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5 de outubro de 2026

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Incerteza global eleva custeio da soja, milho e algodão em Mato Grosso

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O custeio das lavouras de soja, milho e algodão para a safra 2026/27 registrou alta em Mato Grosso em abril de 2026, no comparativo com o mês anterior. O avanço foi impulsionado pelo encarecimento dos principais insumos importados, refletindo o cenário de instabilidade no mercado internacional.

Segundo dados do projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (CPA-MT), desenvolvido em conjunto pelo Senar-MT e pelo Imea, a maior variação mensal ocorreu na cultura do milho. O custeio para o cereal subiu 2,32% em abril na comparação com março, atingindo R$ 3.772,24 por hectare. O aumento foi puxado pelos gastos com fertilizantes e corretivos, que saltaram 4,30% no período, além de defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%).

Na soja, o valor projetado alcançou R$ 4.286,89 por hectare, um incremento de 1,88% em relação a março. O avanço reflete diretamente as despesas com fertilizantes, que subiram 2,73% em um mês, e com defensivos, que ficaram 2,17% mais caros.

O algodão também seguiu a tendência de encarecimento e teve alta mensal de 1,05% em abril, com o custeio estimado em R$ 10.642,28 por hectare. De acordo com o levantamento, o aumento foi justificado, principalmente, pela elevação das despesas com macronutrientes, diante do impacto logístico global decorrente de tensões no Estreito de Ormuz.

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Margens pressionadas e pontos de equilíbrio

Com o avanço dos gastos operacionais, os analistas do Imea e do Senar-MT apontam para uma compressão das margens de lucro dos produtores rurais. “Esse movimento de alta está associado ao cenário externo, uma vez que as tensões no Oriente Médio elevam as incertezas do mercado, pressionando os custos e logística dos insumos agrícolas. Diante desse cenário, de custos elevados e preços ainda pressionados observa-se compressão das margens do produtor”.

Para a soja, considerando a produtividade média projetada em 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio indica a necessidade de comercializar a saca a R$ 68,65 para cobrir o custeio — patamar 8,42% superior ao necessário na safra anterior. Com a aquisição dos insumos ainda em andamento, os custos externos seguem no foco de atenção dos agricultores.

No milho, com base na produtividade estimada em 118,71 sacas por hectare, o agricultor precisa negociar a produção a R$ 31,78 por saca para pagar o custeio e a R$ 46,34 por saca para arcar com o Custo Operacional Efetivo (COE). Como o preço médio do cereal em abril ficou em R$ 45,68 por saca, o valor cobre o custeio básico, mas exige que o produtor busque oportunidades estratégicas de venda para cobrir o COE.

Já para o algodão, cuja produtividade média está estimada em 119,82 arrobas de pluma por hectare, o cotonicultor necessita vender o produto a pelo menos R$ 127,09 por arroba para pagar o COE, que fechou abril em R$ 15.227,56 por hectare. “Por fim, com os preços mais atrativos da fibra nos últimos meses, observou-se a busca dos produtores por proteção de margens e travamento de custos, avançando na comercialização da safra 2026/27, que estava atrasada, mas superou a média dos últimos anos”.


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Produtor rural espera crescimento e juros menores no próximo governo

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Juros, impostos e capacidade de ampliar a produção estão entre as principais preocupações dos produtores rurais de Mato Grosso para o próximo governo federal. Com a eleição estadual definida, o setor volta a atenção para o segundo turno presidencial e espera mudanças na condução da economia.

Mato Grosso reelegeu Otaviano Pivetta, do Republicanos, para o governo do estado, enquanto Mauro Mendes, do União Brasil, e José Medeiros, do PL, conquistaram as duas vagas ao Senado. Para os produtores, as decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre as condições de produção.

O resultado também definiu a nova composição da bancada mato-grossense na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. A partir de 2027, o estado terá oito deputados federais. Na Assembleia, o Podemos ficou com seis cadeiras, enquanto PL e Republicanos elegeram quatro deputados cada.

Para o setor produtivo, a expectativa agora se concentra nas medidas econômicas que serão adotadas pelo próximo governo federal. Entre as principais preocupações estão os juros, impostos, geração de empregos e condições para ampliar a produção.

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Reeleito para comandar Mato Grosso por mais quatro anos, Otaviano Pivetta agradeceu a confiança recebida nas urnas e reforçou a responsabilidade para o próximo mandato. “Eu estou sentindo a confiança da população”, afirmou. Segundo ele, o resultado também aumenta o compromisso com o estado: “Aumenta o meu compromisso, aumenta a minha responsabilidade porque o povo de Mato Grosso confiou em mim”.

Já entre os produtores rurais, a preocupação está nas condições para manter a atividade produtiva e movimentar a economia. Adalberto Grando chama atenção para os reflexos das decisões econômicas sobre quem produz e sobre a geração de renda.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Juros pesam sobre atividade produtiva

Grando também chama atenção para os reflexos da economia nas cidades. Na avaliação dele, o enfraquecimento da atividade aparece no comércio e no mercado imobiliário, com pequenos estabelecimentos fechando e imóveis disponíveis para venda ou locação, o que tem levado a geração de desemprego. Para ele, esses sinais estão relacionados às dificuldades enfrentadas pela economia.

