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22 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Fungos da Caatinga revelam potencial para o enfrentamento de doenças agrícolas e do calor extremo – MAIS SOJA

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Um estudo conduzido com fungos do gênero Trichoderma isolados de solos da região semiárida da Caatinga revelou que espécies nativas desse bioma possuem características importantes para o controle biológico de doenças agrícolas, além de elevada resistência térmica e capacidade de adaptação a ambientes extremos.

Os pesquisadores investigaram fungos coletados em áreas de vegetação nativa e em lavouras irrigadas de melão nos estados da Bahia e do Piauí. Ao todo, foram identificados 14 isolados pertencentes a cinco espécies diferentes de Trichoderma: Trichoderma asperellum, Trichoderma asperelloides, Trichoderma koningiopsis, Trichoderma virens e Trichoderma spirale. Os resultados indicam que a composição dessas comunidades microbianas varia conforme o uso do solo e as características químicas do ambiente.

A pesquisa reforça que a Caatinga abriga uma diversidade microbiana ainda pouco explorada, capaz de fornecer organismos adaptados às condições adversas de calor e escassez hídrica. Esses microrganismos podem se tornar aliados importantes no desenvolvimento de biofungicidas voltados à agricultura sustentável em regiões semiáridas.

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Semiárido sob pressão

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e se caracteriza por chuvas escassas e irregulares, altas temperaturas e vegetação adaptada à seca. Mesmo em condições climáticas adversas, a agricultura irrigada se expandiu fortemente no Nordeste, inclusive na área coberta pelo bioma, principalmente para culturas de alto valor comercial como o melão.

No entanto, o cultivo intensivo favorece o surgimento de doenças que ocorrem no solo difíceis de controlar. Fungos, a exemplo do Fusarium, Macrophomina, Rhizoctonia, e oomicetos — classe de microrganismos filamentosos que se assemelham a fungos — como Pythium provocam podridões radiculares e murchas vasculares, doenças que reduzem drasticamente a produtividade agrícola.

Segundo Gabriel Mascarin, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP) e um dos autores do estudo, “compreender as interações ecológicas de microrganismos benéficos com patógenos é fundamental para se criar estratégias agrícolas menos dependentes de fungicidas químicos e mais resilientes às mudanças climáticas”.

Guerra microscópica no solo

Os fungos do gênero Trichoderma já são conhecidos mundialmente pelo potencial de controlar doenças de plantas. Eles atuam por diferentes mecanismos: competem por nutrientes, parasitam outros fungos, produzem substâncias tóxicas contra patógenos e ainda podem estimular mecanismos naturais de defesa das plantas, explica Wagner Bettiol, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

Além do controle biológico, diversas espécies desse gênero promovem crescimento vegetal e ajudam as plantas a suportar estresses ambientais, como seca e salinidade.

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No estudo, os pesquisadores avaliaram dois principais mecanismos de antagonismo dos isolados da Caatinga: o confronto direto — envolvendo competição e micoparasitismo, fenômeno em que um fungo consome outro para obter nutrientes — e a produção de compostos voláteis capazes de inibir o crescimento de patógenos mesmo sem contato físico.

Os testes foram realizados contra cinco organismos causadores de doenças agrícolas: Fusarium sulawesiense, Fusarium solani, Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani e Pythium myriotylum.

Fungos adaptados ao calor

Um dos resultados da pesquisa foi a constatação de que os isolados provenientes das áreas cultivadas com melão apresentaram maior tolerância ao calor do que aqueles encontrados em áreas nativas.

Os cientistas testaram o crescimento dos fungos em temperaturas de até 40 °C. Embora todos tenham crescido de forma semelhante a 25 °C e 30 °C, diferenças importantes surgiram apenas a 35 °C. Assim, o estudo comprovou que isolados de Trichoderma asperellum, Trichoderma asperelloides e Trichoderma virens oriundos de solos agrícolas mostraram tolerância superior sob estresse térmico.
Os autores interpretam esse resultado como um possível reflexo da adaptação ecológica ao ambiente agrícola irrigado do semiárido, onde as temperaturas elevadas e as oscilações térmicas são frequentes.

