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9 de julho de 2026

Sustentabilidade

Alumínio e seus efeitos nas raízes das plantas – MAIS SOJA

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A qualidade química do solo exerce influência direta sobre o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade das culturas agrícolas. Entre os fatores de maior relevância, destaca-se a acidez do solo, que favorece a solubilização do alumínio (Al) e aumenta sua concentração na solução do solo. Nessa condição, o alumínio pode atuar de forma tóxica sobre o sistema radicular, reduzindo o alongamento das raízes e promovendo alterações estruturais e fisiológicas que comprometem sua capacidade de absorção. Como resultado, há menor exploração do perfil do solo e redução no acesso das plantas à água e aos nutrientes, fatores que podem limitar o desenvolvimento vegetal e comprometer a expressão do potencial produtivo das culturas.

Os efeitos do Al nas raízes são nitidamente observados ao analisar a morfologia das raízes. Ao avaliar os locais de acúmulo de Al e seus efeitos sobre o crescimento e a morfologia das pontas das raízes de soja, Silva et al. (2020) observaram, que a exposição ao Al promove alterações progressivas na micromorfologia radicular. Enquanto as raízes cultivadas na ausência de Al apresentaram superfície organizada e células da coifa e da epiderme estruturalmente preservadas, a exposição a 100 μM de alumínio por 24 horas já resultou em sinais iniciais de desorganização tecidual. Esses danos tornaram-se mais evidentes após 48 horas e, principalmente, após 72 horas de exposição, período em que foi observada intensa degradação da arquitetura celular das regiões mais externas da raiz.

Figura 1. Micrografias de microscópio eletrônico de varredura das pontas das raízes de plantas de soja após diferentes períodos de exposição ao Al. a – Ponta da raiz em condições de controle (0 µM Al, -Al), b – Ponta da raiz na presença de Al (100 µM Al, +Al) por 24h, c – 48h e d – 72h. Ampliação de 200x. Barra de escala: 100 μm (Silva et al., 2020).
Fonte: Silva et al. (2020)

De acordo com Silva et al. (2020), o acúmulo de alumínio nas camadas superficiais da ponta radicular, especialmente na coifa, epiderme e córtex, promoveu desorganização celular e danos estruturais aos tecidos periféricos, evidenciando que, embora o genótipo avaliado apresente mecanismos de tolerância capazes de restringir a movimentação do Al para os tecidos internos e preservar o crescimento radicular, o metal exerce efeitos tóxicos diretos sobre a integridade morfológica das células externas da raiz.

Resultados similares também foram observados para a cultura do milho. Ao avaliar o efeito do de níveis tóxicos de Al no crescimento e na morfologia externa das pontas das raízes do milho, Souza et al. (2016) identificaram que há uma desestruturação celular das raízes em função da presença do Al tóxico, mesmo em pequenos períodos de exposição (24h), demonstrando que a acidez disponível no solo pode danificar significativamente a estrutura das raízes.

Figura 2. Pontas das raízes de dois genótipos de milho (UFVM-100 e UFVM-200) após tratamento das plantas com 0 ou 50 µM de Al por 24 horas, coradas com hematoxilina (N = 6).
Fonte: Souza et al. (2016)

Corroborando o impacto da acidez do solo sobre as raízes do milho, Vardar et al. (2011) observaram que a presença do Al reduziu o alongamento radicular em 39,6% na concentração de 150 µM, 44,1% na de 300 µM e 50,1% na de 450 µM de AICI3 após um período de 96 horas (figura 3), além de resultar em estresses alternativos como deformações celulares e formação de caloses nas raízes (figura 4), com o aumento da concentração de Al e tempo de exposição da raízes a ele, causando danos significativos as raízes, evidenciando a sensibilidade do milho ao Al.

Figura 3. Inibição do crescimento induzida pelo alumínio nas raízes do milho. As plântulas foram expostas a concentrações de alumínio de 150, 300 e 450 µM AICI3 (pH 4,5) por 96 horas.
Adaptado: Vardar et al. (2011)
Figura 4. Cortes longitudinais de raízes de milho do grupo controle (C) e do grupo tratado com diferentes concentrações de AI, coradas com azul de anilina após 96 horas.
Fonte: Vardar et al. (2011)

Os resultados evidenciam que, embora a resposta ao Alumínio seja dependente do genótipo, a presença de níveis tóxicos desse elemento na solução do solo pode desencadear alterações morfofisiológicas que comprometem a funcionalidade das raízes. Como consequência, ocorre limitação da absorção de água e nutrientes, afetando processos fundamentais para o crescimento vegetal. Em situações de maior suscetibilidade genética ou de exposição prolongada ao Alumínio, tais efeitos podem culminar em reduções expressivas no crescimento, desenvolvimento e potencial produtivo das culturas.



Referências:

SILVA, C. O. DIFFERENTIAL ACCUMULATION OF ALUMINUM IN ROOT TIPS OF SOYBEAN SEEDLINGS. Brazilian Journal of Botany, 2020. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/339629323_Differential_accumulation_of_aluminum_in_root_tips_of_soybean_seedlings >, acesso em: 22/05/2026.

