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29 de junho de 2026

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Mapa e Polícia Federal apreendem 48 toneladas de açúcar sob suspeita de adulteração no Porto de Paranaguá

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Uma operação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Polícia Federal (PF) apreendeu aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP no corredor de exportação do Porto de Paranaguá, no Paraná, nesta quarta-feira (14). Segundo a fiscalização, a carga apresentou indícios preliminares de contaminação por materiais insolúveis, aparentemente areia, em volume superior ao permitido pela legislação. As amostras foram encaminhadas para confirmação analítica.

De acordo com o Mapa, o teste preliminar foi realizado no momento da coleta e indicou possível desconformidade com os padrões oficiais de qualidade do açúcar. Esse procedimento é usado para verificar a pureza do produto e identificar contaminações ou adulterações.

Após a identificação da suspeita, auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) coletaram amostras da carga. O material foi enviado ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO), responsável por confirmar se há presença de matéria estranha em nível incompatível com os padrões regulamentares.

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O Mapa informou que a empresa responsável pela carga foi autuada. Como, até o momento, não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o produto foi enquadrado como risco à defesa agropecuária. Se a irregularidade for confirmada, a carga poderá ser desclassificada, considerada imprópria para consumo e destinada à destruição, conforme prevê a legislação. Também poderão ser aplicadas sanções administrativas e desdobramentos criminais.

A operação faz parte de uma articulação permanente entre PF, autoridades portuárias e Mapa, em andamento desde 2024, para coibir fraudes em cargas de exportação no porto paranaense. O foco inclui granéis agrícolas como soja, farelo de soja e açúcar.

O caso ocorre em um contexto de forte presença brasileira no comércio internacional do produto. Em 2024, o Brasil exportou 38,24 milhões de toneladas de açúcar, com receita superior a US$ 18,6 bilhões, segundo dados oficiais citados pelo ministério.

A confirmação laboratorial será o ponto central para definir o enquadramento final da carga e as medidas administrativas. Em produtos de exportação, esse tipo de fiscalização busca preservar rastreabilidade, conformidade sanitária e atendimento às exigências dos mercados compradores.

Fonte: gov.br

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Mulheres gerenciam 30 milhões de hectares no Brasil, mas têm menos acesso a crédito que homens 

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Foto: jcomp/Freepik

As mulheres estão cada vez mais ativas no campo, mas ainda enfrentam barreiras que limitam seu potencial de atuação no setor. É o que confirma o estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, liderado pela Fundação IDH, no âmbito do Fundo AGRI3.

O diagnóstico aponta que a disparidade salarial, o acesso restrito à terra e a baixa representatividade em cargos de liderança e espaços de discussão ainda barram o avanço feminino na área.

A análise mostrou que das 5,07 milhões de propriedades rurais no Brasil, 19% (947.000) são geridas por mulheres. No entanto, essas gestoras controlam apenas 8,5% da área rural total do país (cerca de 30 milhões de hectares), com uma concentração de mulheres em propriedades menores, muitas vezes herdadas ou de agricultura familiar.

Papel das mulheres por cultura agrícola

O relatório analisa o papel feminino em seis cadeias produtivas estratégicas: soja, cana-de-açúcar, citros, cacau, café e pecuária, principais pautas do agronegócio do país.

mulherres gestoras propriedades rurais
Foto: Reprodução

Embora a presença feminina tenha crescido em todos os setores, a pecuária se destaca como o principal motor dessa mudança: entre 2006 e 2017, o número de mulheres à frente de fazendas de gado saltou 55%, totalizando 450.700 gestoras. Nessas propriedades, 60% delas atuam em estratégias reprodutivas e 56% no manejo da saúde animal, sendo que em 33% das propriedades são elas que lideram toda a operação.

