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Chuvas favorecem florada do café e preços recuam, aponta Cepea

As chuvas registradas nas regiões produtoras de café no início de setembro melhoraram as condições para o desenvolvimento da safra 2026/27 e já favorecem a florada em algumas áreas do país.
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O cenário mais positivo para a próxima temporada, combinado à maior oferta brasileira, tem pressionado os preços do arábica e do robusta nos últimos dias, segundo a avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea),
Segundo pesquisadores do Centro, em algumas praças produtoras já houve abertura mais significativa das flores, principalmente nas áreas cultivadas com café robusta. Em regiões de arábica, a expectativa é de que as floradas ganhem força nos próximos dias.
Para o conilon, as precipitações também estão contribuindo para o pegamento das flores e para o desenvolvimento dos chumbinhos que já haviam se formado.
A ocorrência e a distribuição das chuvas neste período são acompanhadas com atenção pelo mercado, já que o desenvolvimento das floradas é uma das etapas importantes para a definição do potencial produtivo da próxima safra.
Preços do café recuam
Ao mesmo tempo em que melhora as perspectivas para a safra 2026/27, o retorno das chuvas também influencia o comportamento das cotações.
De acordo com o Cepea, os preços dos cafés arábica e robusta recuaram nos últimos dias diante da combinação entre as boas expectativas para a próxima temporada e a maior disponibilidade do produto no mercado brasileiro.
A colheita da atual safra está praticamente encerrada, aumentando a oferta no país. Com isso, o mercado passa a acompanhar o desenvolvimento das lavouras e a evolução das condições climáticas para avaliar o potencial da produção de 2026/27.
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Certificação de livre de febre aftosa há 25 anos impulsionou exportações de carne bovina de MT em 2.242%

A carne bovina de Mato Grosso passou de 24,1 mil toneladas exportadas em 2001 para 566,5 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 2.242%. O avanço ocorreu ao longo de 25 anos de reconhecimento internacional do estado como área livre de febre aftosa com vacinação, período em que a pecuária ampliou sua capacidade produtiva e conquistou novos mercados consumidores.
Em maio de 2025 o estado recebeu durante a 92ª Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a certificação internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação.
A mudança também aparece no faturamento. Em 2001, as vendas externas da proteína renderam US$ 47,5 milhões. Nos primeiros nove meses de 2026, a receita chegou a US$ 3,4 bilhões, com embarques para mais de 90 países.
A evolução do setor combina a manutenção das condições sanitárias com mudanças nos sistemas de produção. Investimentos em melhoramento genético, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e tecnologias de manejo contribuíram para elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos animais destinados ao abate.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Oliveira, o desempenho reflete as transformações promovidas pelos produtores e o trabalho de controle sanitário desenvolvido ao longo das últimas décadas.
“A pecuária de Mato Grosso passou por uma transformação nesses 25 anos. O produtor investiu em genética, tecnologia e manejo e conseguiu aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, o trabalho de controle sanitário foi fundamental para garantir a segurança da produção e permitir que o estado conquistasse espaço no mercado internacional”.
Da condição sanitária à expansão dos mercados
O reconhecimento de Mato Grosso em 2001 como área livre de febre aftosa com vacinação, concedido pela OMSA, representou um marco para a pecuária estadual.
A doença, que pode provocar perda de peso, dificuldade de locomoção e morte de animais jovens, também impõe restrições comerciais aos locais onde há ocorrência.
A condição sanitária passou a oferecer garantias importantes para a comercialização da carne, especialmente em mercados que estabelecem exigências rigorosas de controle e rastreabilidade dos animais. Esse reconhecimento contribuiu para ampliar as possibilidades de negociação da produção mato-grossense no exterior.
No início dos anos 2000, porém, a presença internacional da carne bovina do estado ainda era limitada em comparação com a atual. Em 2001, Mato Grosso exportava a proteína para 29 países, e o Egito liderava as compras, com 9,7 mil toneladas, o equivalente a 40,7% do volume comercializado naquele ano.
A estrutura produtiva também passou por mudanças nesse intervalo. Na década de 2000, predominavam sistemas extensivos, baseados na criação de animais em grandes áreas de pastagem. Com o avanço tecnológico, os produtores passaram a adotar estratégias para melhorar o aproveitamento das áreas, a alimentação e o desempenho do rebanho.
China assume liderança nas compras
A ampliação dos destinos comerciais é uma das mudanças mais expressivas no período. Se, em 2001, a carne bovina mato-grossense chegava a 29 países, nos primeiros nove meses de 2026 os embarques alcançaram mais de 90 mercados.
A China, que não comprava a proteína do estado em 2001, tornou-se o principal destino das exportações. Entre janeiro e setembro de 2026, o país asiático adquiriu 252,3 mil toneladas, correspondentes a 44,5% de todo o volume exportado por Mato Grosso.
O peso desse mercado ajuda a dimensionar a mudança no perfil das vendas externas. Em pouco mais de duas décadas, o estado ampliou sua presença internacional e passou a atender uma demanda que concentra parcela significativa dos embarques de carne bovina.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações estaduais somaram 566,5 mil toneladas e US$ 3,4 bilhões em receita. Os resultados consolidam Mato Grosso como o maior produtor de carne bovina do país e evidenciam a dimensão alcançada pela atividade desde o reconhecimento sanitário de 2001.
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Pressão em Chicago e câmbio perto de R$ 5 retraem negócios da soja no Brasil; qual perspectiva para o mercado?

