Sustentabilidade
Mercado da soja: análise semanal – MAIS SOJA

A cotação da soja, em Chicago, para o primeiro mês cotado, voltou a subir forte nesta semana. O fechamento do dia 27/08 (quinta-feira) alcançou US$ 12,56/bushel, sendo esta a mais alta cotação desde o dia 04 de janeiro de 2024. Uma semana antes o fechamento havia sido em US$ 12,20/bushel. Apesar de o óleo de soja ter recuado para 68,00 centavos de dólar por libra-peso, o farelo ajudou a puxar para cima o grão na medida em que fechou o dia 27/08 em US$ 330,20/tonelada curta.
Além disso, três outros motivos são ainda mais importantes neste cenário de alta da soja:
1) o clima nos EUA, com risco de perdas na atual safra (há forte especulação nesse
sentido);
2) a disparada na cotação do trigo que, no mesmo dia 26 de agosto, bateu em US$
7,30/bushel, a mais alta cotação para o cereal desde o dia 25 de julho de 2023, a qual
foi acompanhada pelo milho que bateu em US$ 5,14/bushel no mesmo dia, sendo ela a
mais alta cotação desde o dia 28 de julho de 2023;
3) a continuidade das compras chinesas.
Com isso, os preços da soja no Brasil subiram, sustentados também por prêmios portuários ao redor de US$ 1,50/bushel. E só não subiram mais porque o câmbio, ao redor de R$ 5,10 e R$ 5,15 durante a semana, segurou os valores em reais. Assim, o saco de 60 quilos oscilou entre R$ 130,00 e R$ 140,00 no país, com as principais praças gaúchas trabalhando ao redor de R$ 131,00.
Um ano atrás estes valores estavam entre R$ 116,00 e R$ 128,00/saco no país. Ou seja, o ganho em 12 meses gira entre 9% e 12%. Considerando a inflação oficial ao redor de 4,5% nos últimos 12 meses, finalmente existe um ganho real nos valores atuais da soja.
Já nos portos brasileiros, o valor FOB (produto posto no porto) da soja disponível se aproximou dos R$ 160,00/saco, enquanto a safra nova chegou perto dos R$ 150,00.
Mas atenção: a colheita nos EUA, prevista para iniciar em outubro, pode trazer surpresas, com uma safra maior do que o previsto, mesmo com a atual especulação climática, já que o Crop Tour Pro Farmer estimou um volume final de 124,4 milhões de toneladas (o último relatório do USDA, do dia 12/08, havia indicado 123 milhões de toneladas). Isso pode reverter, mais adiante, o quadro altista atual.
Por enquanto, o que se tem é que a qualidade das lavouras estadunidenses continua recuando. No dia 23/08 a mesma indicava 60% das lavouras de soja entre boas a excelentes, contra 61% na semana anterior e 69% no ano passado nesta mesma época. Todavia, o avanço do desenvolvimento das plantas segue acelerado, com as lavouras em formação de vagens atingindo a 91% do total, contra a média de 88%.
Isso pode levar a uma antecipação do início da colheita nos EUA, com a pressão sobre
os preços ocorrendo mais cedo, caso não haja perdas na produção.
Por outro lado, na semana encerrada em 20 de agosto, os EUA embarcaram 421.000 toneladas de soja relativos a safra 2025/26, deixando o total exportado no ano comercial em 40,5 milhões de toneladas, ou seja, 18% menos do que há um ano.
Em contrapartida, conforme o USDA, em relação à futura safra 2026/27, teria havido uma forte venda de 1,4 milhão de toneladas de soja no dia 21, sendo que deste total 712.000 foram para a China. Com isso, os EUA já teriam comprometido 11,86 milhões de toneladas da safra que logo mais será colhida, sendo que haveria registros indicando 13,58 milhões comprometidos. Isso equivale a cerca de 30% das 45,18 milhões de toneladas esperadas pelos EUA para serem exportadas em todo o ano comercial 2026/27. Do comprometido até o momento, a China responde por 6,54 milhões de toneladas ou 48% do total (cf. Agrinvest Commodities).
E no Brasil, a exportação de soja deverá atingir a 10,25 milhões de toneladas em agosto, segundo a Anec. Esse volume seria 2,14 milhões acima do exportado no mesmo período do ano anterior. Já em farelo de soja, a expectativa é de exportarmos 2,5 milhões de toneladas em agosto, ganhando quase 500.000 toneladas sobre o mesmo mês do ano passado.
