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11 de agosto de 2026

Business

Milho sem espaço: chuva atrasa colheita e falta de armazéns aperta reta final em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra alcançou 99,10% da área cultivada em Mato Grosso, mas o avanço para o fim dos trabalhos não eliminou um dos principais gargalos da produção: a falta de espaço para receber o cereal. Em municípios como Campos de Júlio e Sapezal, no oeste do estado, a capacidade de armazenagem não acompanhou o crescimento da produtividade.

O problema ganhou força nesta temporada com as chuvas mais tardias. A umidade elevada retardou a perda de água dos grãos no campo e manteve parte das lavouras em condições inadequadas para a entrada das máquinas, enquanto estruturas de recebimento ainda ocupadas com soja reduziram a capacidade disponível para o milho.

Em Campos de Júlio, cerca de 109 mil hectares foram destinados ao cereal. O presidente do Sindicato Rural, Rodrigo Cassol, relata que o excesso de umidade prolongou a colheita e já resultou em casos de grãos avariados. “O milho teve um atraso na colheita devido à umidade não baixar, por causa das chuvas, e também teve caso de avariado”, relata ao projeto Mais Milho.

A combinação de atraso no campo e falta de espaço nos armazéns tornou mais lento o fluxo da produção. Na avaliação de Cassol, o problema revela uma deficiência que não foi resolvida com o crescimento da produção agrícola: os investimentos em capacidade de recebimento não avançaram na mesma proporção.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Armazenagem não acompanha produtividade

A questão não está restrita a Campos de Júlio. Em Sapezal, o aumento da produtividade das lavouras também vem pressionando a estrutura disponível para receber os grãos. Para o presidente do Sindicato Rural do município, Diego José Dal’Maso, a situação tende a se agravar se a infraestrutura não acompanhar o ritmo de expansão do campo.

“Sapezal não é diferente de outras realidades. Nós realmente não temos armazéns, estrutura física para suportar toda a produção que temos”, pontua. Segundo ele, o produtor tem conseguido elevar a produtividade em ciclos cada vez mais curtos, tanto no milho quanto na soja.

O efeito aparece durante a colheita, quando grandes volumes precisam ser retirados das propriedades em um intervalo relativamente curto. Sem espaço disponível, o produtor fica mais dependente da velocidade de recebimento das unidades comerciais e do transporte para liberar a produção.

Dal’Maso também chama atenção para o custo de implantação de estruturas próprias. O investimento elevado faz com que alguns produtores desistam de construir armazéns por não enxergarem retorno suficiente para justificar a aplicação dos recursos.

Para mudar esse cenário, ele defende condições de financiamento mais atrativas. “Se realmente o governo federal tivesse sensibilidade, sabendo da importância que o agro tem para a economia do país, houvesse um juro muito baixo, juro subsidiado atrativo, eu tenho certeza que iria estimular muito o investimento do produtor rural em armazenamento”, diz à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuva amplia pressão sobre a qualidade

Enquanto a falta de armazenagem limita a saída do milho das propriedades, as condições climáticas aumentaram o período de exposição do cereal no campo. Em Sapezal, a elevada umidade relativa do ar dificultou a secagem natural e fez com que parte dos produtores prolongasse a colheita.

De acordo com Dal’Maso, houve períodos em que a umidade relativa do ar chegou próxima de 100% até meados de julho. O resultado foi uma diferença grande entre as propriedades: algumas já haviam encerrado a colheita, enquanto outras ainda tinham de 20% a 30% da área para retirar.

O atraso também trouxe reflexos sobre a qualidade. Os relatos na região incluem grãos avariados associados a doenças na espiga, além de ocorrências de fermentação e brotamento. As condições de umidade favoreceram esses problemas, mas o manejo adotado nas lavouras também pode influenciar nos resultados.

Apesar dos problemas de qualidade, os relatos do Sindicato Rural de Sapezal apontam para boas médias de produtividade na região. Dal’Maso destaca que a safra apresentou bons resultados de produção, mesmo com o atraso da colheita provocado pela umidade.

Gargalo vai além do silo

O desafio de Mato Grosso, portanto, não se resume a aumentar o número de estruturas de armazenagem. O crescimento da produção exige também maior capacidade de secagem, recebimento e transporte, evitando que o produtor fique sem alternativa justamente no momento de maior concentração da colheita.

