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Seguro rural fica com metade do necessário no Orçamento de 2027, aponta estudo

O governo federal apresentou nesta segunda-feira (31) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que prevê R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
O valor, porém, representa pouco mais da metade do necessário para recuperar a escala de proteção alcançada pelo setor em 2021, segundo análise do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), da FGV Agro. Para voltar àquele patamar, seriam necessários R$ 2,37 bilhões.
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O problema não está apenas no tamanho do orçamento. Dos R$ 1,2 bilhão previstos, apenas R$ 318,5 milhões estão em recursos livres. Outros R$ 881,5 milhões estão condicionados à chamada Regra de Ouro e dependem de nova autorização do Congresso Nacional para serem executados.
Na prática, segundo o estudo, o valor total previsto no PLOA 2027 cobre 50,6% da necessidade estimada para apoiar cerca de 209 mil apólices e 13,45 milhões de hectares — escala registrada pelo PSR em 2021. A parcela livre representa apenas 13,4% desse montante.
Seguro rural perde força justamente quando risco climático aumenta
Para o coordenador do FGV Agro-OCSR, Pedro Loyola, o problema é de previsibilidade. O produtor precisa contratar a proteção antes do plantio, enquanto bancos, seguradoras e resseguradoras também precisam se preparar com antecedência.
“O seguro rural depende de previsibilidade. Não basta colocar um número no orçamento se o recurso chega condicionado, bloqueado ou depois da janela de contratação”, afirma Loyola.
O calendário agrícola torna a questão ainda mais relevante. Nas culturas de verão, a contratação do seguro costuma ocorrer entre março e outubro, com concentração em julho e agosto, antes do plantio de setembro a dezembro. Quando o dinheiro chega depois dessa janela, parte da capacidade de proteção da política pública é perdida.
Proagro terá quase cinco vezes mais recursos
Outro ponto que chama a atenção na proposta orçamentária é a diferença entre o PSR e o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
Para 2027, o PLOA prevê R$ 5,606 bilhões para o Proagro, quase cinco vezes o orçamento total proposto para o seguro rural e mais de 17 vezes os R$ 318,5 milhões de recursos livres do PSR.
Os programas têm funções diferentes. O Proagro atua principalmente na cobertura posterior das perdas dentro das operações enquadradas, enquanto o seguro rural subvencionado busca antecipar a proteção contra riscos e dividir parte da exposição com o mercado de seguros.
Na avaliação do OCSR, a falta de recursos para o seguro não elimina o risco. Ele pode reaparecer mais adiante em forma de inadimplência, renegociação de dívidas, crédito problemático e necessidade de novas medidas de apoio ao produtor.
“É muito mais racional apoiar seguro antes da perda do que renegociar dívida depois da quebra”, afirma Loyola.
Seguro rural pode multiplicar proteção
A análise da FGV Agro também dimensiona o potencial de alavancagem da política. Um exercício com R$ 3,6 bilhões em subvenção poderia gerar, segundo o estudo, R$ 102 bilhões em capital segurado, distribuídos por aproximadamente 20,5 milhões de hectares e 400 mil apólices.
Isso representaria cerca de R$ 28,30 em capital protegido para cada R$ 1 de apoio público. O cálculo considera uma área de referência de 97 milhões de hectares.
A estimativa não significa que o seguro eliminaria todos os problemas financeiros do produtor. A cobertura não alcança riscos comerciais, financeiros ou de gestão. O argumento é que, diante de uma perda climática coberta, a indenização ajuda a preservar o fluxo de caixa e reduz a necessidade de socorro posterior.
PSR ainda enfrenta problemas de execução em 2026
A discussão sobre o orçamento de 2027 ocorre enquanto o programa ainda enfrenta dificuldades para executar os recursos disponíveis neste ano.
A dotação atual do PSR em 2026 está em R$ 935,6 milhões. Desse total, R$ 461,7 milhões estão bloqueados, enquanto cerca de R$ 323 milhões ainda dependem de limite, capacidade financeira e empenho efetivo. Há também R$ 30,8 milhões referentes a apólices de 2025 ainda pendentes.
Para o próximo ano, o OCSR defende que o orçamento do PSR seja elevado para pelo menos R$ 2,37 bilhões, acrescentando cerca de R$ 1,17 bilhão à proposta atual. O observatório também recomenda resolver antecipadamente a questão dos recursos condicionados para evitar que o dinheiro fique disponível somente depois da janela de contratação.
A entidade ainda sugere, para 2026, o desbloqueio dos recursos do programa e a possibilidade de usar eventual saldo não utilizado do Proagro para reforçar o seguro rural.
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ENAPecan será realizado em novembro após safra de recuperação da noz-pecã no RS

