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29 de setembro de 2026

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Controle do bicudo coloca lavouras de algodão de Mato Grosso em período de vazio sanitário

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A partir de 1º de outubro, produtores de algodão de parte de Mato Grosso entram no período de vazio sanitário, medida que busca reduzir a sobrevivência do bicudo-do-algodoeiro entre os ciclos da cultura. O calendário para a safra 2026/27 mantém as datas previstas na Instrução Normativa nº 003/2024 e divide o estado em duas regiões.

Na Região I, o período segue até 30 de novembro. Já nos municípios da Região II, o vazio sanitário começa em 15 de outubro e termina em 14 de dezembro. Durante essas datas, não pode haver plantas de algodão com risco fitossanitário.

A retirada das plantas que permanecem no campo entre uma safra e outra é uma das medidas utilizadas para interromper o ciclo do bicudo. Soqueiras e plantas tigueras podem manter a praga com acesso a alimento e abrigo, favorecendo sua permanência até o início de uma nova lavoura.

O controle ganha relevância diante da capacidade de reprodução e do potencial de dano do inseto. O assessor técnico em Agricultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Alex Rosa, explica que o ataque começa pelos botões florais e também compromete as estruturas que formam o algodão. Os insetos são atraídos pelo cheiro e, inicialmente, atacam os botões, que acabam caindo depois de abertos. “As flores atacadas ficam com aspecto de balão, devido à abertura anormal das pétalas”, detalha.

O ataque também deixa perfurações externas na maçã do algodão. No interior da estrutura, as larvas destroem fibras e sementes, comprometendo a abertura normal.

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Períodos variam entre as regiões produtoras

As condições de umidade também influenciam o desenvolvimento do bicudo-do-algodoeiro. Períodos chuvosos favorecem a praga porque a umidade contribui para conservar por mais tempo os botões atacados.

A dimensão da cotonicultura mato-grossense coloca o controle fitossanitário dentro de um calendário que precisa ser cumprido pelos produtores. Na safra 2025/26, o estado cultivou 1,36 milhão de hectares com algodão.

O modelo de produção no estado é marcado pelo cultivo de segunda safra, em sucessão à soja. Conforme o diretor técnico do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Renan Tomazele, essa característica contribui para a dimensão da atividade no estado, que “consolida-se como o líder absoluto da cotonicultura nacional, respondendo por cerca de 70% de todo o algodão produzido no Brasil”.

Na Região I, o vazio sanitário vai de 1º de outubro a 30 de novembro e abrange 61 municípios, entre eles Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde, Campo Verde, Pedra Preta, Itiquira, Alto Garças, Alto Araguaia e Barra do Garças.

Na Região II, o período será de 15 de outubro a 14 de dezembro, abrangendo municípios como Sorriso, Sinop, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Querência, Primavera do Leste e Tapurah. A relação definida pelo Indea-MT também inclui municípios de diferentes regiões produtoras do estado, como Água Boa, Canarana, Juína, Juara, Tangará da Serra e Vila Rica.

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O Sistema Famato orienta os produtores rurais a observarem os períodos estabelecidos e as obrigações previstas na legislação estadual de defesa sanitária vegetal. A divisão dos municípios foi definida pelo Indea-MT de acordo com os calendários de produção locais.


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Colheita de milho nos EUA atinge 18%, diz USDA

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na segunda-feira (28) que a colheita da safra 2026/27 de milho no país chegou a 18% até o último domingo (27). O ritmo ficou acima dos 17% registrados no mesmo período do ano passado e em linha com a média dos cinco anos, também de 18%.

Segundo o USDA, 57% da safra de milho apresentava condição boa ou excelente, sem variação na comparação semanal. Em igual período do ano passado, esse índice era de 66%. O órgão também informou que 96% das lavouras tinham formado dentes, ante 94% um ano antes e 95% na média de cinco anos. Já a parcela de áreas maduras alcançou 72%, ante 69% no ano passado e 71% na média.

Na soja, a colheita chegou a 17% até domingo (27), ante 18% no mesmo período do ano passado e 17% na média de cinco anos. A condição boa ou excelente permaneceu estável em 58%, abaixo dos 62% observados um ano antes. O USDA informou ainda que 75% da safra apresentava queda de folhas, em linha com a média histórica e levemente abaixo dos 76% registrados no ano passado.

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Para o trigo de inverno, o relatório apontou plantio de 27% da safra, abaixo dos 32% registrados há um ano e dos 34% da média de cinco anos. A emergência alcançou 8%, ante 12% no ano passado e 11% na média.

