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25 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Alumínio e seus efeitos nas raízes das plantas – MAIS SOJA

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A qualidade química do solo exerce influência direta sobre o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas agrícolas. Entre os fatores de maior relevância, destaca-se a acidez do solo, que favorece a solubilização do alumínio (Al) e aumenta sua concentração na solução do solo. Nessa condição, o alumínio pode atuar de forma tóxica sobre o sistema radicular, reduzindo o alongamento das raízes e promovendo alterações estruturais e fisiológicas que comprometem sua capacidade de absorção. Como resultado, há menor exploração do perfil do solo e redução no acesso das plantas à água e aos nutrientes, fatores que podem limitar o desenvolvimento vegetal e comprometer a expressão do potencial produtivo das culturas.

Os efeitos do Al nas raízes são nitidamente observados ao analisar a morfologia das raízes. Ao avaliar os locais de acúmulo de Al e seus efeitos sobre o crescimento e a morfologia das pontas das raízes de soja, Silva et al. (2020) observaram, que a exposição ao Al promove alterações progressivas na micromorfologia radicular. Enquanto as raízes cultivadas na ausência de Al apresentaram superfície organizada e células da coifa e da epiderme estruturalmente preservadas, a exposição a 100 μM de alumínio por 24 horas já resultou em sinais iniciais de desorganização tecidual. Esses danos tornaram-se mais evidentes após 48 horas e, principalmente, após 72 horas de exposição, período em que foi observada intensa degradação da arquitetura celular das regiões mais externas da raiz.

Figura 1. Micrografias de microscópio eletrônico de varredura das pontas das raízes de plantas de soja após diferentes períodos de exposição ao Al. a – Ponta da raiz em condições de controle (0 µM Al, -Al), b – Ponta da raiz na presença de Al (100 µM Al, +Al) por 24h, c – 48h e d – 72h. Ampliação de 200x. Barra de escala: 100 μm (Silva et al., 2020).
Fonte: Silva et al. (2020)

De acordo com Silva et al. (2020), o acúmulo de alumínio nas camadas superficiais da ponta radicular, especialmente na coifa, epiderme e córtex, promoveu desorganização celular e danos estruturais aos tecidos periféricos, evidenciando que, embora o genótipo avaliado apresente mecanismos de tolerância capazes de restringir a movimentação do Al para os tecidos internos e preservar o crescimento radicular, o metal exerce efeitos tóxicos diretos sobre a integridade morfológica das células externas da raiz.

Resultados similares também foram observados para a cultura do milho. Ao avaliar o efeito do de níveis tóxicos de Al no crescimento e na morfologia externa das pontas das raízes do milho, Souza et al. (2016) identificaram que há uma desestruturação celular das raízes em função da presença do Al tóxico, mesmo em pequenos períodos de exposição (24h), demonstrando que a acidez disponível no solo pode danificar significativamente a estrutura das raízes.

Figura 2. Pontas das raízes de dois genótipos de milho (UFVM-100 e UFVM-200) após tratamento das plantas com 0 ou 50 µM de Al por 24 horas, coradas com hematoxilina (N = 6).
Fonte: Souza et al. (2016)

Corroborando o impacto da acidez do solo sobre as raízes do milho, Vardar et al. (2011) observaram que a presença do Al reduziu o alongamento radicular em 39,6% na concentração de 150 µM, 44,1% na de 300 µM e 50,1% na de 450 µM de AICI3 após um período de 96 horas (figura 3), além de resultar em estresses alternativos como deformações celulares e formação de caloses nas raízes (figura 4), com o aumento da concentração de Al e tempo de exposição da raízes a ele, causando danos significativos as raízes, evidenciando a sensibilidade do milho ao Al.

Figura 3. Inibição do crescimento induzida pelo alumínio nas raízes do milho. As plântulas foram expostas a concentrações de alumínio de 150, 300 e 450 µM AICI3 (pH 4,5) por 96 horas.
Adaptado: Vardar et al. (2011)
Figura 4. Cortes longitudinais de raízes de milho do grupo controle (C) e do grupo tratado com diferentes concentrações de AI, coradas com azul de anilina após 96 horas.
Fonte: Vardar et al. (2011)

Os resultados evidenciam que, embora a resposta ao Alumínio seja dependente do genótipo, a presença de níveis tóxicos desse elemento na solução do solo pode desencadear alterações morfofisiológicas que comprometem a funcionalidade das raízes. Como consequência, ocorre limitação da absorção de água e nutrientes, afetando processos fundamentais para o crescimento vegetal. Em situações de maior suscetibilidade genética ou de exposição prolongada ao Alumínio, tais efeitos podem culminar em reduções expressivas no crescimento, desenvolvimento e potencial produtivo das culturas.



Referências:

SILVA, C. O. DIFFERENTIAL ACCUMULATION OF ALUMINUM IN ROOT TIPS OF SOYBEAN SEEDLINGS. Brazilian Journal of Botany, 2020. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/339629323_Differential_accumulation_of_aluminum_in_root_tips_of_soybean_seedlings >, acesso em: 22/05/2026.

SOUZA, L. T. et al. EFFECTS OF ALUMINUM ON THE ELONGATION AND EXTERNAL MORPHOLOGY OF ROOT TIPS IN TWO MAIZE GENOTYPES. Bragantia, 2016. Disponível em: < https://www.redalyc.org/pdf/908/90843579003.pdf >, acesso em: 22/05/2026.

VALDAR, F. et al. DETERMINATION OF STRESS RESPONSES INDUCED BY ALUMINUM IN MAIZE (Zea mays). Acta Biologica Hungarica, 2011. Disponível em: < https://link.springer.com/article/10.1556/ABiol.62.2011.2.6?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 22/05/2026.

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Sustentabilidade

Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

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O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.

Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.

Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.

Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.

Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.

Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.

Resultados em sementes de baixo vigor

Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.

De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.

Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).

Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Crop Evo® = bioinsumo a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total, nitrogênio, enxofre, boro, cobalto, ferro, cobre, manganês, molibdênio e zinco.
Fonte: Machado et al. (2026)

Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.

Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!


Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja



Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.

MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

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Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

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O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.

Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.

Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.

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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.

Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.

O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.

Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

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As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.

Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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