O mercado brasileiro de soja segue sob pressão, influenciado pelo câmbio próximo de R$ 5,00 e pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Diante desse cenário, os produtores adotam uma postura mais retraída nas negociações e concentram as atenções no avanço do plantio da nova safra.
O mercado brasileiro de soja encerrou a sexta-feira (23) com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, houve poucas indicações de compra. A saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização. Algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, enquanto os prêmios permaneceram praticamente estáveis.
O dólar comercial encerrou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,9897 para venda e R$ 4,9877 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 4,9887 e R$ 5,0558.
Ao longo da semana, o volume de negócios melhorou em relação aos dias anteriores, mas continuou abaixo do registrado três semanas antes. No mercado físico, a saca de 60 quilos avançou de R$ 146,00 para R$ 148,00 em Passo Fundo (RS), de R$ 147,00 para R$ 149,00 em Santa Rosa (RS) e de R$ 141,00 para R$ 142,00 em Cascavel (PR). Em Rondonópolis (MT), os preços permaneceram em R$ 141,00, enquanto Dourados (MS) seguiu em R$ 140,00 e Rio Verde (GO), em R$ 139,00. Nos portos, a saca subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00 em Paranaguá (PR) e de R$ 153,00 para R$ 155,00 em Rio Grande (RS).
Na quinta-feira (22), os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam em alta para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. A recuperação ocorreu após oito sessões consecutivas de perdas, sustentada por compras de fundos, pela demanda aquecida, especialmente da China, e pela valorização do petróleo. Apesar disso, a posição de novembro de 2026 acumulou queda de 0,37% na semana.
As vendas líquidas norte-americanas de soja da safra 2026/27 somaram 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A China respondeu por 2,18 milhões de toneladas do total. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado, que projetavam vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.
Mesmo com a demanda firme, o avanço da colheita nos Estados Unidos, favorecido pelo clima, amplia a disponibilidade da oleaginosa e pressiona as cotações. Os produtores norte-americanos também estão direcionando os trabalhos para a colheita do milho, enquanto as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
O contrato da soja em grão com vencimento em novembro de 2026 avançou 0,27% na quinta-feira, para US$ 12,56 por bushel. A posição janeiro de 2027 subiu 0,29%, a US$ 12,68 por bushel. No mercado de subprodutos, o farelo com vencimento em dezembro recuou 0,34%, para US$ 346,10 por tonelada, enquanto o óleo subiu 0,13%, para 66,83 centavos de dólar por libra-peso.
Abiove projeta queda nas exportações em 2027
As exportações brasileiras de soja deverão recuar 0,8% em 2027, para 113 milhões de toneladas, diante do aumento da demanda doméstica para processamento. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A entidade projeta que o esmagamento de soja alcance o recorde de 66 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 3,8% em relação a 2026. A expansão deverá ser impulsionada principalmente pela maior demanda da indústria nacional de biodiesel.
As projeções consideram o aumento de um ponto percentual na mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, para 16%, a partir de março de 2027. A mudança deverá ampliar o consumo interno de óleo de soja.
A produção brasileira de farelo de soja está estimada em 50,8 milhões de toneladas, alta de 3,8% em relação a 2026 e novo recorde. As exportações do produto também deverão atingir o maior volume da série histórica, com crescimento de 4%, para 26,3 milhões de toneladas.
Para o óleo de soja, a Abiove prevê produção recorde de 13,27 milhões de toneladas, avanço de 3,7%. Já as exportações deverão cair 2,6%, para 1,9 milhão de toneladas, refletindo a maior absorção do produto pelo mercado doméstico de biodiesel.
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o que muda para o agro e quem paga a conta?

O fim da escala 6×1 levanta dúvidas sobre os impactos da mudança no mercado de trabalho e na economia brasileira. No agronegócio, a preocupação envolve a disponibilidade de mão de obra, os custos de produção e a capacidade de manter atividades que não podem parar, como a ordenha de vacas e o manejo dos animais.
O tema é o destaque do novo episódio do Radar Rural, com participação de Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural.
Durante o programa, apresentado por Beatriz Gunther e Victor Faverin, Daoud defende a melhoria das condições de trabalho, mas questiona a falta de medidas para preparar a economia para a mudança. Para ele, a redução da jornada precisa ser acompanhada de ações que aumentem a produtividade e reduzam os custos de contratação.
“Essa mudança, ela deveria vir acompanhada por medidas que corrigissem as falhas estruturais do Brasil”, afirma o comentarista.
Falta de mão de obra preocupa o campo
Um dos pontos discutidos no episódio é a dificuldade de contratação enfrentada por diferentes segmentos do agronegócio. Segundo Daoud, a queixa recorrente de produtores não é apenas o custo dos funcionários, mas a falta de trabalhadores disponíveis.
Com a redução das horas trabalhadas, empresas e propriedades rurais poderão precisar reorganizar as escalas, contratar mais funcionários ou rever o volume produzido. A escolha, avalia o comentarista, pode pressionar a rentabilidade dos negócios.
O impacto tende a variar conforme a atividade. No campo, a produção de leite é um exemplo de operação que exige trabalho contínuo, independentemente de fins de semana e feriados. Daoud também destaca que setores que não investiram em tecnologia e ganhos de produtividade enfrentam dificuldades para permanecer na atividade.
A discussão inclui ainda os possíveis efeitos sobre a oferta de alimentos. Estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), aponta que o setor poderia ter redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas em razão da menor oferta de mão de obra.
Produtividade e renda entram na discussão
Daoud também questiona se a redução da jornada, isoladamente, será suficiente para melhorar a situação dos trabalhadores. Na avaliação dele, a informalidade e a baixa renda são problemas que precisam ser enfrentados junto com a mudança na escala.
O comentarista defende investimentos em tecnologia, qualificação profissional e educação, além de reformas que reduzam os custos de contratação. Para ele, sem medidas estruturais, empresas podem perder rentabilidade e trabalhadores ficar sujeitos ao desemprego ou à informalidade.
Assista ao programa completo no canal do Canal Rural no YouTube:
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