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Universidades Federais no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – Parte III

A posição social de uma pessoa não determina ou influencia profundamente a forma como ela pensa. A ideia de que a localização social injeta pensamentos na cabeça de uma pessoa de forma quase mágica ou mecânica não se sustenta. As ideias não surgem só porque você está em um “lugar” social, mas porque você faz raciocínios lógicos a partir da sua realidade.Existe um bom debate a este respeito.
Não procede, portanto, o argumento de que as ideias de um grupo são parciais e ligadas aos seus interesses ou à sua situação. Os setores corporativos interessados na produção de ciência e tecnologia só teriam interesses econômicos enquanto os sindicatos e os intelectuais teriam interesses mais nobres, pois estariam pensando nos alunos e professores enquanto pessoas.
As pessoas – mesmo quando estão erradas ou defendem ideologias – têm boas razões individuais e racionais para acreditar no que defendem. Elas não são apenas “vítimas” de um viés da sua classe social; elas tiram conclusões lógicas com base nas informações limitadas que possuem.
Acreditar que um ator social defende a verdade (os professores, o sindicato) e o outro defende só seus interesses (os empresários, a indústria) é uma grande ilusão. Os intelectuais e cientistas também são indivíduos que buscam seus próprios interesses (como prestígio, verbas para pesquisas ou poder político) e a educação universitária não limpa os vieses de ninguém.
A demonização dos empresários ou do setor produtivo baseia-se no argumento de que as ideias têm localização. Mas as coisas não ocorrem exatamente assim. As ideias têm um contexto, mas a palavra mais correta para ele não é “localização social” e sim “situação social“.
Como diria Raymond Boudon, seu lugar na sociedade funciona apenas como o cenário de um teatro. O cenário te dá algumas ferramentas e informações, mas é você quem decide o que vai falar e fazer com base no seu raciocínio. As ideias não flutuam no vazio, elas nascem da mente pensante do indivíduo reagindo à sua situação, e nunca de um grupo social que pensa pelo indivíduo.
O que significa a ideia de que colocar as universidades federais sob a gestão do ministério da ciência e tecnologia produziria uma desarticulação educacional? Já mostramos, no artigo 1, que a separação da formação superior da educação básica não enfraquece necessariamente o tripé constitucional de ensino, pesquisa e extensão.
Duas outras críticas estão presente na categoria desarticulação educacional: 1. reduziria as universidades federais apenas ao foco tecnológico e produtivo; 2. áreas voltadas para artes, filosofia e ciências sociais correm risco de desvalorização por não gerarem produtos de retorno comercial imediato.
O modelo universitário alemão historicamente protege a união entre ensino e pesquisa livre (Bildung e o modelo de Humboldt), o que amortece pressões puramente utilitárias. O Estado mantém investimentos maciços no ensino superior público e preserva departamentos de filosofia e letras, mesmo com o forte destaque nacional em tecnologia e engenharias.
Embora existam parcerias estreitas entre politécnicas e a indústria, o sistema não eliminou o prestígio acadêmico ou a autonomia das ciências humanas.
Então os detratores podem contra-argumentar que na Coreia do Sul, cursos de ciências humanas enfrentam taxas de empregabilidade mais baixas e redução de vagas. É verdade, e isso é compatível com a realidade do mercado de trabalho brasileiro que, hoje, registra maiores índices de desemprego ou atuação fora da área de formação na área de ciências humanas.
Podemos nos inspirar no modelo alemão e melhorar o mercado de trabalho para egressos da área de ciências humanas. Mas não podemos rejeitar a possibilidade de debater nosso atual modelo de gestão das universidades federais, que é problemático.
O investimento público em um aluno do ensino superior no Brasil supera de três a quatro vezes o valor aplicado por aluno na educação básica, ao contrário do observado em países desenvolvidos. Sabemos que o ensino superior é caro, pois, exige laboratórios sofisticados, docentes altamente qualificados e hospitais.
Mas, não podemos ser o país que investe cerca de um terço do que os países desenvolvidos aplicam por aluno na educação básica, o que gera uma grande disparidade interna no financiamento dos níveis de ensino. Dados históricos do MEC e da OCDE mostram que o Brasil gasta consideravelmente mais por estudante no ensino superior público do que por aluno na educação básica (infantil, fundamental e médio).
