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26 de setembro de 2026

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Cientistas identificam ‘impressão digital química’ para rastrear a origem do pescado

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Pesquisador Luiz Colnago

Pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa e de instituições parceiras identificou
uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de
determinar a origem geográfica a partir de pequenas moléculas presentes no músculo do
peixe. A descoberta representa um avanço relevante para a rastreabilidade, autenticidade e
valorização de produtos pesqueiros no país.

Os resultados estão publicados no artigo Application of Magnetic Resonance Tools for Qualification and Traceability of Mullets, no periódico científico internacional Fishes. O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP), em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O apoio financeiro é da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

A pesquisa utilizou a técnica de espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (^1H NMR), que funciona como um “raio-X” químico para mapear a posição dos átomos de hidrogênio, associada à metabolômica, ciência que estuda os metabólitos — pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia.

A combinação dessas duas ferramentas permitiu identificar biomarcadores químicos capazes de diferenciar tainhas capturadas em três localidades distintas do Brasil e detectar diferenças na composição do músculo relacionadas às características do ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes.

Segundo Fogaça, a pesquisa representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no País. “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, destaca a pesquisadora.

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Rigor científico e tecnologia de ponta

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram amostras do pescado coletadas em diferentes estações do ano, na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina. O protocolo experimental utilizou um equipamento avançado de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), com alta resolução, capaz de mapear a estrutura molecular de substâncias presentes no músculo do peixe com elevado nível de precisão.

Colnago, que é especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica permitiu identificar compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais o peixe foi exposto ao longo da vida.

“Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não conseguem fornecer informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas que ocorrem no pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um “código de barras químico”, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas”, complementa o pesquisador.

Os cientistas identificaram 23 compostos químicos naturais presentes no músculo das tainhas, que ajudam a revelar informações sobre o funcionamento do organismo do peixe, como gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente. Entre os compostos encontrados estão lactato, creatina, taurina e aminoácidos importantes para o metabolismo.

Para garantir a confiabilidade dos resultados, eles utilizaram diferentes métodos estatísticos e compararam centenas de dados obtidos nas análises laboratoriais. Isso permitiu confirmar, com segurança científica, que as tainhas de diferentes regiões apresentam perfis químicos distintos. “Os resultados mostraram separação clara entre os grupos de peixes de diferentes origens geográficas, especialmente devido às variações nas concentrações de lactato, histidina, treonina, fenilalanina e ornitina”, conta Fogaça.

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Outro aspecto relevante foi a estabilidade dos marcadores químicos. O estudo demonstrou que fatores como o tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, reforçando a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

Lagoa de Araruama imprime assinatura química única

Os pesquisadores identificaram que as condições extremas da Lagoa de Araruama — considerada a maior lagoa hipersalina permanente do mundo — influenciam diretamente o metabolismo das tainhas. A lagoa possui salinidade média de 52‰, muito acima da água do mar convencional.

Essa condição ambiental gera adaptações fisiológicas específicas nos peixes, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância magnética nuclear. O trabalho demonstrou que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação (processo fisiológico pelo qual os organismos controlam o equilíbrio de água e a concentração de sais minerais em seus fluidos corporais), o metabolismo energético e a utilização de aminoácidos.

“O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, ressalta a pesquisadora.

Combate a fraudes e apoio à Indicação Geográfica

Além do avanço científico, a pesquisa possui aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode contribuir para combater fraudes comerciais, substituição de espécies e falsificação de procedência no mercado de pescados.

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O estudo também servirá de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Os pesquisadores afirmam que a espectroscopia por RMN de ¹H (Ressonância Magnética Nuclear de Prótons) se mostrou uma ferramenta potente para mapear o metabolismo da tainha e criar registros químicos específicos capazes de fortalecer a rastreabilidade, a segurança alimentar e o valor de mercado do pescado.

De acordo com Colnago, que trabalha há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, o uso da técnica para a rastreabilidade de peixes pode ter impacto direto no combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies. “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza.

O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial no processo de análise e organização dos resultados. “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

Análise do perfil metabólico de alimentos por RMN

A RMN é conhecida do público em geral como uma técnica de diagnóstico médico por imagens. Mas, muito antes das aplicações médicas, desde a década de 1950, a RMN já era usada como ferramenta para determinar a estrutura de moléculas de origem natural e sintética, biomoléculas, entre outras aplicações.

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Na Embrapa Instrumentação, o estudo com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais e in natura motivou a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), que já chegou a mais de 20 países, principalmente na Ásia, onde é usado para análise do teor de óleo de frutos de dendezeiros.

O estudo para a rastreabilidade de tainhas utilizou um aparelho de RMN de alto campo. É um método analítico avançado, que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo o pesquisador, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica. O princípio de funcionamento é similar aos de uso médico e laboratorial.

Em vez de imagens, a técnica gera um grande número de sinais eletrônicos interpretados com base na composição química da amostra, como açúcares (sacarose, glicose e frutose), aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos — ou seja, os componentes que podem ser extraídos do alimento. “Em uma única análise podem ser identificados e quantificados mais de 50 componentes”, observa o especialista.

