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29 de agosto de 2026

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Lula aposta em trajetória e segurança; Flávio mira eleitorado feminino na estreia da TV

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Horário eleitoral dos presidenciáveis começou neste sábado com críticas, histórias pessoais e propostas

Os candidatos à Presidência da República fizeram neste sábado (29) a estreia no horário eleitoral na televisão. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) usaram parte do espaço para apresentar aspectos de suas trajetórias pessoais, enquanto também trocaram críticas e buscaram dialogar com diferentes parcelas do eleitorado.

Com 5 minutos e 31 segundos, a coligação de Lula abriu sua propaganda atacando Flávio, apresentado como o “pior dos Bolsonaro”. Na sequência, o presidente relembrou sua origem, a atuação como sindicalista e os três mandatos no Palácio do Planalto. Também destacou programas sociais, soberania nacional, enfrentamento às facções criminosas e defendeu o fim da escala 6×1, proposta que aguarda análise na CCJ do Senado. A primeira-dama Janja também apareceu no programa.

Flávio, por sua vez, concentrou críticas na situação econômica e afirmou que existe uma diferença entre o Brasil apresentado pelo governo e aquele vivido por pessoas endividadas. O senador também explorou sua história familiar, mencionou o pai, Jair Bolsonaro (PL), e disse ter passado mais tempo com a mãe durante a infância. A esposa e as filhas também apareceram na propaganda, em uma tentativa de aproximação com o público feminino.

Os demais presidenciáveis seguiram caminhos próprios. Ronaldo Caiado (PSD) reforçou sua oposição histórica ao PT, apresentou Goiás como exemplo na segurança pública e destacou ser ficha limpa. Já Augusto Cury (Avante) explorou sua trajetória como psiquiatra e escritor e se apresentou como uma alternativa capaz de ouvir a população e “curar o Brasil”.

A propaganda eleitoral segue até 1º de outubro, véspera do primeiro turno. Partidos, federações e coligações dividem o espaço nas emissoras para apresentar seus candidatos aos mais de 158 milhões de eleitores.

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Pivetta e Gisela encerram Agosto Lilás com agenda voltada às mulheres

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Chapa apresenta compromissos para ampliar rede de proteção e participação feminina no governo

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e sua candidata a vice, Gisela Simona (União Progressista), encerram nesta segunda-feira (31), o Agosto Lilás. O ato coloca a proteção das mulheres no centro da campanha eleitoral.

Para selar o compromisso de assegurar a presença feminina nos espaços de decisão dentro do governo, Pivetta e Gisela participam da reunião ’10Elas’, às 18h30, no Cenarium Rural, em Cuiabá, abrindo uma agenda que deverá orientar as políticas públicas a partir de 2027.

A escolha de apresentar a pauta no encerramento do Agosto Lilás dá à iniciativa uma dimensão política. Ao invés de tratar a violência contra mulheres como ação sazonal, Pivetta e Gisela querem incorporá-la ao debate sobre gestão, orçamento, segurança, educação, assistência social e participação feminina no poder. Sobretudo, tira o tema do campo das disputas de narrativas e o coloca no campo da política pública.

Desde que assumiu o Governo, Pivetta vem consolidando uma série de ações em favor da mulher. Assim, sob sua gestão foi articulada a implantação da Delegacia da Mulher 24 horas em Várzea Grande, reforçando o atendimento que se concentrava em Cuiabá, com novas unidades especializadas em polos como Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Por meio do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher uniu, como estratégia, as forças de segurança às pastas de saúde, assistência social e educação, dando transversalidade às políticas de gênero. E realizou um excepcional avanço na representatividade institucional da mulher em sua administração, ao dobrar a presença feminina em cargos de comando.

A chegada de Gisela na chapa majoritária acrescenta uma dimensão particular ao projeto. Para Pivetta, sua candidata a vice-governadora sela seu compromisso em dar autonomia à uma agenda feminina forte, em uma eventual vitória ao Palácio Paiaguás.

