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Exportações de frutas crescem 25% e somam US$ 351 milhões no 1º trimestre

As exportações brasileiras de frutas começaram 2026 em alta, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
No primeiro trimestre, o setor movimentou US$ 351,1 milhões, com embarques de 330,6 milhões de quilos — aumento de 25% em valor e 13% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
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Demanda externa impulsiona embarques
O desempenho foi puxado por frutas com maior demanda no mercado internacional. A manga lidera o avanço, com crescimento de 69% em valor e 40% em volume. A melancia também se destaca, com altas de 40% e 12%, respectivamente.
Os melões seguem na mesma tendência, com aumento de 15% em valor e 3% em volume.
Ganho de mercado e destaques positivos
Entre os principais destaques, a maçã registrou forte expansão, com salto de 215% em valor e 228% em volume, refletindo ganho de mercado.
Outras frutas também apresentaram crescimento:
- Abacate: +18% em valor e +38% em volume;
- Banana: +32% e +14%;
- Mamão (papaya): +19% e +11%.
Na outra ponta, a uva apresentou retração, com queda de 16% em valor e 18% em volume, influenciada por fatores como clima e dinâmica de mercado.
Setor aposta em novos mercados
Segundo o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, o resultado reflete um avanço consistente do setor no exterior.
“O país vem ampliando sua presença no mercado internacional com produtos de qualidade e regularidade de oferta. Com o acordo que deve ser firmado agora no início de maio, nossa competitividade tende a aumentar, o que abre espaço para ampliar ainda mais as exportações brasileiras”, afirma.
O crescimento acompanha a expansão da fruticultura brasileira no mercado externo, impulsionada pela abertura de mercados, ganhos de competitividade e maior organização da cadeia produtiva.
Nesse cenário, produtores intensificam a agenda internacional. Uma comitiva participa da Macfrut 2026, na Itália, e, na sequência, segue para o Canadá em missão de prospecção, com foco na ampliação das exportações.
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Evento em Ribeirão Preto antecipa debates estratégicos do agro na semana da Agrishow

Ribeirão Preto (SP) recebe, no dia 26 de abril, o Agrotalk Show, encontro que reúne lideranças do agronegócio, da política e da economia para discutir o papel do setor no desenvolvimento do país. O evento acontece na semana que antecede a Agrishow e deve antecipar temas que estarão no centro das discussões do agro nos próximos dias.
O fórum principal terá como tema “Soberania Econômica e Transformação Estratégica: o agro liderando a construção do novo Brasil”. A proposta é analisar o setor como parte estruturante da economia brasileira e sua inserção em cadeias produtivas globais.
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Segundo a organização, a programação busca integrar diferentes áreas, ampliando o debate além da produção agrícola. A iniciativa reúne representantes também do esporte, turismo e automobilismo, em um esforço de conectar o agronegócio a outros segmentos econômicos.
Entre os participantes confirmados estão o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida e a pesquisadora Mariângela Hungria, reconhecida internacionalmente por suas contribuições à agricultura.
Evento antecipa discussões da Agrishow
O Agrotalk Show será realizado no FBF Collezione, espaço que abriga uma coleção de carros antigos em Ribeirão Preto. O ambiente foi escolhido para combinar conteúdo e experiência em um mesmo local, com foco em convidados e lideranças estratégicas.
A realização ocorre poucos dias antes da Agrishow, considerada uma das principais feiras de tecnologia agrícola do mundo. Por isso, o encontro deve funcionar como um termômetro das pautas que devem ganhar força durante o evento.
Agro no centro das discussões nacionais
A proposta do Agrotalk Show é reforçar o papel do agronegócio nas discussões econômicas e políticas do país. Em um cenário de eventos relevantes, como eleições e competições internacionais, o setor é apontado como estratégico para o Brasil.
Dados do setor ilustram essa relevância. Um exemplo citado pela organização é o mercado de suco de laranja: a cada dez copos consumidos durante uma Copa do Mundo, oito têm origem no Brasil.
