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5 de julho de 2026

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Consórcio transforma milho em ração, lucro e expansão no campo em Querência

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A produção de milho em Querência, no Vale do Araguaia, deixou de ser apenas uma commodity para se tornar a base de um sistema integrado de rentabilidade. Ao transformar parte da colheita em alimentação para o gado, produtores rurais da região conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a margem de lucro. A estratégia, que une criatividade no manejo e apoio financeiro, tem sido o motor para a expansão dos negócios locais.

O produtor rural Jorge Erthal Sehn personifica essa evolução. Com uma trajetória marcada pela superação, ele relembra que o começo no Rio Grande do Sul foi distante das lavouras. “Para ajudar nas despesas de casa e comprar leite para o meu filho, eu vendia jornal no semáforo. Depois comecei a vender verduras de porta em porta. Foi uma fase difícil e que eu lembro todos os dias”, recorda.

A chegada a Mato Grosso ocorreu em 2002, enfrentando o desafio de produzir em terras arrendadas e com infraestrutura precária. Jorge conta que o crescimento foi gradual e exigiu resiliência da família. “Começamos com 300 hectares de arroz. Meu irmão fazia a colheita e eu puxava caminhão no atoleiro para conseguir tirar a produção. Fomos crescendo devagar, enfrentando dificuldades, até chegar ao que temos hoje”, explica ao projeto Mais Milho.

Atualmente, a família cultiva 1,3 mil hectares de soja e milho, apostando na integração entre agricultura e pecuária para aumentar a rentabilidade dentro da própria fazenda. O objetivo é fazer com que a propriedade seja autossuficiente e menos dependente das oscilações do mercado externo. Parte do grão colhido é processado e destinado ao confinamento, que hoje abriga cerca de 1,2 mil cabeças de gado.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Integração e valor agregado no campo

A lógica aplicada na propriedade busca a sustentabilidade econômica através do aproveitamento integral da produção. Ao invés de comercializar todo o grão, o produtor opta por converter a safra em proteína animal.

“A gente resolveu agregar valor transformando o que a fazenda produz em carne. Hoje buscamos fazer a propriedade ser sustentável, trabalhando com margem apertada, mas positiva”, detalha Jorge.

O manejo é focado em levar o alimento até os animais de forma eficiente. A silagem, o feno e boa parte da alimentação do rebanho são produzidos dentro dos limites da fazenda. “Ao invés de levar a pecuária para a lavoura, nós levamos o alimento até os animais. Produzimos o capim, a silagem e transformamos isso em carne”, afirma o produtor.

O processo de sucessão familiar também trouxe inovação e foco na redução de desperdícios. Jean Michel Neukamp Sehn destaca que a lucratividade começa com a reinvenção do que já está disponível na propriedade. “A sucessão é desafiadora. Então precisamos reinventar o que já existe e buscar estratégias novas. A lucratividade começa aproveitando bem o que a gente já tem”, observa.

Criatividade e proteção da lavoura

A criatividade foi fundamental para ampliar a estrutura de produção sem gastos excessivos. O que seria sucata foi transformado em uma fábrica de ração funcional, permitindo que o confinamento dobrasse de tamanho. Jean Michel explica ao Canal Rural Mato Grosso que o olhar atento aos detalhes faz a diferença: “Muitas vezes tem um trenzinho lá parado que era do avô e não usa mais, você pode utilizar ele para começar dar o start”.

Além da eficiência na ração, a segurança contra prejuízos causados por animais silvestres entrou no radar de investimentos. Cercas elétricas foram instaladas para conter ataques de queixadas, que geravam perdas significativas de até 20 hectares de milho por ano. O sistema de baixo custo resolveu o problema de forma sustentável, sendo removido após a colheita.

“Tivemos uma ideia e decidimos fazer um investimento em cerca elétrica, onde temos um resultado satisfatório, com custo baixo. Afastamos o animal da propriedade no período em que ele nos causa prejuízo e, no momento da colheita, a gente recolhe a cerca e deixa ele andar no habitat dele de novo”, relata Jorge.

