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Verticalização ganha força e transforma a indústria de Mato Grosso

Mato Grosso está deixando de apenas produzir matéria-prima para ampliar o processamento dentro do próprio estado. A industrialização cresceu cerca de 40% nos últimos anos e elevou o número de indústrias para 16 mil, enquanto os empregos diretos no setor já ultrapassam 200 mil.
A indústria representa atualmente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso e responde por quase metade da arrecadação de ICMS. O avanço ganhou velocidade principalmente nos últimos cinco anos, quando o número de empresas passou de pouco mais de 11 mil para o patamar atual.
A expectativa é de que o setor cresça entre 5% e 6% em 2026. A expansão ocorre em diferentes regiões e começa a modificar também a dinâmica das cadeias produtivas, com municípios buscando matéria-prima fora de seus limites para manter as indústrias abastecidas.
“A agricultura cresceu muito, se desenvolveu muito e agora vem a industrialização”, afirma o presidente do Sistema Fiemt, Sílvio Rangel, em entrevista ao Estúdio Rural. Para ele, a agregação de valor e a verticalização passam a ser parte importante da próxima etapa de desenvolvimento do estado.

Agroindústria amplia processamento
Os biocombustíveis estão entre os segmentos que mais avançaram nesse processo. Em nove anos, a produção de etanol passou de 1,6 bilhão para uma previsão de 8,4 bilhões de litros. A arrecadação de ICMS do setor também aumentou, de R$ 300 milhões para mais de R$ 4 bilhões.
O crescimento das usinas trouxe novos produtos para dentro da cadeia, como óleo de milho e DDG, utilizado na alimentação animal. O efeito se estendeu à pecuária, com maior utilização de ração e expansão dos confinamentos.
“Isso fez também um movimento em outras cadeias produtivas, como, por exemplo, a criação de bois”, diz Rangel. A alimentação mais especializada, conforme ele, contribuiu para reduzir a idade de abate e aumentar o peso e a qualidade da carne.
O mesmo movimento pode ser observado em Lucas do Rio Verde, onde a indústria já demanda mais grãos do que o município produz. “Agrega valor hoje mais do que produz no seu espaço ali do município”, explica. A cidade, pontua, busca matéria-prima em outros municípios para manter o processamento local.
Novas cadeias entram no radar
A expansão também abre espaço para segmentos que ainda podem avançar na industrialização. É o caso do algodão, cuja produção mato-grossense representa mais de 70% da nacional. O estado já ampliou a fiação e a expectativa é atrair investimentos para etapas seguintes, como tecelagem e tinturaria.
“Eu acho que a gente vai ter um momento em que essa fiação vai crescer bastante e vai oportunizar para trazermos os outros elos da cadeia têxtil”, projeta Rangel. A ampliação dos elos da cadeia pode fazer com que uma parcela maior do valor gerado pelo algodão permaneça no estado.
A mineração também aparece entre as atividades com potencial de crescimento, com iniciativas voltadas à estruturação do setor. Na produção de proteínas, a perspectiva é ampliar ainda mais as cadeias de suínos, aves e peixes, além de atrair indústrias interessadas em produtos de maior valor agregado.
A expansão, no entanto, ainda é desigual. O eixo da BR-163 concentra uma parcela importante da atividade industrial, assim como a região de Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis. O Oeste de Mato Grosso é apontado como uma das áreas que ainda precisam avançar.
Logística pesa na competitividade
Quanto maior a produção industrial, maior também é a necessidade de encontrar mercados fora do estado. No caso do etanol, a previsão é produzir 8,4 bilhões de litros neste ano, mas apenas 1,1 bilhão deve ser consumido em Mato Grosso. Os outros 7,3 bilhões precisam ser transportados para outros mercados.
“Então nós temos um desafio aí para levar biocombustíveis”, afirma Rangel. Entre as alternativas está a implantação de um etanolduto para conectar Mato Grosso aos grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro. “Nós precisamos sonhar com um etanolduto. Nós já estamos fazendo um projeto, tem alguns trabalhos nesse sentido”.
A expansão ferroviária, a duplicação da BR-163 e a Ferrogrão também são consideradas estratégicas para reduzir o custo de transporte. A ligação com o Arco Norte pode ampliar ainda o acesso aos mercados internacionais, principalmente na Ásia e na Europa.
