Sustentabilidade
Onda de calor em outubro? Mês pode ter virada no tempo e chuva de mais de 100 mm no Brasil; veja a previsão para sua área

A onda de calor começa a perder força em parte do país com o avanço de uma frente fria que deve provocar chuva forte, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diversas áreas nos próximos dias. O sistema deve atingir regiões produtoras de soja de São Paulo e o sul de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro.
A atenção aumenta entre terça-feira (29) e quarta-feira (30), quando a frente fria deve favorecer a formação de temporais. Há previsão de rajadas de vento intensas e possibilidade de granizo em pontos mais afetados pelas tempestades.
A instabilidade também deve alcançar a região central de Minas Gerais e o sul do Espírito Santo.
Nos próximos cinco dias, os volumes de chuva podem ficar entre 30 mm e 40 mm em diferentes áreas de soja. A precipitação deve ajudar na recuperação da umidade do solo e favorecer regiões agrícolas que vinham enfrentando condições mais secas.
Chuva avança sobre áreas produtoras
A distribuição da chuva será irregular pelo Sudeste. As áreas produtoras devem receber novos episódios de precipitação, enquanto o Norte de Minas Gerais continua com tempo quente e seco.
Algumas áreas podem registrar temperaturas próximas dos 39°C e os volumes de chuva previstos ainda são baixos para provocar uma recuperação significativa da disponibilidade hídrica.
Frente fria
A massa de ar frio que avança pelo Sul também deve chegar a São Paulo. Entre quinta-feira e sábado, as temperaturas mínimas podem cair para a faixa de 15°C a 16°C em algumas áreas.
Até o momento, a previsão indica pouco risco de geada em São Paulo. As temperaturas também devem permanecer acima dos 10°C na maior parte das áreas.
Temporais no Sul
No Sul do Brasil, a combinação entre um cavado, um ciclone extratropical e o avanço da frente fria deve aumentar a instabilidade.
A entrada de umidade vinda da Amazônia contribui para a formação de áreas de tempestade. Rio Grande do Sul e Santa Catarina ficam entre as áreas de atenção com a passagem da frente fria nesta quarta-feira (30).
A instabilidade também deve alcançar o Paraná, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Nesses locais, há possibilidade de chuva forte, rajadas de vento e granizo.
Os volumes podem chegar a 40 mm em diferentes áreas. O maior destaque fica para o sudoeste do Paraná, onde a chuva acumulada em cinco dias pode superar os 100 mm.
Próxima semana pode ter chuva volumosa no Sul
A instabilidade deve continuar na próxima semana. A tendência aponta para períodos de chuva volumosa no Sul do país, com acumulados acima de 100 mm em algumas áreas.
O excesso de chuva pode atrapalhar atividades no campo e dificultar operações agrícolas que dependem de condições mais secas para a entrada de máquinas.
Matopiba
Enquanto o Sul recebe volumes elevados, o cenário será diferente em partes do Matopiba. A chuva deve ocorrer de forma irregular no Tocantins, o que limita a reposição da umidade do solo.
O calor continua intenso em áreas do norte de Goiás, Tocantins e Piauí. As temperaturas podem novamente se aproximar dos 40°C.
No Sul, o frio continua avançando e pode provocar temperaturas abaixo dos 10°C em Santa Catarina. O risco de geada fica concentrado no Rio Grande do Sul, principalmente em áreas próximas à fronteira com o Uruguai.
Os próximos dias terão uma forte mudança no padrão do tempo, com temporais e chuva volumosa em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto o calor e a irregularidade das chuvas continuam em partes do Norte e do Centro-Norte do país.