Os aparelhos são compostos de um ímã, uma antena ou sonda e uma estação de transmissão e recepção de ondas de rádio e um computador. A função do ímã é magnetizar a amostra, cuja análise, nesse caso, não pode ser feita do alimento inteiro, mas de um extrato com água ou solvente orgânico. A amostra bem pequena é extraída e colocada em pequenos tubos de ensaio.

O transmissor de RMN funciona de forma similar ao de rádio AM, com base no envio de uma onda de rádio para a antena. A antena faz com que essa onda penetre na amostra e altere a magnetização dos materiais. A amostra fica dentro da antena, que é uma bobina (fio de cobre enrolado em forma espiral), e também dentro do ímã.

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Diagrama de um instrumento de RMN

O que é a metabolômica? A metabolômica é uma área da ciência que analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, chamadas metabólitos.

Se realizada no sangue, a metabolômica indica a quantidade de metabólitos como glicose, creatinina, ácido úrico, entre dezenas de outros, em uma única análise. No método convencional, cada metabólito usado na rotina médica é determinado por um método diferente.

Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto.

No caso da pesquisa com tainhas, a técnica permitiu identificar compostos químicos capazes de diferenciar peixes de distintas regiões geográficas, criando uma espécie de “assinatura química” do pescado.

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Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

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Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.

“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.

O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.

O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.

Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:

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“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”

VERDADE

O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.

VERDADE

Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.

“Quanto mais picante, melhor o azeite”

MITO

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Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.

“O azeite pode ser usado para cozinhar”

VERDADE

O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.

MITO

A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.

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VERDADE

Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.

“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”

MITO

A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.

A forma de conservação influencia a qualidade

VERDADE

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Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.

Amargor é sinal de azeite estragado

MITO

Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.

Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.

“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.

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o valor que o Brasil ainda não contou

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O Ibrafe defende que agregar valor ao feijão brasileiro não depende apenas de verticalizar a produção ou transformar o grão em produto industrial. É preciso reconhecer e comunicar seus atributos: origem, história regional, diversidade de variedades, práticas regenerativas, valor nutricional, presença cultural e papel na segurança alimentar.

Quando se fala em agregar valor à produção agrícola, a primeira resposta costuma ser verticalizar: criar produtos prontos, desenvolver ingredientes, construir marcas e aproximar indústria, varejo, restaurantes e exportação.

Esse caminho faz sentido quando resolve uma necessidade do consumidor, como falta de tempo, dificuldade de preparo ou busca por praticidade. Feijão cozido, farinhas, snacks e ingredientes à base de pulses podem capturar mais valor por tonelada produzida.

Mas industrializar, por si só, não cria valor. Uma embalagem não garante mercado. Uma fábrica não garante demanda. Sem qualidade, distribuição, confiança e viabilidade econômica, o produto muda de forma sem necessariamente melhorar a renda de quem participa da cadeia.

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Antes de perguntar como verticalizar, precisamos perguntar: onde está o valor que ainda não estamos contando?

O que significa agregar valor ao feijão?

Feijões têm variedade, textura, sabor, tempo de cozimento, origem, história e uso culinário. Sua presença em cada território resulta de tradição, adaptação ao clima, trabalho dos produtores e oportunidades econômicas.

No vinho, no café, no cacau e nos queijos, o consumidor aprendeu a reconhecer origem, solo, clima, variedade e modo de produção. O produto físico é parte do valor. Outra parte está na reputação e no significado que carrega.

O feijão tem terroir?

O feijão precisa continuar sendo comida de verdade, acessível e cotidiana, presente no prato feito, na escola e na casa das famílias. Isso não impede que tenha origem reconhecida, identidade e atributos ligados ao território.

Há Feijão-preto com forte ligação com o Sul, feijão-carioca em regiões tecnificadas, feijões especiais do Cerrado e caupis conectados à cultura do Nordeste. Mungos, alubias, rajados, vermelhos, cranberries e adzukis revelam uma diversidade que ainda aparece pouco nas gôndolas.

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Falar em terroir exige conhecer e demonstrar como o ambiente e o modo de produção se relacionam com as características do alimento. Essa construção pode reunir produtores, pesquisadores e cozinheiros.

A Rota do Feijão pode nascer dessa percepção, unindo território, cultura, gastronomia, produção e conhecimento.

Cada região poderia contar quando o feijão chegou, por que se adaptou, quem o plantou, quais variedades ganharam espaço, que pratos se conectam a ele e como a pesquisa ajudou a melhorar a lavoura.

O que é feijão regenerativo?

A valorização da origem também abre espaço para explicar como o alimento é produzido. Nesse ponto, a palavra regenerativo precisa estar apoiada em práticas e resultados verificáveis.

Para o produtor, isso envolve cuidado com o solo, rotação de culturas, cobertura vegetal, redução de erosão, proteção da água e diversificação produtiva. Os resultados precisam ser acompanhados conforme a realidade de cada sistema.

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Para o consumidor, a explicação pode ser simples: um alimento produzido com práticas que buscam cuidar da terra de onde vem. Essa mensagem só ganha confiança quando há evidências que a sustentem.