Energia e mão de obra são gargalos
A infraestrutura de energia é outro ponto que pode limitar novos investimentos. Embora Mato Grosso tenha capacidade de geração, algumas regiões ainda contam com redes monofásicas, que não atendem adequadamente empreendimentos industriais de maior porte.
O programa Mato Grosso Trifásico busca ampliar essa estrutura, mas Rangel defende investimentos mais rápidos. “Nós temos uma das energias mais caras do país”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso, ao destacar a necessidade de encontrar mecanismos de financiamento que não aumentem ainda mais a tarifa.
A falta de trabalhadores também acompanha o ritmo de crescimento. A estimativa é de que Mato Grosso precise de mais de 260 mil pessoas para o mercado de trabalho nos próximos dez anos. Programas de qualificação são desenvolvidos com o governo estadual e prefeituras, além de ações para formação técnica de estudantes do ensino médio.
“Temos um trabalho muito forte para ser feito. É um estado que cada vez cresce mais rápido e precisamos acelerar isso também”, destaca Rangel. Para ele, a qualificação precisa avançar junto com a indústria para evitar que a falta de trabalhadores limite novos investimentos.
A indústria também precisa acompanhar a evolução tecnológica, com investimentos em inovação, inteligência artificial e robótica. Para o presidente do Sistema Fiemt, a modernização deve estar associada à capacitação dos funcionários, como forma de reduzir custos e elevar a produtividade.
Esse processo de transformação coloca a verticalização no centro da próxima fase de crescimento de Mato Grosso. Com mais matéria-prima sendo processada dentro do estado, o desafio passa a ser garantir infraestrutura, trabalhadores e tecnologia suficientes para sustentar a expansão.
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Plantio da soja começa em MT com produtor de olho nas chuvas e no El Niño

O plantio da soja 2026/27 começou em Mato Grosso em meio à atenção dos produtores para o comportamento das chuvas e às projeções de um El Niño de alta intensidade. A distribuição e a regularidade das precipitações podem definir o ritmo de avanço da semeadura, além de influenciar as janelas para a soja e para o milho segunda safra.
O cenário exige cautela porque o início das chuvas não significa, necessariamente, que todas as áreas estejam prontas para receber as sementes. A umidade disponível no solo precisa ser suficiente para garantir o estabelecimento das lavouras, enquanto períodos de estiagem ao longo do ciclo podem aumentar os riscos para a produção.
Para a safra 2026/27, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta o cultivo de 13,05 milhões de hectares no estado. A produtividade estimada é de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43% em relação à temporada anterior.
Com esse rendimento, a produção deve chegar a 48,88 milhões de toneladas, queda projetada de 5,19%. Diante desse cenário, o comportamento do clima ganha peso nas decisões tomadas pelo produtor desde a implantação da lavoura.
Em Nova Mutum, na fazenda Bom Princípio, áreas irrigadas já foram semeadas, enquanto os talhões de sequeiro ainda aguardam novas chuvas. A propriedade deve cultivar 1.230 hectares de soja nesta safra e já acumula 32 milímetros nas principais áreas de sequeiro.
“Começamos com o plantio dos pivôs, graças a Deus já finalizamos. São 150 hectares de área irrigada”, conta o gerente de produção Bruno Miguel Pancini Nunes ao Patrulheiro Agro. Segundo ele, uma nova chuva de 20 a 25 milímetros pode ser suficiente para dar início ao plantio das áreas sem irrigação.
Chuva define o momento de entrar no campo
A decisão sobre quando plantar considera mais do que o volume de uma chuva isolada. A condição da palhada e a capacidade do solo de conservar a umidade também entram na avaliação, principalmente em um momento de custos elevados para implantação da lavoura.
O agrônomo Cledson Guimarães Dias Pereira, da Cowboy Consultoria, explica que produtores de algumas regiões já iniciaram a semeadura depois de receber volumes entre 70 e 90 milímetros. Em outras áreas, porém, a recomendação é esperar uma nova precipitação.
“Tem áreas que a gente tem boa uma palhada. Então, chover 40 milímetros com a palhada boa você já pode dar o start”, explica.
Quando a cobertura do solo é menor, a mesma quantidade de chuva pode não oferecer segurança suficiente, frisa o especialista. “Em uma área com baixa palhada, choveu 30 milímetros, calma. Se você tiver 30 milímetros só na área, espera uma próxima chuva, deixa essa umidade pelo menos dobrar”, orienta.
