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26 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Internado em SP, Cacique Raoni tem nova hemorragia digestiva e piora no quadro renal MT

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O líder indígena Raoni Metuktire, de 93 anos, apresentou uma nova hemorragia digestiva na sexta-feira (10), mas o sangramento já foi controlado pela equipe médica. Segundo boletim divulgado pelo Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) neste sábado (11), o cacique segue estável, consciente e respirando sem auxílio de aparelhos, apesar de uma leve piora no quadro renal e tosse com secreção.

O boletim informa que Raoni está respondendo a comandos e aceita alimentação por via oral. A piora na função renal está sendo tratada.

O cacique recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na última segunda-feira (6), após apresentar melhora clínica. Ele segue internado em um quarto de enfermaria.

Raoni foi internado em 19 de junho com um quadro de obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia seguinte, passou por uma cirurgia para desobstrução intestinal. Em 30 de junho, foi identificado um pneumotórax no pulmão direito, que foi drenado sem intercorrências.

De acordo com o hospital, Raoni apresentou uma outra hemorragia digestiva alta no dia 29 e foi submetido a uma endoscopia. O exame identificou sangramento ativo no estômago e no duodeno, que foi prontamente controlado.

Histórico de internações

Em maio deste ano, Raoni foi internado em Mato Grosso após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga. Ele recebeu alta em dois dias, mas voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia.

Segundo o hospital, o líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.

Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia.

Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação.

Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.

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Agro Mato Grosso

Homem é preso após provocar incêndio às margens da MT-251 em Cuiabá I MT

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Um homem de 36 anos foi preso em flagrante, suspeito de provocar um incêndio às margens da MT-251, na região de Cuiabá, sentido Chapada dos Guimarães, nesta terça-feira (25). A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema), após o suspeito ser identificado por imagens de câmeras de segurança.

Nas imagens, é possível ver o suspeito chegando ao local em um carro. Em seguida, ele desce, se aproxima do matagal, retorna ao veículo e vai embora. Minutos depois, motoristas que passavam pela região registraram a fumaça do incêndio.

O incêndio foi registrado nas proximidades do bairro Jardim Vitória. Segundo a Polícia Civil, uma aeronave do Corpo de Bombeiros identificou chamas altas e de grande intensidade no local.

Durante as investigações, os policiais analisaram imagens que circulavam nas redes sociais e conseguiram identificar o veículo que teria sido usado pelo suspeito no momento em que o fogo foi provocado.

Após consultas aos sistemas policiais, os investigadores chegaram até o possível autor, que mora no bairro Jardim Vitória. O veículo foi localizado chegando à residência do suspeito, onde os policiais fizeram a abordagem.

Durante a revista no carro, os agentes encontraram um isqueiro vermelho próximo ao câmbio e apreenderam o objeto. Questionado, o homem disse que possui uma chácara na região e que usaria o isqueiro no local.

O suspeito foi levado para a Dema, onde prestou depoimento e foi autuado em flagrante pelo crime ambiental de provocar incêndio em mata ou floresta. Depois, ele ficou à disposição da Justiça.

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Agro Mato Grosso

Manejo na entressafra reduz plantas daninhas e prepara lavouras para a próxima safra MT

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Chuvas fora de época favorecem emergência de invasoras no Cerrado e transformam período do vazio sanitário em oportunidade para diminuir custos e elevar a produtividade da soja e do milho

As chuvas isoladas registradas nas últimas semanas em diferentes regiões do Cerrado, especialmente em Mato Grosso, transformaram a entressafra em um momento estratégico para os produtores rurais. A umidade favoreceu a emergência e o rebrote de plantas daninhas, criando condições ideais para a realização do chamado manejo outonal, prática considerada fundamental para reduzir a infestação nas próximas lavouras de soja e milho.

Embora o Estado esteja no período do vazio sanitário da soja, especialistas alertam que este é justamente o momento mais eficiente para controlar as invasoras antes que elas completem seu ciclo e produzam novas sementes.

 

INFO manejo outonal

Além de competir por água, luz e nutrientes, as plantas daninhas dificultam as operações agrícolas, elevam os custos de produção e favorecem o desenvolvimento de populações resistentes aos herbicidas, aumentando os desafios para os produtores nas próximas safras.

Entre as espécies que mais preocupam estão a vassourinha-de-botão (Spermacoce latifolia e outras espécies dos gêneros Spermacoce e Borreria) e o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), reconhecidos pela elevada capacidade de adaptação e pela dificuldade de controle quando atingem estágios mais avançados de desenvolvimento.

