Agro Mato Grosso
Capacitação do TCE-MT reúne especialistas de todo país e ganha destaque nacional

Evento reúne especialistas de diversas regiões do Brasil para fortalecer a governança, o monitoramento dos planos de saúde e o controle social no SUS
Com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e reunindo especialistas de diferentes regiões do país, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) deu continuidade, nesta quarta-feira (24), à “Capacitação para o Fortalecimento do Controle na Saúde: Governança e Monitoramento dos Planos”. O evento, que ganhou repercussão nacional, reúne conselheiros municipais de saúde, gestores públicos e representantes de órgãos de controle para discutir estratégias de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Antes do início das atividades do segundo dia, os participantes foram recepcionados pelo presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas), conselheiro Guilherme Antonio Maluf, e pelo vice-presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), Sebastião Helvécio.
Na abertura, os presentes também acompanharam uma mensagem do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Qualificar os conselhos de saúde, acompanhar a execução dos Planos Municipais de Saúde e ampliar o uso de dados, indicadores e evidências significa aprimorar a gestão pública e garantir que as políticas de saúde gerem resultados concretos para a população”, afirmou o ministro.
Para Padilha, ações como a realizada pelo TCE-MT, por meio da Copspas, contribuem para os recordes de resultados no Sistema Único de Saúde (SUS). Como exemplo, ele destacou que, após o lançamento do programa Agora Tem Especialistas, em 2025, foram realizadas 14,9 milhões de cirurgias eletivas, número 42% maior do que em 2022. Também foram efetivados 1,3 bilhão de exames especializados, 4,7 milhões de quimioterapias e mais de 30,9 mil transplantes em todo o país.
“Esses números indicam que o trabalho conjunto que estamos realizando está no caminho certo, com planejamento, monitoramento, aprimoramento constante e investimentos onde a população mais precisa”, finalizou o ministro, ao desejar a todos uma excelente construção coletiva de soluções para fortalecer ainda mais a saúde pública brasileira.
O presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, destacou a importância da participação do ministro e ressaltou que a presença de autoridades nacionais fortalece o debate sobre a melhoria da gestão pública. “A participação do ministro Alexandre Padilha demonstra que o fortalecimento do controle social e da governança na saúde é uma pauta nacional. O diálogo entre os órgãos de controle, os gestores e o Ministério da Saúde é fundamental para construirmos soluções que garantam atendimento de qualidade à população.”
Na ocasião, o anfitrião, conselheiro Guilherme Antonio Maluf enalteceu o engajamento dos participantes e o compromisso dos conselheiros municipais com o SUS. Ao classificar a capacitação como um sucesso, ressaltou a importância da atuação daqueles que acompanham e fiscalizam as políticas públicas de saúde nos municípios e se comprometeu com a ampliação das ações qualificadoras.
“Tenho recebido muitas solicitações para tornar essa capacitação algo rotineiro e prometo que vou fazer uma discussão ampla junto ao presidente do TCE-MT conselheiro Sérgio Ricardo e demais conselheiros desta Corte e, se assim entendermos, podemos retomar o programa que existia no passado, de capacitação permanente ou continuada para os conselheiros municipais não só na saúde, mas também na educação, meio ambiente e segurança pública”, declarou Maluf.
O presidente da Copspas também defendeu a ampliação da iniciativa para todo o país. “Aproveitando a presença do representante do IRB, vou defender a tese de levarmos para todos os Tribunais de Contas do país duas capacitações por ano, sendo uma delas focada no controle social. Assim, poderemos construir uma rede nacional mais rígida, com uma performance mais eficaz e que fortalece o sistema.”
Ao agradecer o apoio institucional à realização do evento, Maluf destacou ainda a contribuição do vice-presidente do IRB, Sebastião Helvécio, para o fortalecimento do SUS e para a aproximação entre os órgãos de controle e as pautas da saúde pública. “Você já era e continua sendo minha referência, porque nos ensina muito com a sua perseverança e com essa fidelidade que você tem ao Sistema Único de Saúde”.
Por sua vez, o conselheiro Sebastião Helvécio, que também é presidente do Comitê Técnico de Saúde do IRB, ressaltou a relevância dos municípios dentro do modelo federativo brasileiro ao lembrar que o Brasil possui uma estrutura singular, na qual União, estados e municípios possuem autonomia e responsabilidades próprias.