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No algodão, 35% da safra estava em condição boa ou excelente, alta de 1 ponto porcentual na semana. Um ano antes, o índice era de 47%. O USDA informou que 70% das lavouras tinham abertura de maçãs, ante 66% no mesmo período do ano passado e 67% na média de cinco anos. A colheita avançou para 17%, acima dos 15% registrados há um ano e também da média histórica de 15%.

Os dados do USDA mostram avanço da colheita de milho e soja em linha ou próximo das médias históricas, enquanto o plantio do trigo de inverno segue abaixo do ritmo observado no ano passado e na média de cinco anos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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prazo para sanção das novas regras termina hoje; entenda o que muda

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Termina nesta terça-feira (29) o prazo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar ou vetar o projeto que reformula as regras do seguro rural no Brasil. A proposta aprovada pelo Congresso busca ampliar a previsibilidade de recursos para o setor e fortalecer a proteção dos produtores diante de perdas provocadas, principalmente, por eventos climáticos.

O Projeto de Lei 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), foi aprovado pelo Senado no início de setembro, após passar pela Câmara dos Deputados. Entre os principais pontos estão mudanças no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), a regulamentação de um fundo para cobertura de grandes perdas e a concessão de condições diferenciadas de crédito para produtores segurados.

A expectativa é de sanção presidencial nesta terça-feira. Segundo informações publicadas antes da decisão, o governo sinalizou que pretende preservar os principais pontos da proposta, embora alguns dispositivos possam ser vetados.

Recursos do seguro rural protegidos de cortes

Uma das principais mudanças é tornar obrigatória a execução dos recursos destinados à subvenção do seguro rural, impedindo que essas verbas sejam contingenciadas ou bloqueadas ao longo do ano.

A proteção, porém, vale apenas para o montante incluído pelo próprio Executivo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Dessa forma, o governo continuará definindo quanto pretende destinar ao programa a cada ano, mas, uma vez previsto o recurso, sua execução será obrigatória.

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A mudança busca dar maior previsibilidade ao PSR, que subsidia parte do valor pago pelos produtores na contratação das apólices.

A transformação da subvenção em despesa obrigatória também depende da indicação de uma fonte de compensação financeira, em respeito às regras fiscais. O governo trabalha em uma medida compensatória que poderá ser publicada junto com a eventual sanção.

Fundo para grandes perdas

Outro ponto importante é a tentativa de colocar em funcionamento o fundo destinado à cobertura suplementar dos riscos do seguro rural, conhecido como “Fundo Catástrofe”.

Previsto em lei desde 2010, o mecanismo nunca saiu efetivamente do papel por falta de regulamentação e de aportes contínuos.

Pelo projeto aprovado, seguradoras, resseguradoras, cooperativas de seguros, empresas ligadas ao agronegócio e cooperativas de produção agropecuária poderão participar do fundo como cotistas.

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A ideia é criar uma camada adicional de proteção para situações em que eventos de grande proporção provoquem perdas elevadas no campo.

Seguro pode facilitar acesso ao crédito

O projeto também fortalece o seguro rural como instrumento de garantia para financiamentos.

Operações de crédito rural cobertas por seguro poderão ter taxas de juros, prazos e limites diferenciados, além de prioridade no acesso ao crédito. Essa preferência também poderá valer em processos de prorrogação ou renegociação de dívidas.

As instituições financeiras poderão ainda exigir cláusulas específicas nas apólices usadas como garantia, como a definição do banco credor como primeiro beneficiário da indenização em caso de sinistro.

Prazo para indenização

As novas regras também estabelecem prazos para o processo de indenização no seguro de atividades agrícolas.

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Quando não houver necessidade de vistoria técnica presencial, o processamento deverá ocorrer em até 15 dias após o aviso do segurado. Já o pagamento da indenização deverá ser realizado em até 30 dias, contados da entrega dos documentos necessários ou da realização da vistoria presencial, considerando o que ocorrer por último.

Dados para melhorar cálculo do risco

Outra mudança envolve as informações utilizadas pelo mercado segurador. O projeto altera as regras de fornecimento de dados sobre a produção e prevê regulamentação pelo Executivo sobre quais informações deverão ser disponibilizadas.

Além disso, a proposta busca criar condições para ampliar o uso de bases públicas de dados, permitindo melhorar a avaliação dos riscos e a precificação das apólices.

Possíveis vetos

Apesar da expectativa de manutenção dos principais pontos, dois dispositivos estavam sob análise para possível veto.

Um deles permite que o fundo de cobertura suplementar adquira Letras de Risco de Seguro (LRS), instrumento utilizado para transferir parte dos riscos das seguradoras e resseguradoras ao mercado de capitais.

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O outro envolve a manutenção da isenção de tributos federais sobre operações de seguro rural.