O leitor concorda que temos que mudar esse arranjo? A mudança das universidades federais para o ministério da ciência e tecnologia não resolveria todos os nossos problemas, mas abriria espaços para repensarmos o atual modelo que não tem funcionado bem para o ensino superior e nem para o ensino básico e médio.
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André Luis Ribeiro-Lacerda é psicólogo social e sociobiologista. Tem lecionado ciência, tecnologia e sociedade no Departamento de Computação e Tecnologia da UFMT, Campus Várzea Grande.
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Polícia Civil prende mãe em flagrante após agressão contra filha de 11 anos em Paranatinga

Menina procurou a delegacia acompanhada da avó materna; policiais constataram escoriações no pescoço da vítima
A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (22.10), uma mulher de 28 anos suspeita de agredir a própria filha, de 11 anos, durante uma discussão doméstica em Paranatinga.
A vítima foi à delegacia acompanhada da avó materna, que confirmou as agressões.
Em depoimento ao delegado do caso, a menina relatou que a mãe a atacou no pescoço. A equipe policial constatou marcas e escoriações na região mencionada pela menor.
Diante dos fatos, foi determinada a prisão em flagrante pelo crime de lesão corporal praticado no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança.
Após a denúncia, a mãe se apresentou na Delegacia de Polícia de Paranatinga. Como a denúncia já estava em andamento, ela foi detida e autuada em flagrante delito pelo crime.
Com a finalização do auto de prisão em flagrante, a suspeita foi encaminhada para a audiência de custódia e permanece à disposição do Poder Judiciário.
Agro Mato Grosso
STF autoriza concessão de rodovias estaduais de MT após disputa judicial

Lote prevê manutenção em 237 quilômetros de rodovias da Rota do Arinos, que abrange cinco municípios.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o andamento da concessão de rodovias estaduais de Mato Grosso que integram o Lote 1 do Programa de Concessões Rodoviárias do estado. A decisão dada pelo ministro André Mendonça na quarta-feira (21) atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
O lote prevê manutenção em 237 quilômetros de rodovias da Rota do Arinos, que abrange cinco municípios. O investimento privado estimado é de R$ 2,6 bilhões ao longo de 30 anos.
Segundo o governo do estado, a disputa judicial começou após o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) suspender a contratação da concessão. Na sequência, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) entendeu que o governo estadual havia adotado as medidas necessárias e derrubou a decisão do órgão de controle.
O TCE-MT recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu uma liminar para suspender novamente a formalização do contrato. Diante disso, a PGE recorreu ao STF, sob o argumento de que houve invasão de competência.
O lote inclui trechos de quatro rodovias estaduais: MT-160, MT-220, MT-242 e MT-338. As obras abrangem os municípios de Juara, Novo Horizonte do Norte, Porto dos Gaúchos, Itanhangá e Tapurah.
Assinatura para concessões
Em setembro do ano passado o governo assinou três lotes para a concessões de 964,5 quilômetros de rodovias estaduais, incluindo o trecho acima, e o Lote 2 – Rota da Produção, que corresponde a 418,5 km das MTs 160/235/249/480 e o Lote 5- Rodovia da Integração, que corresponde a 308,3 km das MTs 020/326.
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Central de MT inova no SUS com reconstrução mamária e patologia em tempo real

Unidade administrada pelo Einstein é a primeira da rede pública estadual a realizar congelação intraoperatória; pacientes saem do centro cirúrgico sem o tumor e com a mama reconstruída
Pacientes que passam por cirurgias de mastologia para retirada de tumor no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso terminam o procedimento já com a reconstrução e a simetrização da mama, além do resultado da avaliação patológica por congelação imediata. Isso é possível porque no centro cirúrgico da unidade há um patologista, profissional responsável pela congelação intraoperatória, técnica que avalia a extensão do tumor no momento da retirada. O procedimento determina os passos seguintes, como a necessidade de esvaziar linfonodos da axila atingidos pelo câncer, permitindo que a cirurgia plástica reparadora seja feita na mesma ocasião.