Segundo o gerente técnico Talis Melo, as chuvas fora de época criaram uma oportunidade importante para a adoção do manejo antecipado.

“Após as chuvas fora de época, muitas plantas daninhas emergem ou rebrotam, encontrando condições favoráveis para o seu desenvolvimento. Nesse estágio, elas apresentam maior atividade metabólica, o que favorece a absorção dos herbicidas e aumenta significativamente a eficiência do controle antes do início da próxima safra”, explica.

O especialista destaca que a eliminação dessas plantas ainda na entressafra reduz o chamado banco de sementes presente no solo, diminuindo a pressão de infestação nas culturas seguintes. Com isso, o produtor inicia o plantio em uma área mais limpa, reduz a necessidade de aplicações corretivas ao longo do ciclo e cria melhores condições para que soja e milho expressem todo o seu potencial produtivo.

Além dos ganhos agronômicos, o manejo antecipado também pode representar economia para o produtor. Áreas com menor infestação exigem menos intervenções durante a safra, contribuindo para reduzir o consumo de herbicidas, otimizar as operações de pulverização e minimizar perdas de produtividade provocadas pela competição entre culturas e plantas invasoras.

Para que os resultados sejam satisfatórios, entretanto, o manejo deve ser planejado de acordo com as características de cada propriedade. Entre os fatores que precisam ser avaliados estão o histórico da área, as espécies predominantes, o estágio de desenvolvimento das plantas daninhas e as condições climáticas no momento da aplicação.

A escolha correta dos herbicidas, dos adjuvantes e da tecnologia de aplicação também influencia diretamente a eficiência do controle e ajuda a retardar o surgimento de plantas resistentes aos princípios ativos disponíveis no mercado.

Para Talis Melo, o sucesso da próxima safra começa muito antes da semeadura.

“Controlar espécies como a vassourinha-de-botão e o capim-pé-de-galinha neste momento significa reduzir a pressão de infestação, facilitar o manejo ao longo do ciclo e criar as condições necessárias para que soja e milho alcancem maior produtividade e rentabilidade”, afirma.

Com o início do planejamento da safra 2026/27, o manejo da entressafra ganha importância crescente dentro das estratégias adotadas pelos produtores mato-grossenses para preservar a produtividade e reduzir os custos de produção em um cenário de margens cada vez mais apertadas.

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Agro Mato Grosso

Pioneiro de Itanhangá: produtor rural relembra fundação e desenvolvimento do município

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Claudionor Francisco Basso conta sobre a trajetória e os desafios enfrentados no interior de Mato Grosso

Ser produtor rural em Mato Grosso é muito mais do que plantar, é também participar do desenvolvimento dos municípios e ajudar a construir histórias que atravessam gerações. A trajetória do delegado do núcleo de Itanhangá, Claudionor Francisco Basso, está diretamente ligada ao desenvolvimento do município. Associado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), ele chegou a Mato Grosso em 1988 em busca de um pedaço de terra para trabalhar e, anos depois, participou de momentos importantes para a fundação de Itanhangá.

Antes de contribuir para o desenvolvimento do município, Claudionor trabalhou em diferentes atividades ligadas à agricultura. Em 1997, chegou à região onde hoje está Itanhangá. Na época, a localidade ainda não contava com infraestrutura básica, como estradas e energia elétrica. Para que esses serviços chegassem à comunidade, os moradores precisaram se unir e buscar alternativas.

“Nós trabalhamos para abrir a estrada e trazer uma estrada para Ipiranga do Norte. As prefeituras ajudaram, os lavoureiros também ajudaram com máquinas, e nós abrimos a estrada para poder vir a energia. Só que a energia só vinha se nós fizéssemos um contrato para pagar o tronco da energia. Éramos 300 moradores na vila e fizemos um contrato para pagar em dez anos. Todo mês que vinha a energia, nós pagávamos a taxa do tronco para poder manter o fornecimento. Graças a Deus, a energia chegou. Em três anos que estávamos na vila, nós já tínhamos energia dentro da cidade”, contou.

A construção da comunidade também contou com a participação da família. Além de cuidar dos filhos, Claudionor Henrick e Naiara, a esposa do produtor, Nara Basso, participou ativamente das ações para estruturar os serviços básicos da localidade. Entre as atividades, ajudou na construção da escola e nas ações da igreja e das associações.

Na época, a falta de estrutura fazia com que os próprios moradores precisassem se organizar para garantir o funcionamento dos serviços. Nara lembra que a união entre as famílias foi fundamental para que a comunidade avançasse.

