Agro Mato Grosso
Plantas daninhas mantêm mosca-branca no campo

Estudo aponta espécies com potencial para abrigar Bemisia tabaci MEAM1 e sustentar populações da praga
Plantas daninhas comuns em áreas agrícolas brasileiras podem atuar como hospedeiras alternativas da mosca-branca Bemisia tabaci MEAM1. O alerta consta em estudo conduzido por pesquisadores da Esalq e da FCA. A pesquisa comparou 15 espécies daninhas e quatro plantas cultivadas em testes com e sem chance de escolha pelo inseto.
Os resultados apontaram maior risco para Emilia sonchifolia, Senna obtusifolia e Euphorbia heterophylla. Essas espécies apresentaram capacidade para atrair adultos, receber postura e permitir colonização. Segundo os cientistas, o manejo dessas plantas deve integrar programas de manejo da mosca-branca em áreas com presença da praga.
Livre escolha
No teste com livre escolha, o tomateiro recebeu a maior infestação média de adultos entre todos os materiais avaliados. A média chegou a 282,06 adultos por planta nos três períodos de avaliação. Entre as plantas daninhas, Senna obtusifolia, Emilia sonchifolia e Euphorbia heterophylla formaram o grupo com maiores níveis de infestação, com médias entre 151,57 e 189,43 adultos por planta.
A oviposição também separou os hospedeiros. No ensaio de livre escolha, Solanum lycopersicum, Emilia sonchifolia e Senna obtusifolia registraram as maiores taxas, com 16,58 a 22,52 ovos por cm². Em contraste, Richardia brasiliensis, milho e Amaranthus viridis apresentaram médias inferiores a 1 ovo por cm².
Sem chance de escolha
No teste sem chance de escolha, Euphorbia heterophylla teve o maior número de ovos e ninfas. A espécie registrou 42,35 ovos por cm² e 22,70 ninfas por cm². Galinsoga parviflora e Spermacoce latifolia também apresentaram colonização relevante. O milho teve os menores valores, com 0,24 ovo por cm² e 0,27 ninfa por cm².
O estudo avaliou ainda características foliares ligadas à preferência da mosca-branca. Houve correlação positiva entre oviposição e densidade de tricomas. Também houve correlação positiva entre número de adultos e intensidade de amarelo das folhas. As correlações foram negativas para luminosidade e intensidade de verde, segundo os índices colorimétricos usados no trabalho.
O tomateiro apresentou a maior densidade de tricomas, com 134,50 tricomas por 25 mm². Spermacoce latifolia veio em seguida, com 85,00, e Conyza canadensis, com 73,63. Os pesquisadores destacaram, porém, que a resposta da mosca-branca não depende apenas da densidade dessas estruturas. O tipo de tricoma, compostos químicos e outros sinais da planta também podem interferir na seleção do hospedeiro.
Preferência e desempenho
Os cientistas calcularam ainda o índice de preferência-desempenho, usado para integrar postura, viabilidade de ovos e tempo de desenvolvimento. Solanum lycopersicum exibiu o maior valor. Entre as daninhas, Emilia sonchifolia, Sida rhombifolia e Euphorbia heterophylla apareceram com valores relativamente altos. Milho, Richardia brasiliensis, Amaranthus viridis e Bidens pilosa tiveram os menores resultados.
A mosca-branca tem alta polifagia. Ela infesta soja, algodão, tomate, brássicas, cucurbitáceas, plantas daninhas e ornamentais. Essa amplitude de hospedeiros dificulta o manejo em sistemas agrícolas. As plantas daninhas podem manter populações ao longo do ano e permitir a migração do inseto entre culturas. Elas também podem abrigar patógenos, sobretudo vírus.
A pesquisa recomenda atenção especial às daninhas destacadas em regiões com altas populações de mosca-branca durante o ano. O controle dessas espécies pode reduzir condições favoráveis ao inseto e possíveis fontes de inóculo. Esse ponto ganha peso em áreas produtoras de tomate, pois Euphorbia heterophylla já foi identificada como hospedeira do begomovírus Tomato severe rugose virus em região do Centro-Oeste brasileiro.
