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10 de junho de 2026

Sustentabilidade

Incertezas no mercado de fertilizantes ameaçam safra brasileira de soja – MAIS SOJA

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A crise enfrentada pelo mercado brasileiro de fertilizantes por conta dos reflexos das guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia coloca em risco a safra 2026/2027 de soja, cujo plantio começa em setembro. Além dos riscos logísticos, da escassez de produtos e da elevação generalizada de custos, o cenário de incertezas se agrava com o atraso dos agricultores em adquirir os insumos.

“A combinação dos fatores globais e domésticos, como a taxação de PIS/COFINS sobre insumos agrícolas e a tabela do frete mínimo, deve reduzir o uso de fertilizantes e, consequentemente, diminuir a produção agrícola em relação às estimativas para a safra 2025/2026, o que significa que dificilmente chegaremos ao recorde de produção alcançado na safra passada”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz.

Segundo ele, atualmente, apenas cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra de soja foram negociados, quando, historicamente, o normal para este período do ano já passava de 60%. “O mercado na ponta travou devido às altas de preço, mas essa demora cria um risco iminente de escassez e gargalos logísticos”, aponta, citando que as compras para os meses de pico de chegada de fertilizantes nos portos (junho a agosto) não estão acontecendo em maio.

“Se a demanda retomar de última hora, o país pode enfrentar problemas de gargalo nos portos, com acúmulo de navios e longos tempos de espera, que podem chegar a até 60 dias”, prevê. O presidente do Sindiadubos-PR lembra que, no ano passado, nessa época, já havia filas de 10 a 15 dias para atracação, enquanto hoje os portos estão “ tranquilos”. “Caso os agricultores busquem o mesmo volume de fertilizantes do ano passado em cima da hora, eles não vão encontrar de forma alguma, pois as empresas distribuidoras não estão tomando posição de compra antecipada devido ao risco de queda de preço e aos altos custos financeiros (juros de até 20% ao ano) e de armazenagem”, analisa Schwartz.

Riscos

Diante desse quadro, ele aponta três riscos para o produtor que adiar a decisão de compra dos fertilizantes: o produto ficar mais caro, não ter o produto no momento certo (estar parado em fila de navios aguardando para descarregar em porto) ou até mesmo faltar. Para não ser prejudicado em nenhuma dessas hipóteses, o presidente do Sindiadubos-PR alerta que o produtor aja de forma estratégica para garantir o suprimento.

Porém, Schwartz pondera que o agricultor também enfrenta problemas financeiros graves, como o aumento das recuperações judiciais, o que restringe o crédito no setor. “Além disso, os custos operacionais estão mais altos, com os produtores absorvendo 2% a mais pelos insumos devido à taxação do PIS/Cofins, que entrou em vigor no último dia 1º de abril, e à Medida Provisória (MP) 1.343/26, que endureceu a fiscalização sobre o piso mínimo do frete mínimo, sem falar do forte impacto que estão sofrendo pela alta do diesel”, aponta.

De acordo com o presidente do Sindiadubos-PR, toda essa conjuntura elevou a margem de risco, com o custo de produção se aproximando de 50 a 55 sacos de soja por hectare, em uma produção média de 60 sacos. “Essa é uma conta ´muito apertada` e de altíssimo risco, especialmente com a possibilidade de efeitos climáticos como o El Niño, que pode causar seca no Centro-Oeste”, observa.

Pressões internacionais

Em meio a tantas pressões, os agricultores são diretamente atingidos pelos conflitos geopolíticos, tanto entre Rússia e Ucrânia como entre Estados Unidos e Irã, que afetaram a cadeia de fornecimento global. Ataques de drones atingiram diversas partes de diferentes pontos de produção de matérias primas e fertilizantes na Rússia, um dos maiores fornecedores de fosfato monoamônico (MAP), nitrato de amônia e ureia para o Brasil.

Já os volumes de importação de fosfatados — tanto MAP quanto NPs (adubo composto por nitrogênio e fósforo) e superfosfato simples caíram cerca de 900 mil toneladas de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. “Porém o período de maiores volumes de chegadas no Brasil são os meses de junho a agosto e, até o presente momento, a China, que foi um player muito importante em 2025, continua com restrições nas exportações de fosfatados. Além disso, o estoque de enxofre na China nos portos está nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos”, pontua Schwartz. Adicionalmente, o fechamento de uma planta na produção nacional de superfosfato simples retira cerca de 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes do mercado.

O presidente do Sindiadubos-PR destaca que, devido às guerras, o custo em dólar dos fertilizantes disparou nos últimos meses: o MAP subiu cerca de 40%, o superfosfato triplo aumentou 50%, a ureia encareceu mais de 50% e o superfosfato simples chegou a dobrar de preço. Em função da alta de preços e dificuldades logísticas, o Sindiadubos-PR mantém a estimativa de queda de 10 a 15% nas entregas de fertilizantes ao Brasil em 2026, após o recorde de 49 milhões de toneladas no ano passado.

Os desafios e as estimativas do mercado nacional serão abordados na 20ª edição do Simpósio NPK, maior evento nacional presencial do setor de fertilizantes, no dia 22 de outubro de 2026, em Curitiba (PR). A expectativa é reunir 1,2 mil profissionais que representam 350 empresas do agronegócio de todo o país. As inscrições já estão abertas pelo site https://sindiadubos.org.br . 

Sobre o Sindiadubos-PR

Criado em 1987, o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR) representa e promove os direitos da indústria de adubos e corretivos agrícolas no estado, oferecendo assessoria jurídica, técnica e trabalhista, além de divulgar informações e dados de mercado sobre fertilizantes e adubos minerais. O Sindiadubos-PR é filiado à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), em cujo centro de eventos promove anualmente o Simpósio NPK, maior evento nacional presencial do setor de fertilizantes. Para mais informações, acesse: www.sindiadubos.org.br

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Sustentabilidade

Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

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Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.

Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.

Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.

Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.

Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)

N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.

CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.

SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.

S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.

Fonte: Conab


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Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

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No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.

No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.

Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.

Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.

Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.

Fonte: Conab



 

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Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.

Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).

A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).

Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Fotos: Anderson Luís Heling (B³); Gustavo Migliorini de Oliveira (A¹; B¹; B²; C¹; C²)

Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.

Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.

Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.

Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.



Referências:

AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.

EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.

GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

Foto de capa: Alessandro Braucks.

 

 

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