O desempenho nos demais setores apresenta realidades distintas de ocupação e liderança:

  • Cacau: elas gerem 22% das propriedades (com maior incidência na Bahia do que no Pará), mas comandam apenas 13% da área total. A força de trabalho é composta por 27% de mulheres, sendo que a vasta maioria (93%) possui laços familiares com o produtor.
  • Citros: a liderança feminina chega a 18% das fazendas, enquanto a participação na força de trabalho é de 23%, concentrando-se especialmente nos períodos de colheita.
  • Soja: representam 17% da força de trabalho na produção primária, número que sobe para 34,5% quando incluídos os agrosserviços. Contudo, o estudo mostra que o acesso à gestão ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança.
  • Café: a gestão feminina alcança apenas 13,2% dos estabelecimentos, mas gera um efeito multiplicador: em fazendas lideradas por mulheres, o quadro de funcionários é mais equilibrado, com 43% de presença feminina, contra apenas 24% nas propriedades geridas por homens.
  • Cana-de-açúcar: registra os índices mais baixos do levantamento, com apenas 8,8% de participação na força de trabalho e 5,4% em cargos de liderança.

Para além dos desafios, o relatório mostra um impacto qualitativo: propriedades lideradas por mulheres tendem a ser mais humanizadas e sustentáveis. Elas se consolidam como “campeãs de inovação”, priorizando a responsabilidade social e técnicas avançadas de conservação do solo.

Barreiras à inclusão de gênero

O relatório identifica seis “temas materiais” que se impõem como barreiras críticas à inclusão de gênero, começando pela sucessão familiar, onde normas culturais ainda privilegiam herdeiros homens.

O cenário de invisibilidade se estende ao mercado de trabalho. Reduzidas ao papel de “ajudantes”, as responsabilidades assumidas pelas mulheres se traduzem em remuneração inferior. Na soja, por exemplo, o percentual de homens que ganham acima de três salários-mínimos é quase o dobro do feminino.

A desigualdade é reforçada pela dificuldade de acesso: a escassez de títulos de terra em nome próprio bloqueia o crédito bancário necessário para a autonomia. Como resultado, a liderança feminina permanece restrita.

No setor de cana-de-açúcar, as agricultoras ocupam apenas 5,4% dos postos de comando, mas a representação política e setorial segue deficitária, principalmente no quadro de cooperativas, perpetuando o ciclo de exclusão nas instâncias de decisão.

“Fechar as lacunas de gênero no agronegócio brasileiro é tanto um imperativo moral quanto uma alavanca para a resiliência econômica e ambiental”, conclui Luiz Almeida, à frente do levantamento da Fundação IDH.

O estudo conclui que ampliar as oportunidades para as mulheres no agronegócio não é apenas uma questão de equidade, mas uma estratégia essencial para elevar a produtividade, impulsionar a inovação e fortalecer a resiliência do setor diante dos desafios climáticos e econômicos.

Entre as principais recomendações está a criação de mecanismos financeiros mais inclusivos, que ampliem o acesso ao crédito sem exigir, necessariamente, títulos de propriedade da terra como garantia.

O relatório também defende a adoção de políticas de compras inclusivas, que valorizem e priorizem produtos provenientes de propriedades lideradas por mulheres, além da oferta de programas de capacitação técnica e de desenvolvimento de lideranças adaptados à realidade feminina no meio rural, com horários flexíveis e atenção às demandas relacionadas ao cuidado com os filhos.

Outras medidas propostas incluem a criação de redes de mentoria e intercâmbio de experiências entre lideranças femininas, a implementação de políticas de transparência salarial e auditorias para eliminar diferenças de remuneração em funções equivalentes.

Além disso, recomenda o estabelecimento de canais seguros e anônimos para denúncias de assédio moral e sexual e investimentos em infraestrutura de apoio, como creches e escolas em tempo integral, capazes de reduzir a sobrecarga doméstica que ainda limita a participação das mulheres no mercado de trabalho rural.

O estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro” foi embasado em uma revisão da literatura existente, a partir da qual foi possível construir o panorama atual. Para acessá-lo na íntegra, clique aqui.

