Agro Mato Grosso
Duas pessoas morrem em batida entre carro e carreta na BR-364 em MT

Dois ocupantes de um veículo utilitário morreram ainda no local do acidente. A dinâmica ainda será investigada.
Duas pessoas, que ainda não tiveram as identidades divulgadas, morreram após o veículo utilitário em que estavam bater de frente com uma carreta, no km 551 da BR-364, em Rosário Oeste, a 105 km de Cuiabá, nesta terça-feira (29).
Vídeos registrados por motoristas que passam pela região mostram o congestionamento no local após o acidente (veja abaixo).
Uma equipe de resgate da Nova Rota do Oeste, concessionária que administra o trecho, foi até o local para prestar atendimento às vítimas. Os dois ocupantes do utilitário morreram ainda no local.
Na carreta estavam duas pessoas que não ficaram feridas e assinaram um termo de recusa de encaminhamento médico.
Ainda conforme a Nova Rota, até a publicação desta reportagem, a rodovia estava interditada nos dois sentidos para a realização da perícia. Após o procedimento, a concessionária deve fazer a remoção dos veículos para liberar o tráfego.
A dinâmica do acidente ainda será investigada.
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Agro Mato Grosso
MPF realiza visita de quatro dias a terra indígena em Mato Grosso e ouve lideranças

O Ministério Público Federal (MPF) realizou uma visita institucional à Terra Indígena Enawenê-Nawê, localizada no estado de Mato Grosso. A atividade, que durou quatro dias, teve como objetivo promover escuta direta das lideranças e dos moradores da comunidade, conhecer suas principais necessidades e reafirmar a atuação presencial do órgão na defesa dos direitos dos povos originários.
Durante a permanência no território indígena, a equipe do MPF dialogou com os integrantes da comunidade, fortalecendo os canais de interlocução e aproximação entre a instituição e o povo Enawenê-Nawê. “A presença em campo permitiu acompanhar de perto a realidade local, compreender seu modo de vida e registrar presencialmente as manifestações das lideranças”, destacou a servidora do MPF, Keren Baesso.
O encontro foi uma oportunidade para informar aos indígenas sobre os fatos dos processos judiciais e procedimentos administrativos em curso, seus trâmites e estados atuais e também para ouvir a posição da comunidade sobre os rumos possíveis para essas causas. Os diálogos com a comunidade ocorreram mediante tradução linguística, no momento definido com observância à realização dos rituais.
Para o procurador da República Daniel Luis Dalberto, em nossas relações com os Enawenê-Nawê precisamos ter sensibilidade para compreensão e respeito à sua cosmologia, onde tudo se encaixa e tem um lugar definido, o que pode ser visto a partir das apresentações ritualísticas, que evidenciam a beleza estética e a força da cultura desse povo.
Segundo o Dalberto, o contato direto e os diálogos no território são fundamentais para consolidar uma atuação institucional mais eficiente, humana e acessível. “A aproximação presencial assegura que o Ministério Público Federal conheça a rotina comunitária a partir da perspectiva dos próprios indígenas, orientando os trabalhos do órgão de forma respeitosa e alinhada às garantias constitucionais”, acrescentou o procurador da República.
Defesa dos povos indígenas – A iniciativa foi desenvolvida em parceria pelo Ofício Povos Indígenas em Isolamento Voluntário e de Recente Contato, vinculado à Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6ª Câmara de Coordenação e Revisão), e pelo 2º Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso, sediado na Procuradoria da República no Município (PRM) de Sinop (MT).
A visita integra o conjunto de ações do MPF voltadas à proteção e à salvaguarda dos direitos dos povos indígenas, especialmente de recente contato ou em situação de isolamento voluntário. As informações subsidiarão a atuação do órgão, permitindo a definição de encaminhamentos institucionais adequados e a manutenção de um fluxo de diálogo permanente com a comunidade.
“A atuação conjunta entre o órgão setorial nacional e a unidade de Sinop reforça a estratégia do MPF de manter um acompanhamento contínuo e integrado sobre as demandas das populações tradicionais em todo o estado de Mato Grosso”, ressalta o procurador-chefe do MPF em Mato Grosso, Ricardo Pael Ardenghi.
Atuação coordenada – A Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6ª Câmara de Coordenação e Revisão) é o órgão do Ministério Público Federal responsável por coordenar, integrar e revisar a atuação institucional nos temas afetos aos povos indígenas, comunidades tradicionais e povos em isolamento voluntário ou de recente contato.