Com mais de duas décadas de serviço público, a trajetória de Gisela começou no Procon e passou pelo Congresso Nacional, onde exerceu mandato por 33 meses. Na Câmara dos Deputados, tornou-se uma das vozes mais atuantes de Mato Grosso na defesa das mulheres. Como relatora do Pacote Antifeminicídio, participou da construção da legislação que elevou para até 40 anos a pena para o feminicídio. Contudo, entende que lei sem estrutura, orçamento e capacidade de execução não muda suficientemente a vida de quem está na ponta.

Por isso, Gisela tem apontado como compromissos inegociáveis a ampliação da rede de proteção, o fortalecimento de estruturas especializadas, com protocolos de atendimento que reduzam as diferenças entre municípios, com a capacitação permanente dos servidores e ações na educação para prevenção da violência desde a infância. “A mulher não pode encontrar um Estado preparado em Cuiabá e outro completamente diferente em um município. Pois proteção não pode depender do CEP, do horário em que a agressão acontece ou da pessoa que atende a vítima”.

Mas há outra dimensão que aproxima ainda mais a pauta de Gisela das ações que Pivetta vem anunciando: a disputa pelo espaço de poder. Ao longo da reorganização da administração estadual, o governador ampliou a presença feminina em posições estratégicas e declarou que pretende avançar ainda mais. A proposta para o próximo ciclo de gestão estabelece como meta chegar a 50% de mulheres em cargos de chefia e liderança da administração pública estadual.

Se eleita a chapa, Gisela será a segunda mulher a assumir a vice-governadoria em Mato Grosso. Há 20 anos, Iraci França ocupou o posto entre 2003 a 2007.

A trajetória da candidata a vice foi construída a partir da defesa de que mulheres não podem ser apenas destinatárias de políticas públicas; precisam também estar sentadas à mesa onde essas políticas são formuladas e decididas.

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Cavalaria da PM persegue casal de faccionados e apreende 149 porções de drogas em Nova Mutum

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Dupla tentou fugir correndo por avenida, mas foi capturada. Suspeitos confessaram crime e entregaram esconderijo na própria casa

Policiais militares da Cavalaria do 14º Comando Regional apreenderam, nesta sexta-feira (28.8), 149 porções de entorpecentes diversos e prenderam um casal de integrantes de uma facção criminosa, suspeitos de tráfico de drogas, no município de Nova Mutum.

As equipes realizavam patrulhamento tático na região central, quando receberam uma denúncia de que os suspeitos estariam comercializando drogas nas proximidades da Avenida das Araras.

Com a aproximação dos policiais militares, a dupla tentou fugir em direções opostas, mas foi abordada em seguida. Os militares flagraram os suspeitos com algumas porções de substâncias análogas à maconha e à pasta base de cocaína.

Os suspeitos confessaram que havia mais entorpecentes na residência. No local, foram encontradas outras porções das mesmas substâncias, além de materiais utilizados no preparo e na embalagem das drogas.

Os envolvidos foram conduzidos à delegacia para as providências cabíveis.

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Universidades Federais no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – Parte III

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A posição social de uma pessoa não determina ou influencia profundamente a forma como ela pensa. A ideia de que a localização social injeta pensamentos na cabeça de uma pessoa de forma quase mágica ou mecânica não se sustenta. As ideias não surgem só porque você está em um “lugar” social, mas porque você faz raciocínios lógicos a partir da sua realidade.Existe um bom debate a este respeito.

Não procede, portanto, o argumento de que as ideias de um grupo são parciais e ligadas aos seus interesses ou à sua situação. Os setores corporativos interessados na produção de ciência e tecnologia só teriam interesses econômicos enquanto os sindicatos e os intelectuais teriam interesses mais nobres, pois estariam pensando nos alunos e professores enquanto pessoas.

