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11 de agosto de 2026

Business

Fórum Mais Milho discute pilares para fortalecer produção de milho

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O produtor de milho entra na próxima safra com pouco espaço para absorver novos custos. Além da dificuldade de acesso ao crédito e dos juros elevados, problemas antigos de infraestrutura continuam pesando sobre a atividade, principalmente em armazenagem, irrigação, máquinas e logística.

O déficit de armazenagem no Brasil já supera 135 milhões de toneladas, enquanto os investimentos em irrigação e na renovação do maquinário permanecem abaixo da necessidade do setor. No milho, a situação ganha peso porque o menor valor agregado por tonelada faz com que o transporte tenha impacto maior sobre a rentabilidade.

“O custo logístico impacta muito mais ao milho e também, mais ainda, ao sorgo”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini. Para ele, a falta de infraestrutura não é um problema isolado, mas um conjunto de fatores que reduz a competitividade das duas culturas.

O cenário será discutido no Fórum Mais Milho: Os Pilares da Produção, que será realizado em 12 de agosto, das 9h às 11h30, na sede da Abramilho, em Brasília (DF), e terá transmissão ao vivo no YouTube do Canal Rural (confira aqui). O encontro faz parte da 10ª temporada do Projeto Mais Milho, realizado pelo Canal Rural, através da afiliada de Mato Grosso, em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso, e terá debates sobre irrigação, armazenagem, máquinas agrícolas, infraestrutura, defensivos e fertilizantes.

Milho grão foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Déficits aumentam pressão sobre o produtor

A armazenagem é um dos pontos mais críticos para o setor, principalmente durante a colheita, quando a falta de espaço pode aumentar os custos e reduzir as alternativas de comercialização.

A irrigação também avança em ritmo inferior ao necessário. Além dos recursos para implantação dos sistemas, o produtor enfrenta entraves burocráticos para obter as licenças. Bertolini aponta que essas exigências estão entre os fatores que dificultam a expansão da atividade.

A atualização das máquinas agrícolas enfrenta problemas semelhantes. O investimento necessário cresce junto com a produção, mas o custo do crédito reduz a capacidade de renovação do parque. Para o dirigente, entender por que esses investimentos não avançam na velocidade exigida pela produção é parte fundamental do debate.

Os custos dos insumos completam a pressão sobre a margem. Fertilizantes e defensivos mais caros aumentam o desembolso por hectare e podem comprometer o resultado mesmo em propriedades com alta produtividade. “Os custos dos insumos têm crescido e tomado margem”, afirma Bertolini.

milho a céu aberto armazenagem foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito e cenário externo ampliam incertezas

A preocupação aumenta quando o setor olha para 2026/27. A avaliação da Abramilho é de que a próxima temporada deve manter parte das dificuldades atuais, com crédito mais restrito e juros elevados.

“O crédito cada vez mais raro, mais difícil, juros extremamente altos” preocupa o setor, principalmente porque os investimentos em infraestrutura e máquinas dependem de financiamento. Bertolini também questiona a capacidade de execução do Plano Safra diante das condições atuais de crédito.

As incertezas não estão apenas dentro da porteira. A reforma tributária, a insegurança jurídica e questões relacionadas à propriedade privada também aparecem entre os fatores que influenciam a percepção de risco do produtor e, consequentemente, suas decisões de investimento.

No mercado internacional, o conflito no Oriente Médio acrescenta uma variável. O Irã é apontado como principal destino do milho brasileiro, enquanto as vendas de sorgo para a África e a China vêm ganhando espaço. O Brasil, por outro lado, possui mais de 100 países compradores de milho.

Para Bertolini, a combinação dos fatores internos e externos exige atenção do setor. “Não é um cenário que a gente diga tranquilo, pelo contrário, é um cenário bastante preocupante”, avalia.

É nesse ambiente que o Fórum Mais Milho pretende colocar em discussão os principais gargalos da produção, buscando não apenas dimensionar os déficits, mas discutir as condições necessárias para que investimentos em infraestrutura, tecnologia e produção avancem no ritmo exigido pelo milho brasileiro.

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Colheita de milho chega a 73,2% da área no Brasil, aponta consultoria

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A colheita de milho avançou no Brasil e chegou a 73,2% da área total em 2026, segundo a Pátria Agronegócios. No mesmo período de 2025, o montante colhido era de 79,4%, enquanto em 2024 chegava a 90,2%. A média dos últimos cinco anos para este mesmo período é de 79,2%.

Os trabalhos estão praticamente encerrados em Mato Grosso e Tocantins. Goiás registrou grande avanço na semana e é o estado onde as produtividades apresentam os piores resultados.

São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás registram grandes atrasos na colheita em geral.

No Paraná, segundo maior produtor de milho do país, a colheita segue em ritmo próximo da média dos últimos cinco anos, porém mais lento que o observado em 2025 e 2024.

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Escalas de abate e exportações mantêm mercado do boi gordo no radar nesta semana

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Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo

O mercado físico do boi gordo manteve, nesta segunda-feira (10), o padrão observado nos últimos negócios, com os agentes acompanhando de perto a evolução das escalas de abate dos frigoríficos e o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte encontram melhores condições para alongar suas escalas de abate diante da perspectiva de maior incidência de animais de parceria ao longo de agosto. Já os frigoríficos de menor porte continuam trabalhando com escalas mais apertadas e apresentam maior necessidade de compra de animais.

