Sustentabilidade
Ceema: Soja volta a superar US$ 12,00 em Chicago e alcança melhores preços do ano no Brasil – MAIS SOJA

As cotações da soja, em Chicago, voltaram a ultrapassar os US$ 12,00/bushel, com o primeiro mês fechando a quinta-feira (20) em US$ 12,20, contra US$ 11,68 uma semana antes. Agora é a chuva intensa no Meio Oeste estadunidense que se torna motivo de alta em Chicago, além da continuidade dos conflitos bélicos entre EUA e Irã, em particular, que fazem o óleo de soja se manter ao redor de 70 centavos de dólar por libra-peso naquela Bolsa. Soma-se a isso a redução para 61% das lavouras estadunidenses em condições entre boas a excelentes, contra 68% nesta mesma época no ano passado.
Mas, o desenvolvimento da oleaginosa continua acelerado nos EUA, com 85% das lavouras formando vagens no dia 16/08, contra 80% na média. Além disso, a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA indicou que o esmagamento de soja naquele país, em julho, foi de 5,9 milhões de toneladas, sendo ele 11% acima do registrado no mesmo mês do ano passado, embora o mercado esperasse 6,03 milhões.
Por sua vez, a China continua comprando soja dos EUA, dentro dos acordos ligados ao tarifaço de Trump, embora comecem a existir dúvidas sobre se o país asiático conseguirá atingir o volume total anual de 25 milhões de toneladas, acertado entre os dois países. Pelo sim ou pelo não, o fato é que “o ritmo ficou ainda mais intenso nas últimas semanas à medida em que se aproxima a visita do líder chinês Xi Jinping a Washington em setembro, somado ao fato de que a oleaginosa norte-americana vinha, de fato, mostrando-se mais barata do que a brasileira.
Mas, as compras vêm sendo feitas pelas estatais da China, enquanto as processadoras privadas não caminham na mesma direção. Qualquer choque imediato na oferta seria amortecido pelos amplos estoques de soja e farelo de soja da China, porém, essa reserva pode não durar muito, e a janela para garantir suprimentos adicionais está se fechando, sendo que a cobertura de soja pelas processadoras privadas na China, entre novembro e janeiro, ainda está indefinida”(cf. Bloomberg).
E na Índia, segundo a Reuters, as importações de óleo de soja devem atingir um recorde em agosto. As interrupções no fornecimento de óleo de girassol, devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, estão levando os indianos a buscarem outros óleos. Em tal contexto, as importações de óleo de soja em agosto devem subir para 620.000 toneladas, quase 46% acima da média mensal de importações de 424.549 toneladas registrada até o momento na safra atual, que começou em novembro.
Com a maior demanda indiana, a exportação de óleo de soja do Brasil saltou 130% em julho, em relação ao mesmo período do ano passado, para 317.500 toneladas. A Índia, maior importador global de óleos vegetais, foi destino da maior parte do total exportado pelo Brasil em julho, adquirindo 269.400 toneladas. Além do Brasil, a Argentina costuma ser importante fornecedor aos indianos.
A Rússia e a Ucrânia respondem pela maior parte das compras de óleo de girassol pela Índia, que provavelmente cairão para 180.000 toneladas em agosto, o menor volume desde fevereiro de 2026 e uma queda de 28% em relação ao mês anterior. O prêmio do óleo de soja, em relação ao óleo de palma, diminuiu para cerca de US$ 50,00 por tonelada, frente a mais de US$ 100,00 em abril, já que os preços do óleo de palma subiram devido a preocupações de que condições climáticas desfavoráveis possam afetar a produção. Além disso, a Indonésia tem planos de aumentar o uso do óleo de palma para biocombustíveis.