Sustentabilidade
O que o produtor pode fazer para ser mais resiliente à seca pensando no “Super El Niño” da próxima safra? – MAIS SOJA

A safra de soja 2026/2027 já começou com previsões de temperaturas elevadas e precipitações abaixo da média, efeito do El Niño–Oscilação Sul (ENOS), o que gera preocupação quanto a baixas produtividades devido a deficiências hídricas durante o ciclo da cultura ao mesmo tempo que levanta dois grandes questionamentos por parte dos produtores: Por que algumas lavouras, ante essas condições de baixa disponibilidade hídrica, conseguem manter altas produtividades? E o que o produtor pode fazer ante um cenário como o esperado para a próxima safra?
A Equipe FieldCrops, através da ‘operação raízes’ (etapa realizada no diagnóstico Soybean Money Maker que consiste em caracterizar a distribuição de raízes ao longo do perfil do solo), tem realizado, nas últimas três safras (2023/24, 2024/25 e 2025/26), um total de 479 trincheiras em 19 estados do Brasil e 7 departamentos do Paraguai (Figura 1), coletando raízes até 0,6 m de profundidade. Mais do que quantificar raízes, o principal objetivo desse estudo é entender por que algumas lavouras apresentam maior estabilidade frente a condições climáticas adversas.
A análise desse banco de dados demonstrou que lavouras com raízes bem distribuídas ao longo do perfil (alto desempenho radicular) conseguem explorar água em camadas mais profundas, o que ajuda a minimizar o risco de seca. Como consequência, aquelas lavouras onde a concentração das raízes está em camadas mais superficiais são as que apresentam as maiores perdas de produtividade por déficit hídrico (Figura 2A). Mas, e agora? Quais fatores determinam esse tipo de distribuição radicular? Os dados analisados demonstraram que estabilidade geral no perfil de solo, pH, Capacidade de Troca Catiônica, ausência de compactação e Matéria Orgânica são fatores associados a um alto desempenho radicular, enquanto presença de alumínio em elevadas quantidades, compactação do solo e baixa fertilidade são fatores associados a um baixo desempenho radicular.
Esses resultados reforçam que a construção de um ambiente favorável ao crescimento radicular depende da atuação conjunta de atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

Referências:
ALVES, A.F. et al., 2026. Soybean Money Maker: o resultado do diagnóstico: colher + investindo certo – Safra 2025/2026, 6 ed. Disponível em: < https://www.equipefieldcrops.com/e-books >, acesso: 12/09/2026.
CARNELLOSO, A. S. et al., 2026. Operação raízes, Revista Cultivar grandes culturas, Nº 324, pág. 44-47. Disponível em: < https://revistacultivar.com.br/revistas/grandes-culturas > , acesso: 01/09/2026

Sustentabilidade
China posterga novas compras de soja e mercado entra em alerta para disputa Brasil x EUA

A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping não resultou em novos volumes de compra de soja dos Estados Unidos nem em mudanças nas condições comerciais para o produto americano. Com isso, permanece em aberto a disputa entre Brasil e Estados Unidos pela demanda chinesa nos próximos meses.
Atualmente, a China já contratou cerca de 43,37 milhões de toneladas de soja, o equivalente a 39,4% de uma necessidade estimada em 111 milhões de toneladas para a temporada. O volume contratado é superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando a cobertura estava em 31,3%.
Entre as principais origens, o Brasil aparece com aproximadamente 28 milhões de toneladas contratadas pela China, enquanto os Estados Unidos somam 13,73 milhões de toneladas. Argentina e Uruguai respondem por cerca de 1,65 milhão de toneladas.
No caso dos Estados Unidos, aproximadamente 55% do compromisso anual de 25 milhões de toneladas já foi contratado. Restam, portanto, cerca de 11,3 milhões de toneladas para completar o volume previsto. Até o momento, não houve anúncio de ampliação desse compromisso após o encontro entre os líderes americano e chinês.
Segundo Isabella Pliego, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, o ritmo das próximas compras chinesas será fundamental para determinar como a demanda será distribuída entre as duas principais origens.