Essa tolerância ao calor é considerada uma característica estratégica para futuros bioinsumos agrícolas, uma vez que muitos microrganismos utilizados comercialmente perdem eficiência quando aplicados em regiões climáticas diferentes daquelas de onde foram originalmente isolados.

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Estratégias diferentes contra cada doença

No caso das doenças agrícolas, os testes laboratoriais revelaram que os mecanismos de controle biológico variaram conforme o patógeno-alvo.

Contra Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina, o confronto direto foi mais eficiente. Nesses casos, os isolados de Trichoderma cresceram rapidamente sobre os patógenos, dominando suas colônias por competição e parasitismo.

Já contra Pythium myriotylum e espécies de Fusarium, especialmente Fusarium solani, os compostos voláteis produzidos pelos fungos desempenharam papel predominante. Em alguns casos, os compostos liberados pelos isolados reduziram em mais de 70% o crescimento do patógeno.

Os pesquisadores destacam que diferentes espécies de Trichoderma parecem utilizar estratégias distintas dependendo do inimigo encontrado no solo. Isso reforça a necessidade de se selecionar linhagens específicas para cada sistema agrícola e tipo de doença.

Entre todos os isolados avaliados, o Trichoderma koningiopsis destacou-se como o mais promissor. Ele apresentou desempenho consistente contra todos os patógenos testados e em diferentes mecanismos de antagonismo.

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Outros isolados, como o Trichoderma virens, também demonstraram elevada atividade antagônica, embora com resultados menos uniformes.

Produção de esporos é desafio industrial

Além da eficiência no controle biológico, os pesquisadores também analisaram a capacidade de produção de esporos, células de reprodução também presentes em fungos, utilizados na fabricação de biofungicidas comerciais.

“Esse fator é decisivo para viabilizar a produção em larga escala de produtos biológicos. No Brasil, a maior parte dos biofungicidas à base de Trichoderma ainda é produzida em fermentação sólida utilizando grãos de cereais”, afirma Mascarin.

No experimento, os fungos foram cultivados em arroz parboilizado. Os melhores produtores de esporos foram isolados pertencentes às espécies Trichoderma asperelloides e Trichoderma asperellum, que alcançaram mais de 1,4 bilhão de conídios (esporos assexuados produzidos por alguns fungos) por grama de substrato após dez dias de cultivo.

Por outro lado, alguns dos isolados mais agressivos contra patógenos apresentaram baixa produção de esporos, indicando que eficiência de controle biológico e produtividade industrial nem sempre caminham juntas.

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Segundo os autores, isso sugere que diferentes espécies de Trichoderma investem energia em estratégias ecológicas distintas: algumas priorizam competição e antagonismo, enquanto outras apresentam maior capacidade reprodutiva.

Solo influencia biodiversidade microbiana

A pesquisa também demonstrou que propriedades químicas do solo influenciam fortemente a distribuição das espécies de Trichoderma.

Os pesquisadores observaram que o Trichoderma virens e o Trichoderma asperellum estavam associados aos solos com maior fertilidade, maior teor de fósforo e matéria orgânica.

Já o Trichoderma spirale apareceu relacionado a solos mais ácidos e ricos em alumínio e ferro, características comuns em ambientes naturais menos manejados.

Esses resultados indicam que a composição microbiana da Caatinga é moldada tanto pelas condições naturais quanto pelas práticas agrícolas, explica Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

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Potencial para agricultura resiliente

Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de se explorar a biodiversidade microbiana brasileira em busca de soluções agrícolas adaptadas às condições locais.

Biofungicidas produzidos com microrganismos originários da própria Caatinga podem apresentar maior sobrevivência, persistência e eficiência em ambientes semiáridos do que produtos importados ou desenvolvidos para outras regiões climáticas.

“Além disso, o uso de agentes biológicos reduz a dependência de fungicidas sintéticos e contribui para sistemas agrícolas mais sustentáveis”, comenta Bettiol.

Os pesquisadores defendem, como próximos passos, que sejam realizados testes em campo, avaliação da capacidade desses fungos colonizarem plantas de melão e estudos sobre possíveis efeitos no crescimento vegetal e na produtividade agrícola.

