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11 de agosto de 2026

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BNDES aprova R$ 53,99 milhões para modernizar irrigação e energia da Agrovale

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 53,99 milhões em financiamentos do Programa Fundo Clima para a Agro Indústrias do Vale do São Francisco S.A. (Agrovale). Os recursos serão destinados à modernização dos sistemas de irrigação e de geração de energia da unidade industrial da empresa em Juazeiro (BA), com foco em eficiência hídrica, eficiência energética e melhor aproveitamento da biomassa.

As operações foram estruturadas pelo Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com apoio da Gerência Nordeste do banco. Segundo o BNDES, os projetos buscam aumentar a eficiência no uso da água e da energia na unidade produtiva, além de ampliar o aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar como fonte renovável.

A principal operação, de R$ 39,27 milhões, financiará a substituição da irrigação por gravidade por irrigação localizada por gotejamento em cerca de 490 hectares cultivados com cana-de-açúcar. O projeto inclui estação de bombeamento, sistemas de filtragem, tubulações, válvulas de controle, automação hidráulica e emissores gotejadores, além de obras de adequação das áreas, infraestrutura elétrica e hidráulica, montagem, testes operacionais e comissionamento.

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De acordo com o BNDES, o sistema modernizado prevê eficiência operacional estimada em cerca de 95% e perdas hídricas inferiores a 5%, sem ampliação da área irrigada. A proposta também contempla aplicação mais uniforme da água, maior controle operacional e fertirrigação mais precisa.

A segunda operação, de R$ 14,72 milhões, apoiará a modernização do sistema de geração térmica a biomassa da unidade industrial. Os recursos serão aplicados na atualização tecnológica da caldeira e dos sistemas de combustão, automação, instrumentação, monitoramento, controle e isolamento térmico.

Segundo a Agrovale, os investimentos integram a estratégia da empresa de produzir com maior eficiência no uso da água, da energia e dos demais recursos naturais no semiárido. A companhia atua há mais de cinco décadas no Vale do São Francisco e produz açúcar, etanol e bioeletricidade.

Com os dois financiamentos, a Agrovale avançará na troca do sistema de irrigação em áreas de cana-de-açúcar e na atualização da geração térmica com biomassa, em projetos voltados à redução de perdas de água, ao aumento da eficiência operacional e ao melhor aproveitamento energético do bagaço de cana.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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Cientistas identificam ‘impressão digital química’ para rastrear a origem do pescado

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Pesquisador Luiz Colnago

Pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa e de instituições parceiras identificou
uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de
determinar a origem geográfica a partir de pequenas moléculas presentes no músculo do
peixe. A descoberta representa um avanço relevante para a rastreabilidade, autenticidade e
valorização de produtos pesqueiros no país.

Os resultados estão publicados no artigo Application of Magnetic Resonance Tools for Qualification and Traceability of Mullets, no periódico científico internacional Fishes. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O apoio financeiro é da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

A pesquisa utilizou a técnica de espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (^1H NMR), que funciona como um “raio-X” químico para mapear a posição dos átomos de hidrogênio, associada à metabolômica, ciência que estuda os metabólitos — pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia.

A combinação dessas duas ferramentas permitiu identificar biomarcadores químicos capazes de diferenciar tainhas capturadas em três localidades distintas do Brasil e detectar diferenças na composição do músculo relacionadas às características do ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes.

Segundo Fogaça, a pesquisa representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no País. “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, destaca a pesquisadora.

Rigor científico e tecnologia de ponta

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram amostras do pescado coletadas em diferentes estações do ano, na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina. O protocolo experimental utilizou um equipamento avançado de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), com alta resolução, capaz de mapear a estrutura molecular de substâncias presentes no músculo do peixe com elevado nível de precisão.

Colnago, que é especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica permitiu identificar compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais o peixe foi exposto ao longo da vida.

“Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não conseguem fornecer informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas que ocorrem no pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um “código de barras químico”, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas”, complementa o pesquisador.

Os cientistas identificaram 23 compostos químicos naturais presentes no músculo das tainhas, que ajudam a revelar informações sobre o funcionamento do organismo do peixe, como gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente. Entre os compostos encontrados estão lactato, creatina, taurina e aminoácidos importantes para o metabolismo.

Para garantir a confiabilidade dos resultados, eles utilizaram diferentes métodos estatísticos e compararam centenas de dados obtidos nas análises laboratoriais. Isso permitiu confirmar, com segurança científica, que as tainhas de diferentes regiões apresentam perfis químicos distintos. “Os resultados mostraram separação clara entre os grupos de peixes de diferentes origens geográficas, especialmente devido às variações nas concentrações de lactato, histidina, treonina, fenilalanina e ornitina”, conta Fogaça.

