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19 de agosto de 2026

Business

Consórcio transforma milho em ração, lucro e expansão no campo em Querência

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A produção de milho em Querência, no Vale do Araguaia, deixou de ser apenas uma commodity para se tornar a base de um sistema integrado de rentabilidade. Ao transformar parte da colheita em alimentação para o gado, produtores rurais da região conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a margem de lucro. A estratégia, que une criatividade no manejo e apoio financeiro, tem sido o motor para a expansão dos negócios locais.

O produtor rural Jorge Erthal Sehn personifica essa evolução. Com uma trajetória marcada pela superação, ele relembra que o começo no Rio Grande do Sul foi distante das lavouras. “Para ajudar nas despesas de casa e comprar leite para o meu filho, eu vendia jornal no semáforo. Depois comecei a vender verduras de porta em porta. Foi uma fase difícil e que eu lembro todos os dias”, recorda.

A chegada a Mato Grosso ocorreu em 2002, enfrentando o desafio de produzir em terras arrendadas e com infraestrutura precária. Jorge conta que o crescimento foi gradual e exigiu resiliência da família. “Começamos com 300 hectares de arroz. Meu irmão fazia a colheita e eu puxava caminhão no atoleiro para conseguir tirar a produção. Fomos crescendo devagar, enfrentando dificuldades, até chegar ao que temos hoje”, explica ao projeto Mais Milho.

Atualmente, a família cultiva 1,3 mil hectares de soja e milho, apostando na integração entre agricultura e pecuária para aumentar a rentabilidade dentro da própria fazenda. O objetivo é fazer com que a propriedade seja autossuficiente e menos dependente das oscilações do mercado externo. Parte do grão colhido é processado e destinado ao confinamento, que hoje abriga cerca de 1,2 mil cabeças de gado.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Integração e valor agregado no campo

A lógica aplicada na propriedade busca a sustentabilidade econômica através do aproveitamento integral da produção. Ao invés de comercializar todo o grão, o produtor opta por converter a safra em proteína animal.

“A gente resolveu agregar valor transformando o que a fazenda produz em carne. Hoje buscamos fazer a propriedade ser sustentável, trabalhando com margem apertada, mas positiva”, detalha Jorge.

O manejo é focado em levar o alimento até os animais de forma eficiente. A silagem, o feno e boa parte da alimentação do rebanho são produzidos dentro dos limites da fazenda. “Ao invés de levar a pecuária para a lavoura, nós levamos o alimento até os animais. Produzimos o capim, a silagem e transformamos isso em carne”, afirma o produtor.

O processo de sucessão familiar também trouxe inovação e foco na redução de desperdícios. Jean Michel Neukamp Sehn destaca que a lucratividade começa com a reinvenção do que já está disponível na propriedade. “A sucessão é desafiadora. Então precisamos reinventar o que já existe e buscar estratégias novas. A lucratividade começa aproveitando bem o que a gente já tem”, observa.

Criatividade e proteção da lavoura

A criatividade foi fundamental para ampliar a estrutura de produção sem gastos excessivos. O que seria sucata foi transformado em uma fábrica de ração funcional, permitindo que o confinamento dobrasse de tamanho. Jean Michel explica ao Canal Rural Mato Grosso que o olhar atento aos detalhes faz a diferença: “Muitas vezes tem um trenzinho lá parado que era do avô e não usa mais, você pode utilizar ele para começar dar o start”.

Além da eficiência na ração, a segurança contra prejuízos causados por animais silvestres entrou no radar de investimentos. Cercas elétricas foram instaladas para conter ataques de queixadas, que geravam perdas significativas de até 20 hectares de milho por ano. O sistema de baixo custo resolveu o problema de forma sustentável, sendo removido após a colheita.

“Tivemos uma ideia e decidimos fazer um investimento em cerca elétrica, onde temos um resultado satisfatório, com custo baixo. Afastamos o animal da propriedade no período em que ele nos causa prejuízo e, no momento da colheita, a gente recolhe a cerca e deixa ele andar no habitat dele de novo”, relata Jorge.