Também sugerem investigar o uso de consórcios microbianos, combinando diferentes espécies ou isolados de Trichoderma para ampliar a proteção contra doenças e aumentar a resistência das plantas ao estresse hídrico e térmico.

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O estudo pode ser acessado aqui

Fonte: Embrapa


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FONTE

Autor:Cristina Tordin (MTb 28499/SP) Embrapa Meio Ambiente

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Site: Embrapa

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Sustentabilidade

Ferrugem-asiática em soja voluntária acende alerta para lavouras próximas – MAIS SOJA

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Com o avanço da semeadura da soja na safra 2026/2027, o monitoramento das condições ambientais, climáticas e fitossanitárias das áreas de cultivo torna-se indispensável para o planejamento das práticas de manejo e o ajuste de estratégias que favoreçam o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura. Entre as principais práticas de manejo ao longo do ciclo da soja, destaca-se o posicionamento de fungicidas no programa fitossanitário, que deve considerar fatores como a suscetibilidade das cultivares às doenças, o histórico fitossanitário da área, a presença de patógenos e as condições ambientais favoráveis à ocorrência de doenças.

Nesse contexto, acompanhar a evolução dos casos de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) é fundamental para orientar o posicionamento dos fungicidas e planejar estratégias de manejo que contribuam para reduzir os danos causados pela doença, especialmente em áreas com condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Dependendo da suscetibilidade da cultivar e da severidade da doença, as perdas de produtividade decorrentes da ferrugem-asiática podem chegar a 90%, reforçando a importância do monitoramento e da adoção de medidas preventivas e de controle adequadas (Godoy et al., 2024).

Figura 1. Soja acometida pela ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi).
Foto: Godoy, C. V.

O fungo causador da ferrugem-asiática é considerado policíclico (com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura), e, é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Além disso, pode acometer a soja em qualquer estádio do desenvolvimento das plantas, do período vegetativo até o final do ciclo. Essas características reforçam a necessidade da intensificar o monitoramento e manejo da ferrugem-asiática, especialmente em áreas com presença do patógeno em plantas voluntárias de soja, e/ou próximas a áreas com relato da doença.

Ainda que não tenham sido relatados casos de incidência da ferrugem-asiática em lavouras de soja na safra 2026/2027, Paraná e Rio Grande do Sul, já concentram casos de ferrugem-asiática em soja voluntária (figura 2). No Paraná, os principais casos foram relatados em Irati, Palmeira, Ponta Grossa, Rio Branco do Ivaí e Santana do Itararé. Já no Rio Grande do Sul, o caso relatado foi em Santo Antônio das Missões.

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Figura 2. Dispersão dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027. Casos relatados apenas em soja voluntária. Atualização do Consórcio Antiferrugem de 21 de outubro de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem.

A progressão desses casos serve de alerta aos sojicultores brasileiros, especialmente em uma safra marcada pela influência do Fenômeno El Niño, caracterizado pelo aumento do volume de chuvas no Sul do Brasil. Isso reforça a necessidade de um monitoramento contínuo das áreas agrícolas, especialmente sob condições adequadas ao desenvolvimento da ferrugem, como molhamento foliar e temperaturas amenas. A evolução dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027 pode ser acompanhada clicando aqui, no site do Consórcio Antiferrugem.



Referências:

CONSORCIO ANTIFERRUGEM. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2026. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 21/10/2026.

GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 21/10/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 21/10/2026.

 

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Sustentabilidade

O que a soja tem a ver com chiclete? Você pode estar mascando o grão sem saber!

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A soja está muito além do campo e pode fazer parte de produtos que consumimos no dia a dia, inclusive daqueles que muita gente nem imagina. Um exemplo é o chiclete, que pode conter lecitina de soja em sua composição. O ingrediente atua como emulsificante e ajuda a manter a mistura dos componentes da fórmula.

A lecitina é obtida durante o processamento do óleo de soja e tem a função de facilitar a mistura de ingredientes que normalmente teriam dificuldade de permanecer combinados, como gorduras e outros componentes. Na indústria de alimentos, ela contribui para a estabilidade e a uniformidade das formulações.