Planejamento financeiro para expansão

Por trás do crescimento físico da fazenda existe um planejamento financeiro que utiliza o consórcio como ferramenta de alavancagem. Por meio de cooperativas de crédito, o produtor conseguiu ampliar a área da propriedade sem comprometer o fluxo de caixa imediato. A modalidade permite acesso a crédito com taxas de administração atrativas para aquisição de imóveis e implementos.

Segundo o gerente de operações do Sicredi, Gilmar Ramos de Rezende, o consórcio é vantajoso para o produtor rural por oferecer prazos longos. “O consórcio hoje permite que o produtor consiga acesso a uma linha de crédito mais em conta, com taxas de administração hoje de 8% a 9% a partir do prazo de vigência da carta”, destaca.

O gerente da cooperativa de crédito Robson da Silva Muniz complementa que o diferencial está no atendimento exclusivo aos associados. “O nosso consórcio é vendido só para os nossos associados. Isso favorece mais ainda na taxa de administração, nos lances, então a gente não tem concorrentes de fora”, afirma Robson.

Jorge Erthal Sehn vê no planejamento a segurança necessária para projetos futuros, como a construção de armazéns e a ampliação do confinamento. “O valor do consórcio cabe no bolso. É o fôlego que a gente precisa. Todo produtor rural está precisando disso um pouco, e vai da rentabilidade e eficiência de cada um. Para mim está sendo um bom negócio”, conclui.

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Junho recupera ânimo dos preços de soja no Brasil; Chicago recua com cenário favorável nos EUA

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou, em junho, recuperação dos preços domésticos e melhora pontual na comercialização. O movimento foi sustentado principalmente pela valorização do câmbio, prêmios firmes ao longo de grande parte do mês e pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

Nas principais praças do país, as cotações avançaram de forma consistente. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 125,50 para R$ 131,50. Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 120,50 para R$ 126,50. Já em Rondonópolis (MT), a valorização foi de R$ 109,00 para R$ 117,00. No Porto de Paranaguá, a cotação avançou de R$ 131,50 para R$ 137,50 por saca.

Entre os principais fatores formadores de preços, o dólar comercial acumulou alta de 2,34% em junho, encerrando o período a R$ 5,16. Em contrapartida, na CBOT, os contratos com vencimento em novembro recuaram 3,8% no mês, fechando a US$ 11,44 por bushel.

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Soja em Chicago

No cenário internacional, os fundamentos seguem pressionando as cotações em Chicago. As condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, elevando as perspectivas de uma safra cheia e ampliando a já confortável oferta global.

Além disso, o arrefecimento do conflito no Oriente Médio levou os preços do petróleo de volta aos níveis anteriores ao período de tensão, contribuindo para a pressão sobre as commodities agrícolas. A valorização do dólar também reduz a competitividade da soja dos Estados Unidos no mercado internacional.

Apesar desse quadro, o mercado segue atento ao comportamento da demanda chinesa, que pode oferecer suporte às cotações em Chicago nos próximos meses.

USDA

No relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área plantada com soja em 2026 foi estimada em 85,4 milhões de acres, alta de 5% em relação ao ano anterior. O número ficou em linha com as expectativas do mercado e acima da projeção divulgada em março.

Já os estoques trimestrais, na posição de 1º de junho, somaram 1,06 bilhão de bushels, volume 5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado também veio acima da expectativa do mercado.

Do total armazenado, 367 milhões de bushels estão nas propriedades rurais, representando queda de 11% na comparação anual. Por outro lado, os estoques fora das fazendas atingiram 694 milhões de bushels, com avanço em relação ao ano anterior, reforçando o quadro de oferta confortável no mercado global.