Para o produtor, a economia brasileira precisa voltar a crescer e ter responsabilidade com o déficit e com a trajetória dos juros. Ele considera que o custo do dinheiro interfere diretamente na capacidade de investimento de setores que dependem de crédito.

O produtor também considera que os juros atuais dificultam a atividade de setores que dependem do campo. “Uma economia que nem a nossa, que depende do setor primário, ter juro de 14%, 15% ao ano não se sustenta”, resume Grando ao Canal Rural Mato Grosso.

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Perfil técnico é expectativa

A expectativa também envolve a formação da equipe responsável pela condução da economia. O agricultor Dayan Della Justina Vieira defende que os próximos responsáveis pelas áreas econômicas tenham perfil técnico e credibilidade.

Dayan considera que o período eleitoral foi marcado por promessas e que, a partir de agora, o setor produtivo precisa conhecer quem estará à frente das decisões econômicas. Para ele, a escolha dos integrantes da equipe será um dos pontos importantes para mudar o cenário atual.

“A gente vinha vindo com promessas até o momento, então precisamos realmente que a equipe econômica seja conceituada e tenha credibilidade para a gente mudar o cenário atual”, afirma à reportagem.

O agricultor também diferencia uma equipe técnica de uma condução voltada exclusivamente para interesses políticos. A expectativa é por profissionais especializados nas áreas que irão assumir.

“Precisa realmente de uma equipe técnica, especializada, voltada à pasta que ela vai assumir, para melhorar esse cenário econômico”, acrescenta.

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Com o governo de Mato Grosso e as duas vagas ao Senado já definidas no primeiro turno, a disputa presidencial segue para a segunda etapa. Entre as preocupações apresentadas pelos produtores estão os juros, a condução da economia e a formação da equipe responsável pelas decisões no próximo governo. Grando resume a expectativa em condições para ampliar a atividade e gerar renda: “A gente tem que colocar um governo lá que dê a oportunidade para a gente produzir mais, ganhar mais, gerar mais emprego”.


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demanda fraca faz mercado ajustar valores

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O mercado brasileiro de feijão opera com reduzida liquidez nesta semana, reflexo da menor disposição de compra nas principais praças comercializadoras do país, conforme levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

A lentidão verificada nas aquisições pelo setor varejista diminuiu a necessidade de reposição por parte das indústrias processadoras, que neste momento priorizam a rotação dos estoques já existentes antes de retomarem compras em volume.

Com a demanda mais contida, produtores e vendedores com posição financeira sólida têm adotado estratégia de restringir a oferta do produto, buscando evitar quedas mais acentuadas nas cotações.

No caso do feijão-carioca, a fraca demanda tem dificultado a manutenção dos patamares de preço registrados nas semanas anteriores, com pressão de baixa sobre os valores praticados.

Já para o feijão-preto tipo 1, o movimento comprador também perdeu força. Após as valorizações observadas recentemente, o mercado passa por ajustes nos preços.

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*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Inspeções de soja, milho e trigo para exportação caem nos EUA na semana

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Os volumes de soja, milho e trigo inspecionados para exportação nos portos dos Estados Unidos recuaram na semana encerrada em 1º de outubro de 2026. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (5) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Na comparação semanal, a soja caiu 1,53%, o milho recuou 13,5% e o trigo teve baixa de 10,3%.

Segundo o USDA, o volume de soja inspecionado para exportação somou 1,138 milhão de toneladas, ante 1,156 milhão de toneladas na semana anterior. Em igual período de 2025, o total havia sido de 783,495 mil toneladas. Na comparação anual, houve alta de 45,3%.

No milho, as inspeções alcançaram 1,367 milhão de toneladas, abaixo das 1,580 milhão de toneladas registradas na semana anterior. No mesmo intervalo do ano passado, o volume foi de 1,701 milhão de toneladas, o que representa queda anual de 19,6%.

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Para o trigo, foram inspecionadas 302,356 mil toneladas, frente a 337,047 mil toneladas na semana anterior e 592,223 mil toneladas em igual semana de 2025. O recuo ante o mesmo período do ano passado foi de 48,9%.

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No acumulado do ano comercial, os embarques de milho chegaram a 7,110 milhões de toneladas, acima das 6,810 milhões de toneladas de igual período do ciclo anterior, avanço de 4,4%. A soja somou 3,986 milhões de toneladas, contra 3,046 milhões de toneladas no ciclo anterior, alta de 30,86%.

O trigo, por sua vez, acumulou 6,671 milhões de toneladas no ano-safra, abaixo das 10,264 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo anterior, retração de 35%.

O relatório semanal de inspeção de embarques considera o ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2026 para milho e soja.

Os dados do USDA indicam recuo semanal nas inspeções de exportação dos três grãos nos Estados Unidos, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para soja e milho e abaixo para o trigo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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