O trabalho foi desenvolvido por Matheus Gerage Sacilotto, Rodrigo Donizeti Faria, Felipe Savieto Furquim de Souza, Vinícius Fernandes Canassa, Edson Luiz Lopes Baldin e André Luiz Lourenção
Outras informações em doi.org/10.1590/1678-992X-2025-0062
Agro Mato Grosso
MT registra menor número de focos de calor em setembro em 28 anos

Estado teve 1.964 focos de calor no mês, uma redução de 82,6% em relação à média histórica para setembro, segundo dados do Inpe.
Mato Grosso registrou, em setembro de 2026, o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Ao todo, foram registrados 1.964 focos de calor em setembro deste ano, redução de 82,6%, em comparação com a média histórica para o mês, que é de 13.206.
Também foi registrada redução de 14,38% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram contabilizadas 2.294 ocorrências. Os dados são do Banco de Dados de Queimadas (BDQueimadas), do Inpe, que monitora os focos de calor por meio de imagens de satélite.
Segundo o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel Heitor Alves de Souza, o trabalho de prevenção, monitoramento e resposta rápida das equipes contribuiu para o resultado registrado em setembro, mesmo diante das condições climáticas associadas aos efeitos do El Niño, que apontavam para um cenário de seca mais intensa e temperaturas elevadas.
“É um resultado muito importante para Mato Grosso, especialmente porque setembro é historicamente um dos meses mais críticos. A redução mostra que o trabalho preventivo, o monitoramento e a preparação das equipes são fundamentais para reduzir os impactos dos incêndios. Mesmo com esse cenário positivo, continuamos com nosso trabalho. O período de estiagem ainda exige atenção, e a prevenção continua sendo essencial”, destacou.
Neste ano, Mato Grosso mantém o reforço das ações de fiscalização e combate aos incêndios florestais e ao desmatamento ilegal, com investimento de R$ 134 milhões. Os recursos são aplicados em estratégias de proteção ambiental, ampliação da estrutura operacional e medidas preventivas.
As ações mobilizam diariamente bombeiros militares e brigadistas estaduais, com apoio de brigadistas municipais. As equipes atuam em diferentes regiões do Estado com o suporte de viaturas, máquinas e estrutura aérea. Entre os equipamentos empregados estão seis aeronaves do Grupamento de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Defesa Civil, além de um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e do veículo anfíbio SHERP.
Também fazem parte das ações de prevenção a construção e a manutenção de aceiros em áreas estratégicas. Todas essas medidas ajudam a reduzir a propagação das chamas, amplia a capacidade de resposta das equipes e contribui para o controle dos incêndios florestais.
Agro Mato Grosso
Mercado de madeira tratada deve crescer 6,7% ao ano até 2030 segundo pesquisa

O mercado mundial de madeira tratada deve crescer, em média, 6,7% ao ano até 2030, segundo projeção da Grand View Research divulgada pela Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM). A construção concentra a maior parcela da demanda global e está entre as principais frentes de uso do material.
Avaliado em aproximadamente US$5,9 bilhões em 2023, o mercado encontra no Brasil um potencial estimado de comercialização de 2,4 milhões de metros cúbicos de madeira tratada por ano provenientes de áreas de reflorestamento, segundo a ABPM. A estimativa brasileira foi divulgada em 2020 e indica o potencial calculado pela entidade, não o volume atualmente vendido no país.
Postes, cruzetas, dormentes e cercas estão entre as aplicações tradicionais da madeira tratada no Brasil. Na construção, o material também pode ser empregado em fachadas, decks, estruturas e sistemas industrializados, usos que submetem a madeira a condições bastante diferentes de exposição.
Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) indicam que determinados sistemas construtivos com madeira de árvores cultivadas podem reduzir em até 50% o tempo de execução em relação a métodos tradicionais. O desperdício de materiais pode ser de 20% a 30% menor.