SOUZA, L. T. et al. EFFECTS OF ALUMINUM ON THE ELONGATION AND EXTERNAL MORPHOLOGY OF ROOT TIPS IN TWO MAIZE GENOTYPES. Bragantia, 2016. Disponível em: < https://www.redalyc.org/pdf/908/90843579003.pdf >, acesso em: 22/05/2026.

VALDAR, F. et al. DETERMINATION OF STRESS RESPONSES INDUCED BY ALUMINUM IN MAIZE (Zea mays). Acta Biologica Hungarica, 2011. Disponível em: < https://link.springer.com/article/10.1556/ABiol.62.2011.2.6?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 22/05/2026.

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Sustentabilidade

MS: exportações de soja aumentam em junho enquanto exportações de milho seguem retraídas – MAIS SOJA

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As exportações de soja de Mato Grosso do Sul registraram aumento de 7,56% em junho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Estado embarcou 926,6 mil toneladas do grão, movimentando US$ 403,5 milhões. Em relação a maio deste ano, o avanço foi de 3% no volume exportado.

Os dados constam no Boletim de Exportação da Aprosoja/MS, elaborado com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A China continua sendo a principal compradora da soja produzida em Mato Grosso do Sul, respondendo por 78,8% das exportações do mês. Na sequência aparecem Irã e Vietnã entre os principais destinos do grão.

Segundo o analista de economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, os resultados mostram que a comercialização da soja segue um comportamento semelhante ao observado no ano passado.

“As exportações de soja mantiveram números estáveis em junho, acompanhando a tendência observada no mesmo período do ano passado. Isso demonstra que a comercialização segue um ritmo semelhante ao de 2025”.

Em contrapartida, o cenário para o milho permanece desafiador. Em junho, Mato Grosso do Sul exportou apenas 124 toneladas do cereal, volume significativamente inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas cerca de 19 mil toneladas. O Irã foi o único destino das exportações do milho sul-mato-grossense no período.

“A retenção dos volumes não comercializados da última safra de soja e milho pressiona a capacidade de armazenamento. Esse cenário influencia os preços, reduz a competitividade na comercialização e acaba refletindo diretamente no desempenho das exportações”.

O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



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Sustentabilidade

Lavouras de milho mantém bom potencial produtivo em Mato Grosso do Sul; colheita da segunda safra alcança 2,8% da área – MAIS SOJA

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O monitoramento realizado pelo Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, aponta que que 70,8% das lavouras de milho segunda safra 2025/2026 apresentam boas condições de desenvolvimento. Outros 18,3% estão em condição regular e 10,9% foram classificados como ruins. O levantamento também aponta que, até 3 de julho, a colheita começou de forma gradual no Estado e atingiu 2,8% da área acompanhada, o equivalente a aproximadamente 46 mil hectares.

As regiões Norte e Nordeste concentram os melhores índices de qualidade das lavouras. Na Região Norte, 92,1% das áreas são classificadas como boas, enquanto na Região Nordeste esse percentual chega a 82,9%. Também apresentam predominância de boas condições as regiões Oeste (79,4%), Sudoeste (73,6%) e Sudeste (72,8%).

Na região Centro, 57,9% das lavouras estão em boas condições, enquanto 23,8% foram classificadas como ruins, reflexo principalmente dos riscos climáticos registrados ao longo do ciclo. Já na região Sul, 64,1% das áreas apresentam boas condições e 31% são consideradas regulares. Na região Sul-Fronteira, 62,3% das lavouras permanecem em boas condições, embora haja preocupação com os efeitos das geadas registradas entre os dias 24 e 26 de junho.

De acordo com o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é favorável para a cultura, mas a atenção permanece voltada para as condições climáticas durante a reta final do ciclo e o avanço da colheita.

“Continuamos monitorando os impactos localizados provocados pela estiagem e pelas geadas, especialmente na região Sul-Fronteira. Neste momento, o acompanhamento técnico é fundamental para avaliar possíveis reflexos sobre a produtividade”.

Colheita avança lentamente

O levantamento do SIGA-MS mostra que a colheita ocorre de forma mais avançada nas regiões Centro e Sul, ambas com média de 3,1% da área colhida. Na região Norte, os trabalhos ainda estão no início, com apenas 0,2% das áreas colhidas.

“As chuvas acima da média em importantes regiões produtoras retardaram o início da colheita. Além disso, historicamente o milho apresenta umidade mais elevada nesse período, o que naturalmente posterga a entrada das máquinas no campo. A expectativa é que os trabalhos ganhem intensidade a partir da segunda quinzena de julho”, afirma Gabriel.

A estimativa da Aprosoja/MS para a segunda safra 2025/2026 permanece em 2,206 milhões de hectares cultivados, com produtividade média projetada de 84,2 sacas por hectare e produção estimada em 11,139 milhões de toneladas.

O monitoramento do Projeto SIGA-MS segue acompanhando semanalmente a evolução das lavouras e da colheita em todas as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul, fornecendo informações técnicas para produtores, mercado e demais agentes do setor.