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Em quase 30 anos, cacau recupera território equivalente a 231 mil campos de futebol no Pará

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Foto: divulgação/Sefa

Monitoramento feito pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), compartilhado com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), mostra que desde a metade da década de 90 até o ano passado, foram recuperados em todo o estado 165 mil hectares de áreas degradadas com plantio de cacau em Sistema Agroflorestal (SAF), o equivalente a 231 mil campos de futebol. 

Entre os municípios que se destacam, estão Tomé-Açu (região de integração do Rio Capim), que criou o seu sistema de Safta (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu) e os que estão sob influência direta da Rodovia Transamazônica (BR-230), como Altamira, Medicilândia, Brasil Novo, entre outros.  

Pesquisa recente da Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus de Altamira, localizado na região de integração do Xingu, mostra que as novas lavouras de cacau estão sendo implantadas predominantemente em áreas já alteradas. Isso muda um padrão onde antes a cultura era fixada em área de floresta.

O trabalho abrangeu todos os municípios da Transamazônica( rodovia BR-230). O reaproveitamento de áreas alteradas apresentado pelo estudo vem ao encontro dos anseios do governo do estado, que deslancha ações ao longo dos últimos anos com a finalidade de garantir a preservação ambiental, por meio de culturas agroflorestais, como é o caso do cacau.

De acordo com o professor Miquéias Calvi, da Faculdade de Engenharia Florestal da UFPA, que desenvolveu o trabalho na Transamazônica junto com a equipe da Faculdade de Engenharia Agronômica da instituição, ocorre um ciclo virtuoso de reaproveitamento de áreas já alteradas, o que abrange predominantemente áreas de pastagens degradadas ou em estágio inicial de degradação, além de área de sucessão secundária inicial.

“Isso é importante, pois mostra que as novas lavouras de cacau não estão avançando sobre as áreas de florestas primárias; o componente ambiental é muito interessante nestes sistemas de produção. Identificamos que 81% das novas lavouras de cacau a partir do ano de 2021 estão sendo implantadas em áreas alteradas ou degradadas. Estamos com padrão diferente do que comumente tem sido reportado em outras regiões do Brasil e do mundo”, explica Miquéias Calvi. 

As áreas degradadas oferecem rendimentos ao produtor, segundo detalha o professor, por isso, o agricultor que reaproveita esse espaço com novas lavouras só tem a ganhar. “Áreas que não estão trazendo nenhum tipo de rendimento ao produtor, em um curto espaço de tempo se tornarão produtivas. Isso mostra uma potencialidade ambiental e econômica da lavoura cacaueira”, defende. 

Sobre a perspectiva de políticas públicas é importante que os órgãos de fomento de estado e municípios apoiem iniciativas de beneficiamento e distribuição de mudas e sementes florestais, senão as lavouras implantadas nessas áreas alteradas tenderão a se reproduzir sob o modelo de monocultivo a pleno sol, segundo observa o professor, já que o solo degradado já não tem a mesma capacidade de um solo novo de regenerar as árvores. 

“Órgãos como a Sedap, Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará) e secretarias municipais de meio ambiente têm um papel fantástico de fomentar a produção e a distribuição de mudas e sementes florestais para que os agricultores implantem os seus sistemas agroflorestais”, diz o professor Miquéias.

Ações para recuperação de áreas degradadas

O coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau (Procacau), engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, lembra que a legislação que criou o Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará) – Lei estadual nº7. 093 de 16.01.2008 – estabelece que o cacau deve ser plantado somente em SAF.

A legislação enfatiza, também, a inserção da cultura em áreas alteradas e não de florestas nativas. Segundo informa Santana, desde o ano 1996 até o ano passado, foram recuperados em todo o estado 165 mil hectares de áreas degradadas com plantio de cacau no Sistema Agroflorestal.

“É a prioridade da legislação que cria o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento e Consolidação da Cacauicultura) e do Fundo Cacau: trabalhar o cacau com Sistemas Agroflorestais e em áreas alteradas; nós estamos cumprindo essa orientação da legislação e do governo do estado do Pará”, destaca Ivaldo Santana. 