“A figura que se destaca aqui hoje é a do município, e vocês devem se orgulhar em pertencer a uma organização municipal, porque essa é a grande peculiaridade do sistema administrativo brasileiro. Para mim, essa capacitação, muito mais do que capacitar, é humanizar. É se tornar mais preparado para exercer uma função nobre que temos, na oportunidade de influenciar na vida das pessoas. Estou muito feliz de ver esse auditório do nosso Tribunal de Contas do Mato Grosso completamente lotado”, disse Helvécio.
O vice-presidente do IRB também enfatizou que o controle da administração pública depende da atuação conjunta do controle externo, do controle interno e do controle social. Para ele, o trabalho realizado pelos conselheiros de saúde vai além da fiscalização e tem impacto direto na qualidade de vida da população.
Até a próxima quinta-feira (25), os participantes terão acesso a palestras e a módulos temáticos ministrados pela auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Distrito Federal Tarsila Firmino Ely e pelo chefe da Assessoria de Transparência e Controle Social da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, AB-Diel Nunes de Andrade.
Clique aqui e confira galeria de fotos do 2° dia da capacitação
Agro Mato Grosso
120 cabeças de gado é apreendido em fazenda suspeita de esconder animais furtados em MT

Polícia identificou 16 animais pertencentes a vítimas de furto e encontrou gado com marcas sobrepostas e sinais de remarcação. Responsável pela propriedade é investigado e não foi localizado.
Um rebanho de 120 cabeças de gado foi apreendido em uma propriedade rural de Dom Aquino, a 172 km de Cuiabá, após investigadores encontrarem animais furtados e indícios de alterações nas marcas de identificação. A ação ocorreu nessa segunda-feira (10), durante a Operação Curral do Crime II.
Segundo a Polícia Civil, 16 animais foram reconhecidos como pertencentes a duas vítimas de furtos de gado investigados desde junho. Uma delas teve mais de 60 cabeças levadas.
A investigação aponta que a propriedade pode ter sido utilizada para guardar, concentrar e esconder animais provenientes de crimes patrimoniais na região. Durante a conferência individual do rebanho, os policiais também encontraram animais com marcas sobrepostas, remarcações e sinais aparentes de alteração na identificação.
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Animais estavam com marcas sobrepostas e sinais aparentes de alteração na identificação — Foto: Polícia Civil
Ainda conforme a polícia, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar, naquele momento, a procedência regular de todo o gado encontrado na propriedade.
Ao todo, foram apreendidos cautelarmente 85 animais adultos e 35 bezerros. A polícia informou que vai analisar a origem de cada um por meio do cruzamento das marcas com Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais, registros de aquisição e informações sobre movimentações de rebanhos.
A investigação também apura a possível participação do responsável pela propriedade nos crimes. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam possível envolvimento do investigado, que não foi localizado.
As apurações continuam para identificar a procedência de todo o rebanho apreendido e localizar os demais animais furtados.
A polícia oriente que produtores que reconhecerem animais ou marcas podem procurar a Delegacia de Jaciara e apresentar documentos que auxiliem na identificação e comprovação da propriedade do gado.
Agro Mato Grosso
Efetor fúngico determina desfolha do algodoeiro e da oliveira

Gene presente em Verticillium dahliae controla patogenicidade e pode ter sido transferido entre fungos
Um único efetor secretado por Verticillium dahliae determina a desfolha causada por linhagens do patótipo desfolhante em algodoeiro e oliveira. A conclusão vem de estudo conjunto de pesquisadores de universidades de diversos países. A eliminação simultânea das duas cópias do gene, denominado D, suprimiu a patogenicidade e a desfolha nas duas culturas.
Os cientistas identificaram o gene por genômica comparativa. A análise inicial encontrou cerca de 200 quilobases exclusivos de linhagens desfolhantes. A comparação com outros genomas reduziu a região candidata para cerca de 24 quilobases. Nesse intervalo, dois genes idênticos codificavam proteínas secretadas e apresentavam expressão durante a infecção do algodoeiro.
A exclusão de apenas uma cópia do gene reduziu a agressividade de V. dahliae. A remoção das duas cópias impediu sintomas e eliminou a biomassa fúngica detectável no algodoeiro. A reintrodução do gene restaurou a capacidade de causar doença. A inserção do gene em uma linhagem não desfolhante também elevou a agressividade e provocou desfolha.
