Sustentabilidade
IMEA: Alta nos custos do algodão pressiona safra 2026/27 em MT – MAIS SOJA

Segundo os dados do projeto CPA-MT¹, a estimativa do custeio do algodão para a safra 2026/27 ficou em R$ 10.642,28/ha em abr/26, alta de 1,05% em relação a mar/26. O aumento foi justificado, principalmente, pela elevação das despesas com macronutrientes, em função das tensões no mercado internacional, com destaque para o Estreito de Ormuz, que impacta alogística e os preços globais.
Com isso, o COE do algodão registrou aumento de 0,55% no mês,ficando estimado em R$15.227,56/ha. Dessa forma, considerando a produtividade média de 119,82 @/ha de pluma, o cotonicultor precisa vender o produto a pelo menos R$ 127,09/@ para cobrir o COE. Por fim, com os preços mais atrativos da fibra nos últimos meses, observou-se a busca dos produtores por proteção de margens e travamento de custos, avançando na comercialização da safra 2026/27, que estava atrasada, mas superou a média dos últimos anos.
Confira os principais destaques do boletim:
- ELEVAÇÃO: o contrato jul/26 na bolsa de NY apresentou valorização de 1,42% no comparativo semanal, ficando cotado, em média, a ¢ US$ 85,09/lp.
- EM ALTA: a paridade de jul/26 ficou precificada na média de R$ 137,98/@, aumento de 2,08% na semana, em virtude da elevação do contrato de jul/26 na bolsa de NY.
- AUMENTO: com o período de entressafra e a menor oferta de caroço disponível no mercado, o preço do coproduto apresentou alta de 1,35% ante a semana passada.
A primeira estimativa para a safra 2026/27 aponta para uma redução na produção mundial de pluma.
De acordo com o relatório divulgado pelo USDA, em 12/05, a produção global foi estimada em 25,27 milhões de t, queda de 5,38% em relação à projeção da safra 2025/26. Esse recuo é reflexo, principalmente, da menor produção esperada na China, EUA e Brasil. Nos EUA, apesar da expectativa de aumento da área cultivada, o clima seco registrado nas últimas semanas pode comprometer a produtividade das lavouras que estão sendo semeadas, limitando a produção final do país. Em relação à demanda mundial, espera-se que sejam consumidas 26,49 milhões de t de pluma, volume 1,29% superior ao da safra 2025/26 e 4,86% maior que a produção estimada para o ciclo 2026/27.
Com isso, os estoques finais mundiais devem ficar em 15,64 milhões de t, o menor volume desde a safra 2021/22. Por fim, o balanço global mais apertado entre oferta e demanda tem contribuído para a sustentação dos preços da fibra na bolsa de NY, que permanecem acima de ¢ US$ 80,00/lp.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
região brasileira será castigada pelas chuvas excessivas; saiba qual

A umidade do solo em Mato Grosso, que ficou abaixo da média durante praticamente todo o mês de setembro, deve se recuperar no início de outubro, com o indicador podendo superar 31% e se aproximar da média histórica. A melhora, porém, pode ser temporária, já que os modelos apontam nova queda nos dias seguintes, segundo análise da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite.
Entre 22 de setembro e 1º de outubro, chuvas atingiram boa parte do Centro-Sul do Brasil. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e áreas de Mato Grosso e Goiás receberam volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo e o início da safra de soja e milho verão. Por outro lado, outras áreas de Mato Grosso e Goiás registraram volumes menores.
O que vem por aí?
Para 7 de outubro, o modelo europeu ECMWF indica melhora expressiva das condições hídricas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Nos próximos dez dias, ECMWF e GFS projetam chuvas acima da média em grande parte do Centro-Sul, incluindo áreas produtoras de soja e milho, cenário que tende a favorecer o avanço do plantio da soja.
Apesar da previsão de chuvas, a EarthDaily alerta para a necessidade de precipitações regulares ao longo de outubro. Isso porque a recuperação da umidade em Mato Grosso pode perder força nos dias seguintes, o que mantém a atenção sobre as condições para o estabelecimento da soja da safra 2026/27.
