Business
CNA, StoneX e Cepea lançam ferramenta inédita de hedge para o setor de leite

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil lançou, nesta quarta-feira (13), uma nova ferramenta de hedge voltada ao setor de lácteos brasileiro. Desenvolvida pela StoneX em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a solução busca ampliar a gestão de riscos e oferecer mais previsibilidade aos agentes da cadeia leiteira diante da volatilidade do mercado.
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A ferramenta permite que produtores, cooperativas, indústrias, tradings e varejistas tenham acesso a operações de proteção de preços, possibilitando maior previsibilidade sobre receitas e custos futuros.
Durante o evento de lançamento, realizado na sede da CNA, o vice-presidente da entidade, Gedeão Pereira, classificou a iniciativa como um marco histórico para o setor leiteiro brasileiro.
Segundo ele, a criação de instrumentos de previsibilidade sempre foi uma demanda da cadeia produtiva.
“O setor lutou muito tempo para chegar a esse ambiente de previsibilidade”, afirmou.
Setor movimenta R$ 70 bilhões por ano
Gedeão destacou ainda a relevância econômica da atividade no país. De acordo com ele, o Brasil produz cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano, em uma cadeia formada por aproximadamente 1,2 milhão de produtores e que movimenta cerca de R$ 70 bilhões em valor bruto da produção agropecuária.
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, afirmou que o lançamento do contrato futuro do leite representa uma nova etapa para o setor.
Segundo ele, a falta de previsibilidade sempre foi um dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais.
“Estamos vivendo uma nova era do leite”, afirmou durante o evento.
Ferramenta busca reduzir impactos da volatilidade
A nova solução foi criada para atender diferentes perfis da cadeia leiteira, respeitando as necessidades operacionais e financeiras de cada segmento.
Para Glauco Monte, representante da StoneX, a previsibilidade de preços pode gerar para o leite um avanço semelhante ao observado em outras cadeias do agronegócio, como o milho.
Com a parceria do Cepea, a ferramenta utiliza indicadores já consolidados no mercado e amplamente usados como referência para precificação e negociação no setor.
A pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, ressaltou que o setor leiteiro enfrenta um ambiente de elevada complexidade e volatilidade, o que reforça a necessidade de mecanismos de gestão de risco.
Segundo ela, mercados mais maduros dependem de informações de qualidade, transparência na formação de preços e instrumentos capazes de reduzir incertezas.
Estratégias personalizadas para produtores e indústria
Além das operações de hedge, os clientes terão acesso a suporte consultivo especializado da StoneX por meio de programas de gestão integrada de riscos.
Segundo Marianne Tufani, manager da StoneX Leite Brasil, a proposta é transformar a incerteza do mercado em capacidade de investimento e maior estabilidade para toda a cadeia.
A executiva afirmou que as estratégias serão personalizadas conforme a realidade e a exposição de cada empresa ao mercado.
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Business
IBGE projeta safra recorde de 348,7 milhões de toneladas em 2026

A safra agrícola brasileira de 2026 deve totalizar 348,7 milhões de toneladas, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de abril, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14). O volume representa aumento de 0,7% em relação a 2025, com acréscimo de 2,6 milhões de toneladas. Na comparação com a projeção de março, houve ajuste positivo de 0,1%, equivalente a 334,277 mil toneladas.
O avanço da produção ocorre em um cenário de expansão da área a ser colhida. A estimativa do IBGE é de 83,3 milhões de hectares em 2026, alta de 2,1% sobre 2025, com incorporação de 1,7 milhão de hectares. Em relação a março, a projeção de área subiu 128,572 mil hectares.
Entre as principais culturas, o instituto prevê aumento de área de 1,2% para a soja, 3,4% para o milho e 8,5% para o sorgo. No milho, o crescimento é puxado pela primeira safra, com alta de 11,9%, enquanto a segunda safra deve avançar 1,3%. Em sentido oposto, há redução estimada de 4,3% na área do algodão herbáceo, 10,4% no arroz em casca e 3,8% no feijão.
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A soja deve registrar novo recorde, com produção projetada em 174,1 milhões de toneladas, alta de 4,8% frente a 2025. O café também aparece com crescimento relevante: a estimativa é de 4 milhões de toneladas, avanço de 14,9%. Em nota do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do instituto, atribuiu o resultado à “bienalidade positiva, pelas boas condições climáticas e pelos preços mais favoráveis, que estimularam o aumento da área cultivada e da produtividade”.
Por outro lado, o levantamento aponta recuo na produção de algodão (-8,9%), arroz (-10,6%), milho (-2,5%), trigo (-6,8%) e feijão (-4,6%). No milho, a produção total está estimada em 138,2 milhões de toneladas. Segundo Guedes, apesar da queda ante o recorde de 2025, as condições da segunda safra são boas, e o resultado final ainda dependerá do andamento da colheita.
Os dados de abril mostram que o crescimento projetado para 2026 está sustentado principalmente pela expansão de área e pelo desempenho da soja e do café. As próximas revisões do IBGE tendem a ser acompanhadas pelo mercado para medir o efeito do clima e da colheita, especialmente sobre milho, arroz e trigo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
AMAGGI adquire 40% da FS e fortalece presença no etanol de milho MT