Agro Mato Grosso
Produtor agrega valor em cada etapa da produção MT

A produção de milho ganhou uma função estratégica na diversificação dos negócios da família Vesz em Mato Grosso. Em Campo Verde, parte dos grãos é destinada à alimentação do gado, que passa por recria e engorda na própria fazenda antes de chegar ao mercado da família na forma de carne.
Esse modelo integra agricultura, pecuária e comércio em diferentes etapas da cadeia produtiva e é resultado de uma trajetória iniciada em 1984, quando a família chegou à região de Campo Verde. Além da produção rural, o grupo mantém negócios no comércio e estruturou a sucessão familiar ao longo das décadas.
A combinação entre comércio e produção rural acompanhou a trajetória da família desde então. O supermercado surgiu tanto pela necessidade de atender os moradores que chegavam à nova fronteira agrícola quanto pela oportunidade de negócio. Nos primeiros anos, a loja comercializava alimentos, roupas, calçados, bicicletas e outros produtos que eram difíceis de encontrar na região.
A atividade comercial cresceu junto com a chegada de produtores vindos principalmente do Paraná e do Rio Grande do Sul. Muitos traziam recursos para abrir áreas próprias ou arrendadas e precisavam de um local para se abastecer. O supermercado chegou a receber clientes de municípios e fazendas distantes de Campo Verde, em uma época em que as opções de comércio ainda eram restritas.
O início, porém, exigiu adaptações. Sem fornecedores que circulassem pela região, Vitor Vesz precisava viajar até Cuiabá para comprar produtos como mussarela e mortadela. Enquanto um dos irmãos ajudava na abertura das áreas agrícolas, ele ficava mais ligado ao comércio e às compras.
“Eu fui filho de agricultor, neto de agricultor e me criei na roça. Com sete anos, oito anos, a gente já estava trabalhando na roça”, conta Vitor ao Especial Mais Milho, ao recordar a infância no Rio Grande do Sul. A experiência familiar no campo acabou se tornando uma das bases para a expansão dos negócios após a mudança para Mato Grosso.
Da fronteira gaúcha à nova fronteira agrícola
Antes de chegar a Campo Verde, Vitor e a esposa, com quem se casou em 1970, mantinham atividades de comércio e agricultura no Rio Grande do Sul. A decisão de mudar para Mato Grosso ganhou força depois da Guerra das Malvinas, em 1982, que afetou diretamente os negócios da família na região de fronteira com a Argentina.
A desvalorização da moeda argentina reduziu o poder de compra dos clientes que movimentavam boa parte do comércio da família. Mesmo com a loja cheia e uma estrutura já estabelecida, o produtor rural e empresário passou a procurar alternativas para continuar crescendo. As informações sobre a expansão da fronteira agrícola em Mato Grosso ajudaram a direcionar a mudança.
Durante uma viagem, ele recebeu novas referências sobre a região da BR-070 e decidiu conhecer o local. Antes mesmo de retornar ao Sul, ligou para a esposa para contar que havia encontrado uma possibilidade para a família. A resposta dela acabou sendo decisiva: “Se isso for bom para ti, vai ser bom para nós, para a nossa família”.
A família chegou a Campo Verde em 1984 e, desde então, ampliou a atuação tanto no comércio quanto na produção agropecuária. Atualmente, as áreas agrícolas estão concentradas em Campo Verde e também em Juara, onde a família iniciou uma frente mais recente de produção.
Em Campo Verde, são cultivadas soja, milho e algodão. Parte da produção agrícola passou a contar com maior estrutura de logística com a proximidade de uma ferrovia na região. Na Fazenda Brasil, a busca por maior segurança produtiva também levou à implantação de irrigação.
A propriedade conta atualmente com 12 pivôs, que atendem 1,5 mil hectares hectares, além de uma outorga para outros 500 hectares. A irrigação permite produzir milho para consumo, milho destinado à produção de sementes para empresas e outras culturas em uma área em que parte dos solos apresenta maior arenosidade.
Milho conecta lavoura e pecuária
A diversificação ganhou uma função ainda mais direta quando o milho passou a ser utilizado dentro da própria propriedade. Parte da produção é destinada à alimentação do gado, enquanto a outra parcela é comercializada. O sistema também inclui sorgo e milho produzido fora das áreas irrigadas.
Na avaliação de Vitor, a expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso alterou o cenário para a cultura, ao ampliar as alternativas de comercialização e gerar coprodutos utilizados na alimentação animal. “Essas usinas de etanol que estão vindo para o Mato Grosso nos ajudaram demais a alavancar o nosso milho”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.