A preocupação está relacionada principalmente ao risco de perder o investimento feito na implantação da lavoura. Sementes e tratamento industrial representam custos que, em caso de falha no estabelecimento da cultura, podem se somar às despesas de um eventual replantio.
“Qualquer replantio ele não fica bom, a semente já foi paga, o TSI está ali, tem 7, 8 sacas de investimentos de custo que estão ali. Você não pode errar nisso, principalmente com as nossas margens cada vez mais apertadas”, afirma Cledson.
Produtor leva experiência de outros períodos de estiagem
A cautela com a umidade também está relacionada à experiência acumulada em anos de comportamento irregular das chuvas. Em Mato Grosso, períodos de veranico entre novembro e dezembro fazem parte do histórico observado pelos produtores.
“Em Mato Grosso, ao longo dos tempos, sempre tivemos veranicos em novembro e dezembro”, destaca Cledson. Para ele, justamente por não ser possível prever com precisão quando uma nova chuva chegará, o produtor precisa aproveitar uma boa condição de umidade sem comprometer o estabelecimento da lavoura.
O gerente de produção da fazenda Bom Princípio também já enfrentou períodos prolongados de estiagem. De acordo com Bruno, houve uma temporada em que a propriedade ficou 25 dias sem chuva, experiência que reforçou a necessidade de preparação para situações de estresse hídrico.
“Tivemos épocas aí de ficar 25 dias sem chuva, foi um ano bem complicado, mas graças a Deus a gente estava bem preparado, conseguimos passar com sucesso por esse período”, relata.
Na propriedade, a estratégia inclui o uso de produtos biológicos e nutricionais para auxiliar as plantas depois do retorno das chuvas. “Assim que passar o período de seca dela e der a primeira chuva, a gente vem com esses produtos nutricionais para ajudar a planta a sair desse estresse mais rápido”, explica.
A diferença observada neste início de safra em relação ao ciclo anterior também chama a atenção. Bruno conta que a propriedade começou a semeadura das áreas irrigadas na mesma época da temporada passada, mas agora já conta com chuva acumulada no sequeiro.
“Na safra passada nós começamos na mesma data, nas áreas de pivôs tudo igual, o que mudou foram as chuvas. Até agora estamos com 32 milímetros na área de sequeiro e o ano passado não tinha nada”, compara.
El Niño aumenta preocupação com as próximas etapas
O comportamento das chuvas nos próximos meses é acompanhado não apenas para definir o início da semeadura, mas também por causa dos possíveis efeitos do El Niño sobre o calendário agrícola.
O fenômeno pode alterar a distribuição das precipitações e criar períodos de menor regularidade. Para o produtor, isso significa observar o clima desde a implantação da soja e pensar também no momento em que a lavoura será colhida e dará lugar à segunda safra.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destaca que o produtor está atento à janela inicial de chuvas e à continuidade das precipitações. “O produtor já começa a acelerar e preparar o plantio da safra de soja aqui no estado de Mato Grosso de olho principalmente nessa janela inicial de chuvas”, afirma.
Conforme ele, a preocupação também está no longo prazo. “Com as perspectivas de um El Niño de alta intensidade, volumes de chuvas e janelas prejudicadas para algumas regiões aqui no estado, o produtor também não está só olhando para a safra de soja”.
A possível alteração do regime de chuvas pode afetar ainda o calendário do milho segunda safra. Por isso, a antecipação do plantio da soja, quando houver condições adequadas, passa a ser considerada dentro de um planejamento que envolve as duas culturas.
Janela do milho entra no planejamento da safra
A segunda safra tem um papel importante na decisão sobre o momento de semear a soja. Quanto mais tarde a oleaginosa for plantada e colhida, menor tende a ser a janela disponível para o milho.
Cledson ressalta que o produtor não pode desperdiçar uma condição adequada de umidade, justamente porque não há garantia sobre quando ocorrerá a próxima precipitação. “Tem que plantar na umidade correta e aí o Pai lá em cima fazer o resto. Nós não controlamos isso, então não pode perder uma umidade boa para plantar porque você não sabe quando vai ter”.
Cleiton Gauer também aponta a necessidade de organizar o calendário diante da possibilidade de um El Niño persistente. A estratégia é tentar posicionar a soja de maneira que o milho possa ser implantado dentro de uma janela mais favorável.
“O produtor também está preparando essa antecipação para tentar organizar melhor janela possível do milho segunda safra em Mato Grosso”, salienta.
