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2 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Fungos da Caatinga revelam potencial para o enfrentamento de doenças agrícolas e do calor extremo – MAIS SOJA

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Um estudo conduzido com fungos do gênero Trichoderma isolados de solos da região semiárida da Caatinga revelou que espécies nativas desse bioma possuem características importantes para o controle biológico de doenças agrícolas, além de elevada resistência térmica e capacidade de adaptação a ambientes extremos.

Os pesquisadores investigaram fungos coletados em áreas de vegetação nativa e em lavouras irrigadas de melão nos estados da Bahia e do Piauí. Ao todo, foram identificados 14 isolados pertencentes a cinco espécies diferentes de TrichodermaTrichoderma asperellumTrichoderma asperelloidesTrichoderma koningiopsisTrichoderma virens e Trichoderma spirale. Os resultados indicam que a composição dessas comunidades microbianas varia conforme o uso do solo e as características químicas do ambiente.

A pesquisa reforça que a Caatinga abriga uma diversidade microbiana ainda pouco explorada, capaz de fornecer organismos adaptados às condições adversas de calor e escassez hídrica. Esses microrganismos podem se tornar aliados importantes no desenvolvimento de biofungicidas voltados à agricultura sustentável em regiões semiáridas.

Semiárido sob pressão

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e se caracteriza por chuvas escassas e irregulares, altas temperaturas e vegetação adaptada à seca. Mesmo em condições climáticas adversas, a agricultura irrigada se expandiu fortemente no Nordeste, inclusive na área coberta pelo bioma, principalmente para culturas de alto valor comercial como o melão.

No entanto, o cultivo intensivo favorece o surgimento de doenças que ocorrem no solo difíceis de controlar. Fungos, a exemplo do FusariumMacrophominaRhizoctonia, e oomicetos — classe de microrganismos filamentosos que se assemelham a fungos — como Pythium provocam podridões radiculares e murchas vasculares, doenças que reduzem drasticamente a produtividade agrícola.

Segundo Gabriel Mascarin, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP) e um dos autores do estudo, “compreender as interações ecológicas de microrganismos benéficos com patógenos é fundamental para se criar estratégias agrícolas menos dependentes de fungicidas químicos e mais resilientes às mudanças climáticas”.

Guerra microscópica no solo

Os fungos do gênero Trichoderma já são conhecidos mundialmente pelo potencial de controlar doenças de plantas. Eles atuam por diferentes mecanismos: competem por nutrientes, parasitam outros fungos, produzem substâncias tóxicas contra patógenos e ainda podem estimular mecanismos naturais de defesa das plantas, explica Wagner Bettiol, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

Além do controle biológico, diversas espécies desse gênero promovem crescimento vegetal e ajudam as plantas a suportar estresses ambientais, como seca e salinidade.

No estudo, os pesquisadores avaliaram dois principais mecanismos de antagonismo dos isolados da Caatinga: o confronto direto — envolvendo competição e micoparasitismo, fenômeno em que um fungo consome outro para obter nutrientes — e a produção de compostos voláteis capazes de inibir o crescimento de patógenos mesmo sem contato físico.

Os testes foram realizados contra cinco organismos causadores de doenças agrícolas: Fusarium sulawesienseFusarium solaniMacrophomina phaseolinaRhizoctonia solani e Pythium myriotylum.

Fungos adaptados ao calor

Um dos resultados da pesquisa foi a constatação de que os isolados provenientes das áreas cultivadas com melão apresentaram maior tolerância ao calor do que aqueles encontrados em áreas nativas.

Os cientistas testaram o crescimento dos fungos em temperaturas de até 40 °C. Embora todos tenham crescido de forma semelhante a 25 °C e 30 °C, diferenças importantes surgiram apenas a 35 °C. Assim, o estudo comprovou que isolados de Trichoderma asperellumTrichoderma asperelloides Trichoderma virens oriundos de solos agrícolas mostraram tolerância superior sob estresse térmico.
Os autores interpretam esse resultado como um possível reflexo da adaptação ecológica ao ambiente agrícola irrigado do semiárido, onde as temperaturas elevadas e as oscilações térmicas são frequentes.

Essa tolerância ao calor é considerada uma característica estratégica para futuros bioinsumos agrícolas, uma vez que muitos microrganismos utilizados comercialmente perdem eficiência quando aplicados em regiões climáticas diferentes daquelas de onde foram originalmente isolados.

Estratégias diferentes contra cada doença

No caso das doenças agrícolas, os testes laboratoriais revelaram que os mecanismos de controle biológico variaram conforme o patógeno-alvo.

Contra Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina, o confronto direto foi mais eficiente. Nesses casos, os isolados de Trichoderma cresceram rapidamente sobre os patógenos, dominando suas colônias por competição e parasitismo.