Na última safrinha, a Fazenda Brasil alcançou média de 135 sacas de milho por hectare para produção de grãos destinados ao consumo. Em Juara, onde as condições de chuva e solo favoreceram a lavoura, a média no milho chegou a 155 sacas por hectare.
A pecuária também foi incorporada à propriedade a partir de uma iniciativa da própria família. Quando a Fazenda Brasil foi comprada, em 1988, havia apenas cinco vacas e um cavalo. Valtair Vesz, filho mais velho de Vitor, insistiu para que a atividade fosse desenvolvida junto à agricultura.
O trabalho com gado ganhou escala e passou a envolver melhoramento genético, inseminação e confinamento. Segundo Valtair, a propriedade trabalha com animais abatidos antes dos 24 meses e realiza o acabamento do gado na própria fazenda. Cerca de 900 a 1.000 cabeças são abatidas por ano para abastecer o mercado da família.
A integração também permite aproveitar parte do milho produzido na lavoura e resíduos gerados durante o processo de secagem. “A gente transforma o milho em carne e ajuda a agregar muito valor”, resume Valtair.
A escolha pelo Senepol também faz parte da estratégia da pecuária. Valtair destaca a capacidade da raça taurina de trabalhar em condições de campo e o desempenho dos animais no sistema adotado pela propriedade. Para ele, a integração entre lavoura e pecuária tende a continuar avançando dentro da atividade da família.
Gestão familiar e continuidade dos negócios
A divisão das atividades entre os filhos ocorreu de forma gradual. O filho do meio permaneceu ligado ao supermercado, o mais novo assumiu a agricultura e Valtair ficou à frente da pecuária. A filha caçula, Marcele, também participa dos negócios da família, de acordo com Vitor.
A organização passou a ser estruturada por meio de uma holding familiar, com participação definida entre os integrantes. A intenção é manter a gestão conjunta e preparar a continuidade dos negócios para as próximas gerações.
A trajetória também foi construída com apoio financeiro para a expansão das atividades. Vitor conta que, antes da chegada do Sicredi a Campo Verde, a família dependia de instituições financeiras de outras cidades. Posteriormente, participou da formação da cooperativa no município e manteve uma relação de crédito ao longo dos anos.
“Com certeza, a gente sozinho não é ninguém. Tem sempre que ter os parceiros, porque para tocar essa vida tem que sempre ter apoio”, afirma o produtor rural. Segundo ele, o acesso ao crédito foi importante para investimentos em máquinas, estrutura e capital de giro.
A gerente de negócios agro do Sicredi em Campo Verde, Leidiane Freitas, relata que a relação com a família começou ainda na implantação da cooperativa no município. O atendimento, pontua ela, envolve visitas à propriedade e identificação das necessidades de cada produtor para definir as modalidades de financiamento.
A gerente de agência Kely Lewandowski destaca ainda a ligação histórica da cooperativa com o setor agropecuário e a atuação junto à comunidade. No caso da família Vesz, a relação financeira acompanha diferentes momentos da expansão dos negócios, incluindo investimentos ligados à agricultura e à pecuária.
Para Vitor Vesz, a continuidade passa principalmente pela organização dos sucessores e pela manutenção da união entre os integrantes da família. A estrutura societária já foi definida e os filhos participam dos negócios em diferentes áreas.
“Eu tenho muita confiança nesse futuro e talvez nós não vamos acompanhar uma parte desse futuro aí. Mas, como diz o outro, as coisas estão muito bem encaminhado”, afirma.
A perspectiva do produtor rural e empresário, portanto, é de continuidade de um modelo construído desde a chegada a Mato Grosso: comércio, agricultura e pecuária funcionando em diferentes etapas do mesmo negócio e com a participação das novas gerações.

Agro Mato Grosso
Aprosoja MT monitora mais de 8 mil km de rodovias e encaminha demandas de infraestrutura

Rodadas de monitoramento identificaram pontos críticos em trechos estaduais e federais e resultaram na elaboração de 10 relatórios técnicos
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio da Comissão de Logística, tem ampliado o acompanhamento das condições das rodovias utilizadas para o escoamento da produção no estado. Entre as ações realizadas ao longo do ano, aproximadamente 8.230 quilômetros de rodovias estaduais, federais e corredores estratégicos foram percorridos para identificar pontos críticos, registrar demandas e acompanhar a execução de obras e serviços de manutenção.
Entre os principais eixos monitorados estão as BRs-163, 364, 174 e 070, além das MTs-140, 010, 242 e 235, entre outros trechos considerados estratégicos para a integração das regiões produtoras e o transporte da produção mato-grossense.