Outro aspecto relevante foi a estabilidade dos marcadores químicos. O estudo demonstrou que fatores como o tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, reforçando a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

Lagoa de Araruama imprime assinatura química única

Os pesquisadores identificaram que as condições extremas da Lagoa de Araruama — considerada a maior lagoa hipersalina permanente do mundo — influenciam diretamente o metabolismo das tainhas. A lagoa possui salinidade média de 52‰, muito acima da água do mar convencional.

Essa condição ambiental gera adaptações fisiológicas específicas nos peixes, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância magnética nuclear. O trabalho demonstrou que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação (processo fisiológico pelo qual os organismos controlam o equilíbrio de água e a concentração de sais minerais em seus fluidos corporais), o metabolismo energético e a utilização de aminoácidos.

“O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, ressalta a pesquisadora.

Combate a fraudes e apoio à Indicação Geográfica

Além do avanço científico, a pesquisa possui aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode contribuir para combater fraudes comerciais, substituição de espécies e falsificação de procedência no mercado de pescados.

O estudo também servirá de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Os pesquisadores afirmam que a espectroscopia por RMN de ¹H (Ressonância Magnética Nuclear de Prótons) se mostrou uma ferramenta potente para mapear o metabolismo da tainha e criar registros químicos específicos capazes de fortalecer a rastreabilidade, a segurança alimentar e o valor de mercado do pescado.

De acordo com Colnago, que trabalha há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, o uso da técnica para a rastreabilidade de peixes pode ter impacto direto no combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies. “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza.

O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial no processo de análise e organização dos resultados. “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

Análise do perfil metabólico de alimentos por RMN

A RMN é conhecida do público em geral como uma técnica de diagnóstico médico por imagens. Mas, muito antes das aplicações médicas, desde a década de 1950, a RMN já era usada como ferramenta para determinar a estrutura de moléculas de origem natural e sintética, biomoléculas, entre outras aplicações.

Na Embrapa Instrumentação, o estudo com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais e in natura motivou a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), que já chegou a mais de 20 países, principalmente na Ásia, onde é usado para análise do teor de óleo de frutos de dendezeiros.

O estudo para a rastreabilidade de tainhas utilizou um aparelho de RMN de alto campo. É um método analítico avançado, que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo o pesquisador, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica. O princípio de funcionamento é similar aos de uso médico e laboratorial.

Em vez de imagens, a técnica gera um grande número de sinais eletrônicos interpretados com base na composição química da amostra, como açúcares (sacarose, glicose e frutose), aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos — ou seja, os componentes que podem ser extraídos do alimento. “Em uma única análise podem ser identificados e quantificados mais de 50 componentes”, observa o especialista.

Os aparelhos são compostos de um ímã, uma antena ou sonda e uma estação de transmissão e recepção de ondas de rádio e um computador. A função do ímã é magnetizar a amostra, cuja análise, nesse caso, não pode ser feita do alimento inteiro, mas de um extrato com água ou solvente orgânico. A amostra bem pequena é extraída e colocada em pequenos tubos de ensaio.

O transmissor de RMN funciona de forma similar ao de rádio AM, com base no envio de uma onda de rádio para a antena. A antena faz com que essa onda penetre na amostra e altere a magnetização dos materiais. A amostra fica dentro da antena, que é uma bobina (fio de cobre enrolado em forma espiral), e também dentro do ímã.

Diagrama de um instrumento de RMN

O que é a metabolômica? A metabolômica é uma área da ciência que analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, chamadas metabólitos.

Se realizada no sangue, a metabolômica indica a quantidade de metabólitos como glicose, creatinina, ácido úrico, entre dezenas de outros, em uma única análise. No método convencional, cada metabólito usado na rotina médica é determinado por um método diferente.

Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto.

No caso da pesquisa com tainhas, a técnica permitiu identificar compostos químicos capazes de diferenciar peixes de distintas regiões geográficas, criando uma espécie de “assinatura química” do pescado.

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Fórum Mais Milho discute pilares para fortalecer produção de milho

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O produtor de milho entra na próxima safra com pouco espaço para absorver novos custos. Além da dificuldade de acesso ao crédito e dos juros elevados, problemas antigos de infraestrutura continuam pesando sobre a atividade, principalmente em armazenagem, irrigação, máquinas e logística.

