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O que precisa conter no contrato de arrendamento, e o que muda com a Reforma Tributária?

Os contratos de arrendamento são muito comuns no meio rural. Nesse modelo, o proprietário atua como “locador” das terras, recebendo um valor fixo por seu uso. Já nos acordos de parceria, ele é “sócio” do produtor, dividindo lucros e riscos.
Para esclarecer ao agricultor os meios de utilização da terra e possíveis mudanças com a Reforma Tributária, a Comissão Técnica de Cereais, Fibras e Oleaginosas do Sistema Faep se reuniu na última quarta-feira.
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“O que está descrito no contrato deve condizer com a realidade, para garantir a segurança jurídica do negócio. Todo contrato rural tem implicações trabalhistas, previdenciárias e tributárias. Por isso, nossos produtores rurais precisam estar atentos aos detalhes”, observou o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette.
Em amos os modelos, o contrato deve conter as seguintes informações:
- Dados do contratante e do imóvel
- Tipo de exploração
- Destinação do imóvel (ou bens)
- Prazo de duração do contrato
- Data e assinaturas
O Sistema Faep esclarece que se o contrato for de arrendamento, é preciso também que se descreva o preço e a forma de pagamento. Já nos casos de parceria, deve-se estabelecer as condições de partilha dos lucros e prejuízos.
“No arrendamento, os rendimentos devem ser tributados como aluguéis, separados da atividade rural. Já nas parcerias, cada um é tributado quando apresentar o Imposto de Renda”, pontua o técnico do Departamento Jurídico da entidade, Eleutério Czornei.
O que muda com a Reforma Tributária?
Ainda que a implementação da Reforma Tributária não traga alterações em contratos agrícolas, recomenda-se que sejam incluídas cláusulas especificando se o proprietário se enquadra ou não como contribuinte dos novos impostos, ou seja, na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
“O objetivo é conferir maior segurança aos produtores rurais, que já informarão no contrato de quem é a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda”, diz o técnico do Sistema Faep.
Isso ocorre porque a definição sobre a condição de contribuinte determina quem deverá apurar e recolher o IBS e a CBS na transação. Ao explicitar essa informação no documento, fica previamente estabelecido de quem é a obrigação fiscal perante o fisco, evitando ambiguidades sobre a responsabilidade tributária entre as partes.
O Sistema Faep também indica que os produtores rurais façam a simulação, na calculadora disponível no site da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), para conferir se é vantajoso ser contribuinte do IBS e do CBS.
É válido lembrar que todo produtor rural pessoa física com receita bruta anual superior a R$ 3,6 milhões é considerado contribuinte obrigatório desses tributos. Já quem tem receita inferior pode optar.
Desta forma, o produtor optante poderá deduzir o valor dos tributos pagos na compra de insumos e equipamentos do montante final de impostos devidos na venda de sua produção. Esse mecanismo impede que o tributo seja pago mais de uma vez ao longo da cadeia produtiva, reduzindo o custo final do negócio.
“Apenas 5% dos produtores do Paraná são contribuintes obrigatórios”, diz Czornei. “Os demais devem avaliar. Pode ser vantajoso porque, para o contribuinte, todos os impostos incidentes, como ICMS sobre maquinário ou sementes, por exemplo, vão ser creditados automaticamente”, diz.
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Preço do café recua e deve fechar semana em queda no Brasil

O mercado físico brasileiro de café deve encerrar a semana com preços mais baixos nesta sexta-feira (23). A expectativa é da consultoria Safras & Mercado, que aponta a desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York como um dos principais fatores de pressão sobre as cotações domésticas.
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Com o recuo dos preços internacionais e a leve valorização do dólar frente ao real, os produtores brasileiros tendem a adotar uma postura mais cautelosa, realizando vendas apenas conforme necessidades pontuais.
Na quinta-feira (22), o mercado físico registrou pouca movimentação. Segundo a consultoria, a queda dos preços afastou vendedores, resultando em negócios isolados e sem volumes expressivos.
Confira os preços do café nas principais regiões
No sul de Minas Gerais, o café arábica de bebida boa, com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.700 e R$ 1.705 por saca, abaixo dos R$ 1.720 a R$ 1.725 registrados anteriormente.
No Cerrado Mineiro, o arábica de bebida dura, também com 15% de catação, recuou para a faixa de R$ 1.710 a R$ 1.715 por saca, ante R$ 1.730 a R$ 1.735 na cotação anterior.
Na Zona da Mata mineira, o arábica rio tipo 7, da safra 2026, com 20% de catação, passou a ser cotado entre R$ 1.170 e R$ 1.175 por saca, contra R$ 1.180 a R$ 1.185 anteriormente.
No Espírito Santo, o café conilon também apresentou desvalorização. Em Vitória, o tipo 7 foi cotado entre R$ 950 e R$ 955 por saca, abaixo da faixa anterior de R$ 960 a R$ 965.
