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Safra de inverno no Rio Grande do Sul deve ter área 10,76% menor em 2026

A área cultivada com as culturas de inverno no Rio Grande do Sul deve cair 10,76% em 2026, passando de 1.765.702 hectares para 1.575.634 hectares, segundo dados apresentados pela Emater/RS nesta segunda-feira (22). A produção total estimada também recua 22,15% em relação ao ciclo anterior, com projeção abaixo das 3.733.118 toneladas registradas em 2025. O levantamento foi realizado entre 4 de maio e 16 de junho de 2026.
De acordo com o diretor técnico da Emater/RS, Mateus Rocha, trigo e cevada puxam a redução da safra de inverno no Estado. No trigo, principal cultura da temporada, a área deve cair 30,18%, de 1.166.163 hectares para 814.220 hectares. A produção está estimada em 2.199.554 toneladas, retração de 36,39% frente ao ciclo passado.
Segundo Rocha, o recuo do trigo está associado a fatores de mercado, financeiros e climáticos. Ele citou como base do cenário a combinação entre questão climática, crédito e descapitalização do produtor gaúcho. O diretor também afirmou que o El Niño gera insegurança em razão das características fitossanitárias do cereal.
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Na cevada, a área projetada é de 20.320 hectares, queda de 36,52%. A produção deve somar 61.369 toneladas, 47,07% abaixo das 115.935 toneladas de 2025.
Em sentido oposto, a canola aparece como destaque positivo do balanço. A área destinada à cultura deve avançar 102,64%, saindo de 174.394 hectares para 353.397 hectares. A produção estimada é de 571.975 toneladas, alta de 100,35% em 2026. Rocha atribuiu esse movimento à demanda industrial e ao modelo de negócios da cultura, que, segundo ele, opera de forma integrada com a indústria e com garantia de preço.
O diretor também citou a inserção da carinata, voltada ao mercado de combustível sustentável de aviação (SAF). Já a aveia branca em grãos deve registrar queda de 1,38% na área, para 387.697 hectares, e de 3,79% na produção, estimada em 900.221 toneladas.
Os dados apresentados pela Emater/RS mostram redução na área e na produção das culturas de inverno no Rio Grande do Sul em 2026, com retração mais acentuada em trigo e cevada e avanço da canola. O material divulgado não informa preços, prazo de comercialização ou detalhamento regional dos impactos para os produtores.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Fertilizantes na soja: onde está o ganho de eficiência? Especialista da Yara Brasil explica

Tem novo episódio do podcast Soja Brasil no ar! E você pode conferir o que Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, falou sobre eficiência na adubação e o uso dos fertilizantes como investimento para aumentar a produtividade e a rentabilidade no campo. O especialista comentou sobre a importância de avaliar o retorno de cada tecnologia utilizada na lavoura, considerando também os ganhos em produtividade, qualidade e eficiência operacional.
Durante o bate-papo, Guilherme destacou ainda a necessidade de personalizar as recomendações de fertilização de acordo com as características de cada solo e talhão. Segundo ele, um bom diagnóstico, o equilíbrio entre nutrientes, a correção do solo e o desenvolvimento do sistema radicular são fundamentais para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. O especialista também falou sobre tecnologias da Iara voltadas à nutrição, bioestimulação e tratamento de sementes.
Outro assunto abordado no episódio foi a preparação da lavoura para enfrentar eventos climáticos, como estiagens, veranicos e chuvas intensas. Guilherme explicou que uma planta bem estabelecida e com bom desenvolvimento radicular pode apresentar maior resiliência diante dessas condições.
Confira:
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Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue firme, sustentado pela menor disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de compra das indústrias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta reduzida de lotes limita a liquidez, enquanto compradores encontram dificuldades para recompor os estoques.
Os produtores permanecem cautelosos nas vendas e aguardam preços mais atrativos. De acordo com o Cepea, a expectativa está em valores próximos de R$ 80 por saca de 50 quilos, livre, patamar considerado mais compatível com a remuneração esperada pelos vendedores.
A postura retraída no campo contribui para sustentar as cotações do arroz em casca. Por outro lado, o repasse dessa valorização para o produto beneficiado ainda encontra resistência, o que limita a margem para avanços nas negociações ao longo da cadeia.
Indústrias enfrentam dificuldade para recompor estoques
Do lado comprador, a necessidade de reposição mantém as indústrias ativas no mercado. No entanto, a baixa disponibilidade interna de arroz dificulta a formação de estoques e aumenta a disputa pelos lotes colocados à venda.
O cenário ajuda a explicar também o movimento observado no comércio exterior, com aumento da entrada de produto estrangeiro no país.
Segundo o Cepea, as importações cresceram diante da necessidade das indústrias de recompor estoques, em um momento de oferta doméstica restrita.
Exportações de arroz recuam em julho
Enquanto as importações avançaram, as exportações brasileiras perderam força. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam redução nos embarques de arroz em julho, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de forte crescimento.
Pesquisadores do Cepea relacionam esse movimento ao encerramento dos leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e à valorização do arroz no mercado doméstico.
Com produtores resistentes em negociar aos preços atuais e indústrias ainda buscando matéria-prima, a disponibilidade de arroz no mercado interno permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações.
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Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte de levantamento da Serasa Experian e consideram produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agro.
Segundo a empresa, o avanço ocorre em um cenário de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior nível de alavancagem de parte dos produtores. Esses fatores têm pressionado o fluxo de caixa no campo.
Apesar do crescimento na comparação anual, o número de pedidos ainda permanece abaixo dos patamares mais elevados observados em meados de 2025.
Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o comportamento dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da capacidade de geração de receita, das margens e das condições disponíveis para renegociação das dívidas.
“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro
Na divisão por estados, Mato Grosso liderou o país, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O levantamento considera, nesse recorte, as solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.
Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Pedidos entre produtores rurais PJ disparam 73,5%
Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (PJ) foram o grupo com maior número de solicitações no primeiro trimestre.
Foram contabilizados 196 pedidos, crescimento de 73,5% diante dos 113 registrados nos três primeiros meses de 2025. Foi também a maior alta anual entre os três perfis analisados.
O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 solicitações. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking estadual desse grupo.
Recuperação judicial cai entre produtores pessoa física
O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF). Foram registrados 182 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, queda de 6,7% em relação aos 195 contabilizados no mesmo período de 2025.
Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a metodologia do levantamento, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Os pequenos proprietários tiveram 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37. Mato Grosso também liderou nesse recorte, seguido por Paraná e Goiás.
Empresas da cadeia do agro registram alta de 18,5%
As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, avanço de 18,5% ante as 81 solicitações do mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Depois aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Nesse grupo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações.
Serasa aponta uso de inteligência artificial para avaliar riscos
A Serasa Experian afirma utilizar inteligência artificial e modelos preditivos para identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas do agronegócio.
Um dos instrumentos é o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural. Segundo a companhia, análises feitas com a ferramenta indicaram que o score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente entraram com pedidos de recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do processo.
De acordo com Pimenta, a análise de informações específicas do setor pode ajudar a identificar diferentes níveis de risco e apoiar a concessão de crédito sem restringir de maneira generalizada o acesso a recursos.
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