Planejamento financeiro para expansão

Por trás do crescimento físico da fazenda existe um planejamento financeiro que utiliza o consórcio como ferramenta de alavancagem. Por meio de cooperativas de crédito, o produtor conseguiu ampliar a área da propriedade sem comprometer o fluxo de caixa imediato. A modalidade permite acesso a crédito com taxas de administração atrativas para aquisição de imóveis e implementos.

Segundo o gerente de operações do Sicredi, Gilmar Ramos de Rezende, o consórcio é vantajoso para o produtor rural por oferecer prazos longos. “O consórcio hoje permite que o produtor consiga acesso a uma linha de crédito mais em conta, com taxas de administração hoje de 8% a 9% a partir do prazo de vigência da carta”, destaca.

O gerente da cooperativa de crédito Robson da Silva Muniz complementa que o diferencial está no atendimento exclusivo aos associados. “O nosso consórcio é vendido só para os nossos associados. Isso favorece mais ainda na taxa de administração, nos lances, então a gente não tem concorrentes de fora”, afirma Robson.

Jorge Erthal Sehn vê no planejamento a segurança necessária para projetos futuros, como a construção de armazéns e a ampliação do confinamento. “O valor do consórcio cabe no bolso. É o fôlego que a gente precisa. Todo produtor rural está precisando disso um pouco, e vai da rentabilidade e eficiência de cada um. Para mim está sendo um bom negócio”, conclui.

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Business

Safra 2026/27 de café inicia com ritmo acelerado, mas chuvas ainda limitam a oferta

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Foto: Pixabay.

A safra 2026/27 do café brasileiro teve um início em ritmo acelerado, em comparação com a temporada anterior. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), um único fator atrapalhou um desempenho ainda melhor: as chuvas de junho e julho, que afetaram tanto a colheita quanto a secagem dos grãos do tipo arábica.

O clima além de tornar a colheita mais lenta, tornou a quantidade de café beneficiado disponível e os volume prontos para exportação menores. Outro fator influenciado pela chuva é a qualidade do grão e por consequência da bebida, o que dificulta a comercialização do produto.

Pesquisadores do centro de estudos ainda alertam que apesar da boa quantidade do ínício de safra, com a disponibilidade limitada e os problemas de qualidades persistindo, os embarques de exportação podem ser comprometidos ao longo da temporada.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Business

Produtores retraídos e chuvas limitam oferta de arroz

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Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul tem registrado oferta restrita nos últimos dias, cenário que tem dado sustentação às cotações do cereal. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a necessidade de compra das indústrias e as condições climáticas também têm contribuído para esse movimento.

Ainda segundo o centro de estudos, produtores da mercadoria seguem retraídos, na expectativa de valores mais elevados para negociação. Enquanto isso, parte da indústria elevou suas ofertas para compra, muito por conta da necessidade de repor seus estoques. Em casos específicos, chegaram a ser suspensas as vendas do cereal temporariamente, por não ter matéria-prima suficiente.

Pesquisadores reforçam que as chuvas também tem dificultado os carregamentos em determinadas regiões, o que torna a preferência por lotes já depositados nas unidades cada vez maior.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT reitera à Energisa a necessidade de avanços na energia do campo

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Ampliação da rede trifásica, manutenção de faixas de servidão e oscilações de tensão estão entre as demandas reunidas nos 35 Núcleos em Mato Grosso

Ampliação da rede trifásica, manutenção das faixas de servidão e a estabilidade da tensão fornecida às propriedades estão entre os pedidos dos produtores rurais que a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) tem levado à Energisa. As demandas foram reunidas em reuniões realizadas nos 35 Núcleos da entidade, posicionados estrategicamente de norte a sul do estado, e reiteradas à concessionária de energia por meio de ofício em encontro realizado na última sexta-feira (14), em Cuiabá.

