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22 de junho de 2026

Business

Boi gordo sente ausência da China e frigoríficos ajustam produção

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Foto: Semagro/MS

O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com tentativas de compra abaixo da referência média e um ambiente ainda de poucos negócios. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, as escalas de abate estão mais confortáveis em estados como Goiás e Minas Gerais.

De acordo com o especialista, os frigoríficos exportadores seguem ajustando sua capacidade de abate diante do esgotamento precoce das cotas de exportação para a China. A principal estratégia adotada tem sido a redução dos abates, em um cenário em que o principal mercado comprador da carne bovina brasileira estará ausente de forma parcial e temporária.

Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi gordo ficou em R$ 345,52 na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média foi de R$ 321,07 por arroba. Já em Minas Gerais, a arroba foi cotada em R$ 321,12.

No estado de Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 340,77. Já no Mato Grosso, a referência média alcançou R$ 340,81.

Atacado

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta segunda-feira. A expectativa é de alguma recuperação nos próximos dias, favorecida pelo consumo típico de junho e pela proximidade dos jogos da seleção brasileira. Ainda assim, a carne bovina segue perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango.

O quarto traseiro permaneceu cotado em R$ 27,00 por quilo. O quarto dianteiro seguiu em R$ 21,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha continuou precificada em R$ 20,00 por quilo.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,61%, cotado a R$ 5,1422 para venda e R$ 5,1402 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1237 e a máxima de R$ 5,1685.

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Safra de inverno no Rio Grande do Sul deve ter área 10,76% menor em 2026

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A área cultivada com as culturas de inverno no Rio Grande do Sul deve cair 10,76% em 2026, passando de 1.765.702 hectares para 1.575.634 hectares, segundo dados apresentados pela Emater/RS nesta segunda-feira (22). A produção total estimada também recua 22,15% em relação ao ciclo anterior, com projeção abaixo das 3.733.118 toneladas registradas em 2025. O levantamento foi realizado entre 4 de maio e 16 de junho de 2026.

De acordo com o diretor técnico da Emater/RS, Mateus Rocha, trigo e cevada puxam a redução da safra de inverno no Estado. No trigo, principal cultura da temporada, a área deve cair 30,18%, de 1.166.163 hectares para 814.220 hectares. A produção está estimada em 2.199.554 toneladas, retração de 36,39% frente ao ciclo passado.

Segundo Rocha, o recuo do trigo está associado a fatores de mercado, financeiros e climáticos. Ele citou como base do cenário a combinação entre questão climática, crédito e descapitalização do produtor gaúcho. O diretor também afirmou que o El Niño gera insegurança em razão das características fitossanitárias do cereal.

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Na cevada, a área projetada é de 20.320 hectares, queda de 36,52%. A produção deve somar 61.369 toneladas, 47,07% abaixo das 115.935 toneladas de 2025.

Em sentido oposto, a canola aparece como destaque positivo do balanço. A área destinada à cultura deve avançar 102,64%, saindo de 174.394 hectares para 353.397 hectares. A produção estimada é de 571.975 toneladas, alta de 100,35% em 2026. Rocha atribuiu esse movimento à demanda industrial e ao modelo de negócios da cultura, que, segundo ele, opera de forma integrada com a indústria e com garantia de preço.

O diretor também citou a inserção da carinata, voltada ao mercado de combustível sustentável de aviação (SAF). Já a aveia branca em grãos deve registrar queda de 1,38% na área, para 387.697 hectares, e de 3,79% na produção, estimada em 900.221 toneladas.

Os dados apresentados pela Emater/RS mostram redução na área e na produção das culturas de inverno no Rio Grande do Sul em 2026, com retração mais acentuada em trigo e cevada e avanço da canola. O material divulgado não informa preços, prazo de comercialização ou detalhamento regional dos impactos para os produtores.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Chuva, safra norte-americana e demanda interna: o que esperar dos preços do milho?

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Foto: Sistema Famasul

A plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, mostra que o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 0,97% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 63,91 por saca, leve queda de 0,23% na semana.

Já no mercado físico, na região norte de Mato Grosso, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 39,30 por saca.

E agora, o que esperar?