Assim, o prêmio mais baixo está tornando o óleo de soja mais atraente para os compradores indianos, que são sensíveis ao preço. Dito isso, o suporte às cotações da soja em Chicago também vem devido a crescente preocupação do potencial produtivo da safra estadunidense. Levantamentos da Pro Farmer Crop Tour “mostraram contagens de vagens de soja inferiores às observadas no ano passado em algumas regiões de Illinois e Iowa”. O recuo é de 3,3% em relação ao levantamento de 2025, embora o resultado ainda esteja 2,9% acima da média dos três anos anteriores. O mercado aguarda, agora, os resultados finais do Crop Tour.
Diante disso, e de um câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar, mais prêmios firmes nos portos brasileiros, o preço da soja nacional, aos produtores, voltou a subir. Nas principais praças gaúchas o valor oscilou entre R$ 128,00 e R$ 129,00/saco. Já no restante do país os preços ficaram entre R$ 128,00 e R$ 139,00/saco. São os melhores preços do ano para a oleaginosa.
Por sua vez, analista privado avançou que a futura safra brasileira de soja, 2026/27, que começa a ser semeada em setembro, poderá chegar a 181,7 milhões de toneladas, ficando estável em relação à última colheita. A área a ser colhida chegaria a 49,2 milhões de hectares e a produtividade média em 3.690 quilos/ha (61,5 sacos/ha). Tudo isso, desde que o clima seja positivo (cf. Hedgepoint Global Markets).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Ceema: Trigo atinge maior valor em 19 dias em Chicago, mas mercado interno segue em ritmo lento – MAIS SOJA

As cotações do trigo também subiram nesta semana, com o primeiro mês cotado batendo em US$ 6,82/bushel no fechamento do dia 20/08 (quinta-feira), o mais alto valor em 19 dias úteis, contra US$ 6,52/bushel uma semana antes.
Nos EUA a colheita do trigo de inverno avançou para 96% da área no dia 16/08, contra 94% na média. Por sua vez, a colheita do trigo de primavera, naquele país, chegou a 41% da área total, contra 34% na média. E no Brasil, os preços permaneceram estáveis em R$ 70,00/saco no Rio Grande do Sul e R$ 75,00 no Paraná.
Segundo a Conab, o plantio está encerrado no país, com 20,3% da área em emergência, 53,9% em desenvolvimento vegetativo, 12% em floração, 20,3% em enchimento de grãos e 9% em maturação. Até o dia 11/08 a colheita do trigo também já havia alcançado 4,7% do total da área cultivada, com Goiás já tendo atingido a 70% da área, Minas Gerais 35%, Mato Grosso do Sul 10% e São Paulo 5%.
Enquanto no Rio Grande do Sul a colheita ainda está distante, no Paraná a mesma se inicia em setembro. Neste momento, segundo a Conab, quase todas as áreas daquele estado são classificadas como boas, já que o clima está favorecendo o desenvolvimento.
Apesar disso, algumas regiões apresentam plantas amareladas devido ao excesso de umidade do solo. Ventos fortes também foram relatados e causaram acamamento pontual. De foram geral, o último relatório da Conab aponta para uma colheita total de trigo, no país, em 5,8 milhões de toneladas, confirmando a tendência por nós indicada semanas atrás.
Quanto ao comportamento do mercado, o sul do país segue com baixa liquidez. “No Rio Grande do Sul, a pouca disponibilidade limita os negócios. Vendedores pedem R$ 1.350,00 por tonelada FOB, enquanto compradores aceitam até R$ 1.320,00, sem avanço nas tratativas. A cobertura dos moinhos avançou até cerca de 20 de setembro, em um ambiente de moagem baixa e margens pressionadas pelo descompasso entre trigo e farinha. O farelo aparece como o produto com melhor sustentação de preços. Para a safra nova, o mercado segue praticamente parado, com cerca de 60 mil toneladas negociadas até agora.
