Sustentabilidade
Com o Plano Safra já em andamento, produtor precisa de planejamento para acesso ao crédito – MAIS SOJA

Foto de capa: Assessoria
Com o plantio dos cultivos de verão se aproximando, a corrida pelos recursos do Plano Safra 2026/27 já começou. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a agricultura empresarial já contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho, primeiro mês do ciclo 2026/27. Do total, R$ 6,5 bilhões foram destinados ao custeio convencional e R$ 118,1 milhões a programas de investimento. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 18,8 bilhões, ou 66,6% das operações contratadas no mês.
Mais do que ter acesso ao crédito rural, o desafio do produtor é definir o quanto precisará investir para a formação da próxima lavoura e dimensionar corretamente como esses recursos serão distribuídos entre insumos, operações, compromissos já assumidos e investimentos. Um planejamento inadequado pode levar tanto à contratação de recursos acima da capacidade de pagamento quanto à falta de dinheiro no decorrer da safra.
Na avaliação de Rafael Luche, gerente de negócios da FertiSystem, empresa especializada em tecnologias para plantio e agricultura de precisão, o ponto de partida é entender o que será cultivado, em qual área e em quais condições produtivas. “A primeira coisa que o produtor precisa saber é o que vai plantar, quanto vai plantar e como está o principal ativo da próxima safra, que é o solo. A partir disso, ele consegue buscar os orçamentos e entender quanto realmente vai precisar de fertilizante e de outros insumos”, afirma.
Análises de solo, mapas de produtividade e resultados da safra anterior ajudam a estabelecer as necessidades de cada área e evitam que as compras sejam definidas apenas pela oferta comercial disponível. “Aspectos climáticos e a janela de plantio também precisam entrar nessa avaliação, pois influenciam a escolha das sementes e a estratégia adotada em cada região”, detalha Luche.
Outro componente, segundo o especialista, que deve ser analisado com antecedência é o arrendamento. Além de considerar a produtividade histórica das áreas de terceiros, o produtor precisa calcular se o resultado esperado é suficiente para pagar o arrendamento e remunerar a atividade. Em anos de frustração de safra, esse compromisso permanece e pode ampliar o endividamento.
Fluxo de caixa precisa entrar na conta
A análise da capacidade de pagamento é outro passo essencial. O produtor deve reunir os compromissos de curto e longo prazo, incluindo parcelas de máquinas, investimentos anteriores, custeios, renegociações de safras passadas e demais obrigações da propriedade.
Mais importante do que conhecer o tamanho da dívida é identificar quando cada compromisso vence e como esses pagamentos vão se encaixar na entrada de receita da safra. “É preciso olhar o que já está comprometido, quais são os vencimentos e quando vai liquidar o dinheiro que está buscando para o próximo plantio. Isso é fluxo de caixa. Se vários compromissos vencem ao mesmo tempo, ele pode ser obrigado a vender sua produção justamente quando não gostaria”, explica o gerente de negócios da FertiSystem.
Embora o Plano Safra já esteja em operação, a contratação dos recursos ocorre ao longo do ano agrícola e depende do enquadramento do produtor, da linha escolhida, da documentação e da análise da instituição financeira. Ter clareza sobre os compromissos e sobre a necessidade de capital ajuda a definir com antecedência quanto poderá ser financiado e quais recursos serão necessários para completar o orçamento da safra.
Documentação em dia pode evitar atrasos
Antecipar a organização documental também pode reduzir entraves na análise das operações. Luche destaca que pendências aparentemente simples podem interromper o processo de concessão do crédito. Entre os pontos que devem ser conferidos estão obrigações financeiras em dia, documentação do imóvel, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), regularidade fiscal e ambiental e, no caso de áreas de terceiros, os contratos que comprovem a relação entre produtor e proprietário. “Muitas vezes, o que trava o crédito são questões documentais, portanto é fundamental organizar tudo o quanto antes”, ressalta.
A identificação correta da área financiada também exige atenção. Nas operações de custeio, o imóvel e a área destinada à produção precisam atender às exigências aplicáveis à linha contratada, inclusive quanto à regularidade e à delimitação das áreas.
Alternativas ao crédito
Além do crédito rural do governo, instrumentos privados podem complementar os recursos necessários para colocar a safra no campo. Entre eles está a Cédula de Produto Rural (CPR), além das operações de barter, nas quais o produtor recebe insumos e assume o compromisso de pagamento futuro, normalmente relacionado à entrega de parte da produção. Também existem contratos antecipados com empresas compradoras de grãos, que podem permitir a antecipação de parte da receita ou servir como instrumento para obtenção de recursos.
Na avaliação de Luche, nenhuma dessas alternativas deve ser analisada isoladamente. Cada uma apresenta custos, exigências e condições diferentes, que precisam ser comparados com a realidade financeira da propriedade. “O produtor não pode ficar na mão de uma única alternativa. Ele precisa saber quanto consegue no crédito oficial, quanto ainda falta para financiar a safra e quais outras opções pode utilizar para completar essa necessidade”, afirma.