O III Encontro Nacional da Pecanicultura (ENAPecan) será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, na Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A apresentação do evento ocorreu nesta quarta-feira (21), durante a celebração do 8º aniversário do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan). A programação será realizada em um momento de recuperação da safra de noz-pecã no estado.
Durante a apresentação, a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), Maria Teresa De Carli, destacou que os encontros anteriores ocorreram em Encruzilhada do Sul e Cachoeira do Sul, em realidades diferentes da produção gaúcha. Segundo ela, a pecanicultura reúne desde a agricultura familiar até grandes produtores.
Maria Teresa afirmou que a integração entre os elos da cadeia é um dos objetivos centrais do encontro. A proposta é reunir produtores, agroindústria e demais participantes do setor para ampliar a troca de conhecimento e fortalecer a busca por políticas públicas voltadas à atividade.
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O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, apresentou os números da produção de noz-pecã no Rio Grande do Sul. De acordo com ele, o estado soma mais de 7,2 mil hectares cultivados e mais de 5,6 mil hectares colhidos na safra 2025/2026. A produção neste ciclo ficou entre 6 mil e 7 mil toneladas, com rendimento entre 1 mil e 1,2 mil quilos por hectare.
Borba classificou o resultado como uma safra de recuperação pós-enchente. Já o pesquisador da Embrapa, Carlos Martins, informou que os painéis e palestras do ENAPecan terão como eixos centrais mercado, qualidade, produtividade e apresentação de cases de sucesso na pecanicultura. Segundo ele, o eixo 5 será voltado à inovação técnica de alternativas de cultivo e produtividade.
A programação será encerrada com visita à propriedade da família Cantelli.
O ENAPecan é promovido pelo IBPecan, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Emater/RS-Ascar e Prefeitura de Bento Gonçalves, com correalização da Pecantelli, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Bento Gonçalves e Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Pró-Pecã, além de apoio do Sebrae e Senac. As inscrições estão disponíveis no site do evento.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Escassez de ofertas nos portos e distância entre preços limitam negócios

O mercado brasileiro de soja apresentou poucas alterações nesta quarta-feira (21), com negociações lentas e pequenas oscilações nas cotações do mercado físico. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela participação reduzida de compradores e vendedores, pela escassez de ofertas nos portos e pelo afastamento dos produtores da comercialização.
Segundo Silveira, houve maior presença de ofertas de compra por parte das indústrias, mas os valores indicados permaneceram abaixo das expectativas dos vendedores, dificultando a realização de negócios. “As indústrias apareceram mais na ponta compradora, mas os bids ficaram abaixo do que o vendedor espera”, observa o analista.
Os prêmios de exportação permaneceram sem mudanças relevantes, enquanto o mercado físico registrou estabilidade na maior parte das praças, com recuos pontuais no Rio Grande do Sul. Sem maior participação dos produtores, a movimentação seguiu limitada ao longo do dia.
Confira os preços da soja no Brasil:
- Passo Fundo (RS): recuou de R$ 145,00 para R$ 144,00
- Santa Rosa (RS): recuou de R$ 146,00 para R$ 145,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 140,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 139,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 139,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 138,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 151,00
- Rio Grande (RS): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira. Esta foi a oitava sessão consecutiva de perdas, levando as cotações ao menor nível desde agosto. O principal fator de pressão foi o avanço da colheita nos Estados Unidos, favorecido pela previsão de clima favorável.
A perspectiva de entrada da maior safra da história norte-americana no mercado superou até mesmo o bom ritmo das vendas dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, exportadores privados comunicaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 134 mil toneladas de soja para a China e de 165 mil toneladas para a Espanha.
Ainda no mercado chinês, a estatal Sinograin anunciou que realizará um leilão de 512 mil toneladas de soja importada em 27 de outubro.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 3,00 centavos de dólar, ou 0,24%, a US$ 12,45 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,58 1/4 por bushel, com retração de 5,25 centavos de dólar, ou 0,41%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,40, ou 0,11%, a US$ 348,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 65,97 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 0,76 centavo, ou 1,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,17%, negociado a R$ 5,0265 para venda e a R$ 5,0245 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0115 e a máxima de R$ 5,0425.
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Bancos podem tomar safra sem ação judicial com mudança de cédula rural, alerta Federarroz

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) emitiu nota nesta quarta-feira (21) em que orienta os produtores rurais a redobrar a atenção aos contratos de financiamento da produção agrícola.
O alerta se dá pela substituição da tradicional Cédula Rural Pignoratícia pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra. A entidade manifesta preocupação com a mudança nas garantias exigidas pelas instituições financeiras.
Segundo o Departamento Jurídico da Federação, a alteração já foi identificada em inúmeros casos e modifica a posição jurídica do agricultor na relação com o agente financeiro. Na avaliação da entidade, a principal diferença está na transferência da propriedade dos grãos oferecidos como garantia, em substituição ao modelo tradicional de penhor rural.
O documento alerta que, em caso de atraso no pagamento do financiamento, a instituição credora poderá se apropriar da produção sem necessidade de ação judicial.
Conforme a interpretação apresentada pela Federarroz, o procedimento pode ocorrer mediante a consolidação da propriedade dos grãos no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, permitindo posteriormente a venda da safra a terceiros, sem realização de leilão ou avaliação prévia.
A orientação da Federação é para que os agricultores examinem as condições dos contratos antes da assinatura, especialmente as cláusulas relacionadas às garantias e às consequências de eventual inadimplência.
Na nota, assinada pelo presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, pelo vice-presidente Roberto Fagundes Ghigino e pelo diretor jurídico Anderson Belloli, considera-se que a utilização da alienação fiduciária altera de maneira significativa os direitos do produtor sobre a safra vinculada à operação de crédito.
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