“A China entra nos próximos meses com uma parcela importante da sua necessidade já coberta e, por isso, pode esperar para avaliar preços, disponibilidade e as condições comerciais antes de ampliar as compras. O ponto de atenção passa a ser dezembro e o início de 2027, quando essa cobertura diminui e a nova safra brasileira começa a ganhar espaço”, destaca.
Cobertura diminui a partir de dezembro
A posição da China é mais confortável no curto prazo. Para outubro, a demanda está praticamente toda coberta, com 10,49 milhões de toneladas contratadas para uma necessidade estimada em 10,5 milhões. Em novembro, a cobertura chega a 69%.
A partir de dezembro, porém, o percentual diminui para 40% e chega a apenas 17% em janeiro. Em fevereiro, a cobertura é de 26%; em março, sobe para 56%; e, em abril, alcança 44%.
Esse movimento abre espaço para uma nova rodada de compras, justamente no período em que a nova safra brasileira começa a ganhar disponibilidade.
“Completar as 25 milhões de toneladas previstas mantém uma demanda que já está no cenário. O que pode mudar a percepção do mercado é a existência de compras acima desse volume e, principalmente, o ritmo dessas compras. Para o Brasil, será importante acompanhar se a China vai antecipar parte das necessidades ou esperar pela chegada da nova safra”, explica Isabella.
Brasil e EUA disputam a demanda chinesa
A sazonalidade da oferta também influencia a origem das compras. Nos meses de outubro e novembro, os Estados Unidos apresentam maior disponibilidade em função da entrada da nova safra americana.
Em outubro, os EUA têm aproximadamente 6,40 milhões de toneladas contratadas pela China, contra 3,30 milhões do Brasil. Em novembro, são 2,90 milhões de toneladas americanas e 2,11 milhões brasileiras.
O cenário começa a mudar nos meses seguintes. Para fevereiro, o Brasil já possui cerca de 2,11 milhões de toneladas contratadas; em março, são 6,73 milhões; e, em abril, 5,48 milhões.
A combinação entre a redução da cobertura chinesa e o aumento da disponibilidade da nova safra brasileira tende a colocar Brasil e Estados Unidos em uma disputa mais direta pela demanda a partir de dezembro e, principalmente, no início de 2027.
Diferença tarifária segue no radar
Outro fator importante nessa disputa é a diferença tarifária. A soja americana está sujeita a uma sobretaxa adicional de 10% para entrar no mercado chinês, além da tarifa básica de 3%, totalizando 13%. Para a soja brasileira, permanece a tarifa básica de 3%.
Nesse cenário, preços, tarifas, disponibilidade de cada origem e o nível de cobertura da demanda chinesa serão determinantes para os próximos movimentos do mercado.
Para Chicago, o comportamento das 11,3 milhões de toneladas que ainda faltam para completar o compromisso americano será um dos principais pontos de atenção. Compras suficientes apenas para atingir os 25 milhões de toneladas previstos mantêm o fluxo esperado, enquanto volumes adicionais podem alterar a percepção sobre a demanda pela soja americana.
Para o Brasil, o foco está no momento em que a cobertura chinesa começar a diminuir e a nova safra ganhar disponibilidade.
“O mercado precisa olhar além do volume total que a China vai importar. É importante observar quanto já está coberto, para quais meses, de qual origem vem essa soja e quanto ainda falta comprar. É essa combinação que vai mostrar como a demanda será dividida entre Brasil e Estados Unidos e quais podem ser os reflexos sobre Chicago e os prêmios brasileiros”, conclui Isabella.
Sustentabilidade
MP 1.376 alcançou 9,9% da dívida problemática do RS – MAIS SOJA

A Medida Provisória 1.376/2026 resolveu, até agora, uma fração pequena do endividamento rural do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento da Assessoria Econômica da Farsul, com base no painel de acompanhamento do Banco Central, as operações contratadas no estado somam R$ 4,47 bilhões, o equivalente a 9,9% do saldo problemático do crédito rural gaúcho, de R$ 45 bilhões. No Brasil, foram R$ 5,27 bilhões contratados, ou 2,5% do saldo problemático nacional de R$ 207,4 bilhões. O RS concentra 85% de tudo o que foi contratado.