Em operações privadas, o custo financeiro pode ser superior ao das linhas oficiais ou estar incorporado ao preço dos produtos. Por isso, a comparação deve considerar não apenas a taxa aparente, mas também as condições de pagamento, garantias, prazos e impacto sobre a comercialização futura da safra.
Planejamento também passa pelas máquinas
A preparação financeira precisa estar acompanhada da organização da estrutura operacional. Nesse momento, a plantadeira merece atenção especial, já que a janela de plantio é curta e falhas na operação podem comprometer o estabelecimento da lavoura.
Luche chama atenção para a manutenção preventiva, a regulagem dos mecanismos de distribuição de sementes e fertilizantes, a escolha adequada de discos e anéis e o uso correto de ferramentas de agricultura de precisão. “Não tem dinheiro para comprar uma máquina nova? Não compra. Reforma a que já tem, cuida dela, faça uma boa calibração, uma boa seleção de disco e anel e confira os distribuidores de adubo e sementes. O importante é chegar ao plantio com a máquina preparada”, afirma.
O plantio concentra uma janela operacional curta e exige assertividade. Uma falha nessa etapa pode comprometer o potencial produtivo desde o início, enquanto as operações seguintes tendem a atuar principalmente na redução de perdas.
Por isso, ferramentas de agricultura de precisão e automação também podem contribuir para reduzir erros operacionais e melhorar a plantabilidade em um momento no qual o produtor precisa conciliar decisões agronômicas, financeiras e comerciais. “Com orçamento estruturado, documentação em ordem, fontes de recursos avaliadas e máquinas revisadas, o produtor chega à janela de plantio com melhores condições para utilizar o crédito de forma eficiente e tomar decisões de acordo com a realidade da propriedade”, finaliza o especialista.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Inimiga do sojicultor! Mosca-branca é a 3ª maior praga da soja e pode causar perdas de até 70%, alerta pesquisador

Nas lavouras de soja, inimigos silenciosos podem avançar rapidamente e provocar perdas expressivas de produtividade. É o caso da mosca-branca (Bemisia tabaci), praga que preocupa produtores para a safra 2026/27 e pode encontrar condições favoráveis de desenvolvimento. O pesquisador Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e integrante da Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS), aponta que o cenário exige atenção redobrada desde o início do ciclo. “Acreditamos que será uma safra de mosca-branca, daí a necessidade de preparação para o enfrentamento”, diz.
Segundo Germison, anos de El Niño costumam acelerar o ciclo de diversas pragas e favorecer a ocorrência da mosca-branca. Ele lembra que safras anteriores marcadas por altas infestações chegaram a registrar dificuldades no controle, inclusive com falta de produtos específicos no mercado. “Para uma safra como essa, bem desafiadora, o produtor precisa se preparar um pouco mais e estar mais presente no campo, principalmente no monitoramento”, aponta. A atenção deve começar pelas bordaduras, onde geralmente surgem as primeiras revoadas de adultos.
O pesquisador explica que, após a chegada dos adultos, é fundamental identificar rapidamente a presença de ninfas nos folíolos da soja. O acompanhamento pode ser feito com o auxílio de lupa, permitindo detectar as primeiras formas jovens da praga e antecipar as medidas de controle. “É muito importante que o produtor se atente um pouco mais, porque essa infestação pode ser inicial e ocorrer antes do fechamento da cultura”, diz Germison. Para ele, a lavoura deve chegar ao fechamento com níveis muito baixos de infestação, preferencialmente sem a presença de ninfas.
A mosca-branca é uma praga sugadora que pode comprometer o desenvolvimento da soja. Ao se alimentar da seiva, o inseto elimina uma substância açucarada sobre as folhas, favorecendo o aparecimento da fumagina, fungo que recobre a superfície foliar e prejudica a fotossíntese. O resultado pode ser menor enchimento de grãos e redução da produtividade. “É uma praga que gera prejuízos aí chegando até 70% na produtividade”, ressalta o pesquisador, que também chama atenção para a transmissão de viroses pela praga.
No manejo, Germison recomenda que o produtor não espere o momento das aplicações de fungicidas para realizar o controle da mosca-branca. A estratégia, segundo ele, deve começar logo nas primeiras infestações, utilizando produtos capazes de atuar principalmente sobre ovos e ninfas e, assim, contribuir para a quebra do ciclo da praga. “Muitas vezes, o produtor faz uma reaplicação para mosca-branca com o mesmo intervalo do fungicida, e assim não se quebra o ciclo da praga”, explica. O pesquisador destaca ainda a buprofezina, ingrediente ativo que atua sobre as formas jovens e apresentou indicadores de eficácia próximos de 80% em avaliações.