De acordo com o vice-presidente norte da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Logística da entidade, Diogo Balistieri, o trabalho busca produzir um diagnóstico direto das condições encontradas nas rodovias e levar as informações às autoridades responsáveis.
“A Comissão de Logística tem percorrido várias rodovias do estado para fazer um levantamento das condições atuais dessas rodovias, tanto estaduais quanto federais, levando essas informações para as autoridades competentes”, explica.
No âmbito das concessões federais, o monitoramento contemplou trechos como a BR-364, entre Vilhena e Porto Velho (RO), sob concessão da Nova 364; o corredor das BRs-364 e 060, entre Rondonópolis (MT) e Rio Verde (GO), administrado pela Way-364; e a BR-163, entre Rondonópolis e Sinop, sob concessão da Nova Rota do Oeste. Nesses trechos, foram verificadas as condições das vias, a execução dos serviços e a operação das rodovias concedidas.
Nas rodovias estaduais, a Comissão também acompanhou trechos em diferentes estágios de concessão, incluindo vias em fase de trabalhos iniciais e outras já em operação. O objetivo é verificar as condições da infraestrutura e acompanhar se os serviços previstos estão sendo executados.

Entre os meses de junho e setembro, foram produzidos 10 relatórios técnicos relacionados a trechos considerados críticos e às principais demandas de infraestrutura apresentadas pelos produtores rurais. Os documentos foram encaminhados à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (SINFRA/MT), ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para conhecimento, análise e adoção das providências cabíveis.
Para Balistieri, o levantamento em campo é uma etapa importante para direcionar as ações necessárias. “A principal ação posterior a essas visitas é levar às autoridades os principais pontos com necessidade de manutenção ou alguma outra mudança que pode estar acontecendo, alguma falha técnica ou algum reparo possível. Com esse levantamento direto, nós conseguimos embasar solicitações que tragam melhorias para os nossos produtores que usam essas rodovias”, afirma.
O trabalho também permite que demandas identificadas regionalmente sejam acompanhadas até a execução dos serviços. Em Campos de Júlio, por exemplo, o delegado coordenador do Núcleo da Aprosoja MT, Jonathan Guadagnin, destaca que problemas relacionados à conservação da pista, sinalização, visibilidade nos acessos, drenagem e manutenção das margens ainda exigem atenção.
Entre as solicitações apresentadas pela entidade estão o afastamento de uma placa no acesso à Linha Alto Juruena, que prejudicava a visibilidade dos motoristas, e a poda da vegetação nas cabeceiras do Rio Formiga.
Segundo Guadagnin, são intervenções pontuais, mas que contribuem diretamente para a segurança dos usuários. “São medidas simples, mas que fazem muita diferença para a segurança de quem utiliza essas vias diariamente”, afirma.
O delegado coordenador explica ainda que a atuação da Comissão não se limita ao registro dos problemas. As demandas são encaminhadas aos responsáveis e acompanhadas posteriormente.
“A Comissão de Logística tem atuado de forma próxima aos produtores, identificando os problemas, registrando as demandas e encaminhando as solicitações aos órgãos e empresas responsáveis. Também acompanhamos cada pedido até a execução do serviço”, destaca.
O planejamento da Comissão prevê a continuidade do monitoramento até o fim do ano. Em outubro, está previsto um deslocamento para a região nordeste de Mato Grosso, com acompanhamento das obras da BR-158 e avaliação das condições de rodovias como as MTs-322, 109, 430 e 437, além de outros trechos estratégicos para o escoamento da produção.
Também estão previstas novas rodadas em corredores interestaduais. O planejamento inclui o acompanhamento da BR-158 até Marabá (PA) e da BR-163 até Santarém (PA), ampliando a avaliação para além dos limites de Mato Grosso e permitindo observar as condições dos principais corredores utilizados para levar a produção mato-grossense aos mercados e portos de exportação.
Para Guadagnin, a continuidade do trabalho é importante diante das mudanças previstas para algumas rodovias. “É importante que as melhorias sejam feitas, mas nós entendemos que qualquer cobrança precisa estar acompanhada de investimentos concretos, com recuperação da pista, sinalização adequada, manutenção das margens, segurança e atendimento eficiente aos usuários”, pontua.
O monitoramento realizado pela Aprosoja MT busca aproximar as demandas dos produtores rurais das autoridades públicas e das empresas responsáveis pela infraestrutura rodoviária. A partir das informações levantadas em campo, a entidade acompanha pontos críticos, registra necessidades de manutenção e cobra providências para melhorar as condições dos corredores utilizados diariamente pelo setor produtivo.
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