Dal’Maso defende que novas opções de escoamento sejam consideradas junto com a expansão da capacidade estática. Para ele, além de ampliar a capacidade de armazenagem, é necessário investir em alternativas de escoamento para acelerar a retirada dos grãos das regiões produtoras durante a safra.

“A gente só vai conseguir suprir isso se houver realmente grandes investimentos em infraestrutura no futuro, não só em capacidade estática, mas em escoamento, outras opções para que você tenha uma velocidade de escoamento maior durante a safra também”, avalia.

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Agro Mato Grosso

Colheita do milho chega à reta final em Mato Grosso

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Chuvas em excesso, atraso no plantio e custos elevados desafiaram os produtores nesta temporada; Dados são da Pesquisa de safra do Imea em parceria com a Aprosoja MT

Mato Grosso caminha para o fim da colheita do milho segunda safra 2025/26. Até 08 de agosto, 99,10% da área já havia sido colhida, com a produção estimada em 57,39 milhões de toneladas. Os dados integram o relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e se apoiam na pesquisa de safra realizada em campo, em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), junto aos produtores do estado.

A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, alta de 2,41% na comparação anual e de 0,57% ante o relatório de julho. O levantamento combina geoprocessamento e sensoriamento remoto, técnica que identifica a cultura ao longo do ciclo e a distingue de outras coberturas do solo. A produtividade média manteve-se estável em 128,67 sacas por hectare.

Pelo lado do consumo, o instituto projeta demanda de 57,20 milhões de toneladas para 2025/26, praticamente em linha com a produção estimada. O consumo interno responde por 22,10 milhões de toneladas, alta anual de 9,12%, puxada pela expansão e pelo ritmo aquecido das usinas de etanol de milho instaladas no estado. O mercado interestadual deve absorver cerca de 11 milhões de toneladas, 6,18% a mais que na temporada passada, movimento que reforça o papel do milho mato-grossense no abastecimento de regiões com produção em retração. Com a maior absorção pelo mercado doméstico, a projeção de exportações recuou 1,09%, para 24,10 milhões de toneladas.

Clima adverso pesou sobre as lavouras – No campo, o resultado veio acompanhado de dificuldades. “Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado”, afirma Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT. Segundo ele, o excesso de chuva em março e abril favoreceu doenças e reduziu a eficiência da adubação nitrogenada em parte das áreas.

O dirigente aponta as janelas de plantio como o principal fator determinante da temporada. “Muitas regiões tiveram início de plantio cedo, no fim de setembro, mas depois choveu e muitas áreas foram plantadas a partir de 15 de outubro”, diz. O atraso empurrou parte da semeadura para o fim de janeiro e a segunda quinzena de fevereiro, expondo as lavouras a um período de maior umidade.

Em Porto dos Gaúchos, o produtor rural do núcleo do Vale dos Arinos, Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho, com resultado pouco abaixo do esperado. “Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, conta.

Com a produção estocada em silo e silo bolsa na propriedade, ele aguarda a reação do mercado para vender. Cerca de 20% do volume é consumido na pecuária da fazenda; o restante será negociado. A expectativa é negociar a saca em R$ 50 via cooperativa. Do lado do ciclo anterior, os estoques finais de 2024/25 recuaram 32,14% no mês, para 974 mil toneladas, ainda acima do nível de 2023/24, mas em movimento que dá suporte à aposta em preços mais firmes.

Custos da próxima safra preocupam produtor – A atenção do setor já se volta ao ciclo seguinte, e a conta de produção é o que mais pesa. Gilson Antunes de Melo lembra que a decisão de plantio está próxima e que o milho ocupa boa parte das áreas de soja. “A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirma, ao projetar um ano desafiador e recomendar cautela.

Staniszewski ainda não fechou a compra de insumos para o próximo plantio. “Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não”, diz. Ele condiciona o tamanho do investimento ao preço e ao clima: um cenário de El Niño forte, em sua avaliação, pode atrasar o plantio de soja e milho, o que reduzirá a produtividade no futuro, significando ser menos viável investir alto nesse ciclo.