Fonte: CEEMA UNIJUI
Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França,
coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).
Autor:CEEMA
Site: CEEMA
Sustentabilidade
CEEMA: Queda em Chicago e problemas de qualidade no Sul do Brasil marcam o mercado do trigo – MAIS SOJA

As cotações do trigo continuaram caindo, em Chicago, nesta semana. O bushel do cereal fechou a quinta-feira (22) em US$ 6,24, a mais baixa cotação desde o dia 09/07. Na semana anterior, o fechamento havia sido de US$ 6,70. Nos EUA, até o dia 18/10, o plantio do trigo de inverno atingia a 63% da área, contra 69% na média histórica. Deste trigo semeado, 39% havia germinado, contra 43% na média.
No Brasil, os preços do trigo de qualidade superior continuaram estabilizados, com leve viés de baixa diante da colheita, mesmo que comprometida em termos de qualidade. As principais praças gaúchas registraram R$ 73,00/saco, enquanto no Paraná as mesmas ficaram em R$ 79,00.
A colheita no Paraná atingia a 82% da área no dia 19/10, com perdas importantes na qualidade do produto colhido. De tal maneira que o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) acompanha com bastante preocupação a reta final da colheita do trigo do Estado, pois o mesmo representa 30% da produção nacional de farinha de trigo, com moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra. O fato é que tal realidade atinge igualmente o Rio Grande do Sul que, segundo a Emater, já tem 19% da área colhida, contra 22% na média histórica até o dia 22/10.
Os problemas de qualidade da safra brasileira de trigo estão provocando mudanças nas negociações entre produtores, comerciantes e moinhos. Com maior diferença entre os padrões dos lotes disponíveis, a indústria tem avaliado individualmente as características do cereal, enquanto o trigo que não atende às especificações moagem enfrenta descontos ou precisa encontrar destinos alternativos, como as rações animais.
Nesta semana, referências indicativas de mercado apontaram trigo Tipo 1 com PH 78 próximo de R$ 1.750,00/tonelada CIF Curitiba. Para lotes com PH 75 e Falling Number de 200 segundos, há indicações em torno de R$ 1.500,00/tonelada CIF, enquanto referências de trigo com PH 73 aparecem próximas de R$ 1.250,00/tonelada. Esses valores não representam uma tabela oficial de descontos nem operações necessariamente realizadas sob as mesmas condições comerciais. Por isso, as diferenças entre eles não podem ser tratadas como uma redução fixa de preço aplicada ao produtor.
Vale ainda destacar que, entre 1º de agosto e 13 de outubro, apenas 23,2% das leituras realizadas por empresa especializada atingiram o PH mínimo de 78 quilos por hectolitro (kg/hl), um dos requisitos para a classificação do cereal como Tipo 1. No mesmo período de 2025, a proporção era de 72%. O levantamento reúne mais de 112 mil leituras de medidores conectados ao sistema. Os dados mostram que o PH mediano caiu de 80,2 kg/hl, em 2025, para 74,2 kg/hl neste ano. Já a umidade mediana subiu de 14,2% para 15,9% no mesmo intervalo. O Paraná, estado que concentrou a maior parte das medições, registrou umidade mediana de 16,4% (cf. Motomco).
Enfim, em seu último boletim mensal de outubro, a Conab ainda projeta uma safra brasileira de 5,7 milhões de toneladas de trigo, com 2,16 milhões a serem colhidos no Paraná e 2,26 milhões no Rio Grande do Sul.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Com China de volta às compras, soja volta a subir após oito quedas seguidas em Chicago

Os contratos futuros da soja operam em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta sexta-feira (23), impulsionados pelas compras de fundos especuladores, pela valorização do petróleo e pelos sinais de demanda aquecida da China pela oleaginosa norte-americana.
Segundo a Agência Safras, o mercado amplia os ganhos registrados na sessão anterior, quando interrompeu uma sequência de oito pregões consecutivos de queda. Por outro lado, o avanço da colheita nos Estados Unidos limita uma valorização mais expressiva.
Na sessão eletrônica desta manhã, os contratos com vencimento em novembro eram negociados a US$ 12,54 1/4 por bushel, alta de 1,25 centavo de dólar, equivalente a 0,09% em relação ao fechamento anterior.