Em Santa Catarina, a ausência de ofertas de trigo local mantém os moinhos abastecidos, principalmente com produto de estados vizinhos. Para trigo pão, as referências ficam entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada. E no Paraná, cresce a preocupação com o abastecimento da próxima safra diante da redução da área plantada e do risco de chuvas excessivas em fases críticas da cultura. Os preços para a safra nova variam de R$ 1.450,00 em setembro a R$ 1.400,00/tonelada em novembro. Os negócios seguem travados (cf. TF Agronômica).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Lavouras de canola avançam em floração no RS com otimismo, apesar do clima úmido – MAIS SOJA

As lavouras apresentam estabelecimento e desenvolvimento adequados. Predominam as fases de florescimento, formação de síliquas e enchimento de grãos. A estrutura reprodutiva demonstra, em geral, elevada emissão floral e bom potencial de formação de síliquas, embora se observe, em algumas áreas, redução no desenvolvimento dessas estruturas e no número de sementes por síliqua.
O excesso de precipitações, a persistência de elevada umidade e a baixa luminosidade também interferiram no desempenho das parcelas mais tardias e aumentaram a preocupação com a polinização e a condição física do solo.
Em termos fitossanitários foram identificados focos localizados de traça-dascrucíferas, com danos às síliquas, além da necessidade de monitoramento para as doenças canela-preta e mofo-branco. Apesar de as condições meteorológicas terem imposto restrições ao acesso às lavouras e à realização de tratamentos, o quadro sanitário está, em geral, favorável, e o potencial produtivo positivo.
A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Maçambara, aproximadamente 70% das lavouras estão em floração com bom desenvolvimento. As áreas semeadas ou ressemeadas tardiamente foram mais afetadas pela elevada umidade e baixa luminosidade, com reflexos no crescimento vegetativo e no aumento da incidência de doenças foliares.
Na de Frederico Westphalen, a cultura apresenta desenvolvimento satisfatório. Estão 2% da área em desenvolvimento vegetativo, 48% em florescimento e 50% em enchimento de grãos. As condições climáticas do período favoreceram a evolução das lavouras e a formação das estruturas reprodutivas. Não há registro de problemas fitossanitários significativos.
Na de Ijuí, 70% estão em florescimento, 23% em formação de síliquas e grãos e 7% em desenvolvimento vegetativo. As plantas apresentam elevada quantidade de flores, sem evidências expressivas de falhas de fecundação e com bom número de síliquas. Entretanto, o limitado desenvolvimento das síliquas vem reduzindo o número de sementes formadas em cada estrutura.
Na de Pelotas, o estande está satisfatório. Estão 80% das plantas em florescimento e 20% em desenvolvimento vegetativo. As chuvas intensas, acumuladas nas últimas semanas, acompanhadas de muitos dias nublados e de elevada umidade relativa, afetaram o desenvolvimento e aumentaram a apreensão quanto aos efeitos do excesso hídrico contínuo nas lavouras.
Na de Santa Rosa, 8% em desenvolvimento vegetativo, 60% em floração, 30% em enchimento de grãos e 2% em maturação. O estado geral dos cultivos está bom, e o potencial produtivo favorável. Foram identificados danos pontuais atribuídos à traça-das-crucíferas, principalmente nas síliquas, com consumo da epiderme e exposição ou comprometimento do conteúdo das estruturas reprodutivas. A incidência dessa praga ainda não apresenta caráter generalizado, mas aumenta a preocupação com a necessidade de acesso às lavouras em estádios avançados, quando o trânsito de máquinas pode provocar danos mecânicos relevantes.