As exigências técnicas mudam conforme o uso. Uma peça instalada sob cobertura não enfrenta as mesmas condições de uma fachada ou de um deck expostos diariamente ao sol, à chuva e à umidade. Espécie, projeto, instalação e exposição a fungos e insetos também interferem na conservação.
Elaine Guedes, diretora comercial da Montana Química, explica que o local de instalação é uma das primeiras variáveis a serem consideradas na especificação.
“Duas peças da mesma espécie podem ter comportamentos diferentes se uma estiver protegida e a outra receber sol e chuva diariamente. Antes de definir a proteção, precisamos saber onde a madeira será usada, qual será o nível de exposição e quais condições ela enfrentará ao longo do tempo, afirma.
Durabilidade começa antes do acabamento
A vida útil da madeira não depende apenas do acabamento escolhido. O próprio projeto pode reduzir ou aumentar a exposição à água. Pontos que dificultam o escoamento, por exemplo, favorecem a permanência de umidade sobre a peça e podem comprometer seu desempenho.
Em áreas externas, radiação ultravioleta, chuva e oscilações de umidade provocam alterações naturais na madeira e desgastam os acabamentos. A necessidade de manutenção, portanto, varia conforme a exposição e o estado da superfície.
“Quando aparece um problema no acabamento, nem sempre ele começou ali. Água acumulada, umidade persistente ou algum detalhe construtivo podem estar por trás do desgaste. Por isso, olhar apenas para o produto aplicado é insuficiente para avaliar o que aconteceu”, diz Elaine.
Tratamento industrial e acabamento não são a mesma coisa
Tratamento industrial e acabamento superficial também cumprem funções diferentes.
No primeiro, preservativos são introduzidos na madeira por processos específicos, como os realizados em autoclave, para aumentar a resistência a determinados agentes deterioradores. A atividade é regulamentada no Brasil.
Stains e vernizes são aplicados à superfície e têm indicações que variam de acordo com o ambiente e a exposição. Por isso, uma madeira submetida a tratamento industrial pode continuar precisando de acabamento adequado à aplicação.
“Há uma diferença de função. O tratamento industrial atende a determinadas necessidades de preservação da madeira, enquanto o acabamento atua na superfície. Em alguns usos, os dois processos são necessários e cumprem papéis distintos”, explica a executiva.
Com a construção concentrando a maior parcela da demanda mundial e o mercado global projetado para crescer 6,7% ao ano até 2030, fachadas, decks, estruturas e sistemas construtivos colocam a madeira em condições de uso bastante distintas. A expansão dessas aplicações traz para o centro da discussão questões como exposição, durabilidade e manutenção do material.
Sobre a Montana QuímicaSomos uma indústria química especialista na formulação de produtos de alta performance para a construção civil. Autoridade no mercado, possuímos uma linha completa de produtos para o tratamento, proteção, preservação e acabamento de madeiras, além de outros substratos como pedra, tecido, alvenaria, preservativos industriais para madeira e produtos de alta performance para indústria moveleira.
Com sede em São Paulo, filial em Porto Alegre e revendas em todo o Brasil, em 2014 lançou a marca Monsa para atender o mercado internacional. Atualmente, a Montana já conta com unidades de negócios em diversos países sul-americanos e com uma filial em Medellín, na Colômbia, instalada em 2017 e outra no Uruguai, instalada em 2019.
Agro Mato Grosso
Valtra lança sexta geração da Série T com até 245 cv

Tratores recebem motor CORE75, novas transmissões, SmartTouch Gen2 e conectividade FarmENGAGE
A Valtra apresentou a sexta geração da Série T, com potência de 170 cv a 245 cv, novo motor AGCO Power CORE75, duas opções de transmissão e atualização dos sistemas de operação, automação e agricultura digital. A fabricante direciona os tratores a produtores profissionais e prestadores de serviços.
A nova geração adota uma plataforma desenvolvida para integrar trator, implementos e gerenciamento da propriedade. A linha também recebe o sistema SmartTouch Gen2 e preparação de fábrica para a plataforma PTx FarmENGAGE.