Já contra Pythium myriotylum e espécies de Fusarium, especialmente Fusarium solani, os compostos voláteis produzidos pelos fungos desempenharam papel predominante. Em alguns casos, os compostos liberados pelos isolados reduziram em mais de 70% o crescimento do patógeno.

Os pesquisadores destacam que diferentes espécies de Trichoderma parecem utilizar estratégias distintas dependendo do inimigo encontrado no solo. Isso reforça a necessidade de se selecionar linhagens específicas para cada sistema agrícola e tipo de doença.

Entre todos os isolados avaliados, o Trichoderma koningiopsis destacou-se como o mais promissor. Ele apresentou desempenho consistente contra todos os patógenos testados e em diferentes mecanismos de antagonismo.

Outros isolados, como o Trichoderma virens, também demonstraram elevada atividade antagônica, embora com resultados menos uniformes.

Produção de esporos é desafio industrial

Além da eficiência no controle biológico, os pesquisadores também analisaram a capacidade de produção de esporos, células de reprodução também presentes em fungos, utilizados na fabricação de biofungicidas comerciais.

“Esse fator é decisivo para viabilizar a produção em larga escala de produtos biológicos. No Brasil, a maior parte dos biofungicidas à base de Trichoderma ainda é produzida em fermentação sólida utilizando grãos de cereais”, afirma Mascarin.

No experimento, os fungos foram cultivados em arroz parboilizado. Os melhores produtores de esporos foram isolados pertencentes às espécies Trichoderma asperelloides Trichoderma asperellum, que alcançaram mais de 1,4 bilhão de conídios (esporos assexuados produzidos por alguns fungos) por grama de substrato após dez dias de cultivo.

Por outro lado, alguns dos isolados mais agressivos contra patógenos apresentaram baixa produção de esporos, indicando que eficiência de controle biológico e produtividade industrial nem sempre caminham juntas.

Segundo os autores, isso sugere que diferentes espécies de Trichoderma investem energia em estratégias ecológicas distintas: algumas priorizam competição e antagonismo, enquanto outras apresentam maior capacidade reprodutiva.

Solo influencia biodiversidade microbiana

A pesquisa também demonstrou que propriedades químicas do solo influenciam fortemente a distribuição das espécies de Trichoderma.

Os pesquisadores observaram que o Trichoderma virens e o Trichoderma asperellum estavam associados aos solos com maior fertilidade, maior teor de fósforo e matéria orgânica.

Já o Trichoderma spirale apareceu relacionado a solos mais ácidos e ricos em alumínio e ferro, características comuns em ambientes naturais menos manejados.

Esses resultados indicam que a composição microbiana da Caatinga é moldada tanto pelas condições naturais quanto pelas práticas agrícolas, explica Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

Potencial para agricultura resiliente

Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de se explorar a biodiversidade microbiana brasileira em busca de soluções agrícolas adaptadas às condições locais.

Biofungicidas produzidos com microrganismos originários da própria Caatinga podem apresentar maior sobrevivência, persistência e eficiência em ambientes semiáridos do que produtos importados ou desenvolvidos para outras regiões climáticas.

“Além disso, o uso de agentes biológicos reduz a dependência de fungicidas sintéticos e contribui para sistemas agrícolas mais sustentáveis”, comenta Bettiol.

Os pesquisadores defendem, como próximos passos, que sejam realizados testes em campo, avaliação da capacidade desses fungos colonizarem plantas de melão e estudos sobre possíveis efeitos no crescimento vegetal e na produtividade agrícola.

Também sugerem investigar o uso de consórcios microbianos, combinando diferentes espécies ou isolados de Trichoderma para ampliar a proteção contra doenças e aumentar a resistência das plantas ao estresse hídrico e térmico.

O estudo pode ser acessado aqui

Fonte: Embrapa


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FONTE

Autor:Cristina Tordin (MTb 28499/SP) Embrapa Meio Ambiente

Site: Embrapa

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Sustentabilidade

Disparada do petróleo, incentivos a biocombustíveis, demanda e preocupação com clima fazem soja subir mais de 2% em Chicago – MAIS SOJA

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Os contratos futuros da soja fecharam em forte alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta terça-feira, atingindo os melhores patamares em mais de dois anos e meio. O mercado foi sustentado por uma combinação de fatores: a disparada do petróleo, anúncio positivo sobre biocombustíveis pelo governo americano, piora nas condições das lavouras e firme demanda chinesa.

A tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou no dia de hoje, com novos ataques americanos ao país e promessa de resposta pelo governo iraniano. Como consequência o barril operava com ganhos em torno de 5% quando do fechamento da Bolsa de Chicago.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos concedeu na segunda-feira isenções a pequenas refinarias em relação às exigências nacionais de mistura de biocombustíveis, totalizando 1,76 bilhão de créditos de combustível renovável para o ano de conformidade de 2025  quase o dobro do volume que a agência esperava inicialmente isentar.