Plataforma amplia integração entre setores
O Agrotalk Show faz parte de uma plataforma mais ampla de encontros e iniciativas voltadas à conexão entre diferentes áreas da economia. O projeto surgiu a partir do Agrotalk Meeting e inclui também os programas Agrotalk Business e Agrotalk Mind.
As ações têm como foco a troca de conhecimento, o fortalecimento de relações institucionais e a geração de negócios, reunindo lideranças políticas, empresariais e formadores de opinião em eventos estratégicos.
Com apoio de entidades do setor e do governo paulista, o encontro reforça a tendência de ampliar o diálogo entre o agronegócio e outras áreas, em um momento de transformações no cenário econômico nacional e internacional.
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Agro brasileiro será referência na ‘segunda onda’ da IA, diz especialista

O agronegócio brasileiro está à frente da chamada “segunda onda” da inteligência artificial. Essa é a opinião do gerente regional da ELO Digital Office Espanha, Rodny Coronel. Segundo, a ferramenta já tem ganhado contornos mais concretos e imediatos no país.
“O agronegócio brasileiro não está mais testando IA. Está começando a incorporá-la nos processos-chave, e isso muda completamente o jogo competitivo”, afirma.
De acordo com estudo da empresa de software, cerca de 40% das empresas brasileiras já adotam ferramentas de inteligência artificial, o que coloca o Brasil em linha com os mercados mais avançados da Europa. Nesta esfera, os impactos já são mensuráveis: 95% relatam aumento de receita e 96% ganhos de produtividade.
No agro, esses números se traduzem em eficiência operacional, maior controle de processos e capacidade ampliada de resposta às exigências de mercado, em especial em cadeias altamente reguladas, como soja e carne e na exportação dessas e de outras commodities.
Coronel ressalta que a digitalização de contratos agrícolas, a automação de pedidos de compra, a rastreabilidade documental e o uso de análise preditiva já fazem parte da rotina de grandes players e começam a se expandir para médias empresas. “O Brasil demonstra, na prática, como a IA pode sair do discurso e gerar resultado financeiro direto no agro”, destaca.
O que foi a ‘primeira onda’?
O especialista afirma que a primeira fase da transformação digital no agro brasileiro foi marcada pela digitalização de processos. Agora, com a IA, o setor evolui para um novo patamar: a inteligência operacional.
Aplicações como análise de linguagem natural e automação de fluxos de trabalho já impactam áreas críticas, incluindo compliance, gestão de fornecedores, certificações internacionais e controle de qualidade, considerados pontos sensíveis para empresas exportadoras.
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Coronel afirma que no contexto brasileiro, onde a cadeia agroindustrial é extensa e fragmentada, a IA resolve um problema estrutural: a dispersão de informações.
“Do contrato com o produtor ao embarque no porto, há uma enorme quantidade de dados desconectados. A IA permite integrar, interpretar e ativar essas informações em escala”, detalha.
‘A segunda onda’
Agora, o onceito de “segunda onda” marca uma mudança estratégica. Se antes a IA era aplicada de forma pontual, como em ferramentas isoladas, agora o foco é a automação de ponta a ponta dos processos de negócio.
No agronegócio brasileiro, isso significa integrar a IA em toda a cadeia documental e operacional: desde o recebimento de insumos até a comercialização e exportação, passando por certificações, faturamento, logística e conformidade regulatória.
“A vantagem competitiva não está em automatizar tarefas, mas em orquestrar processos completos com IA”, resume o gerente regional da ELO Digital Office Espanha.
Para ele, esse ponto é decisivo, visto que embora a maioria das empresas já utilize IA em alguma função, poucas conseguem capturar valor financeiro relevante. As que conseguem são justamente aquelas que redesenham seus fluxos operacionais de forma integrada.
Gestão documental inteligente
Nesse cenário, a gestão documental deixa de ser uma função administrativa e passa a ocupar posição estratégica no agro brasileiro. Coronel destaca que algumas plataformas já permitem automatizar a captura de documentos, extrair dados com IA, gerenciar fluxos de trabalho dinâmicos e acessar informações por meio de linguagem natural.