“Éramos poucas pessoas, e as que estavam ali participavam. Era o casal com os filhos, todos participavam. Todo final de semana a gente ia prestar serviço para a igreja, para as associações e participar das reuniões. Tinha que ir porque éramos poucas pessoas. A gente se unia para fazer acontecer”, lembrou.

Entre os desafios enfrentados pela família, houve momentos em que Claudionor chegou a pensar em desistir. Um dos episódios mais difíceis ocorreu quando a filha precisou de atendimento médico e a família enfrentou dificuldades para deixar a propriedade e chegar até a cidade mais próxima.

Mesmo com poucos recursos e diante das dificuldades de acesso, a família decidiu permanecer na região. Claudionor lembra que, no início, precisou trabalhar em outras propriedades para sustentar a casa enquanto a esposa e os filhos permaneciam no sítio.

“Eu tinha um caminhãozinho que conquistei trabalhando em fazenda, eu e minha esposa. Esse caminhãozinho sustentava nós. Eu ia fazer safra em Lucas do Rio Verde e minha esposa e meus filhos ficavam aqui no sítio. O maior desafio foi quando começamos aqui sem recurso. Cheguei a sentar em cima de um toco e chorar. Mas nós somos muito persistentes, fomos muito persistentes e não desistimos. Enfrentamos esse desafio e, graças a Deus, conseguimos vencer”, explicou.

A persistência que marcou os primeiros anos da família também veio dos ensinamentos recebidos desde a infância. Filho de agricultores, Claudionor afirma que cresceu aprendendo que o trabalho e a determinação eram fundamentais para superar as dificuldades.

“Sempre fomos filhos de agricultores, nasci na roça, me criei na roça, e a criação da gente era a seguinte: vai fazer e nunca desistir”, afirmou.

Com a fundação do município, em 2005, e o crescimento da população, novas demandas surgiram. Era necessário construir escolas, melhorar as estradas e estruturar serviços para que os moradores pudessem trabalhar e criar suas famílias. Por estar entre os primeiros moradores, Claudionor participou de diferentes iniciativas que contribuíram para a formação da cidade.

Ao longo dos anos, esteve envolvido na organização dos moradores, na associação de produtores, na abertura e melhoria de estradas, na construção da igreja, na estruturação da segurança, no transporte escolar, na mobilização para levar energia elétrica, no processo de emancipação do município, na Secretaria de Agricultura, na implantação de agroindústrias e na criação da Feira do Produtor.

“Fiz parte da emancipação, do grupo de emancipação do município. Participei da implantação do município, graças a Deus. E continuo participando até hoje da comunidade e da igreja. Fui representante de núcleo de um banco e também fiz parte do Conselho de Administração. Depois saí porque entrei na Secretaria da Agricultura. O prefeito me chamou e insistiu para que eu fosse secretário, e fiquei três anos na Secretaria da Agricultura”, revelou.

Segundo Claudionor, o período à frente da Secretaria de Agricultura também foi marcado por desafios e pela busca de recursos para estruturar o município.

“Consegui desenvolver muitas coisas na Secretaria da Agricultura. Naquela época, nós éramos zerados, íamos para Cuiabá e, muitas vezes, ficávamos até 10 ou 11 horas esperando o governador sair de uma janta ou de uma reunião para conseguirmos recursos. Quando entrei na Secretaria da Agricultura, havia 140 mil reais de patrimônio, eu entreguei com três milhões”, afirmou.

Para o produtor rural, as conquistas alcançadas ao longo dos anos são resultado do esforço da família e da persistência diante das dificuldades. Uma história que também passou para os filhos e que hoje é vista com orgulho pelo filho mais novo, Claudionor Henrick.

“Eles são meu maior orgulho. É o orgulho de ser filho deles e de poder carregar isso comigo. A história deles, ter acompanhado uma pequena parte, não toda a vida, mas essa pequena parte desde o início da minha vida até agora, eu quero carregar esse orgulho pelo resto da vida comigo. Esse ensinamento que eu tive deles, esse orgulho de ser agricultor e produtor juntamente com eles, é isso que eu quero carregar, esse legado”, contou.

A história de Claudionor e Nara Basso se mistura à própria formação de Itanhangá. Entre estradas abertas, energia elétrica, trabalho na lavoura e mobilização da comunidade, a família ajudou a construir parte da estrutura que permitiu o crescimento do município. Uma diferença que hoje também é acompanhado pelos filhos e segue sendo construído pelas novas gerações no campo.

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