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Consórcio transforma milho em ração, lucro e expansão no campo em Querência

A produção de milho em Querência, no Vale do Araguaia, deixou de ser apenas uma commodity para se tornar a base de um sistema integrado de rentabilidade. Ao transformar parte da colheita em alimentação para o gado, produtores rurais da região conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a margem de lucro. A estratégia, que une criatividade no manejo e apoio financeiro, tem sido o motor para a expansão dos negócios locais.
O produtor rural Jorge Erthal Sehn personifica essa evolução. Com uma trajetória marcada pela superação, ele relembra que o começo no Rio Grande do Sul foi distante das lavouras. “Para ajudar nas despesas de casa e comprar leite para o meu filho, eu vendia jornal no semáforo. Depois comecei a vender verduras de porta em porta. Foi uma fase difícil e que eu lembro todos os dias”, recorda.
A chegada a Mato Grosso ocorreu em 2002, enfrentando o desafio de produzir em terras arrendadas e com infraestrutura precária. Jorge conta que o crescimento foi gradual e exigiu resiliência da família. “Começamos com 300 hectares de arroz. Meu irmão fazia a colheita e eu puxava caminhão no atoleiro para conseguir tirar a produção. Fomos crescendo devagar, enfrentando dificuldades, até chegar ao que temos hoje”, explica ao projeto Mais Milho.
Atualmente, a família cultiva 1,3 mil hectares de soja e milho, apostando na integração entre agricultura e pecuária para aumentar a rentabilidade dentro da própria fazenda. O objetivo é fazer com que a propriedade seja autossuficiente e menos dependente das oscilações do mercado externo. Parte do grão colhido é processado e destinado ao confinamento, que hoje abriga cerca de 1,2 mil cabeças de gado.

Integração e valor agregado no campo
A lógica aplicada na propriedade busca a sustentabilidade econômica através do aproveitamento integral da produção. Ao invés de comercializar todo o grão, o produtor opta por converter a safra em proteína animal.
“A gente resolveu agregar valor transformando o que a fazenda produz em carne. Hoje buscamos fazer a propriedade ser sustentável, trabalhando com margem apertada, mas positiva”, detalha Jorge.
O manejo é focado em levar o alimento até os animais de forma eficiente. A silagem, o feno e boa parte da alimentação do rebanho são produzidos dentro dos limites da fazenda. “Ao invés de levar a pecuária para a lavoura, nós levamos o alimento até os animais. Produzimos o capim, a silagem e transformamos isso em carne”, afirma o produtor.
O processo de sucessão familiar também trouxe inovação e foco na redução de desperdícios. Jean Michel Neukamp Sehn destaca que a lucratividade começa com a reinvenção do que já está disponível na propriedade. “A sucessão é desafiadora. Então precisamos reinventar o que já existe e buscar estratégias novas. A lucratividade começa aproveitando bem o que a gente já tem”, observa.
Criatividade e proteção da lavoura
A criatividade foi fundamental para ampliar a estrutura de produção sem gastos excessivos. O que seria sucata foi transformado em uma fábrica de ração funcional, permitindo que o confinamento dobrasse de tamanho. Jean Michel explica ao Canal Rural Mato Grosso que o olhar atento aos detalhes faz a diferença: “Muitas vezes tem um trenzinho lá parado que era do avô e não usa mais, você pode utilizar ele para começar dar o start”.
Além da eficiência na ração, a segurança contra prejuízos causados por animais silvestres entrou no radar de investimentos. Cercas elétricas foram instaladas para conter ataques de queixadas, que geravam perdas significativas de até 20 hectares de milho por ano. O sistema de baixo custo resolveu o problema de forma sustentável, sendo removido após a colheita.
“Tivemos uma ideia e decidimos fazer um investimento em cerca elétrica, onde temos um resultado satisfatório, com custo baixo. Afastamos o animal da propriedade no período em que ele nos causa prejuízo e, no momento da colheita, a gente recolhe a cerca e deixa ele andar no habitat dele de novo”, relata Jorge.
Planejamento financeiro para expansão
Por trás do crescimento físico da fazenda existe um planejamento financeiro que utiliza o consórcio como ferramenta de alavancagem. Por meio de cooperativas de crédito, o produtor conseguiu ampliar a área da propriedade sem comprometer o fluxo de caixa imediato. A modalidade permite acesso a crédito com taxas de administração atrativas para aquisição de imóveis e implementos.
Segundo o gerente de operações do Sicredi, Gilmar Ramos de Rezende, o consórcio é vantajoso para o produtor rural por oferecer prazos longos. “O consórcio hoje permite que o produtor consiga acesso a uma linha de crédito mais em conta, com taxas de administração hoje de 8% a 9% a partir do prazo de vigência da carta”, destaca.
O gerente da cooperativa de crédito Robson da Silva Muniz complementa que o diferencial está no atendimento exclusivo aos associados. “O nosso consórcio é vendido só para os nossos associados. Isso favorece mais ainda na taxa de administração, nos lances, então a gente não tem concorrentes de fora”, afirma Robson.
Jorge Erthal Sehn vê no planejamento a segurança necessária para projetos futuros, como a construção de armazéns e a ampliação do confinamento. “O valor do consórcio cabe no bolso. É o fôlego que a gente precisa. Todo produtor rural está precisando disso um pouco, e vai da rentabilidade e eficiência de cada um. Para mim está sendo um bom negócio”, conclui.

