R$ 360,00
- Vilhena (RO): avançou de R$ 335,00 para R$ 345,00
Atacado
No atacado, a carne bovina também apresentou desempenho positivo. A boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês e a expectativa de maior consumo em junho deram sustentação aos preços. Ainda assim, a proteína bovina segue enfrentando concorrência da carne de frango, considerada mais competitiva para o consumidor.
O quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,70 por quilo, alta de 0,93% na semana. Já os cortes do traseiro permaneceram estáveis em R$ 27,00 por quilo.
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Exportações
No mercado externo, as exportações brasileiras seguem em ritmo acelerado. Nos quatro primeiros dias úteis de junho, o país embarcou 62,589 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, gerando receita de US$ 412,1 milhões.
Em comparação com junho de 2025, houve aumento de 56,9% na receita média diária, avanço de 29,8% no volume exportado e valorização de 20,9% no preço médio da tonelada, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
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Compactação do solo reduz produtividade da soja e desafia lavouras em períodos de seca, diz estudo

A compactação do solo tem se consolidado como um dos principais entraves para a produtividade agrícola no Brasil, especialmente em regiões que enfrentam estiagens frequentes. Além de dificultar o crescimento das raízes, o problema reduz a infiltração de água, limita a circulação de ar e compromete a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado nas lavouras de grãos.
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Com o objetivo de buscar alternativas para minimizar esses impactos, pesquisadores do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Ibirubá, realizaram estudos para avaliar os efeitos da descompactação mecânica associada ao uso de corretivos agrícolas, como calcário e gesso, sobre a qualidade do solo e a produtividade da soja.
As pesquisas foram conduzidas em uma área experimental da instituição e analisaram diferentes estratégias de manejo em sistema de plantio direto. O foco foi entender como práticas voltadas à melhoria da estrutura física do solo podem favorecer a infiltração de água e criar um ambiente mais adequado para o desenvolvimento radicular das plantas.
Correção da acidez alcança camadas mais profundas
Os resultados mostraram que a combinação entre descompactação mecânica e aplicação de calcário apresentou os melhores indicadores de correção da acidez em subsuperfície.
Segundo os pesquisadores, o pH do solo permaneceu mais elevado nas áreas onde o descompactador rotativo foi utilizado em conjunto com a calagem, indicando que o corretivo conseguiu atingir camadas mais profundas do perfil do solo.
Enquanto a aplicação superficial de calcário concentrou seus efeitos nos primeiros 10 centímetros, os tratamentos que incluíram a descompactação apresentaram melhorias observadas até cerca de 15 centímetros de profundidade.
Mais água no solo e ganhos na produtividade
Além dos benefícios químicos, os estudos identificaram avanços relacionados à infiltração de água e ao desempenho da cultura da soja.
As áreas submetidas à descompactação registraram ganhos numéricos de produtividade, com rendimento médio próximo de 200 quilos por hectare acima da média geral do experimento. Também foi observado aumento no peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo.
De acordo com os pesquisadores, a melhoria da estrutura física favorece o armazenamento de água e pode aumentar a capacidade das lavouras de enfrentar períodos de déficit hídrico.
Desafio crescente para o produtor
Para especialistas do setor, o tema ganha importância diante da maior frequência de eventos climáticos extremos e da necessidade de elevar a produtividade sem ampliar a área cultivada.
Segundo Silmo de Ávila, diretor da Agross do Brasil, os resultados refletem uma preocupação cada vez mais presente no campo.
“Hoje, quando o produtor enfrenta estiagens mais frequentes e precisa produzir mais sem ampliar área, olhar para a saúde do solo passou a ser uma questão estratégica. Ver uma instituição como o IFRS estudando os impactos da compactação e avaliando tecnologias voltadas à infiltração de água e preservação do plantio direto reforça a importância de aproximar pesquisa e realidade do campo”, afirma.
Para ele, a adoção de práticas que melhorem a estrutura do solo pode contribuir para a construção de sistemas produtivos mais resilientes.
“O produtor precisa de soluções que tragam resultado prático e ajudem a construir lavouras mais resilientes no longo prazo”, conclui.