Quem compra o pacote na prateleira raramente vê a semente, o clima, o risco, o produtor ou as decisões de manejo. Contar essa história torna visível o trabalho que existe entre a lavoura e a mesa.

Por que essa narrativa interessa ao consumidor?

A história não substitui preço, qualidade e disponibilidade. Mas pode ajudar o consumidor, o varejo e o comprador internacional a reconhecer atributos que o preço sozinho não revela.

Um feijão pronto para consumo oferece conveniência. Quando também apresenta uma variedade bem escolhida, origem identificada, produtores conhecidos e práticas comprovadas, reúne outros motivos para ser escolhido.

Qual é a visão do Ibrafe?

O Ibrafe vem levando essa visão a produtores, empacotadores, exportadores, pesquisadores, supermercados, chefs, restaurantes, universidades e instituições públicas. Nenhum elo sozinho será capaz de ampliar o reconhecimento do feijão.

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O produtor precisa ser valorizado pelo que entrega além do volume. O empacotador precisa de ferramentas para diferenciar seu produto. O supermercado pode apresentar atributos que vão além da promoção. O chef pode revelar sabor e diversidade. A escola pode aproximar crianças desse alimento.

A pesquisa pode sustentar a diferenciação com conhecimento. A indústria pode oferecer conveniência. A exportação pode apresentar o Brasil como origem confiável, diversa e capaz de entregar alimentos com identidade.

Como o Brasil pode capturar mais valor no feijão?

O Brasil mede sua grandeza agrícola em área, produtividade, safra e toneladas. Essas medidas continuarão importantes. Para o feijão, identidade, confiança e conhecimento do consumidor também precisam orientar as decisões.

Primeiro, entender o produto, seu território, seu sistema produtivo e seu mercado. Depois, decidir se o melhor caminho é vender melhor o grão, criar uma marca de origem, fortalecer o empacotamento, lançar um produto pronto, desenvolver um ingrediente ou abrir um mercado externo.

A verticalização deve nascer de uma demanda real. A narrativa deve nascer da verdade do território. E o regenerativo deve estar apoiado em prática comprovável.

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O feijão reúne alimento de verdade, proteína vegetal acessível, fibra, cultura, renda no campo e segurança alimentar. Reconhecer esse conjunto pode ampliar a pergunta sobre como capturar mais valor por tonelada.

Uma saca pode deixar de ser anônima quando sua origem é conhecida. Uma região pode ganhar reconhecimento por suas variedades. O trabalho do produtor pode chegar ao consumidor por meio de uma história verdadeira e de atributos verificáveis.

A Rota do Feijão pode unir produção, gastronomia, turismo, educação, varejo e pesquisa nessa construção. Seu potencial está em aproximar quem produz de quem consome e transformar conhecimento sobre o alimento em reconhecimento de valor.

O feijão precisa continuar acessível. E quem o produz precisa ter melhores condições de ser reconhecido pelo que entrega.

Viva o feijão do Brasil !

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*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Produtividade de cereais no Reino Unido fica abaixo da média histórica

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A colheita de grãos de 2026 no Reino Unido foi praticamente concluída com rendimentos médios abaixo do histórico recente para as principais culturas de cereais. Segundo relatório final de safra do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura (AHDB), divulgado nesta sexta-feira (25), a escassez de chuvas desde a primavera local comprometeu a produtividade em parte relevante das lavouras.

O trigo de inverno encerrou o ciclo com produtividade média de 6,9 toneladas por hectare, resultado 11% inferior à média dos últimos cinco anos. O levantamento aponta que o avanço acelerado da colheita na Inglaterra e no País de Gales e um alívio pontual nos rendimentos do norte da Escócia não foram suficientes para reverter o quadro geral.

A cevada de primavera registrou um dos piores desempenhos da temporada, com média de 4,8 toneladas por hectare, queda de 17% ante a média quinquenal do país. A aveia teve produtividade de 4,6 toneladas por hectare, 14% abaixo do histórico de cinco anos.

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Em sentido oposto, a cevada de inverno ficou alinhada ao padrão recente, com 6,9 toneladas por hectare. A colza apresentou o melhor resultado relativo, ao atingir 4,0 toneladas por hectare, volume 19% superior à média de cinco anos do Reino Unido.

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A AHDB também informou que a qualidade dos grãos colhidos variou de forma expressiva entre as regiões, o que adiciona complexidade às decisões de armazenagem e comercialização nos próximos meses. Em nota, a analista-chefe de Cereais e Oleaginosas da entidade, Helen Plant, afirmou que fatores como tipo de solo, data de semeadura e retenção de umidade ampliaram as diferenças entre propriedades.

O diretor do setor, Anthony Hopkins, declarou que a sequência de adversidades climáticas ao longo de duas ou três safras, somada aos custos operacionais elevados, amplia a pressão financeira sobre os agricultores, especialmente nas áreas mais atingidas pela estiagem.

O balanço final da safra de 2026 no Reino Unido indica perdas de produtividade em parte central das culturas de cereais, com desempenho melhor apenas em segmentos específicos, como colza e cevada de inverno, em um cenário marcado por restrição hídrica e variação regional na qualidade dos grãos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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