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Entregas de fertilizantes caem 22,3% em julho, diz Anda

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, queda de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram registradas 5,09 milhões de toneladas. De janeiro a julho, o volume entregue chegou a 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% ante as 25,21 milhões de toneladas de igual período do ano passado, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
A Anda informou que o primeiro trimestre teve apoio da boa safrinha de milho, com compras em ritmo normal no início do ano. Depois do início da guerra no Irã, houve arrefecimento de novos negócios, movimento que passou a aparecer a partir de maio, com entregas menores.
Na avaliação da entidade, esse quadro chega ao período crítico de compras de insumos com importações mais lentas, entregas domésticas em queda e menor poder de compra do produtor. A associação destacou que setembro é um mês importante para o acompanhamento dos estoques disponíveis para os próximos ciclos de aplicação.
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Mato Grosso liderou as entregas no acumulado até julho, com 5,83 milhões de toneladas, o equivalente a 25,4% do total. Na sequência aparecem Paraná, com 2,60 milhões de toneladas, Goiás, com 2,45 milhões, São Paulo, com 2,36 milhões, Rio Grande do Sul, com 1,70 milhão, Bahia, com 1,65 milhão, e Minas Gerais, com 1,64 milhão.
Entre os nutrientes, os nitrogenados concentram atenção. Segundo a Anda, as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025. A entidade afirmou que a segunda metade do ano costuma concentrar aceleração das compras desse grupo, principalmente para o planejamento das próximas safras e para aplicações no milho.
A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho, queda de 19,9% na comparação anual. No acumulado de janeiro a julho, foram 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7% ante 2025. As importações de fertilizantes intermediários também caíram: 3,54 milhões de toneladas em julho, baixa de 21,4%, e 21,23 milhões de toneladas no acumulado do ano, retração de 7,6%.
No porto de Paranaguá, principal porta de entrada de adubos, ingressaram 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho, volume 10,0% menor que em 2025. O terminal respondeu por 25,4% do total importado pelos portos do País.
Os dados da Anda mostram recuo nas entregas ao mercado, na produção nacional e nas importações de fertilizantes em 2026, com destaque para o comportamento dos nitrogenados no segundo semestre.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Produtor rural espera crescimento e juros menores no próximo governo