A Casa Branca tem tentado aliviar a pressão sobre os preços da gasolina, que subiram acentuadamente durante o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. As refinarias buscaram as isenções para reduzir os custos de produção de combustíveis, enquanto legisladores de estados agrícolas alertaram que a medida pode reduzir a demanda por culturas utilizadas na fabricação de biocombustíveis.

Hoje, os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 136.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.

Ontem, o USDA divulgou dados sobre as condições das lavouras americanas de soja. Segundo o USDA, até 30 de agosto, 58% estavam entre boas e excelentes condições, 29% em situação regular e 13% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana anterior (23 de agosto), os índices eram de 60%, 28% e 12%, respectivamente. A previsão de clima seco e de altas temperaturas pode vir a comprometer o potencial produtivo da safra americana.

Preços

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta e 29,75 centavos de dólar ou 2,3%, a US$ 13,17 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com elevação de 29,50 centavos de dólar ou 2,26%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 7,30 ou 2,11% a US$ 352,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 72,63 centavos de dólar, com ganho de 1,49 centavo ou 2,09%.

Fonte: Agência Safras



 

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Sustentabilidade

Nova geração da biotecnologia reduz dependência de fatores de manejo no campo – MAIS SOJA

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A expansão dos bioinsumos no agronegócio brasileiro trouxe também um desafio: garantir que o desempenho observado em condições controladas se mantenha até o campo. Armazenamento, compatibilidade de misturas, condições ambientais e precisão na aplicação historicamente estiveram entre os fatores capazes de interferir no resultado.

A evolução da biotecnologia, porém, começa a reduzir essa dependência ao incorporar formulações e tecnologias desenvolvidas para conferir maior estabilidade e flexibilidade ao manejo.

Na modalidade de produção on-farm (realizada na própria propriedade), os principais desafios estão no rigor metodológico durante o processo de multiplicação. Deficiências no controle de qualidade, falta de padronização dos procedimentos e problemas nas medidas de biossegurança podem resultar na contaminação do lote ou na degradação da matéria-prima, comprometendo a viabilidade dos organismos inoculados.

Já nas soluções desenvolvidas em ambiente industrial, o controle de qualidade na origem não elimina os cuidados necessários nas etapas seguintes. Mesmo com os avanços de formulação, logística, armazenamento e aplicação na fazenda seguem relevantes para o resultado no campo. Historicamente, fatores como armazenamento, compatibilidade de misturas, condições ambientais e precisão na aplicação estiveram entre os pontos capazes de interferir no desempenho dos bioinsumos no campo.

Quando uma solução é mais vulnerável a essas variáveis, uma falha no processo pode comprometer a eficiência e o retorno esperado pelo produtor. A nova geração da biotecnologia vem justamente buscando reduzir essa dependência, com tecnologias desenvolvidas para ampliar a estabilidade e a flexibilidade do manejo sem eliminar a importância da aplicação correta”, explica Carlos Augusto Corniani, engenheiro agrônomo e diretor comercial da Síntese Agro Science.

Na prática, quando a tecnologia não entrega o desempenho esperado, o impacto pode ir além do valor do produto aplicado: envolve tempo operacional, perda da janela ideal de aplicação, avanço de pragas ou doenças, necessidade de retrabalho e possível redução da produtividade, pressionando a margem da lavoura. Historicamente, fatores como armazenamento, mistura e condições ambientais tiveram grande peso no desempenho dos bioinsumos no campo.

A nova geração da biotecnologia vem sendo desenvolvida justamente para reduzir essa dependência, com soluções mais estáveis e flexíveis ao manejo, sem eliminar a importância da aplicação correta”, analisa Corniani. Parte dos problemas observados no campo começa antes mesmo de a solução ser aplicada.

A escolha predominantemente pelo preço, sem considerar se a formulação e as características da tecnologia são compatíveis com o manejo proposto, pode afetar o resultado. Nas tecnologias mais sensíveis às condições de uso, incompatibilidade de misturas, armazenamento inadequado e condições ambientais desfavoráveis estão entre os fatores que podem limitar o desempenho.

“O produtor precisa começar com uma tecnologia de qualidade e preservar essa condição até o momento da aplicação. São detalhes que fazem toda a diferença no resultado”, afirma Corniani. Mesmo com tecnologias mais estáveis e flexíveis ao manejo, boas práticas continuam sendo importantes para preservar a viabilidade biológica e favorecer o desempenho agronômico.

Entre os cuidados estão condições adequadas de estocagem, respeito às dosagens recomendadas, testes de compatibilidade de caldas e aplicação nas janelas indicadas pelos fabricantes.