O déficit de armazenagem no Brasil já supera 135 milhões de toneladas, enquanto os investimentos em irrigação e na renovação do maquinário permanecem abaixo da necessidade do setor. No milho, a situação ganha peso porque o menor valor agregado por tonelada faz com que o transporte tenha impacto maior sobre a rentabilidade.

“O custo logístico impacta muito mais ao milho e também, mais ainda, ao sorgo”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini. Para ele, a falta de infraestrutura não é um problema isolado, mas um conjunto de fatores que reduz a competitividade das duas culturas.

O cenário será discutido no Fórum Mais Milho: Os Pilares da Produção, que será realizado em 12 de agosto, das 9h às 11h30, na sede da Abramilho, em Brasília (DF), e terá transmissão ao vivo no YouTube do Canal Rural (confira aqui). O encontro faz parte da 10ª temporada do Projeto Mais Milho, realizado pelo Canal Rural, através da afiliada de Mato Grosso, em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso, e terá debates sobre irrigação, armazenagem, máquinas agrícolas, infraestrutura, defensivos e fertilizantes.

Milho grão foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Déficits aumentam pressão sobre o produtor

A armazenagem é um dos pontos mais críticos para o setor, principalmente durante a colheita, quando a falta de espaço pode aumentar os custos e reduzir as alternativas de comercialização.

A irrigação também avança em ritmo inferior ao necessário. Além dos recursos para implantação dos sistemas, o produtor enfrenta entraves burocráticos para obter as licenças. Bertolini aponta que essas exigências estão entre os fatores que dificultam a expansão da atividade.

A atualização das máquinas agrícolas enfrenta problemas semelhantes. O investimento necessário cresce junto com a produção, mas o custo do crédito reduz a capacidade de renovação do parque. Para o dirigente, entender por que esses investimentos não avançam na velocidade exigida pela produção é parte fundamental do debate.

Os custos dos insumos completam a pressão sobre a margem. Fertilizantes e defensivos mais caros aumentam o desembolso por hectare e podem comprometer o resultado mesmo em propriedades com alta produtividade. “Os custos dos insumos têm crescido e tomado margem”, afirma Bertolini.

milho a céu aberto armazenagem foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito e cenário externo ampliam incertezas

A preocupação aumenta quando o setor olha para 2026/27. A avaliação da Abramilho é de que a próxima temporada deve manter parte das dificuldades atuais, com crédito mais restrito e juros elevados.

“O crédito cada vez mais raro, mais difícil, juros extremamente altos” preocupa o setor, principalmente porque os investimentos em infraestrutura e máquinas dependem de financiamento. Bertolini também questiona a capacidade de execução do Plano Safra diante das condições atuais de crédito.

As incertezas não estão apenas dentro da porteira. A reforma tributária, a insegurança jurídica e questões relacionadas à propriedade privada também aparecem entre os fatores que influenciam a percepção de risco do produtor e, consequentemente, suas decisões de investimento.

No mercado internacional, o conflito no Oriente Médio acrescenta uma variável. O Irã é apontado como principal destino do milho brasileiro, enquanto as vendas de sorgo para a África e a China vêm ganhando espaço. O Brasil, por outro lado, possui mais de 100 países compradores de milho.

Para Bertolini, a combinação dos fatores internos e externos exige atenção do setor. “Não é um cenário que a gente diga tranquilo, pelo contrário, é um cenário bastante preocupante”, avalia.

É nesse ambiente que o Fórum Mais Milho pretende colocar em discussão os principais gargalos da produção, buscando não apenas dimensionar os déficits, mas discutir as condições necessárias para que investimentos em infraestrutura, tecnologia e produção avancem no ritmo exigido pelo milho brasileiro.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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Colheita de milho chega a 73,2% da área no Brasil, aponta consultoria

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A colheita de milho avançou no Brasil e chegou a 73,2% da área total em 2026, segundo a Pátria Agronegócios. No mesmo período de 2025, o montante colhido era de 79,4%, enquanto em 2024 chegava a 90,2%. A média dos últimos cinco anos para este mesmo período é de 79,2%.

Os trabalhos estão praticamente encerrados em Mato Grosso e Tocantins. Goiás registrou grande avanço na semana e é o estado onde as produtividades apresentam os piores resultados.

São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás registram grandes atrasos na colheita em geral.

No Paraná, segundo maior produtor de milho do país, a colheita segue em ritmo próximo da média dos últimos cinco anos, porém mais lento que o observado em 2025 e 2024.

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