Juros, impostos e capacidade de ampliar a produção estão entre as principais preocupações dos produtores rurais de Mato Grosso para o próximo governo federal. Com a eleição estadual definida, o setor volta a atenção para o segundo turno presidencial e espera mudanças na condução da economia.
Mato Grosso reelegeu Otaviano Pivetta, do Republicanos, para o governo do estado, enquanto Mauro Mendes, do União Brasil, e José Medeiros, do PL, conquistaram as duas vagas ao Senado. Para os produtores, as decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre as condições de produção.
O resultado também definiu a nova composição da bancada mato-grossense na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. A partir de 2027, o estado terá oito deputados federais. Na Assembleia, o Podemos ficou com seis cadeiras, enquanto PL e Republicanos elegeram quatro deputados cada.
Para o setor produtivo, a expectativa agora se concentra nas medidas econômicas que serão adotadas pelo próximo governo federal. Entre as principais preocupações estão os juros, impostos, geração de empregos e condições para ampliar a produção.
Reeleito para comandar Mato Grosso por mais quatro anos, Otaviano Pivetta agradeceu a confiança recebida nas urnas e reforçou a responsabilidade para o próximo mandato. “Eu estou sentindo a confiança da população”, afirmou. Segundo ele, o resultado também aumenta o compromisso com o estado: “Aumenta o meu compromisso, aumenta a minha responsabilidade porque o povo de Mato Grosso confiou em mim”.
Já entre os produtores rurais, a preocupação está nas condições para manter a atividade produtiva e movimentar a economia. Adalberto Grando chama atenção para os reflexos das decisões econômicas sobre quem produz e sobre a geração de renda.
Juros pesam sobre atividade produtiva
Grando também chama atenção para os reflexos da economia nas cidades. Na avaliação dele, o enfraquecimento da atividade aparece no comércio e no mercado imobiliário, com pequenos estabelecimentos fechando e imóveis disponíveis para venda ou locação, o que tem levado a geração de desemprego. Para ele, esses sinais estão relacionados às dificuldades enfrentadas pela economia.
Para o produtor, a economia brasileira precisa voltar a crescer e ter responsabilidade com o déficit e com a trajetória dos juros. Ele considera que o custo do dinheiro interfere diretamente na capacidade de investimento de setores que dependem de crédito.
O produtor também considera que os juros atuais dificultam a atividade de setores que dependem do campo. “Uma economia que nem a nossa, que depende do setor primário, ter juro de 14%, 15% ao ano não se sustenta”, resume Grando ao Canal Rural Mato Grosso.
Perfil técnico é expectativa
A expectativa também envolve a formação da equipe responsável pela condução da economia. O agricultor Dayan Della Justina Vieira defende que os próximos responsáveis pelas áreas econômicas tenham perfil técnico e credibilidade.
Dayan considera que o período eleitoral foi marcado por promessas e que, a partir de agora, o setor produtivo precisa conhecer quem estará à frente das decisões econômicas. Para ele, a escolha dos integrantes da equipe será um dos pontos importantes para mudar o cenário atual.
“A gente vinha vindo com promessas até o momento, então precisamos realmente que a equipe econômica seja conceituada e tenha credibilidade para a gente mudar o cenário atual”, afirma à reportagem.
O agricultor também diferencia uma equipe técnica de uma condução voltada exclusivamente para interesses políticos. A expectativa é por profissionais especializados nas áreas que irão assumir.
“Precisa realmente de uma equipe técnica, especializada, voltada à pasta que ela vai assumir, para melhorar esse cenário econômico”, acrescenta.
Com o governo de Mato Grosso e as duas vagas ao Senado já definidas no primeiro turno, a disputa presidencial segue para a segunda etapa. Entre as preocupações apresentadas pelos produtores estão os juros, a condução da economia e a formação da equipe responsável pelas decisões no próximo governo. Grando resume a expectativa em condições para ampliar a atividade e gerar renda: “A gente tem que colocar um governo lá que dê a oportunidade para a gente produzir mais, ganhar mais, gerar mais emprego”.
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demanda fraca faz mercado ajustar valores

O mercado brasileiro de feijão opera com reduzida liquidez nesta semana, reflexo da menor disposição de compra nas principais praças comercializadoras do país, conforme levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
A lentidão verificada nas aquisições pelo setor varejista diminuiu a necessidade de reposição por parte das indústrias processadoras, que neste momento priorizam a rotação dos estoques já existentes antes de retomarem compras em volume.
Com a demanda mais contida, produtores e vendedores com posição financeira sólida têm adotado estratégia de restringir a oferta do produto, buscando evitar quedas mais acentuadas nas cotações.
No caso do feijão-carioca, a fraca demanda tem dificultado a manutenção dos patamares de preço registrados nas semanas anteriores, com pressão de baixa sobre os valores praticados.
Já para o feijão-preto tipo 1, o movimento comprador também perdeu força. Após as valorizações observadas recentemente, o mercado passa por ajustes nos preços.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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