O cenário climático, portanto, coloca o produtor diante de uma decisão que precisa considerar tanto as condições atuais quanto os riscos dos próximos meses. Em Nova Mutum, enquanto os pivôs já avançam com o plantio, o sequeiro depende de novas chuvas para que a semeadura comece com segurança.
Para Bruno, apesar da apreensão natural neste período, a expectativa é de uma boa temporada. “Nós somos seres humano, a gente fica apreensivo, mas o principal para mim é acreditar em Deus, ter confiança e ter fé, que isso é a base da agricultura hoje em dia”, afirma.
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Etanol pode ganhar novos mercados em navios, aviões e máquinas agrícolas

O etanol brasileiro pode ampliar seu espaço para além dos veículos leves e ganhar novas aplicações em navios, aviões, veículos híbridos e máquinas agrícolas. A expansão desses mercados é apontada como uma das possibilidades para aumentar a demanda pelo biocombustível e sustentar novos investimentos no setor.
Na safra 2026/27, a produção brasileira deve chegar a cerca de 41 bilhões de litros de etanol, considerando cana e milho. Desse volume, aproximadamente 30 bilhões de litros devem vir da cana e 11 bilhões de litros do milho.
Mato Grosso tem participação relevante nesse cenário. O estado responde por cerca de 25% do etanol total produzido no país e por aproximadamente 62% do etanol de milho.
A expansão, porém, não depende apenas da disponibilidade de matéria-prima. Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT), Wellington Andrade, novos projetos precisam estar associados ao comportamento do mercado. “Todo o investimento vai passar pela demanda”, resume em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
Transporte marítimo pode abrir grande mercado
Uma das principais possibilidades está no transporte marítimo. O etanol de milho brasileiro de segunda safra já foi reconhecido pela Organização Internacional dos Transportes Marítimos como uma molécula eficiente para a descarbonização do setor, mas ainda depende de regulamentação.
A utilização poderia ocorrer em embarcações que já trabalham com tanques de metanol. Nesse caso, conforme Andrade, a estrutura existente reduziria a necessidade de adaptações. “O etanol ele é mais eficiente em termos de descarbonização do que o próprio metanol”, afirma.
O potencial de consumo é expressivo. Se o etanol representar 10% do combustível utilizado no transporte marítimo, a demanda adicional poderia chegar a 50 bilhões de litros por ano, volume superior à atual produção brasileira.
A perspectiva também se estende ao setor aéreo, com projetos de produção de combustível sustentável para aviação a partir do etanol. Entre as alternativas está o chamado Alcohol-to-Jet (ATJ), tecnologia que utiliza o biocombustível como matéria-prima para a produção do SAF.
Veículos híbridos entram no radar
No mercado interno, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina também pode gerar consumo adicional. Atualmente, a mistura está em 32%, enquanto a legislação do combustível do futuro permite chegar a 35%.
O avanço para o E35 ainda depende da realização de testes. O protocolo para essa avaliação foi validado em reunião recente do subcomitê dos teores de misturas do Ministério de Minas e Energia, de acordo com Andrade.
A elevação da mistura já mostrou impacto sobre a demanda. Na passagem do E30 para o E32, foram acrescentados cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro ao consumo, ao mesmo tempo em que se reduz em volume equivalente a necessidade de gasolina.
Além do aumento da mistura, os veículos híbridos flex aparecem como outra frente de expansão. A tecnologia combina a motorização elétrica com a possibilidade de utilizar gasolina ou etanol e, na avaliação do diretor executivo do Bioind-MT, pode se adequar à matriz energética brasileira.
“Em termos de Brasil, logicamente, o mais correto seriam os elétricos híbridos flex”, pontua. Segundo ele, já existem projetos nessa direção.
Máquinas agrícolas também podem usar etanol
O uso do etanol não se limita aos veículos de passeio, frisa o entrevistado ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Projetos para conversão de motores a diesel para o biocombustível também estão em desenvolvimento, incluindo uma iniciativa de pesquisa da Bosch.
A proposta envolve um retrofit dos motores, com a conversão necessária para que possam operar com etanol. Para Andrade, a tecnologia pode se tornar mais uma possibilidade de consumo do biocombustível no setor agropecuário.
A diversificação dos usos ganha importância diante do crescimento da produção. Para a safra atual, a estimativa é de um estoque de passagem de aproximadamente 4 bilhões de litros, o que indica uma oferta superior à demanda no mercado brasileiro.