Os modelos também divergem em relação às temperaturas. O ECMWF indica temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte das regiões produtoras, enquanto o GFS prevê temperaturas mais elevadas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.
De acordo com a EarthDaily, temperaturas mais amenas favorecem o aproveitamento das chuvas previstas. Já um cenário mais quente aumenta a demanda hídrica das lavouras e pode retardar a recuperação das áreas que ainda apresentam déficit de umidade.
Situação no Matopiba
No Matopiba, as chuvas acumuladas desde meados de setembro continuam abaixo da média histórica, apesar do aumento das precipitações no fim do mês. Maranhão e Piauí apresentam áreas com volumes acima da média, enquanto Tocantins e Bahia seguem predominantemente mais secos que o normal.
Para as próximas duas semanas, a diferença entre os modelos também chama atenção. O ECMWF projeta cerca de 49 milímetros de chuva no Matopiba, próximo da média histórica de 51 milímetros. Já o GFS estima aproximadamente 29 milímetros.
A confirmação de um cenário mais úmido ajuda na recuperação da umidade do solo e o avanço do plantio da soja. Caso prevaleça a previsão mais seca, as limitações hídricas podem continuar restringindo a semeadura em parte da região.
Por outro lado, no Sul…
No Sul do país, o cenário é diferente. Paraná e áreas do Rio Grande do Sul apresentam umidade do solo acima da média, condição favorável ao estabelecimento das lavouras de verão. Para o trigo, porém, a persistência de solos muito úmidos representa um risco, principalmente para áreas em maturação e colheita.
As chuvas se intensificaram nas últimas semanas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O volume acumulado desde o início de agosto já está bem acima da média histórica e, segundo o ECMWF, pode se aproximar de 600 milímetros até meados de outubro, ampliando o excesso de umidade em relação aos últimos anos.
Sustentabilidade
Comercialização da safrinha 2026 de milho atinge 56% no Centro-Sul – Safras – MAIS SOJA

A comercialização da safrinha 2026 de milho no Centro-Sul do Brasil atinge 56% da produção prevista de 98,188 milhões de toneladas, segundo levantamento de Safras & Mercado. Em outubro do ano passado, o volume negociado da safrinha 2025 estava um pouco mais lento, atingindo 55,8% da produção colhida de 100,807 milhões de toneladas de milho. A média de comercialização para o período nos últimos cinco anos é de 62,9%.
A comercialização de milho safrinha atinge 49,8% no Paraná, 40,6% em São Paulo, 49,7% em Mato Grosso do Sul, 50,3% em Goiás/Distrito Federal, 36,6% em Minas Gerais e 63,4% em Mato Grosso.
No Matopiba, a comercialização da safrinha atinge 60,5% da produção esperada de 8,244 milhões de toneladas. Em outubro do ano passado, o volume negociado da safrinha 2025 estava mais rápido, atingindo 66,3% da produção colhida de 8,142 milhões de toneladas de milho. A média de comercialização para o período nos últimos cinco anos é de 42,8%.
A comercialização atinge 68,1% na Bahia, 65,7% no Maranhão, 57,5% no Piauí e 48,8% no Tocantins.
Fonte: Agência Safras
Autor:Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
O mesmo El Niño, riscos diferentes: por que médias nacionais não bastam para planejar a safra 2026/27 – MAIS SOJA

Por Dr. Rodolfo Armando A. Pereira, especialista em agrometeorologia da Picsel*
Por muito tempo, o El Niño foi tratado como um evento de resposta única, capaz de definir se a safra brasileira seria boa ou ruim. Chuva acima ou abaixo da média, calor mais intenso ou janela climática mais favorável eram interpretados como um veredito nacional, válido para todo o território e para todas as culturas ao mesmo tempo. Essa leitura já não se sustenta. O clima se tornou uma variável que exige territorialização, e tratar um fenômeno de escala global como se produzisse um único efeito sobre o agronegócio significa ignorar boa parte dos riscos reais que afetam cada operação, do produtor à cooperativa, da trading à seguradora.