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Galinheiro bem planejado ajuda na criação de aves; veja como construir a estrutura

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Foto: Pixabay

A criação de galinhas é uma prática bastante comum no Brasil e desempenha um papel significativo na agricultura familiar. A atividade contribui para a produção de alimentos, além de ser forte alternativa para a geração de renda e segurança alimentar no campo.

Quando realizada de forma adequada, a criação de aves também pode integrar outras atividades produtivas da propriedade, aproveitando recursos disponíveis e diversificando a produção.

Para iniciar a criação de aves, o produtor deve seguir algumas recomendações para garantir a segurança tanto das pessoas quanto dos animais. O primeiro passo para construir uma granja é posicioná-la no sentido leste-oeste, com o telhado nessa orientação, para evitar a incidência direta dos raios solares no interior da estrutura.

Instalações

No sistema de criação semi-intensivo, o galpão deve ter seis metros de largura, enquanto o comprimento deve ser definido de acordo com a quantidade de aves. A recomendação é manter uma densidade de cinco a sete aves por metro quadrado.

O pé-direito deve ter, no mínimo, três metros de altura, medida que contribui para uma melhor circulação de ar e ventilação no interior da instalação.

A parede deve ter um metro de altura, e acima dela uma tela de proteção que deve ser vedada próxima ao telhado para evitar a entrada de outras aves, como, por exemplo, os pássaros, que são transmissores de doenças.

Para auxiliar no controle da temperatura, recomenda-se a instalação de cortinas nas laterais do galpão. Elas podem ser abertas ou fechadas de acordo com as condições climáticas, contribuindo para manter um ambiente adequado e confortável para as aves.

O agricultor também pode construir um poleiro no interior do galpão. Essa estrutura também precisa ter medidas específicas. Ele pode ser feito de galhos, respeitando a altura de 40 a 60 centímetros do piso para facilitar a locomoção e descanso das aves.

Já os ninhos devem ser construídos de 40 a 60 centímetros acima do solo e devem medir de 30 a 35 centímetros de profundidade, largura e comprimento.

Luzes artificiais também podem ser instaladas no local para induzir os hormônios das aves. Comedouros e bebedouros são indispensáveis. O piso do galinheiro deve ser forrado com uma camada de maravalha de pinus ou casca de arroz, materiais que ajudam a manter o ambiente seco e limpo, além de reduzir o contato direto das aves com os dejetos.

No sistema semi-intensivo o produtor também tem a opção de construir um pasto. Neste caso, o ideal é utilizar a grama-estrela ou a grama tifton. A indicação é disponibilizar uma área de aproximadamente 0,5 metro quadrado de pasto por ave, garantindo espaço adequado para circulação e acesso à vegetação.

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Argentina prevê aumento de 11% na área de soja na safra 2026/27, aponta consultoria

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Foto divulgação

A intenção de plantio de soja na Argentina para a temporada 2026/27 é estimada em 18,30 milhões de hectares, alta de 11% em relação aos 16,5 milhões de hectares cultivados na safra 2025/26, segundo levantamento da Safras & Mercado.

De acordo com o analista Agustín Geier, o crescimento da área plantada não estará concentrado em uma única região. As principais províncias produtoras deverão registrar avanços entre 8% e 16%.

O maior incremento é esperado no Chaco, com expansão de 16% na área destinada à soja. Na sequência aparecem Santiago del Estero, com alta de 14%; La Pampa, 13%; Buenos Aires e Córdoba, 11% cada; Santa Fé, 10%; e Entre Ríos, com aumento de 8%.

Produção pode crescer 12%

As estimativas preliminares indicam que a produção argentina de soja poderá alcançar 55,78 milhões de toneladas na temporada 2026/27, crescimento de aproximadamente 12% frente à safra anterior.

Geier ressalta, porém, que os números ainda são iniciais e poderão sofrer ajustes ao longo do desenvolvimento da temporada, principalmente em função das condições climáticas. “A umidade inicial e uma previsão favorável apoiam a hipótese produtiva”, afirmou o analista.

Apesar do aumento projetado na produção, o rendimento médio ponderado deverá permanecer praticamente estável, em torno de 3.049 quilos por hectare, nível semelhante ao registrado na temporada 2025/26.

A expansão da área cultivada, portanto, aparece como o principal fator por trás da expectativa de crescimento da produção argentina de soja na próxima temporada.

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