Além do controle da praga, o monitoramento também é importante para identificar possíveis casos de viroses e evitar que problemas sejam confundidos com outros sintomas presentes na lavoura. Germison orienta que, diante de suspeitas, o produtor procure a empresa responsável pela semente e pela genética utilizada para uma avaliação adequada. “O produtor, se detectar, deve chamar a empresa detentora da semente, a dona da genética de quem ele comprou, para que faça uma análise melhor”, aponta. A recomendação central, portanto, é antecipar-se à infestação, incluindo monitorar, identificar as primeiras ninfas e realizar o manejo no momento correto.
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Agro Mato Grosso
Corteva e Globachem criam joint venture para proteção de cultivos

Parceria terá participação igualitária e prevê lançar novas soluções na Europa e nas Américas no início dos anos 2030
A Corteva e a Globachem anunciaram a celebração de acordo definitivo para criar uma joint venture voltada ao desenvolvimento de novas soluções de proteção de cultivos. Cada empresa terá participação de 50%. A operação terá foco nos mercados da Europa e das Américas.
A nova companhia funcionará de forma independente. O projeto aproveitará tecnologias em fases avançadas de desenvolvimento e produtos próximos da etapa comercial das duas empresas. A estrutura pretende ampliar a capacidade de desenvolvimento, registro e comercialização. Os produtos poderão chegar ao mercado por uma ou pelas duas controladoras.
A parceria integra a estratégia de ampliação do portfólio antes da separação planejada da companhia de proteção de cultivos, explica Brook Cunningham, vice-presidente sênior da Corteva. A empresa pretende combinar seu pipeline e sua capacidade de inovação com a experiência da Globachem em formulações.
Parceria existente
A joint venture amplia uma parceria existente entre as duas companhias, mantida há vários anos. As primeiras soluções desenvolvidas pela nova empresa têm lançamento previsto para o início da década de 2030. A comercialização utilizará os canais já mantidos pelas empresas.
Koen Quaghebeur, cofundador e Chief Visionary Officer da Globachem, afirma que a estrutura reunirá competências em descoberta, desenvolvimento, formulação e execução regulatória. Segundo o executivo, a iniciativa busca acelerar a oferta de soluções diferenciadas para desafios agronômicos.
A conclusão da operação permanece prevista para o quarto trimestre de 2026. O fechamento depende das autorizações e aprovações regulatórias necessárias.
Sustentabilidade
Anec projeta alta de 11% nos embarques de soja em setembro e queda de 25,5% no milho

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que o Brasil exporte 7,74 milhões de toneladas de soja em setembro, volume 11% superior ao embarcado no mesmo mês de 2025. Para o milho, a estimativa é de 5,2 milhões de toneladas, queda de 25,5% na comparação anual. Os dados constam do relatório semanal da entidade e são baseados na programação de embarques.
Na comparação com agosto, quando o Brasil exportou 9,6 milhões de toneladas de soja, a projeção para setembro representa recuo de 19,4%. Com isso, os embarques acumulados da oleaginosa entre janeiro e setembro chegam a 102,03 milhões de toneladas, alta de 7,3% ante as 95,08 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025.
No milho, a estimativa de setembro fica 3,3% acima das 5,03 milhões de toneladas exportadas em agosto. No acumulado do ano até setembro, considerando a programação do mês, os embarques somam 19,35 milhões de toneladas, queda de 19,2% frente às 23,95 milhões de toneladas do mesmo intervalo do ano passado.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Segundo a Anec, a colheita do milho segunda safra está próxima da conclusão. Até a primeira semana de setembro, 96,6% da área havia sido colhida, em ritmo semelhante à média dos últimos cinco anos, de 96,5%. A entidade atribui os menores volumes observados nos últimos dois meses, na comparação anual, à retenção do milho colhido, à maior atratividade do mercado físico e à margem de exportação apertada.
Para o farelo de soja, a projeção é de 2,64 milhões de toneladas em setembro, alta de 34,3% ante igual mês de 2025 e avanço de 24,7% sobre agosto. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques do produto somam 20,01 milhões de toneladas, crescimento de 15%.
A programação da semana de sábado (6) a sexta-feira (12) indica 2,14 milhões de toneladas de soja, 1,54 milhão de toneladas de milho e 509,6 mil toneladas de farelo de soja. Entre os portos, Santos lidera os embarques previstos de soja, com 476,6 mil toneladas, e de milho, com 651,7 mil toneladas.
A Anec também estima embarques de 74,8 mil toneladas de DDGS e 1,15 milhão de toneladas de sorgo em setembro. Somados soja, farelo de soja, milho, trigo, DDGS e sorgo, os embarques programados para o mês totalizam 16,80 milhões de toneladas, alta de 4,8% sobre setembro do ano passado. A entidade ressalta que os números podem sofrer alterações conforme as condições operacionais dos portos e outros fatores logísticos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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