Já o conilon tipo 7/8 recuou para R$ 940 a R$ 945 por saca, ante R$ 950 a R$ 955 registrados anteriormente.
Café recua na Bolsa de Nova York
No mercado internacional, os contratos futuros de café arábica operavam em baixa na manhã desta sexta-feira.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato com vencimento em dezembro de 2026 registrava queda de 0,83%, cotado a 309,85 centavos de dólar por libra-peso.
Na quinta-feira (22), a mesma posição havia encerrado o pregão a 312,45 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 1,2%.
Enquanto isso, o dólar comercial apresentava leve alta de 0,13%, negociado a R$ 5,0453.
Estoques certificados de café diminuem
Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela Bolsa de Nova York também apresentaram redução.
Segundo dados da ICE Futures, o volume disponível em 22 de outubro somava 234.433 sacas de 60 quilos, queda de 5.315 sacas em comparação ao dia anterior.
Apesar da redução dos estoques, o mercado internacional segue pressionado pelas perdas recentes nas cotações, refletindo no comportamento dos preços pagos aos produtores brasileiros.
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Cruz Alta abre colheita do trigo no Rio Grande do Sul

Cruz Alta sediou, nesta quinta-feira (22/10), a abertura da colheita do trigo no Rio Grande do Sul. O evento reuniu representantes do setor agrícola e contou com a participação do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena. A cerimônia marcou o início de uma etapa acompanhada de perto pelos produtores em meio às condições climáticas e aos custos de produção.
A realização do evento em Cruz Alta reforçou o papel do município na triticultura estadual. De acordo com os dados de área plantada de 2026, a cidade ocupa a segunda posição entre os municípios gaúchos com maior área cultivada de trigo, atrás apenas de Palmeira das Missões. A região tem participação relevante na produção do cereal, matéria-prima da indústria moageira e da cadeia de alimentos.
Durante a abertura, Márcio Madalena afirmou que a escolha de Cruz Alta reconhece a contribuição dos produtores e da cadeia do trigo para a economia do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o momento também permite acompanhar as perspectivas da cultura diante das condições climáticas e dos custos de produção.
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A prefeita de Cruz Alta, Paula Rubin Librelotto, destacou a importância do setor primário para a economia local, os investimentos e a manutenção dos serviços públicos. Ela também citou a perspectiva de novos empreendimentos ligados ao biodiesel no município.
Conforme a Emater/RS-Ascar, a área de trigo no Rio Grande do Sul está projetada em 763 mil hectares em 2026, com produtividade média estimada em 2.833 quilos por hectare. A produção estadual é calculada em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, em volume inferior ao de 2025.
No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de trigo em 5,73 milhões de toneladas em 2026, ante 7,87 milhões de toneladas no ano anterior. Segundo a companhia, a variação decorre principalmente da redução da área semeada e de mudanças na produtividade média.
No Rio Grande do Sul, chuvas frequentes e baixa incidência de radiação solar têm influenciado o ritmo de maturação das lavouras e o avanço da colheita. A umidade também exige atenção à sanidade das plantas e à qualidade comercial dos grãos.
Além do clima, custos de produção, crédito e preços de comercialização seguem no centro do planejamento dos agricultores para as próximas safras, em um cenário que mantém o trigo entre as culturas estratégicas da agricultura gaúcha.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Nova geração de produtores impulsiona aluguel de máquinas agrícolas

A entrada de uma nova geração de produtores no campo tem contribuído para a alta do aluguel de máquinas agrícolas. Conforme dados da Receita Federal, já são mais de 9 mil empresas do ramo no Brasil, mercado que abrange desde uma companhia listada em bolsa a um proprietário de trator que ocasionalmente o loca.
“Para que vou querer comprar uma colheitadeira se vou usá-la somente durante quatro ou cinco semanas ao longo de toda a safra?”, indaga o produtor Lucas Bonato, de 28 anos, morador de Campos Lindos, no Tocantins. Pensamento oposto ao de seu pai, José Bonato, de 64 anos. “Sempre pensei em adquirir máquinas duráveis que poderiam me servir e, depois, aos meus filhos.”
Lucas considera que em um cenário de juros altos e crédito restrito, não há sentido imobilizar capital em um bem que não é de uso contínuo. Para ele, o raciocínio é semelhante ao da população urbana que opta por viagens em carros de aplicativo ao invés de adquirir o próprio automóvel.
O pensamento do jovem produtor ecoa o de muitos outros que não enxergam viabilidade nas taxas de até 12,5% ao ano do Moderfrota Geral e de 11,5% no Moderfrota Pronamp. Somado a isso, há a desmotivação pela volumosa alta dos preços: estudo do Projeto Campo Futuro, da CNA, identificou que entre 2019 e 2025, os preços das plantadeiras aumentaram entre 131% e 225%, o das colheitadeiras cresceram de 57% a 124% e o dos tratores tiveram incremento que variou de 107% a 154%.