Os dados mais recentes confirmam essa complexidade. O Painel El Niño 2026-2027, atualizado em agosto por instituições como INMET, INPE e Cemaden, aponta 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com 90% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano, segundo as previsões da NOAA. Para o trimestre setembro, outubro e novembro a expectativa é de chuvas abaixo da média em grande parte do centro-norte do país, sobretudo Norte, Nordeste e algumas áreas na faixa norte do Mato Grosso e Goiás, enquanto a Região Sul deve registrar volumes acima da média, condição que também pode alcançar o sul de São Paulo e de Mato Grosso do Sul. As temperaturas tendem a ficar elevadas em praticamente todo o território, o que reforça que estamos diante de um cenário heterogêneo, não de uma tendência única.
O próprio comportamento esperado para a agropecuária nesta safra ajuda a entender essa dinâmica na prática. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a tendência de menor volume de chuvas pode até favorecer a colheita de culturas como milho segunda safra e algodão, mas, ao mesmo tempo, intensifica a deficiência hídrica, eleva a demanda por irrigação e dificulta o estabelecimento da safra seguinte. Além disso, no Centro-Oeste, o inicio do período chuvoso pode atrasar e impactar o plantio da primeira safra e consequentemente as áreas destinadas a segunda safra. Já no Sul, o excesso de precipitação pode beneficiar culturas de inverno e favorecer a implantação de milho e soja, recompondo a umidade do solo em áreas que vinham com déficit. Dependendo da fase fenológica das lavouras e da persistência das chuvas, no entanto, esse mesmo cenário também pode elevar a pressão de doenças e comprometer operações mecanizadas no campo.
Esse exemplo revela algo importante. A informação climática só se torna útil quando é convertida em decisão específica, e essa conversão depende de variáveis que uma média nacional não captura, como localização, cultura, fase fenológica, histórico climático da região, disponibilidade hídrica e características do solo. A própria Organização Meteorológica Mundial reforça esse ponto ao destacar que os efeitos de um El Niño dependem de sua intensidade, de sua duração, da época do ano e da interação com outros fenômenos climáticos. Desconsiderar essa granularidade custa caro: resulta em decisões de manejo inadequadas, projeções de safra errôneas e estratégias de proteção desalinhadas com o risco real de cada operação.
A pergunta que o setor deveria fazer, portanto, não é apenas se o El Niño será bom ou ruim para a safra brasileira. É onde, quando, para qual cultura e em qual intensidade determinada condição climática passa a representar risco. Quanto maior a variabilidade associada ao fenômeno, maior a necessidade de contextualizar a informação antes de transformá-la em decisão de plantio, irrigação ou gestão de risco. Modelos mais avançados de análise climática já permitem essa leitura territorializada, simulando cenários e traduzindo tendências globais para a realidade específica de cada região e cultura, o que beneficia diretamente quem está na ponta da produção.
O agronegócio brasileiro continuará exposto a fenômenos climáticos de grande escala, e o El Niño 2026/27 é apenas mais um capítulo dessa realidade. Ampliar a capacidade de interpretar essas previsões de forma territorializada já não é um diferencial técnico, é uma condição para planejar com solidez. A leitura mais útil do clima não é a que apenas descreve uma tendência geral para o país, mas a que consegue traduzir essa tendência para a realidade específica de cada operação, considerando onde ela está, o que produz e em qual momento do ciclo se encontra.
*Dr. Rodolfo Armando A. Pereira é especialista em agrometeorologia da Picsel, deeptech em inteligência de riscos no agronegócio. Bacharel em Ciências Atmosféricas pela UNIFEI, mestre e doutor em Engenharia de Sistemas Agrícolas pela ESALQ/USP, com MBA em Data Science e Analytics pela USP. Atuou como pesquisador colaborador na Embrapa Agricultura Digital, integrando o grupo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Atualmente desenvolve soluções de gestão de risco climático no setor privado, com foco em modelagem de culturas e inteligência agrometeorológica aplicada à tomada de decisão no campo.
Fonte: Assessoria de imprensa
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