No chiclete, a lecitina de soja pode ajudar a manter os ingredientes bem misturados e contribuir para uma textura uniforme. É uma aplicação que mostra como o grão pode estar presente em produtos que vão muito além daqueles tradicionalmente associados à agricultura.

E não para por aí. A lecitina de soja também pode ser utilizada na fabricação de chocolates e biscoitos, auxiliando na mistura dos ingredientes e na manutenção das características dos alimentos.

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A presença da soja nesses produtos evidencia a versatilidade do grão e sua importância para diferentes setores da indústria. Além de ser uma das principais commodities agrícolas do Brasil, a soja fornece matérias-primas utilizadas na elaboração de diversos produtos presentes na rotina dos consumidores.

Assim, da lavoura à indústria alimentícia, a soja percorre um caminho que nem sempre é percebido pelo consumidor. E aquele chiclete mascado no dia a dia pode ser uma oportunidade para descobrir mais uma das aplicações desse grão tão importante para a economia brasileira.



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Anfavea alerta para avanço de máquinas importadas; compras de tratores agrícolas da China crescem 117% no ano – MAIS SOJA

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As importações de tratores agrícolas da China cresceram 117% de janeiro a setembro de 2026, para cerca de 5,2 mil unidades, enquanto as vendas de tratores no mercado interno caíram 14,1% até agosto, segundo levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A Índia despontou como outro relevante competidor, empatando com a China com um volume semelhante de unidades vendidas. Somados, os dois países responderam por 93% dos tratores importados. As compras públicas funcionaram como um importante fator de mudança no mercado. Segundo levantamento da entidade com base no PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas), 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 foram importados.

Entre as 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas no ano, no valor de R$ 3,7 bilhões, as de origem chinesa ficaram com 33,5% das unidades e 26% do valor, cerca de R$ 960 milhões. Os demais países estrangeiros, somados, não chegaram a 1%. O estudo classifica as máquinas pelo local de produção: marcas estrangeiras com fábrica no Brasil entram como produção nacional. O avanço das importações ocorre em um mercado que encolhe desde 2021.

As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto, queda de 15,8%, e as de colheitadeiras recuaram 39,4%. Já as importações de máquinas agrícolas subiram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades, mais que o dobro das 5 mil exportadas no período.

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Para a Anfavea, além do preço de aquisição, as compras públicas devem considerar o custo total de propriedade ao longo da vida útil do equipamento. “Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição”, afirma Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Mercado interno

As importações de tratores cresceram 42% entre janeiro e setembro de 2026, mesmo com a retração das vendas nacionais de máquinas agrícolas. Entre os tratores importados no período, 90% têm potência de até 100 HP. A faixa entre 50 e 100 HP concentra 6.412 máquinas importadas e registra expansão de 56%. O movimento ocorre em um cenário de dificuldades para o agronegócio, com aumento da inadimplência, menor rentabilidade diante da queda dos preços das commodities e custo ainda elevado do crédito.

Na construção, por outro lado, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por máquinas rodoviárias, como escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras. O que mais pesa O endividamento elevado e a baixa rentabilidade do produtor rural desestimulam a compra de máquinas novas. A Selic estava em 13,75% ao ano em setembro, e a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto, segundo dados do Banco Central compilados pela entidade.

Na outra ponta, fabricantes instalados no Brasil enfrentam aumento dos custos de produção. Entre os pontos de pressão estão os componentes plásticos, afetados pela alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e por medidas antidumping aplicadas a determinados produtos. Segundo estimativas das associadas, o impacto sobre componentes plásticos utilizados nas máquinas pode variar de 4% a 7%.

Para a Anfavea, o cenário reforça a necessidade de condições equilibradas de concorrência. A entidade não defende restringir a entrada de novas marcas ou tecnologias, mas que fabricantes nacionais e importadores concorram sob requisitos compatíveis de qualidade, segurança, assistência técnica e responsabilidade sobre o produto.

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Fonte: Agência Safras



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