Parceria estratégica une duas gigantes do agro com foco em inovação, descarbonização e expansão do setor
A união conecta duas empresas com forte atuação em Mato Grosso e protagonismo no agronegócio brasileiro, consolidando uma parceria com foco em crescimento sustentável, inovação e ampliação da competitividade no setor.
Sinergia entre produção de grãos e biocombustíveis
A transação simboliza a convergência entre importantes grupos do setor, reunindo a experiência da AMAGGI — referência global em grãos e fibras — com a expertise da FS, pioneira na produção de etanol a partir do milho no Brasil.
A FS se consolidou como uma das principais protagonistas do setor de biocombustíveis, destacando-se pela eficiência produtiva e pela baixa intensidade de carbono de seu etanol. Já a AMAGGI, que se aproxima de completar 50 anos, atua de forma integrada em toda a cadeia do agronegócio, incluindo produção, logística, comercialização e energia.
Para Blairo Maggi, o acordo reforça o alinhamento estratégico entre as companhias. Ele destacou a confiança na parceria, baseada em valores comuns e visão de longo prazo.
Parceria une capital nacional e internacional
O movimento também aproxima a AMAGGI do grupo americano Summit Agricultural Group, atual acionista da FS. Segundo o fundador da Summit, Bruce Rastetter, a parceria reúne empresas com forte complementaridade e visão compartilhada sobre o futuro dos combustíveis renováveis.
O CEO da Summit, Justin Kirchhoff, ressaltou que a operação abre caminho para ampliar a atuação da FS, destacando o potencial de crescimento da produção de combustíveis de baixa emissão de carbono.
Verticalização e expansão estratégica
A entrada da AMAGGI no negócio de etanol de milho reforça sua estratégia de verticalização e diversificação das operações. A companhia busca ampliar sua presença em segmentos industriais e energéticos, agregando valor à cadeia de grãos.
De acordo com o CEO da FS, Rafael Abud, a parceria representa um marco importante diante das oportunidades de expansão do setor e da crescente demanda global por soluções de descarbonização.
Já o CEO da AMAGGI, Judiney Carvalho, destacou que o investimento no etanol de milho está alinhado às metas de inovação e sustentabilidade da empresa, além de abrir novas frentes de crescimento.
Setor ganha força com foco em descarbonização
A operação reforça o papel do Brasil como protagonista na produção de biocombustíveis e evidencia a relevância do etanol de milho como alternativa sustentável no cenário global. A integração entre produção agrícola e indústria energética tende a gerar ganhos logísticos, maior eficiência e fortalecimento da competitividade internacional.
Com capacidade de processar mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra e produção anual de bilhões de litros de etanol, a FS vive um novo ciclo de expansão. Já a AMAGGI amplia seu portfólio e consolida sua posição como uma das principais forças do agronegócio brasileiro.
A parceria entre as duas empresas sinaliza um movimento estratégico de longo prazo, que une tradição, inovação e sustentabilidade para impulsionar o futuro do setor.
Business
Mapa e Polícia Federal apreendem 48 toneladas de açúcar sob suspeita de adulteração no Porto de Paranaguá

Uma operação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Polícia Federal (PF) apreendeu aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP no corredor de exportação do Porto de Paranaguá, no Paraná, nesta quarta-feira (14). Segundo a fiscalização, a carga apresentou indícios preliminares de contaminação por materiais insolúveis, aparentemente areia, em volume superior ao permitido pela legislação. As amostras foram encaminhadas para confirmação analítica.
De acordo com o Mapa, o teste preliminar foi realizado no momento da coleta e indicou possível desconformidade com os padrões oficiais de qualidade do açúcar. Esse procedimento é usado para verificar a pureza do produto e identificar contaminações ou adulterações.
Após a identificação da suspeita, auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) coletaram amostras da carga. O material foi enviado ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO), responsável por confirmar se há presença de matéria estranha em nível incompatível com os padrões regulamentares.
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O Mapa informou que a empresa responsável pela carga foi autuada. Como, até o momento, não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o produto foi enquadrado como risco à defesa agropecuária. Se a irregularidade for confirmada, a carga poderá ser desclassificada, considerada imprópria para consumo e destinada à destruição, conforme prevê a legislação. Também poderão ser aplicadas sanções administrativas e desdobramentos criminais.
A operação faz parte de uma articulação permanente entre PF, autoridades portuárias e Mapa, em andamento desde 2024, para coibir fraudes em cargas de exportação no porto paranaense. O foco inclui granéis agrícolas como soja, farelo de soja e açúcar.
O caso ocorre em um contexto de forte presença brasileira no comércio internacional do produto. Em 2024, o Brasil exportou 38,24 milhões de toneladas de açúcar, com receita superior a US$ 18,6 bilhões, segundo dados oficiais citados pelo ministério.
A confirmação laboratorial será o ponto central para definir o enquadramento final da carga e as medidas administrativas. Em produtos de exportação, esse tipo de fiscalização busca preservar rastreabilidade, conformidade sanitária e atendimento às exigências dos mercados compradores.
Fonte: gov.br
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