O estudo, divulgado em 2025, contemplou 12 regiões estratégicas localizadas no Sul, Centro-Oeste e Matopiba+PA, identificando que operações mecânicas e depreciação de máquinas respondem por cerca de 17% do custo operacional total do produtor.
O diretor comercial da RZK Rental, Eduardo Martinatti, acredita que a mentalidade de uma nova geração no campo exemplifica o atual momento do mercado. “Querer ser o dono da máquina ainda é uma cultura dominante entre os produtores, mas observamos que o pensamento vem mudando, especialmente com a sucessão nas fazendas”, diz.
O executivo salienta que a empresa estima crescimento de 3,5% neste ano e de 10% em 2027. Essa ascensão vem impulsionada, em parte, justamente pelo público mais jovem. “Para eles, o valor imobilizado e as dificuldades de gerir a própria frota pesam mais. Assim, optam por deixar o caixa livre para investir em estruturas e novas oportunidades.”
Esse comportamento foi, inclusive, ilustrado por pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado (BIM³), cujos dados mostram que 38% das propriedades rurais brasileiras alugam colheitadeiras para suas operações. Quando o assunto são pulverizadores, o número é de 19%, enquanto nos tratores é de 11%.
Pagamentos conforme a receita
Para aumentar ainda mais esses números, o setor vem apostando na customização. Na RZK Rental o preço do aluguel é de acordo com a demanda de receita do produtor dentro da sua operação. “Tentamos entender exatamente as necessidades do cliente para garantir que o serviço não seja um custo para ele nos momentos de baixa na receita na fazenda”, conta.
Modelo semelhante é adotado pela Armac, onde os contratos já seguem a sazonalidade do campo. “Na locação mensal, o cliente pode contratar o equipamento pelo período de que precisa, como durante a safra, e devolvê-lo na entressafra. Para demandas pontuais, as lojas também oferecem pacotes de 3, 7, 14 ou 21 diárias”, detalha o vice-presidente de Locação, Leonardo Suarez.
A empresa também vem em uma crescente. Por ter capital aberto, não divulga projeções, mas o balanço do segundo trimestre deste ano dá pistas do desempenho: receita bruta de R$ 586,2 milhões, 19,3% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Ainda que o maior foco da Armac seja a linha amarela, operações diretamente ligadas ao agro, como usinas de cana e de etanol de milho, agroindústrias, empresas de fertilizantes, armazéns, terminais e propriedades rurais, já utilizam cerca de 30% da frota de mais de 15 mil ativos da companhia.
“Na nossa experiência, o cliente que troca a compra pela locação dificilmente volta atrás”, diz Suarez. De acordo com ele, o produtor costuma enxergar que o modelo é vantajoso com uma conta simples: a comparação da parcela do financiamento com o valor do aluguel menos os encargos com manutenção, seguro, peças, depreciação e o tempo de máquina parada.
E os ventos favoráveis à locação de máquinas ainda devem ganhar um novo aliado: a Reforma Tributária. Com a obrigatoriedade de um CNPJ e a consequente formalização jurídica a partir de 2027, o produtor passa a conseguir recuperar e aproveitar os créditos tributários gerados no modelo de aluguel (IBS e CBS), o que antes era inviável.
Locação como complemento
Produtora de soja, milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar e também atuante na pecuária, a BrasilAgro aluga máquinas desde o começo de suas atividades.
De acordo com o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Gustavo Javier Lopez, a companhia possui frota própria, que representa a maior parte dos equipamentos, mas a locação é utilizada como complemento, especialmente na renovação da frota ou quando a análise de payback indica que se trata da alternativa mais vantajosa.
“Alugamos tratores de grande porte, com mais de 300 cv, plantadeiras com 30 linhas ou mais e pás-carregadeiras. Também alugamos caminhões de apoio às operações das fazendas, como munck, roll-on/roll-off e baú, além de micro-ônibus para o transporte interno de funcionários”, conta.
O executivo conta que o modelo de contrato que a empresa opta é o de pagamento mensal. “Existem companhias que oferecem a modalidade safra, com pagamento em 30 de abril. Porém, para nós, nas condições atuais, essa opção não tem sido a mais vantajosa em razão dos juros.”
Lopez destaca que a BrasilAgro trabalha com três modalidades de utilização de máquinas: terceirização dos serviços, aquisição e locação. “No planejamento, avaliamos qual delas atende melhor cada operação. Essa combinação ajuda a reduzir a exposição ao risco de indisponibilidade de frota nos períodos de pico”, conta.
O relatório Rental Market Report, da KPMG com Analoc e Sobratema, projeta que o setor de aluguel de máquinas e equipamentos deve faturar R$ 52,9 bilhões em 2026, 7% a mais que em 2025.
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