“A evolução das escalas de abate e o ritmo semanal de exportação seguem como variáveis importantes para a formação de preço e de tendência no curto prazo”, avaliou Iglesias.

Entre as principais praças pecuárias, São Paulo apresentou referência média de R$ 351,50 por arroba, na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média ficou em R$ 336,46 por arroba, enquanto Minas Gerais registrou média de R$ 337,12.

Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 343,05, e, em Mato Grosso, a referência ficou em R$ 332,73.

Atacado

No mercado atacadista, os preços permanecem firmes. A expectativa, contudo, é de uma reposição mais lenta ao longo dos próximos dias, diante da perda do efeito da entrada dos salários na economia e da concentração da demanda provocada pelo Dia dos Pais na primeira semana de agosto.

Outro ponto de atenção é a perda de competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, especialmente em relação à carne de frango. O cenário pode limitar o espaço para novas altas no atacado, caso a demanda não apresente recuperação.

Entre os principais cortes, o quarto dianteiro permanece cotado a R$ 21,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha segue negociada a R$ 20,00 por quilo. O quarto traseiro continua precificado em R$ 27,00 por quilo.

Dólar encerra em alta

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira com alta de 0,53%, cotado a R$ 5,1113 na venda e R$ 5,1093 na compra.

Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0832 e a máxima de R$ 5,1197.

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Congresso Abag: agro amplia acesso ao mercado de capitais, mas esbarra no seguro rural

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Foto: Beatriz Gunther/Canal Rural.

O mercado de capitais já responde por cerca de 30% do financiamento do agronegócio brasileiro, com instrumentos como CRAs, Fiagros e CPRs ganhando espaço. Mas o avanço desse mercado ocorre em um momento de ajustes, com investidores mais atentos aos riscos e um problema antigo ainda sem solução: a baixa cobertura do seguro rural. O tema foi discutido no 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Abag.

Um dos exemplos da expansão é o Fiagro. Em quatro anos, o instrumento chegou a cerca de 600 mil investidores, ampliando o acesso de pessoas físicas ao financiamento do setor. A diferença em relação ao valor médio de entrada do CRA ajuda a explicar esse movimento.

“Hoje, no CRA, o valor do ticket médio é de R$ 43 mil. O Fiagro é de R$ 1 mil. Então, a gente criou um instrumento acessível, democrático e simples”, afirmou Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3.

Segundo ela, o momento atual também exige que o mercado dê mais transparência às operações. Depois de episódios que aumentaram a percepção de risco entre investidores, a tendência é de uma reação natural nos volumes negociados e nas emissões até que fique mais claro o que está acontecendo.

“Quanto mais rápido a gente consegue ter transparência sobre o que está acontecendo, a gente consegue isolar os efeitos. Esse efeito realmente está caracterizado nessa emissão ou nessa empresa e não é um efeito sistêmico”, explicou.

Para Fabiana, o avanço dos registros e da quantidade de informações disponíveis ajuda a reconstruir essa confiança. “Quanto mais rápido a gente consegue entender a operação, acho que a gente evolui e volta à normalidade de preços, de volume negociado e de emissões”, afirmou.

Seguro rural é o elo mais frágil

Enquanto o mercado de capitais amplia suas alternativas, o produtor continua altamente exposto aos eventos climáticos. Dados apresentados por Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), mostram que a cobertura do seguro rural caiu de um pico de 16% para cerca de 3%. Hoje, menos de 100 mil produtores possuem apólices contratadas.

O número chama atenção diante do peso do agronegócio na economia.

“A gente chegou num nível muito baixo de proteção securitária do produtor rural. A gente tem um quarto da economia sem nenhuma proteção. É isso que está acontecendo”, afirmou Monique.

A vulnerabilidade aumenta porque o produtor compromete grande parte do capital a cada safra. Quando uma seca, enchente, geada ou outro evento extremo destrói a produção, o impacto chega diretamente à renda e à capacidade de pagamento.

Os reflexos já aparecem no crédito. Dos quase 2 mil casos recentes de recuperação judicial no agronegócio, mais de 60% apontam eventos climáticos, principalmente secas severas, entre os principais fatores para a crise de liquidez.

Seguro pode proteger também o investidor

Nesse cenário, o seguro rural deixa de ser apenas uma proteção para o produtor e passa a funcionar também como mecanismo de redução de risco para o mercado de capitais.

A lógica é que uma produção protegida reduz a possibilidade de inadimplência nas carteiras de recebíveis que dão origem a operações como os CRAs.

“O seguro é um instrumento e uma ferramenta muito potente para gestão e mitigação de risco. Se ele estivesse presente numa carteira de recebíveis ali dentro do CRA, imagina a confiança do grande investidor que vai comprar os títulos. Aumenta bastante, porque a produção está protegida”, explicou Monique.

Para Flavia Palacios, diretora da Anbima, o mercado financeiro já dispõe de instrumentos regulatórios e de fiscalização robustos para ampliar essa conexão. O desafio está em garantir que o risco seja adequadamente tratado na origem.

As painelistas também defenderam a modernização do seguro rural, incluindo o Projeto de Lei 29/2025, que busca dar mais estabilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

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