Os pesquisadores destacam que o manejo adequado da compactação pode se tornar uma ferramenta importante para preservar o potencial produtivo das lavouras, especialmente em um cenário de maior variabilidade climática e desafios relacionados à disponibilidade de água.
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Unicamp cria calculadora que transforma resíduos do agro em créditos de carbono e energia

Resíduos da agroindústria que normalmente seriam descartados, como cascas de frutas, bagaço de maçã, palha de cana-de-açúcar, pó de café e sementes de açaí, podem se transformar em fonte de energia renovável e créditos de carbono.
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Para ajudar empresas e produtores a medir esse potencial, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram a calculadora Biomassa_Compensa, uma ferramenta gratuita que estima a pegada de carbono evitada e os créditos de carbono gerados a partir do tratamento desses materiais.
Disponível online, o sistema permite que usuários informem o tipo e a quantidade de resíduo orgânico que desejam tratar para obter uma estimativa imediata das emissões de gases de efeito estufa que podem ser evitadas. A plataforma também traduz os resultados em indicadores mais simples, como o equivalente em árvores plantadas, carros retirados das ruas ou horas de voo compensadas.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Tânia Forster Carneiro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, a ferramenta nasceu a partir de anos de pesquisas sobre o aproveitamento energético de resíduos agroindustriais.
“A calculadora surgiu para centralizar dados dispersos em teses acadêmicas. Se o proprietário de um restaurante, de uma pequena indústria alimentícia ou de uma agroindústria deseja avaliar a viabilidade de produzir biogás e bioenergia a partir de sua biomassa, a ferramenta oferece uma resposta rápida, precisa e baseada em dados científicos”, explica.
Resíduos podem virar energia e renda
O software foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Bioengenharia, Tratamento de Águas e Resíduos (Biotar) e reúne informações obtidas em estudos sobre diversos tipos de biomassa residual, incluindo bagaço de maçã, casca de laranja, resíduos da indústria cafeeira, sementes de açaí e palha de cana-de-açúcar.
A proposta é mostrar que esses materiais, muitas vezes tratados apenas como passivos ambientais, podem gerar valor econômico por meio da produção de biogás, energia elétrica, energia térmica e créditos de carbono.
Atualmente, boa parte dos resíduos orgânicos da agroindústria ainda é destinada a aterros sanitários. No entanto, especialistas avaliam que o avanço das regulamentações ambientais deve aumentar a demanda por soluções de reaproveitamento e valorização desses materiais.
Crédito de carbono maior que o reflorestamento
Um dos diferenciais da ferramenta está na capacidade de calcular os benefícios climáticos do tratamento da biomassa. Isso porque a decomposição de resíduos orgânicos em aterros gera metano, um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global cerca de 29 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂).
Ao capturar esse metano e convertê-lo em energia por meio de biodigestores, é possível evitar emissões significativas e gerar créditos de carbono.
Segundo a professora Tânia Forster, essa estratégia pode ter impacto climático superior ao de algumas iniciativas tradicionais de compensação ambiental.
“Quando você trata o resíduo, evita que o metano seja liberado na atmosfera. Isso pode gerar um crédito de carbono permanente e com potencial de compensação maior do que o plantio de árvores, porque o metano tem um efeito muito mais intenso sobre o aquecimento global”, afirma.
Ferramenta mira agroindústria de alimentos
De acordo com a Unicamp, a Biomassa_Compensa preenche uma lacuna no mercado ao focar especificamente em resíduos da agroindústria de alimentos, como cascas, sementes e bagaços. A maioria das calculadoras disponíveis atualmente concentra-se em resíduos pecuários, biocombustíveis ou grandes commodities agrícolas.
A expectativa é que a tecnologia seja utilizada por grandes indústrias, cooperativas, pequenas agroindústrias, restaurantes e produtores rurais que desejam avaliar a viabilidade econômica de investir em sistemas de tratamento de resíduos e geração de energia.
Além da versão aberta ao público, a universidade também prevê a customização da ferramenta para empresas interessadas em analisar resíduos específicos ou integrar os cálculos a seus sistemas de gestão ambiental.
Para os pesquisadores, a iniciativa pode contribuir para acelerar a transição energética e ampliar o aproveitamento sustentável dos resíduos gerados pelo agronegócio brasileiro.
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