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Látex de jaca pode ajudar no tratamento de doença que causa perda dos dentes

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Foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Lagarto

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina (medicamento à base de estatinas) que se mostrou promissor para o tratamento da periodontite em testes de laboratório.

A periodontite é uma enfermidade inflamatória crônica, de origem infecciosa, que leva à destruição progressiva dos tecidos de suporte do dente, resultando em reabsorção óssea e perda de inserção (perda do dente).

Os tratamentos convencionais visam controlar a infecção e a inflamação, sem promover a renovação dos tecidos periodontais de maneira efetiva, o que faz com que tenham resultados limitados em longo prazo.

Técnicas como regeneração tecidual guiada e enxerto ósseo já foram propostas para esses casos, mas seus efeitos clínicos permanecem variáveis e, por vezes, imprevisíveis.

Para reverter esse problema, os pesquisadores focaram em explorar biomateriais naturais e bioativos que pudessem atuar de forma integrada no combate ao quadro.

O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba. Os resultados foram divulgados na revista Polymer Bulletin.

“Começamos a ver o látex extraído da jaca como uma alternativa interessante, pois ele apresenta uma característica adesiva. Isso nos fez pensar que ele poderia permanecer mais tempo no local afetado pela periodontite, favorecendo a liberação mais direcionada dos compostos terapêuticos e, potencialmente, reduzindo a necessidade do uso sistêmico de antibióticos”, conta a professora Eliana Aparecida de Rezende Duek, do Departamento de Cirurgia da FCMS.

Como foi feita a combinação

O látex, após extraído, foi combinado com extrato de casca de romã, que tem reconhecido potencial antimicrobiano para aplicação local, e sinvastatina, um fármaco com atividade anti-inflamatória que tem sido amplamente estudado pelo seu potencial de estimular a formação óssea.

A combinação desses elementos resultou em uma matriz mucoadesiva (ou seja, que adere às mucosas do corpo) com capacidade de atuar diretamente no local da lesão.

O efeito da sinvastatina aplicada localmente também se torna mais eficaz, já que, quando a substância é administrada por via oral, é predominantemente retida pelo fígado, com apenas uma pequena fração atingindo a circulação sistêmica, o que exige doses mais elevadas que podem aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo degeneração muscular aguda.

No trabalho, os cientistas fizeram um experimento em que o látex, após ser extraído manualmente de jacas recém-colhidas, passou por um processo cuidadoso de purificação. A partir dessa matriz foi incorporado o extrato de casca de romã.

Avaliação da eficácia

Para avaliar a eficácia, foi conduzido um ensaio in vitro com células-tronco derivadas do tecido adiposo humano com a formulação e diferentes concentrações da sinvastatina (0,3%, 0,6% e 1,2%) que não alteraram a estrutura do gel e são tecnicamente seguras.

Todas se mostraram capazes de aumentar a osteoindução (ou seja, fazer com que as células-tronco se diferenciassem em osteoblastos, as células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo) em 14 dias, com um efeito ainda mais pronunciado após 21 dias, corroborando o potencial do material para o tratamento da periodontite.

“Observamos que o biomaterial desenvolvido apresenta um grande potencial para aplicações futuras no tratamento da periodontite e até em outras áreas, especialmente por envolver um material ainda pouco explorado na literatura científica para uso biomédico”, diz Duek. 

Apesar dos resultados bastante promissores, pondera a pesquisadora, ainda será preciso vencer etapas importantes da pesquisa, como testes em animais e em pacientes.

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Como crise no café deu origem ao Instituto Biológico, hoje referência para o agro brasileiro

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Biológico se consolidou como uma das principais referências em pesquisa, diagnóstico e inovação voltadas à sanidade animal, vegetal e à proteção ambiental.

Ao longo de quase um século, a instituição ampliou sua atuação e hoje desenvolve tecnologias que ajudam a tornar a produção agropecuária mais eficiente e sustentável.