As pessoasmesmo quando estão erradas ou defendem ideologias têm boas razões individuais e racionais para acreditar no que defendem. Elas não são apenas “vítimas” de um viés da sua classe social; elas tiram conclusões lógicas com base nas informações limitadas que possuem.

Acreditar que um ator social defende a verdade (os professores, o sindicato) e o outro defende só seus interesses (os empresários, a indústria) é uma grande ilusão. Os intelectuais e cientistas também são indivíduos que buscam seus próprios interesses (como prestígio, verbas para pesquisas ou poder político) e a educação universitária não limpa os vieses de ninguém.

A demonização dos empresários ou do setor produtivo baseia-se no argumento de que as ideias têm localização. Mas as coisas não ocorrem exatamente assim. As ideias têm um contexto, mas a palavra mais correta para ele não é “localização social” e sim “situação social.

Como diria Raymond Boudon, seu lugar na sociedade funciona apenas como o cenário de um teatro. O cenário te dá algumas ferramentas e informações, mas é você quem decide o que vai falar e fazer com base no seu raciocínio. As ideias não flutuam no vazio, elas nascem da mente pensante do indivíduo reagindo à sua situação, e nunca de um grupo social que pensa pelo indivíduo.

O que significa a ideia de que colocar as universidades federais sob a gestão do ministério da ciência e tecnologia produziria uma desarticulação educacional? Já mostramos, no artigo 1, que a separação da formação superior da educação básica não enfraquece necessariamente o tripé constitucional de ensino, pesquisa e extensão.

Duas outras críticas estão presente na categoria desarticulação educacional: 1. reduziria as universidades federais apenas ao foco tecnológico e produtivo; 2. áreas voltadas para artes, filosofia e ciências sociais correm risco de desvalorização por não gerarem produtos de retorno comercial imediato.

O modelo universitário alemão historicamente protege a união entre ensino e pesquisa livre (Bildung e o modelo de Humboldt), o que amortece pressões puramente utilitárias. O Estado mantém investimentos maciços no ensino superior público e preserva departamentos de filosofia e letras, mesmo com o forte destaque nacional em tecnologia e engenharias.

Embora existam parcerias estreitas entre politécnicas e a indústria, o sistema não eliminou o prestígio acadêmico ou a autonomia das ciências humanas.

Então os detratores podem contra-argumentar que na Coreia do Sul, cursos de ciências humanas enfrentam taxas de empregabilidade mais baixas e redução de vagas. É verdade, e isso é compatível com a realidade do mercado de trabalho brasileiro que, hoje, registra maiores índices de desemprego ou atuação fora da área de formação na área de ciências humanas.

Podemos nos inspirar no modelo alemão e melhorar o mercado de trabalho para egressos da área de ciências humanas. Mas não podemos rejeitar a possibilidade de debater nosso atual modelo de gestão das universidades federais, que é problemático.

O investimento público em um aluno do ensino superior no Brasil supera de três a quatro vezes o valor aplicado por aluno na educação básica, ao contrário do observado em países desenvolvidos. Sabemos que o ensino superior é caro, pois, exige laboratórios sofisticados, docentes altamente qualificados e hospitais.

Mas, não podemos ser o país que investe cerca de um terço do que os países desenvolvidos aplicam por aluno na educação básica, o que gera uma grande disparidade interna no financiamento dos níveis de ensino. Dados históricos do MEC e da OCDE mostram que o Brasil gasta consideravelmente mais por estudante no ensino superior público do que por aluno na educação básica (infantil, fundamental e médio).

O leitor concorda que temos que mudar esse arranjo? A mudança das universidades federais para o ministério da ciência e tecnologia não resolveria todos os nossos problemas, mas abriria espaços para repensarmos o atual modelo que não tem funcionado bem para o ensino superior e nem para o ensino básico e médio.

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André Luis Ribeiro-Lacerda é psicólogo social e sociobiologista. Tem lecionado ciência, tecnologia e sociedade no Departamento de Computação e Tecnologia da UFMT, Campus Várzea Grande.

 

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