“O ganho é direto: processos que levavam dias passam a ser concluídos em horas, com total rastreabilidade”, conta.
Para o agronegócio, isso impacta diretamente operações como a gestão de contratos com produtores, cooperativas e tradings, o controle de certificações e exigências internacionais, a integração com sistemas ERP e CRM, a otimização de compras e vendas e a redução de erros operacionais e riscos regulatórios.
“Em um setor de margens pressionadas e alta complexidade operacional, esses ganhos são decisivos”, defende o especialista.
Pressão regulatória
Coronel visualiza que o ambiente regulatório global, especialmente para exportações, impõe desafios adicionais ao agro brasileiro. Rastreabilidade, compliance ambiental e segurança de dados são cada vez mais exigidos por mercados internacionais.
Nesse contexto, ele enxerga a IA não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas um instrumento de conformidade e gestão de risco. “A tecnologia permite atender às exigências regulatórias sem comprometer a velocidade e a escala das operações”, afirma.
De acordo com o executivo, a mensagem para o setor é clara: o Brasil já entrou na fase de implementação real da IA. E isso tende a se intensificar ao longo de 2026.
Isso porque com um agronegócio altamente competitivo, orientado à exportação e pressionado por eficiência, a adoção estratégica da IA deixa de ser opcional. “O Brasil tem uma vantagem: escala, complexidade e pressão competitiva. Isso acelera a adoção de tecnologias que realmente geram valor”, afirma.
Para o especialista, a “segunda onda” da IA representa mais do que uma evolução tecnológica. Trata-se de uma mudança estrutural no modelo de operação do agronegócio.
O campo brasileiro já é referência global em produtividade. Agora, o diferencial passa a ser outro: a inteligência na gestão de dados. Nesse novo cenário, quem dominar a informação dominará o mercado.
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‘Ritmo ainda é lento’, diz Turra sobre processo de transição energética no Brasil

Mais uma vez as atenções do mundo se voltam para o papel do Brasil no processo de transição energética. Durante a Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país possui vantagens competitivas na produção de biocombustíveis e, consequentemente, de energias limpas.
“O Brasil tem um potencial imenso para crescer nesse aspecto”, reforça Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura. Ele também é presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio). Hoje, cerca de 90% do biodiesel brasileiro vem da soja.
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Nesse contexto, Turra lembra que o país colhe em torno de 170 milhões de toneladas da oleaginosa, mas apenas cerca de 25 milhões de toneladas são destinadas ao biodiesel. “Isso mostra que ainda há um grande potencial de expansão no uso da soja para esse fim”, completa.
Apesar disso, o processo para reduzir o uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, ainda é lento. “Combustíveis fósseis e carvão representam cerca de 20% do consumo, mas respondem por 40% das emissões de CO2”, diz. De acordo com ele, esse é um ponto central quando se fala em transição energética.
O que falta para o Brasil avançar?
Na avaliação do ex-ministro, o avanço esbarra também em questões internas, como o percentual de mistura de biodiesel ao diesel ainda muito abaixo do ideal. Atualmente, o mandato em vigência no Brasil é o B15, com 15% de mistura. Entidades do setor produtivo, por outro lado, afirmam que há capacidade para atender a uma mistura de até 21,6%.
Segundo Turra, há espaço para ampliar o uso dos biocombustíveis por meio de outras fontes, como canola, óleo de palma e gordura animal. Diante disso, ele alerta para uma alegação da Europa sobre o biodiesel feito a partir de soja.
“Na Europa, o biodiesel de gordura animal é o principal importado, sob a justificativa de que o biodiesel de soja competiria com a alimentação humana”, explica. “Isso não é verdade, porque, sem o biodiesel, haveria excesso de óleo de soja e não teríamos o atual nível de produção”, complementa.
Na mesma linha, o presidente Lula criticou propostas europeias sobre biocombustíveis. Entre elas, ele citou um mecanismo de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis. O posicionamento ocorre dias antes do acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor, previsto para 1º de maio.
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