O resultado confirma a projeção feita pela Farsul em julho, quando uma análise de contratos da dívida de uma amostra de produtores indicou que apenas 11,7% do saldo devedor caberia nas regras da MP, mesmo com premissas favoráveis ao produtor.
Enquanto a MP contratava R$ 4,47 bilhões no estado, o saldo problemático do RS seguiu subindo. Entre abril e julho de 2026, aumentou R$ 5,1 bilhões, mais do que tudo o que a medida contratou no território gaúcho. Hoje, o saldo equivale a 41,3% de toda a carteira de crédito rural do estado e é cinco vezes maior do que em janeiro de 2024, antes da enchente.
O perfil do que foi contratado também chama a atenção. Custeio respondeu por 71,1% do valor e a rolagem de operações já renegociadas pela MP 1.314/2025, por 26,3%. Investimento ficou com 1%, e CPR e capital de giro sequer aparecem no painel, justamente as portas que a Farsul já havia apontado como fechadas. Sicredi e Banrisul foram responsáveis por 89% do valor contratado; o Banco do Brasil contratou R$ 0,29 bilhão.
Relatório amplia o acesso
O relatório do deputado Paulo Pimenta (PT/RS), relator da MP na Comissão Mista, corrige parte dessas distorções. Entre as principais mudanças em relação ao texto original:
- Produtores em dia passam a poder acessar a linha sem ter renegociado antes, com perda comprovada.
- Capital de giro, incluindo as linhas emergenciais abertas após a enchente, CPR em dia e dívida rural refinanciada fora do crédito rural ganham porta de entrada.
- Investimento em dia entra, mas apenas pelas parcelas que vencem até 31/12/2026.
- A data de corte da inadimplência passa de 31/05 para 31/08/2026.
- CPR em atraso emitida a favor de cooperativas de produção e fornecedores de insumos passa a ser aceita.
- Quem renegociou pela MP 1.314 poderá voltar a ter acesso se comprovar perda nova e posterior.
A Assessoria Econômica da Farsul avalia que grande parte do avanço tem origem no trabalho técnico da entidade: cinco das sete propostas de redação apresentadas em julho ao Governo Federal foram incorporadas ao texto do relator.
Ficaram de fora o saldo de investimento que vence após 2026, as parcelas do Fundo Social, a CPR inadimplente com juros controlados e as dívidas com cerealistas. Limites, juros, prazos e a exigência de laudo de perda não mudaram. A Farsul não estima em quanto o alcance da MP aumentará, pois isso dependerá da votação, da nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional, da análise de risco de cada banco e do tempo restante para contratar.
Corrida contra o calendário
O prazo é o maior risco. A MP perde a validade em 11 de novembro, e a contratação termina em 12 de novembro. Antes disso, o parecer precisa ser votado na Comissão Mista, na Câmara e no Senado, seguir para sanção presidencial e ainda aguardar nova resolução do CMN. A Farsul considera fundamental que o relatório seja votado até quinta-feira, 1º de outubro. Do contrário, a lei chegará depois do plantio da safra de verão, com o crédito já decidido pelos bancos.
O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, reforça a urgência. “Iremos concentrar nos esforços para que o tema vá à votação ainda nesta semana no Congresso Nacional. A situação é de emergência e necessita agilidade, o período do plantio da safra de verão já iniciou”, afirma.
A Farsul seguirá defendendo ajustes ao texto, como a contagem do prazo de contratação a partir da publicação da lei, a ampliação da janela de parcelas de investimento e a inclusão das parcelas do Fundo Social que vencem em 2026.
Confira Nota Técnica completa
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
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