A proteína D purificada provocou murcha, clorose e queda de folhas em plântulas de algodoeiro sem necessidade de colonização extensa pelo fungo. Ensaios com Nicotiana benthamiana e Arabidopsis thaliana indicaram participação do efetor na patogenicidade além da desfolha.
Homólogos do gene D também ocorrem em espécies de Fusarium. As análises filogenômicas apontaram episódios de transferência horizontal entre fungos. Os pesquisadores relacionaram esse processo a grandes elementos transponíveis conhecidos como Starships. A estrutura tridimensional de um homólogo de Fusarium oxysporum revelou ainda um dobramento proteico não caracterizado anteriormente, o que sustenta a existência de uma nova família de efetores fúngicos (doi 10.1038/s41467-026-74504-z).
Agro Mato Grosso
Colheita do milho chega à reta final em Mato Grosso

Chuvas em excesso, atraso no plantio e custos elevados desafiaram os produtores nesta temporada; Dados são da Pesquisa de safra do Imea em parceria com a Aprosoja MT
Mato Grosso caminha para o fim da colheita do milho segunda safra 2025/26. Até 08 de agosto, 99,10% da área já havia sido colhida, com a produção estimada em 57,39 milhões de toneladas. Os dados integram o relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e se apoiam na pesquisa de safra realizada em campo, em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), junto aos produtores do estado.
A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, alta de 2,41% na comparação anual e de 0,57% ante o relatório de julho. O levantamento combina geoprocessamento e sensoriamento remoto, técnica que identifica a cultura ao longo do ciclo e a distingue de outras coberturas do solo. A produtividade média manteve-se estável em 128,67 sacas por hectare.
Pelo lado do consumo, o instituto projeta demanda de 57,20 milhões de toneladas para 2025/26, praticamente em linha com a produção estimada. O consumo interno responde por 22,10 milhões de toneladas, alta anual de 9,12%, puxada pela expansão e pelo ritmo aquecido das usinas de etanol de milho instaladas no estado. O mercado interestadual deve absorver cerca de 11 milhões de toneladas, 6,18% a mais que na temporada passada, movimento que reforça o papel do milho mato-grossense no abastecimento de regiões com produção em retração. Com a maior absorção pelo mercado doméstico, a projeção de exportações recuou 1,09%, para 24,10 milhões de toneladas.
Clima adverso pesou sobre as lavouras – No campo, o resultado veio acompanhado de dificuldades. “Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado”, afirma Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT. Segundo ele, o excesso de chuva em março e abril favoreceu doenças e reduziu a eficiência da adubação nitrogenada em parte das áreas.
O dirigente aponta as janelas de plantio como o principal fator determinante da temporada. “Muitas regiões tiveram início de plantio cedo, no fim de setembro, mas depois choveu e muitas áreas foram plantadas a partir de 15 de outubro”, diz. O atraso empurrou parte da semeadura para o fim de janeiro e a segunda quinzena de fevereiro, expondo as lavouras a um período de maior umidade.
Em Porto dos Gaúchos, o produtor rural do núcleo do Vale dos Arinos, Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho, com resultado pouco abaixo do esperado. “Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, conta.
Com a produção estocada em silo e silo bolsa na propriedade, ele aguarda a reação do mercado para vender. Cerca de 20% do volume é consumido na pecuária da fazenda; o restante será negociado. A expectativa é negociar a saca em R$ 50 via cooperativa. Do lado do ciclo anterior, os estoques finais de 2024/25 recuaram 32,14% no mês, para 974 mil toneladas, ainda acima do nível de 2023/24, mas em movimento que dá suporte à aposta em preços mais firmes.
Custos da próxima safra preocupam produtor – A atenção do setor já se volta ao ciclo seguinte, e a conta de produção é o que mais pesa. Gilson Antunes de Melo lembra que a decisão de plantio está próxima e que o milho ocupa boa parte das áreas de soja. “A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirma, ao projetar um ano desafiador e recomendar cautela.
Staniszewski ainda não fechou a compra de insumos para o próximo plantio. “Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não”, diz. Ele condiciona o tamanho do investimento ao preço e ao clima: um cenário de El Niño forte, em sua avaliação, pode atrasar o plantio de soja e milho, o que reduzirá a produtividade no futuro, significando ser menos viável investir alto nesse ciclo.
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