O Instituto Biológico foi criado em 1927, após uma grave crise que atingiu a cafeicultura paulista na década de 1920. Na época, uma praga ainda desconhecida provocava grandes prejuízos aos cafezais do estado, levando produtores a recorrerem ao governo em busca de soluções.

“Uma praga ou uma doença (eles não sabiam o que era) acometeu os cafezais. Esses produtores foram até o governador pedir ajuda. E o governador então montou uma comissão de pesquisadores, de pessoas da época”, contou a coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos.

Essa equipe se reúne e descobre que o problema estava sendo causado por um pequeno besouro. Ana Eugênia explica que a fêmea colocava o ovo no fruto do café e a larva se alimentava, o que depreciava esse fruto.

Na época, pesquisadores identificaram que o inseto era originário da África e desenvolveram uma estratégia pioneira de controle biológico, baseada na introdução de um inimigo natural da praga. De acordo com Ana Eugênia, a iniciativa pode ser considerada um dos primeiros programas de controle biológico conduzidos pelo poder público no Brasil.

A partir desse trabalho, surgiu a necessidade de criar uma instituição permanente para apoiar os produtores rurais diante de novos desafios sanitários. Assim nasceu o Instituto Biológico, que já em seu primeiro ano expandiu as pesquisas para a sanidade animal e, posteriormente, incorporou ações voltadas à proteção ambiental.

Patrimônio científico e histórico

Além da produção científica, o Instituto reúne importantes patrimônios históricos e ambientais. A sede abriga um dos maiores cafezais urbanos do mundo, um acervo entomológico com milhares de insetos (considerado um dos mais antigos e relevantes do estado de São Paulo) e um edifício histórico construído no final da década de 1920.

Pesquisa com formigas busca alternativas sustentáveis

Entre as diversas linhas de pesquisa desenvolvidas atualmente está o estudo das formigas, coordenado por Ana Eugênia. Especialista em insetos sociais, ela dedica sua carreira ao entendimento do comportamento desses organismos e ao desenvolvimento de métodos sustentáveis para o controle de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.

“As formigas cortadeiras se tornam um problema para o agricultor. Geralmente quase todas as culturas podem ser cortadas pelas formigas cortadeiras. Então, o agricultor tem que ter uma atenção muito grande e nos preocupamos com esse manejo adequado. Temos trabalhado com microrganismos endofíticos (fungos especificamente) no controle de formigas cortadeiras”, destaca.

Formigas
Foto: reprodução/Planeta Campo

Segundo a pesquisadora, existem cerca de 20 mil espécies de formigas no planeta, sendo aproximadamente 2 mil registradas no Brasil. A grande maioria exerce funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como ciclagem de nutrientes, incorporação de matéria orgânica ao solo e controle natural de outras populações de insetos.

No entanto, algumas espécies, como as formigas cortadeiras, podem provocar prejuízos em praticamente todas as culturas agrícolas. Por isso, o Instituto desenvolve pesquisas com microrganismos endofíticos, especialmente fungos, como alternativa ao controle químico dessas pragas.

Ciência voltada ao produtor

Atualmente, o Instituto Biológico conta com laboratórios certificados pela norma internacional ISO 17025, que garante a qualidade dos diagnósticos laboratoriais, inclusive para processos ligados à exportação de produtos agropecuários.

Além dos diagnósticos de doenças em plantas e animais, as pesquisas também estão voltadas ao desenvolvimento de bioinsumos, novas biotecnologias e processos que reduzam o impacto ambiental da produção rural.

A atuação da instituição também contempla o monitoramento de resíduos de defensivos agrícolas em alimentos, água, solo e polinizadores, como as abelhas, contribuindo para a segurança alimentar e a preservação dos recursos naturais.

Ao completar quase 100 anos de história, o Instituto Biológico mantém a missão que motivou sua criação: transformar conhecimento científico em soluções para fortalecer a produção agropecuária, proteger o meio ambiente e garantir alimentos cada vez mais seguros para a população.

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