A agenda dá continuidade às tratativas que a associação vem conduzindo junto à Energisa e ao Governo de Mato Grosso, em reuniões técnicas, audiências públicas sobre a renovação da concessão e no acompanhamento direto do dia a dia dos produtores.

O trabalho nos Núcleos é o canal pelo qual a entidade organiza o que chega do campo. Entre 2025 e 2026, foram 41 reuniões com produtores de diferentes regiões, que consolidaram mais de 320 demandas. Os 36 grupos de WhatsApp mantidos entre produtores e a equipe da concessionária somam outros 2.160 registros. O material permite identificar onde estão e quais são as principais demandas.

“A energia elétrica é um grande gargalo do nosso estado, principalmente quando pensamos em irrigação e em armazéns. Algumas localidades ainda têm limitação na quantidade de energia disponível e o trifásico não chega a todos os lugares. Mato Grosso precisa avançar nesse sentido para se desenvolver ainda mais. Estamos tratando do tema há bastante tempo, temos tido reuniões sucessivas tanto com o Governo do Estado quanto com a Energisa, justamente buscando essa melhoria”, afirma o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber.

Paranatinga é um exemplo de como o levantamento ganha contorno local. Um dos maiores municípios do estado, com eixos rodoviários que chegam a 200 quilômetros em direção ao norte, tem parte expressiva da rede instalada antes da expansão agrícola das últimas décadas.

“É bastante rede antiga. O município é muito grande e não está com uma estrutura preparada para o que ele é hoje, principalmente no agro”, diz o delegado coordenador do Núcleo de Paranatinga, Jean Marcell Benetti. Entre os pontos mais citados na região: postes em más condições, fios em altura inadequada, falta de energia frequente, transformadores com capacidade limitada e pouca rede trifásica na área rural.

A ampliação do trifásico aparece como condição para novos investimentos. Sem ela, propriedades que pretendem construir armazéns precisam recorrer a soluções próprias. “Uma fazenda aqui perto, para fazer um armazém, precisaria puxar uma rede privada trifásica de cerca de 17 quilômetros. São em torno de dois milhões só para puxar energia”, relata.

A manutenção das faixas de rede é o ponto que os produtores classificam como o mais urgente neste momento. Paranatinga é o município com mais cabeceiras em Mato Grosso, o que amplia as áreas de reserva legal e de preservação permanente e faz as linhas cruzarem esses trechos com mais frequência do que em outras localidades.

Com a vegetação seca da estiagem, as ocorrências de princípios de incêndios aumentam. “Nesse período, o problema se agravou. O fio enrosca em árvores, algum equipamento pode soltar faísca e queimar a mata que fica debaixo da rede”, explica. “A urgência hoje é a limpeza das redes e o reforço da equipe, para ter um atendimento melhor”.

Na avaliação da diretoria, o dialogo tem avançado e o passo seguinte é a execução. “Avançamos no diálogo com a Energisa, no levantamento das demandas nos Núcleos e na previsão de novos investimentos. Agora, o principal desafio é fazer com que esses investimentos cheguem efetivamente ao produtor, com mais rede trifásica, capacidade de carga e qualidade no fornecimento”, diz o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Ele observa que o atendimento a ocorrências emergenciais como queda de fios, postes e obstrução de linhas, apresentou melhora. Em situações recorrentes, como oscilações ao longo do dia, a associação pede maior eficiência no atendimento.  “Em resumo, avançamos no diálogo e no planejamento; precisamos avançar na execução”.

No ofício entregue ao diretor-presidente da concessionária, Marcelo Vinhaes, a associação solicita a apresentação de um plano de ação para as demandas já encaminhadas pelos produtores, com prazos definidos e acompanhamento de resultados. Pede ainda a criação de protocolo específico nos canais de atendimento para o registro de oscilações de tensão por consumidores do Grupo B e a participação da associação na instância de governança do Programa MT Trifásico.

A Aprosoja MT reforça que energia elétrica de qualidade, estável e com capacidade compatível com a atividade produtiva deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a constituir infraestrutura indispensável à competitividade de Mato Grosso.

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