Motor CORE75
O motor AGCO Power CORE75 utiliza seis cilindros e 7,5 litros de cilindrada. No modelo T236, entrega até 245 cv e torque máximo de 1.184 newton-metros.
O conjunto trabalha com o Smart Power Management. O sistema ajusta o comportamento do motor e da transmissão conforme a operação e a preferência selecionada pelo operador. A estratégia busca combinar capacidade de tração e consumo de combustível.
Segundo testes de laboratório da AGCO Power, o CORE75 apresentou redução de até 5% no consumo específico de combustível no ponto de melhor eficiência frente ao motor AGCO Power 74HD da geração anterior. A empresa prevê concluir testes independentes de validação até o final de 2026.
O operador pode selecionar os modos Eco, Normal ou Power. O motor também trabalha com uma faixa ampla de torque em baixas rotações. Segundo a fabricante, essa característica auxilia na manutenção do desempenho durante mudanças de carga.
Duas opções de transmissão
A sexta geração oferece duas alternativas de transmissão. Uma delas utiliza a transmissão continuamente variável AGCO ML 180. A segunda emprega uma nova transmissão powershift de dez etapas.
As configurações permitem velocidades de transporte de 40, 50 ou 57 quilômetros por hora, conforme a especificação e as regras locais de trânsito.
A plataforma utiliza distância entre eixos de 2.950 milímetros, vão livre do solo de até 575 milímetros e raio de giro de 4,9 metros. O sistema hidráulico fornece vazão de até 200 litros por minuto. O peso bruto máximo permitido alcança 14 mil quilogramas.
SmartTouch Gen2
A nova Série T incorpora o SmartTouch Gen2. A interface utiliza tela sensível ao toque de 12 polegadas e oferece capacidade de processamento dez vezes superior à geração anterior, segundo a Valtra.
O sistema apresenta tempo de inicialização de 22 segundos. O operador pode configurar telas de trabalho com até 16 quadrantes e criar perfis específicos para operadores, tarefas e implementos.
O SmartTouch Gen2 oferece até 12 botões configuráveis. A interface integra recursos de orientação, ISOBUS e gerenciamento de implementos. Uma função de ajuda apresenta informações adicionais e códigos QR para consulta.
A fabricante também disponibiliza o novo apoio de braço Active Gen2. A solução utiliza comandos dedicados e funções configuráveis. SmartTouch Gen2 e Active Gen2 sincronizam as informações com a tela instalada na coluna A da cabine.
Ajustes durante operações
A sexta geração incorpora recursos de automação voltados ao controle do trator e dos implementos. A lista inclui Tractor Implement Management, Ground Speed Hydraulics e Front Linkage Control.
O Ground Speed Hydraulics vincula funções hidráulicas à velocidade de deslocamento. Outros recursos permitem programar controles e administrar implementos. A estratégia busca reduzir ajustes repetitivos durante as operações.
A linha também mantém o programa Valtra Unlimited, destinado à personalização de fábrica. A fabricante prevê configurações para agricultura, pecuária, prestação de serviços, atividades florestais e aplicações municipais.
Máquinas conectadas
Os tratores saem de fábrica preparados para o PTx FarmENGAGE. A plataforma permite administrar dados das máquinas, planejamento e comunicação entre escritório e campo.
O sistema permite transferir tarefas, documentação e informações agronômicas. A Valtra também prevê uso do FarmENGAGE em frotas formadas por equipamentos de diferentes fabricantes.
Segundo Johan Grotell, gerente de marketing de produto da Valtra EME, a integração entre máquina, implemento, gestão e dados amplia o uso das tecnologias embarcadas em diferentes operações.
Matti Tiitinen, vice-presidente de vendas e marketing da Valtra EME, afirma que a nova geração buscou atender demandas apresentadas por agricultores e prestadores de serviços. Entre os pontos citados aparecem desempenho, custos operacionais, conectividade, personalização e facilidade de operação.
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