“O Hospital Central é a primeira unidade do Sistema Único de Saúde no Estado a realizar a chamada congelação intraoperatória com o patologista dentro do centro cirúrgico. A congelação das margens e do linfonodo permite avaliar, durante a cirurgia, se há sinais de tumor nas bordas do tecido retirado e se existe comprometimento dos gânglios da axila. Isso ajuda a equipe médica a tomar decisões mais precisas no mesmo procedimento, podendo evitar uma segunda cirurgia. Assim, torna o tratamento mais seguro, eficiente e individualizado. Também fazemos a parte reparadora no mesmo procedimento. É um ganho de tempo, qualidade no tratamento e recuperação da autoestima”, explica a mastologista Melissa Lins, responsável técnica pela linha cirúrgica.
Administrado pelo Einstein Hospital Israelita, o Hospital Central oferece cuidado completo em mastologia com tecnologia especializada, do ambulatório ao pós-operatório. A unidade também faz o devido encaminhamento de pacientes para etapas complementares, como a quimioterapia, para outras unidades do SUS em Mato Grosso.
O fluxo de atendimento começa no encaminhamento das pacientes pela Central Estadual de Regulação. Na primeira consulta, ocorre a triagem para avaliar se o caso é oncológico cirúrgico. Confirmada a necessidade de cirurgia, todo o processo pré-operatório, com exames especializados, é realizado: mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética, core biópsia por ultrassonografia, imuno-histoquímica, dentre outros.
A mamografia do Hospital Central foi implantada no fim de setembro. Desde então, foram feitos 385 exames até 15 de outubro. Já as cirurgias de mastologia iniciaram em junho e, até o último dia 15, chegaram a 60. A equipe do setor inclui três mastologistas, um radiologista mamário, um patologista e os profissionais da enfermagem.
A especialista destaca outros dois serviços da linha de cuidado: o atendimento pós-operatório especializado e as cirurgias reparadoras de pacientes com gigantomastia em casos não oncológicos, desde que apresentem laudo ortopédico de alteração funcional.
“O suporte médico é contínuo, com as equipes clínica e cirúrgica trabalhando juntas. Além disso, o hospital oferece enfermagem especializada em curativos, que a paciente troca semanalmente durante o primeiro mês após a cirurgia”, acrescenta Melissa.
M. C. S., moradora de Colniza (1.057 km de Cuiabá), tratou um câncer de mama no Hospital Central. Durante o procedimento de retirada do tumor, fez a reconstrução e as cirurgias simetrizadora e redutora. “Fiz os exames no hospital e me avisaram que iria fazer a cirurgia para retirar o tumor e reconstruir a mama. Também fiz a de redução, porque sou bariátrica e tinha as mamas grandes”.
M. havia percebido um caroço na mama no final de agosto e fez uma ultrassonografia em unidade de saúde de sua região. Foi quando recebeu um pedido de realização de biópsia e o encaminhamento para o Hospital Central. Entre a suspeita do diagnóstico e a realização da cirurgia, foram cerca de 20 dias.
“Praticamente no mesmo dia fiz todos os exames no hospital, e as cirurgias correram bem, todas juntas. Esse hospital é fora de base. Graças a Deus, estou bem. Todas as pessoas que estão lá falam a mesma coisa, que o atendimento é rápido, resolve o problema da gente”, pontua a paciente um mês depois de realizar os procedimentos.
O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama para o melhor desfecho do tratamento. “A Saúde de Mato Grosso tem no Hospital Central uma unidade preparada para somar nessa luta contra o câncer de mama, ofertando medicina diagnóstica com todos os exames necessários, além de uma linha cirúrgica pronta para realizar a intervenção adequada”, reforça a diretora da unidade, Alessandra Bokor.
Sobre o Einstein
O Einstein Hospital Israelita é considerado o 16º melhor hospital do mundo e 1º da América Latina, segundo o ranking The World’s Best Hospitals 2026, elaborado pela revista Newsweek em parceria com a empresa de dados Statista Inc. Com sede em São Paulo, a organização, fundada em 1955, é referência em assistência, pesquisa, inovação e ensino, com base na responsabilidade social. Há 25 anos, atua no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da gestão de unidades públicas – que contemplam, hoje, além de hospitais, unidades de atenção primária, Centros de Atenção Psicossocial e Serviços de Residência Terapêutica, de atenção ambulatorial especializada e de urgência e emergência – e da execução de projetos por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
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