Nesse cenário, as exportações ainda representam uma parcela pequena da produção. A previsão é de embarques de cerca de 1,5 bilhão de litros, tendo a Coreia do Sul como principal compradora, com aproximadamente 770 milhões de litros, seguida pelos Estados Unidos, com 253 milhões, e pelos Países Baixos, com 221 milhões.
Mato Grosso concentra expansão no etanol de milho
A disponibilidade de milho mantém Mato Grosso como um dos principais polos para a expansão da produção. As indústrias já instaladas foram implantadas em regiões com oferta suficiente de matéria-prima, e novos investimentos precisam considerar essa relação entre produção agrícola e capacidade industrial.
O estado ainda possui projetos e possibilidades de ampliação, mas o cenário atual aponta maior tendência para usinas dedicadas ao milho. As chamadas plantas flex, que combinam cana e milho, também são uma alternativa, principalmente pela possibilidade de compartilhar estruturas e aproveitar subprodutos.
Nesse modelo, o bagaço da cana pode ser utilizado como biomassa para a operação da indústria de milho, aumentando a eficiência da planta. “Você tem ali um reaproveitamento dos coprodutos”, explica Andrade.
A escolha entre ampliar uma unidade de cana, investir em uma planta de milho ou adotar uma estrutura flex depende, portanto, das condições econômicas e da disponibilidade de matéria-prima. Em Mato Grosso, a tendência predominante atualmente é a instalação de usinas full de milho.
DDG amplia aproveitamento do milho
Além do etanol, o processamento do milho gera coprodutos que ajudam a sustentar a viabilidade econômica das plantas. Entre eles está o DDG, que também encontra mercado dentro e fora do Brasil.
Mato Grosso deve produzir cerca de 3,4 milhões de toneladas de DDG na próxima safra. A abertura do mercado chinês para o produto amplia as possibilidades de comercialização, considerando o potencial de consumo daquele país. “Tem o mercado da China que se abriu para o DDG e toda vez que a China faz um movimento de consumo, é um movimento muito grande”, pontua Andrade ao Canal Rural Mato Grosso.
Parte dessa produção também é absorvida pelos próprios produtores ligados às usinas. Há unidades de etanol de milho formadas por sociedades de produtores nas quais os associados utilizam o DDG produzido pelas próprias indústrias em seus contratos.
Com novas aplicações em desenvolvimento e a possibilidade de avanço da mistura na gasolina, o setor passa a trabalhar com diferentes caminhos para ampliar o consumo do etanol. Para Mato Grosso, a expansão continua diretamente ligada à disponibilidade de milho, à demanda e à viabilidade dos investimentos em novas plantas.
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IPCF cai 7% em agosto e melhora poder de compra de fertilizantes

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou agosto em 1,26, ante 1,35 em julho, o que representa queda de 7%. Segundo a Mosaic, o movimento foi resultado da valorização das commodities agrícolas combinada à redução nos preços dos fertilizantes. Nesse cenário, o poder de compra do produtor rural avançou no período.
A leitura do IPCF indica uma relação mais favorável entre a receita potencial do produtor e o custo de aquisição de fertilizantes. Em agosto, o dólar teve leve alta de cerca de 1%, com efeito limitado sobre o índice, de acordo com a Mosaic.
Do lado das commodities agrícolas, a alta média foi de 6% no mês. A cana-de-açúcar liderou os avanços, com valorização de 8%, seguida pela soja, com alta de 5%. O milho subiu 4% e o algodão avançou 1%.
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A sustentação dos preços agrícolas refletiu as expectativas em torno da safra norte-americana de soja e milho, as condições climáticas em regiões produtororas e as incertezas sobre os impactos do El Niño na próxima safra no Brasil.
No mercado de fertilizantes, a combinação entre preços mais baixos do insumo e commodities em valorização contribuiu para ampliar a capacidade de compra do produtor. O resultado de agosto mostra um ambiente mais favorável para a aquisição de fertilizantes na comparação com julho.
Para os próximos meses, o mercado acompanha o cenário geopolítico no Oriente Médio, pela relevância logística e comercial da região para a cadeia global de fertilizantes. Os efeitos do El Niño também seguem no radar, diante do potencial de influência sobre o plantio e o desenvolvimento das lavouras no país.
Fonte: Estadão Conteúdo
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