O Executivo estadual, por meio da Sedap e d o Funcacau, que é coordenado pela secretaria, injeta recursos para a produção e aquisição de sementes híbridas oriundas da Ceplac para serem distribuídas aos produtores, tanto aos que querem aumentar sua área plantada como aos novos que se inserem na cacauicultura. 

“Em média, a gente distribui 13,5 milhões de sementes por ano aos produtores. O Pará todo ano cresce em termos de 9 mil hectares com novas áreas de cacau e mil produtores se incorporam à cadeia produtiva do cacau todos os anos”, complementa o coordenador do Procacau.

O Ideflor-Bio, como lembra Santana, é outra instituição governamental que atua no incentivo para a implantação de Sistemas Agroflorestais. “A instituição produz e distribui gratuitamente mudas de essências florestais para fazer o sombreamento das áreas plantadas com cacau, exatamente para formar o SAF”. 

Faz parte das ações, também, como elenca o coordenador, a distribuição  aos agricultores de mudas de bananas para o sombreamento provisório para a cultura do cacau.

O programa Territórios Sustentáveis (PTS), que é um dos eixos do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), é outra iniciativa governamental  com a finalidade de incentivar e beneficiar produtores rurais para a produção sustentável em regiões pressionadas pelo desmatamento e passíveis de restauração florestal. Mais de 45 municípios aderiram ao PTS no âmbito das ações trabalhadas pela Sedap. 

O processo de fomento inicial do programa desenvolvido pela Sedap, prevê a implantação de um (1) hectare de Sistemas Agroflorestais  em áreas antes degradadas ou desmatadas e visa o aporte de insumos e serviços nas propriedades, por meio de convênios com as prefeituras municipais no Pará. 

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Colheita de arábica no Cerrado Mineiro avança para 27%, diz Expocacer

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A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 27% da produção prevista até a última sexta-feira, segundo levantamento da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). Do volume já colhido, 12% foi beneficiado, com rendimento médio entre 550 e 570 litros por saca de 60 quilos. O ritmo está abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior, quando 35% da produção já havia sido retirada dos cafezais.

De acordo com a Expocacer, as chuvas registradas na quarta semana de junho retardaram as operações de colheita e beneficiamento. A cooperativa informou ainda que as precipitações provocaram a queda de aproximadamente 25% dos frutos, ampliando o volume de café de chão e elevando o risco de perdas de produtividade e qualidade.

O atraso é mais intenso em Carmo do Paranaíba, onde a colheita está cerca de 30 dias atrás do cronograma observado no ano passado. Em São Gotardo e Rio Paranaíba, 10% da produção prevista havia sido colhida, reflexo da maior altitude e da frequência das chuvas. Em Monte Carmelo, cerca de 30% da safra já foi retirada. Em Araguari, os trabalhos variam entre 30% e 35%.

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A cooperativa também alertou que as chuvas e a elevada umidade favoreceram uma florada antecipada em diversas áreas do Cerrado Mineiro. Segundo a Expocacer, essa condição poderá afetar a safra de 2027 ao aumentar o risco de maturação desuniforme, maior incidência de broca e perdas de produtividade.

Outro ponto acompanhado pelos produtores é o aumento do volume de café de varrição. A cooperativa aponta que, além da perda de frutos antes da colheita, o excesso de umidade dificulta a secagem e pode comprometer a qualidade dos lotes.

A previsão meteorológica para o período entre 27 de junho e 1º de julho indica ausência de chuvas na região de Patrocínio. A avaliação da Expocacer é de que esse cenário deverá favorecer o avanço da colheita e melhorar as condições para secagem e beneficiamento dos grãos.

Em junho, o Cerrado Mineiro acumula média de 38,2 milímetros de chuva, acima dos 9,2 milímetros registrados no mesmo período da safra passada. No ciclo 2025/26, o volume chegou a 1.441,9 milímetros, alta de 14,1% em relação à temporada anterior.

Fonte: Estadão Conteúdo

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