Compras da China sustentam preços da soja
A demanda chinesa segue como um dos principais fatores de sustentação das cotações em Chicago.
Na quinta-feira (22), exportadores privados dos Estados Unidos anunciaram uma nova venda de 202 mil toneladas de soja para a China, reforçando as expectativas de continuidade das compras pelo país asiático.
Além disso, as vendas líquidas norte-americanas de soja da safra 2026/27 totalizaram 2,841 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro.
Desse volume, a China respondeu por 2,178 milhões de toneladas, consolidando-se como o principal destino das vendas no período.
O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que projetavam comercialização entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.
Outro fator de suporte é a valorização do petróleo, que favorece os preços do óleo de soja em razão de sua utilização na produção de biodiesel.
Soja interrompe sequência de oito quedas em Chicago
Na quinta-feira (22), os contratos futuros da soja encerraram o pregão em alta, interrompendo uma sequência de oito sessões consecutivas de perdas.
Após as cotações atingirem o menor patamar em dois meses, investidores aproveitaram os preços mais baixos para realizar compras, favorecendo uma recuperação técnica do mercado.
Os contratos com entrega em novembro fecharam cotados a US$ 12,53 por bushel, avanço de 7,75 centavos de dólar, ou 0,62%.
Já a posição janeiro encerrou a US$ 12,64 3/4 por bushel, valorização de 6,50 centavos de dólar, equivalente a 0,51%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja com vencimento em dezembro recuou 0,28%, encerrando a US$ 347,30 por tonelada.
O óleo de soja para dezembro, por sua vez, registrou alta de 1,16%, fechando a 66,74 centavos de dólar por libra-peso.
Apesar da recuperação das cotações, o andamento da colheita norte-americana permanece como fator de pressão sobre o mercado, restringindo ganhos mais acentuados.
Sustentabilidade
Semeadura da soja no RS avança de forma lenta e atinge 3% da área prevista – MAIS SOJA

A semeadura da nova safra de soja continua de forma lenta e ainda ocupa pequena parcela da área prevista (3%). A elevada umidade do solo e a ocorrência de chuvas frequentes restringiram as janelas de plantabilidade, e as baixas temperaturas e a limitada radiação solar retardaram o desenvolvimento das primeiras lavouras implantadas.
O período de tempo mais firme favoreceu a preparação das áreas e a entrada de máquinas em parte das regiões, mas o avanço segue condicionado à manutenção de condições adequadas de umidade. A dessecação de plantas de cobertura, a distribuição de fertilizantes e a regulagem das semeadoras têm sido realizadas nas propriedades que ainda
não iniciaram o plantio.
Em áreas semeadas antecipadamente, houve prejuízo à emergência após as chuvas volumosas, embora os estandes ainda estejam, em geral, satisfatórios. O monitoramento de esporos de ferrugem-asiática já detectou presença em plantas de soja guaxa em diferentes pontos do Estado. A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares e produtividade de 3.183 kg/ha. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a redução da umidade do solo permitiu a retomada do preparo das áreas e das aplicações de herbicidas. Em Rosário do Sul, foram realizadas operações de recuperação de áreas com erosão provocada pelas chuvas. Em São Borja, o plantio avançou pouco após as chuvas volumosas do período. O monitoramento de esporos de ferrugem-asiática foi iniciado em 13 municípios, e houve detecção em nove locais avaliados.
Na de Ijuí, a área semeada evoluiu para 2% da projetada. Esse pequeno avanço decorre da umidade elevada. Os produtores intensificaram o preparo das áreas e a distribuição de fertilizantes a lanço em pré-plantio. As primeiras lavouras implantadas em setembro apresentam desenvolvimento vegetativo mais lento.
Na de Santa Maria, 5% dos 1.036.859 hectares previstos foram semeados. Na de Santa Rosa, o plantio prosseguiu em pequena escala em locais com solos mais leves ou sob integração lavoura-pecuária. As chuvas ocorridas após as primeiras semeaduras prejudicaram a emergência, mas os estandes seguem satisfatórios. Também foramobservadas plantas de soja guaxa com sinais sugestivos de ferrugem-asiática, ainda sem confirmação laboratorial. Na de Soledade, a semeadura alcança 4% da área prevista.
Muitas áreas já estão dessecadas e prontas, mas o excesso de umidade do solo mantém o ritmo de implantação reduzido.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,23%, passando de R$ 138,32 para R$ 138,00. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 147,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
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