Sobre a Síntese Agro Science

Fundada em 2018, a Síntese Agro Science é uma empresa brasileira de biotecnologia aplicada no agro, com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento de soluções que ampliam a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.

A empresa desenvolve tecnologias para nutrição vegetal, bioestimulação e aplicação agrícola, transformando pesquisas em soluções práticas que aumentam a produtividade no campo com mais previsibilidade e eficiência. Suas soluções não deixam resíduos tóxicos nos grãos e nas culturas tratadas, atendendo e superando os principais protocolos internacionais de exportação na Europa, Ásia e América do Norte, alinhadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e desenvolvidas com foco na biodiversidade e na saúde humana e animal.

Com base em biotecnologia de nova geração, a Síntese Agro Science investe em pesquisa e estrutura laboratorial para desenvolver soluções a partir de microrganismos e processos biológicos controlados, antecipando, em ambiente industrial, respostas que tradicionalmente ocorreriam no campo. A companhia tem como objetivo contribuir para a evolução do modelo produtivo do agro, integrando biotecnologia ao manejo agrícola para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Sustentabilidade

Redução da produtividade da soja causada pelo milho tiguera – MAIS SOJA

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Um dos principais desafios dos sistemas de produção de grãos em que a soja é cultivada em sucessão ao milho é a presença de plantas voluntárias de milho, popularmente conhecidas como “tiguera”. Essas plantas são originadas, principalmente, a partir de sementes e espigas perdidas durante a colheita do milho que, sob condições favoráveis de umidade e temperatura, germinam e originam novos fluxos de emergência em meio à cultura da soja.

Figura 1. Espiga de milho proveniente de perdas de colheita germinando.
Fonte: HRAC-BR

Nesse contexto, uma espécie cultivada na safra anterior passa a assumir o papel de planta daninha na lavoura subsequente. O milho voluntário compete diretamente com a soja por recursos essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento das plantas, como água, radiação solar, nutrientes e espaço.

Embora as colhedoras modernas, quando corretamente reguladas, apresentem baixos índices de perdas, do ponto de vista técnico são considerados toleráveis níveis de até 1% de perdas durante a colheita. Mesmo que esse percentual não represente, isoladamente, um impacto econômico expressivo sobre a rentabilidade da cultura do milho, as sementes e espigas remanescentes no campo podem originar populações de milho voluntário capazes de interferir significativamente no crescimento da soja.

Dependendo da densidade e da distribuição das plantas voluntárias, a interferência pode reduzir o crescimento e o potencial produtivo da cultura e, em situações mais severas, comprometer significativamente o estabelecimento e a viabilidade produtiva da lavoura.

Conforme observado por Piasecki (2015), a perda de rendimento de grãos de soja varia em função da competição com populações individuais de milho ou competição com touceiras de milho, assim como a densidade dessas populações. Na competição com plantas voluntárias de milho, Piasecki (2015) constatou perda de rendimento de 22,2%, 36,5% e 53,9% com populações de milho de 0,5; 1 e 2 plantas por m-2 respectivamente (figura 2).

Figura 2. Perdas percentuais no rendimento de grãos da soja em função da interferência de populações de plantas individuais de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Já na matocompetição com touceiras de milho, as perdas de produtividade de soja foram ainda superiores, variando entre 46,4% para populações de 0,5 touceira m-2; 64,5% para população de 1 touceira m-2 e até 80,3% para população de 2 touceiras de milho m-2 (Piasecki, 2015).

Figura 3. Perdas percentuais no rendimento de grãos de soja em função da interferência de populações de touceiras de milho voluntário RR® F2.
Fonte: Piasecki (2015)

Dada a relevância do impacto do milho tiguera sobre a produtividade da soja, o manejo adequado do milho voluntário, principalmente das touceiras torna-se fundamental para reduzir a competição e preservar o potencial de rendimento da soja. No entanto, o controle do milho tiguera é ainda mais complexo se tratando de híbridos de milho com a tecnologia RR® (Roundup Ready), tornando necessário estratégias de manejo além do controle pós-emergente com o glifosato.

Confira o estudo completo desenvolvido por Piasecki (2015) clicando aqui!


Veja mais: Controle do milho tiguera deve ocorrer antes do estabelecimento da lavoura


Referências:

HRAC-BR. MILHO TIGUERA: UM DESAFIO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/milho-tiguera-um-desafio-no-manejo-de-plantas-daninhas >, acesso em: 01/09/2026.

PIASECKI, C. INTERFERÊNCIA E CONTROLE DE MILHO VOLUNTÁRIO RESISTÊNTE AO GLIFOSATO NA CULTURA DA SOJA. UPF, Dissertação de Mestrado, 2015. Disponível em: < https://repositorio.upf.br/server/api/core/bitstreams/bcf7daa6-699e-4404-928f-c8b078f87d75/content >, acesso em: 01/09/2026.

 

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