Os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário defenderam a sanção integral da proposta. A avaliação da área agrícola é de que a falta de previsibilidade orçamentária é hoje um dos principais obstáculos à expansão do seguro rural no país.

O setor produtivo também argumenta que um sistema de seguro mais robusto pode reduzir a necessidade de renegociações de dívidas e de medidas emergenciais do governo após perdas provocadas por secas, enchentes e outros eventos climáticos.

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Novo método da Embrapa estima pegada hídrica de herbicidas até 116 vezes maior na cana-de-açúcar

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Estudo da Embrapa Meio Ambiente (SP) propõe um novo método para calcular a pegada hídrica cinza — indicador que estima, de forma hipotética, o volume de água necessário para diluir poluentes até concentrações consideradas seguras — que considera o efeito conjunto de diferentes herbicidas presentes nos recursos hídricos.

Ao aplicar a abordagem a produtos utilizados na cultura da cana-de-açúcar, a pesquisa constatou que a estimativa pode ser até 116 vezes maior que a obtida pelo método tradicional.

Enquanto o método tradicional considera cada herbicida isoladamente, o novo modelo leva em conta seus mecanismos de ação e os efeitos que podem produzir em conjunto sobre organismos aquáticos. A pegada hídrica cinza não corresponde ao consumo real de água, mas a um volume virtual utilizado para dimensionar o impacto da contaminação sobre os recursos hídricos.

A pesquisa, desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Lourival Paraíba, não trata da mistura de produtos na calda — preparação feita no tanque do pulverizador para aplicação na lavoura —, mas da ocorrência conjunta de diferentes herbicidas nos recursos hídricos como consequência das aplicações agrícolas.

Na agricultura, parte dos produtos aplicados pode ser transportada pela chuva até rios e córregos ou infiltrar-se no solo e alcançar águas subterrâneas. Nesse percurso, resíduos de diferentes herbicidas podem ocorrer simultaneamente nos recursos hídricos, situação considerada pelo novo método de cálculo.

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Segundo Paraíba, essa dimensão do impacto ambiental ainda é pouco percebida no campo. “A pegada hídrica cinza é, em essência, a conta que a natureza paga para limpar a água supostamente contaminada pela agricultura”, explica.

O pesquisador ressalta que o indicador vem ganhando importância também em sistemas de certificação agrícola. “Para os produtores de cana, isso é relevante porque as certificações internacionais — inclusive as que habilitam a exportação de etanol — já começam a exigir esse cálculo”, afirma.

Um impacto muito maior

O estudo analisou 17 herbicidas pertencentes a sete grupos de classificação do Herbicide Resistance Action Committee (HRAC). Ao comparar o método tradicional, conhecido como H-model, com o modelo proposto na pesquisa, a diferença encontrada foi expressiva.

A comparação entre os dois métodos revelou uma diferença expressiva: com o novo modelo, a estimativa da pegada hídrica cinza dos 17 herbicidas foi cerca de 116 vezes maior que a obtida pelo método tradicional. “Quando calculamos a pegada hídrica cinza total dos 17 herbicidas pelo H-model, chegamos a 49,5 bilhões de metros cúbicos. Quando usamos o modelo que propusemos, o valor sobe para 5,74 trilhões de metros cúbicos”, observa Paraíba.

A diferença não ocorre simplesmente porque foram considerados mais produtos, mas sim porque o novo método leva em consideração o comportamento conjunto dos herbicidas de acordo com seus mecanismos de ação.

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De acordo com o pesquisador, o método tradicional considera cada herbicida isoladamente. “O problema é que na cana são usados até 17 herbicidas diferentes em uma safra nacional”, afirma.

Ao incorporar a ocorrência conjunta dos produtos nos recursos hídricos e considerar dados de toxicidade para organismos aquáticos, como algas, crustáceos e peixes, o novo método produz estimativas mais elevadas. Nas simulações realizadas, em 95% dos casos, a diferença em relação ao método tradicional variou de 69 a 195 vezes.

O que muda?

A principal inovação metodológica do estudo é combinar a classificação HRAC com dois princípios utilizados na avaliação toxicológica de misturas: a Adição de Concentrações (CA) e a Ação Independente (IA).

Paraíba pontua que, quando substâncias atuam sobre o mesmo mecanismo biológico, sua ação é considerada aditiva. Já quando apresentam mecanismos de ação diferentes, são tratadas como independentes.

“Quando duas substâncias atacam o mesmo mecanismo biológico, seus efeitos se somam. Quando atacam mecanismos diferentes, agem de forma independente – e o efeito total é determinado pelo mais tóxico, não pela soma”, enfatiza.