Mais informações sobre as lavouras podem ser obtidas clicando aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja/MS

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Sustentabilidade

Próxima safra exige mais gestão de riscos diante de crédito caro e clima extremo – MAIS SOJA

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O agronegócio brasileiro inicia o planejamento da próxima safra diante de um cenário cada vez mais complexo. Embora o Brasil mantenha posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, produtores rurais convivem com uma combinação de fatores que eleva a incerteza sobre os investimentos no campo, a exemplo do crédito com juros altos, eventos climáticos extremos e dificuldades de acesso ao Seguro Rural.

Especialistas avaliam que esse conjunto de desafios deverá influenciar diretamente as decisões sobre aquisição de máquinas, expansão das áreas cultivadas, adoção de novas tecnologias e estratégias de gestão de risco nos próximos meses. O planejamento agrícola passou a incorporar, além dos preços das commodities, variáveis econômicas, climáticas e financeiras que impactam diretamente a rentabilidade das propriedades.

Crédito cresce, mas investimentos perdem ritmo

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados com base nas informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, mostram que as contratações de crédito rural para a agricultura empresarial continuam em expansão. Apesar do crescimento no volume contratado, o próprio governo observa uma desaceleração nas operações destinadas a investimentos, reflexo do aumento do custo do financiamento e da maior cautela dos produtores diante do cenário econômico.

Nesse contexto, instrumentos privados como a Cédula de Produto Rural (CPR) vêm ganhando importância como alternativa para complementar o financiamento da atividade agropecuária, reduzindo a dependência exclusiva do crédito oficial.

Seguro Rural torna-se um dos principais obstáculos

Além do crédito, outro fator que preocupa o setor é o acesso ao Seguro Rural. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, subsidia parte do custo da contratação das apólices e é considerado um dos principais instrumentos de gestão de risco da atividade agropecuária brasileira.

Embora o programa seja estratégico para proteger a renda dos produtores, entidades do setor têm alertado que os recursos disponíveis frequentemente não são suficientes para atender toda a demanda nacional, especialmente em anos de maior risco climático. O próprio Mapa disponibiliza, por meio do Atlas do Seguro Rural, dados públicos sobre a contratação das apólices, valores subvencionados e indenizações pagas.

Em 2026, o orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural sofreu bloqueio de R$ 461,7 milhões, equivalente a 45,7% dos recursos inicialmente previstos para a política pública, aumentando a preocupação de produtores, seguradoras e cooperativas quanto à disponibilidade de cobertura para a próxima safra.

Sem uma cobertura adequada, muitos produtores acabam assumindo integralmente os prejuízos provocados por secas, geadas, enchentes, granizo ou ondas de calor, comprometendo sua capacidade de investimento na safra seguinte e elevando o risco de endividamento.

Clima amplia riscos

As mudanças climáticas vêm aumentando a frequência de eventos extremos em diversas regiões produtoras, tornando o planejamento agrícola cada vez mais dependente de informações meteorológicas, manejo conservacionista, irrigação e tecnologias de adaptação.

Tecnologia ganha protagonismo

Com margens de lucro mais pressionadas, cresce a adoção de tecnologias como agricultura de precisão, drones, inteligência artificial, sensores e softwares de gestão para otimizar o uso de insumos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Nesse cenário, startups especializadas em gestão de riscos ganham espaço, como a Agroboard, startup Premium do SNASH (SNA Startup Hub), cuja plataforma integra informações comerciais, financeiras e operacionais, permitindo o monitoramento de contratos, precificação, operações de hedge e indicadores de mercado em tempo real.

“Considero muito importante o produtor entender, principalmente, que gestão de riscos é um processo. Ela é uma cultura; uma atividade que o produtor precisa fazer todo santo dia. Ele deve revisar dados, olhar mercado e suas posições de forma agregada, debater com um consultor ou alguém que também possa auxiliar dentro desse processo e monitorar dentro da Agroboard”, afirmou Danilo Lombardi, CEO da Agroboard. Segundo ele, decisões baseadas em dados, custos de produção e tendências de mercado são fundamentais. “O mais importante para o produtor é que lucro bom é lucro no bolso.”

Lombardi explica que a plataforma oferece ferramentas para formação de preços, acompanhamento de compras, vendas, operações de barter e rentabilidade, permitindo proteger os resultados do negócio. “Num momento que o mercado está, principalmente com um ano que tem se confirmado um ano de super El Niño, que vai se estender até o ano que vem, ou seja, a gente tem um risco climático muito grande. Além disso, ainda estamos passando por turbulências geopolíticas mundiais e muitas incertezas”, ressaltou, destacando que a gestão de riscos precisa fazer parte da rotina do produtor para enfrentar um cenário cada vez mais desafiador.

Competitividade dependerá da capacidade de adaptação

Mesmo diante dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil continuará ocupando posição estratégica no abastecimento global de alimentos. Entretanto, a competitividade do agronegócio dependerá cada vez mais da combinação entre acesso ao crédito, fortalecimento do seguro rural, inovação tecnológica e capacidade de adaptação às mudanças climáticas, fatores que deverão orientar o planejamento das próximas safras.

Fonte: SNA –  Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br

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