A Grainsights aponta seis fatores que podem determinar os preços do milho no curto prazo. Confira:

  • Safrinha brasileira: no mercado doméstico de milho, as atenções estão concentradas no avanço das colheitadeiras pelo Centro-Sul do país. “Com a colheita ganhando ritmo, a entrada progressiva de grande volume de milho no mercado spot mantém as cotações sob grande pressão sazonal de baixa na B3, com compradores operando de forma bastante seletiva, e esse deve ser o cenário ainda para esta semana”, destaca.
  • Andamento da safra: permanece a expectativa de rendimento geral limitado pelo forte déficit hídrico registrado entre abril e maio. Assim, o mercado deve passar a precificar de forma mais clara as perdas acumuladas em regiões importantes de Goiás, Minas Gerais e norte de Mato Grosso do Sul. Relatórios regionais e o avanço das colheitadeiras trarão dados mais robustos sobre a produtividade real, funcionando como um suporte importante para limitar quedas acentuadas nos contratos futuros da B3.
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  • Chuvas recentes: chuvas registradas em alguns estados, especialmente Goiás, devem desacelerar temporariamente os trabalhos de campo e quebrar o ritmo inicial da colheita, o que não deverá afetar as pressões que o grão tem sofrido recentemente.
  • Safra norte-americana: com o milho em Chicago encerrando a última semana em baixa, o mercado segue pressionado pelas boas condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos e pela expectativa de ampla oferta global. “A valorização do trigo trouxe suporte momentâneo aos preços, mas não foi suficiente para alterar a tendência predominante. O foco agora se volta para julho, quando o clima durante a polinização das lavouras norte-americanas poderá definir a direção do mercado para o restante da safra”, ressalta a Grainsights.
  • Demanda interna: a demanda das indústrias de etanol de milho e o setor de proteína animal continuam aquecidos, o que deve servir como um “piso” importante para os preços no mercado físico doméstico.
  • Próximos passos: o produtor deve atentar-se para a escalada recente nos custos logísticos e de produção, especialmente diante de um El Niño forte que deve se instalar nos próximos meses, tornando necessária cautela para comercialização em momento oportuno.

Macroeconomia e oportunidades

O ambiente macroeconômico desta semana inicia-se sob forte cautela após o Boletim Focus sustentar projeções do IPCA de 2026 para 5,33% e, consequentemente, juros altos por mais tempo do que se esperava inicialmente para o mercado interno.

Além disso, a Grainsights pontua que, com a valorização do dólar comercial frente ao real, impulsionado pela cautela no exterior e incertezas sobre juros nos Estados Unidos também, a receita em reais das exportações agrícolas do Brasil é favorecida enquanto encarece os custos de produção.

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Abiove eleva projeção de processamento de soja no Brasil para 63 milhões de toneladas

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A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou para cima as projeções do complexo soja para 2026 no levantamento de junho, divulgado nesta segunda-feira (22), em São Paulo. A estimativa para o processamento da oleaginosa no Brasil passou de 62,5 milhões para 63 milhões de toneladas. A atualização também elevou as previsões para produção de farelo, óleo de soja e safra total do grão.

Segundo a Abiove, o processamento de soja deve atingir 63 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,8% ante a projeção de maio, de 62,5 milhões de toneladas. A estimativa para a produção de farelo de soja subiu 1,04%, de 48,1 milhões para 48,6 milhões de toneladas. Já a produção de óleo de soja foi revisada de 12,55 milhões para 12,65 milhões de toneladas, avanço de 0,8%.

A projeção para a produção total de soja no país foi ajustada para 180,25 milhões de toneladas, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No relatório anterior, a estimativa era de 180,13 milhões de toneladas.

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No mercado externo, a Abiove manteve em 114,1 milhões de toneladas a previsão de exportação de soja em grão. Para o farelo de soja, a entidade elevou a estimativa de embarques de 24,8 milhões para 24,95 milhões de toneladas, alta de 0,6%. As exportações de óleo de soja passaram de 1,6 milhão para 1,65 milhão de toneladas, crescimento de 3,1%. O faturamento total do complexo soja com exportações está projetado em cerca de US$ 60 bilhões.

Para as importações do mercado brasileiro, a Abiove projeta compras de 900 mil toneladas de soja em grão e de 125 mil toneladas de óleo de soja.

A entidade também divulgou os dados fechados de abril. O processamento industrial de soja em grão somou 5,09 milhões de toneladas, aumento de 0,2% em relação a março de 2026 e de 6,7% na comparação com abril de 2025, considerando o ajuste pelo porcentual amostral. No acumulado de janeiro a abril, o processamento chegou a 18,124 milhões de toneladas, elevação de 10,1% sobre igual período de 2025.

O levantamento de junho mostra revisão positiva nas estimativas da Abiove para processamento e derivados da soja em 2026. O material divulgado não detalha os fatores que motivaram os ajustes nem especifica impactos diretos para produtores.

Fonte: Estadão Conteúdo

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