Em Garruchos, são observadas as primeiras áreas em maturação. Na de Soledade, cerca de 5% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo e 95% em florescimento e formação de síliquas. Apesar do excesso de chuvas, os estados nutricional e fitossanitário estão satisfatórios. O monitoramento tem sido direcionado à traça-dascrucíferas e às doenças canela-preta e mofo-branco.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado na região de Frederico Westphalen foi R$ 131,00; na de Ijuí, R$ 132,60; na de Santa Rosa, R$ 132,31.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Trigo/RS: Excesso de umidade atarda desenvolvimento e exige atenção para doenças – MAIS SOJA

As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento regular, parcialmente prejudicado pelo excesso de precipitações, pela persistência de nebulosidade e pela baixa disponibilidade de radiação solar. Essas condições reduziram a taxa de crescimento e retardaram a progressão
fenológica em parte dos cultivos, resultando em plantas de menor porte, coloração verdepálida e, nos ambientes mais úmidos, amarelecimento das folhas inferiores. Também se observa a formação de colmos mais delgados, levando ao menor acúmulo de biomassa.
Em termos fenológicos, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo (82%), e parcelas implantadas mais precocemente avançam para a floração (14%) e enchimento de grãos (4%). O prolongado período de molhamento foliar e a elevada umidade têm aumentado a pressão de doenças, especialmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, a elevada umidade do solo vem restringindo o trânsito de máquinas e reduzindo as janelas para a aplicação de fungicidas.
Apesar das condições meteorológicas, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o desenvolvimento das lavouras tem sido prejudicado, causando amarelecimento e sinais associados à baixa aeração radicular. As aplicações de fungicidas ficaram concentradas às reduzidas janelas de tempo firme, direcionadas principalmente para os cultivos em floração.
A presença de insetos-praga está baixa, mas há necessidade de maior atenção às doenças foliares. Na de Caxias do Sul, a baixa luminosidade, associada à elevada precipitação, retardou o desenvolvimento das plantas, mantendo a maior parte das lavouras em perfilhamento. Os produtores realizam adubação nitrogenada e controle de plantas invasoras. O estabelecimento inicial é considerado adequado, embora tenham sido registradas falhas de germinação em algumas áreas.
Na de Frederico Westphalen, 70% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 15% em florescimento e 15% em enchimento de grãos. A nebulosidade persistente e a reduzida radiação solar limitaram o desenvolvimento. Já a umidade excessiva do solo restringiu as operações mecanizadas e concentrou o manejo na aplicação de fungicidas.
Na de Ijuí, 95% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 5% em floração. As plantas apresentam coloração verde-pálida, amarelecimento nos locais mais úmidos, maior altura, colmos finos e folhas estreitas. Houve aumento da incidência de oídio e de manchas foliares; nos cultivos em floração foram observados sintomas de mal-do-pé e morte de plantas. A elevada umidade tem dificultado a aplicação de fungicidas e provocado o amassamento de plantas e o atolamento de máquinas nos pontos mais úmidos.
Na de Passo Fundo, todos os cultivos de trigo estão em afilhamento, e a adubação nitrogenada em cobertura foi concluída. Na de Pelotas, 96% estão em desenvolvimento vegetativo e 4% no início do florescimento. As chuvas intensas e em alto volume não causaram danos diretos às lavouras, mas vêm retardando o desenvolvimento das plantas.
Na de Santa Rosa, 73% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração e 4% em enchimento de grãos. Nos cultivos em florescimento, a combinação de temperaturas entre 20 e 25 °C com molhamento prolongado favorece as infecções por giberela. Já nas áreas em espigamento, as temperaturas mais elevadas, a nebulosidade e a
alta umidade ampliam a condição de risco para brusone. A abertura de uma janela de tempo firme permitiu a intensificação das aplicações de fungicidas.
Na de Soledade, o excesso de chuva restringiu o manejo fitossanitário e favoreceu a incidência de doenças fúngicas, principalmente manchas foliares e ferrugens, já com sintomas observados em algumas lavouras. Parte das áreas em espigamento havia recebido tratamento preventivo para giberela. A condição geral dos cultivos está satisfatória. Quanto à fenologia, 30% estão em perfilhamento, 55% em elongação do colmo e 15% em espigamento.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,21%, passando de R$ 69,80 para R$ 69,65 com pH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 75,00/sc. para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
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