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A classificação HRAC permitiu aplicar essa lógica ao cálculo da pegada hídrica cinza. Para testar a robustez dos resultados, foram realizadas 10 mil simulações de Monte Carlo, método estatístico que repete os cálculos variando parâmetros sujeitos a incertezas. Entre eles estão a toxicidade dos produtos, o escoamento provocado pela chuva e sua degradação no solo. “Isso é muito mais honesto do que um número pontual”, avalia o pesquisador.

Comparação dos escores de herbicidas: modelo CA (determinístico, todos os
herbicidas; barras azuis) versus modelo IA (baseado na classificação HRAC, barras laranjas). Valores mais baixos de escore indicam menor pegada hídrica cinza por hectare.

Número de herbicidas

Um dos resultados mais relevantes foi a influência do número de herbicidas pertencentes ao mesmo grupo de mecanismo de ação. Nas simulações, um dos sete grupos analisados, formado pelos herbicidas ametryn, diuron, hexazinone, metribuzin, tebuthiuron e amicarbazone, predominou em 99,7% dos casos.

“O fato de a pegada hídrica cinza ser governada pelo tamanho do grupo HRAC, e não
pela toxicidade individual de cada herbicida, parece contraintuitivo à primeira vista”, salienta Paraíba.

Segundo o pesquisador, quanto maior o número de herbicidas pertencentes ao mesmo grupo, maior pode ser o impacto acumulado. Por isso, o estudo recomenda evitar, sempre que possível, a combinação de vários produtos com o mesmo mecanismo de ação. Uma das recomendações práticas é evitar, sempre que possível, a combinação de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação.

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E o glifosato?

O estudo também ajuda a contextualizar o papel do glifosato nessa avaliação específica. Embora o produto seja frequentemente associado a debates ambientais, Paraíba ressalta que a pesquisa não avaliou todos os aspectos relacionados ao herbicida.

“O debate sobre glifosato envolve muitas dimensões – toxicidade humana, biodiversidade, resistência – que estão fora do escopo deste trabalho”, esclarece.

Na métrica analisada, relacionada especificamente à pegada hídrica cinza e ao impacto sobre organismos aquáticos, o glifosato apresentou desempenho comparativamente melhor. Entre os produtos avaliados, mostrou toxicidade aguda relativamente baixa para algas, crustáceos e peixes.

“Isso não significa que é inofensivo em termos gerais. Significa apenas que, sob a ótica específica da diluição em corpos hídricos, ele impôs menor demanda de água limpa do que outros herbicidas analisados”, revela.

Recomendações para o manejo

De acordo com o cientista, a pesquisa apresenta três recomendações principais para os produtores de cana que desejam reduzir a pegada hídrica cinza associada ao uso de herbicidas.

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  • A primeira é priorizar herbicidas de grupos HRAC pequenos ou isolados, como glifosato (G), isoxaflutol (F1) e clomazone (F4), classificados no estudo entre aqueles de menor impacto sobre a água.
  • A segunda é evitar a mistura de dois ou mais herbicidas pertencentes ao mesmo grupo HRAC em uma mesma aplicação, uma vez que seus efeitos podem se somar.
  • A terceira é que, quando for necessário utilizar produtos com o mesmo mecanismo de ação, seja empregado apenas um representante do grupo, evitando a combinação de dois ou mais produtos dessa classificação.

“Essas três regras têm o potencial de reduzir substancialmente a pegada hídrica cinza sem comprometer o controle de plantas daninhas – desde que o manejo integrado seja feito com critério e com orientações agronômicas”, ensina Paraíba.

Metodologia pode ser aplicada a outras culturas

Embora o estudo tenha como foco a cana-de-açúcar, a metodologia proposta pode ser aplicada a outras culturas que utilizam pesticidas. “A metodologia desenvolvida – combinar a classificação HRAC com o princípio de Ação Independente (IA) e a simulação de Monte Carlo – é completamente transferível para qualquer outra cultura que use aplicações de vários herbicidas: soja, milho, algodão ou café”, destaca o pesquisador.

Paraíba também defende a atualização dos protocolos utilizados por sistemas de certificação agrícola, de forma que o cálculo da pegada hídrica considere de maneira mais adequada os efeitos das misturas nos organismos aquáticos.

Para ele, a preocupação central deve ser a proteção da água como recurso compartilhado. “A água é um bem compartilhado. O herbicida que o produtor aplica em sua lavoura hoje pode estar no rio que abastece uma cidade a quilômetros de distância amanhã. Isso não é uma acusação – é uma realidade física”, pondera.

A pesquisa busca justamente transformar conhecimento científico em alternativas aplicáveis ao campo. “Pequenas mudanças nas escolhas de herbicidas podem reduzir significativamente esse impacto, sem comprometer a produção”, conclui.

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