Sustentabilidade
Escolha da cultivar de soja pode gerar diferença superior a R$ 1.600 por hectare – MAIS SOJA

Mesmo solo, mesmo clima, mesmo manejo e ainda assim uma diferença de R$ 1.610,00 por hectare apenas em função da cultivar de soja plantada. É o que mostra o Ensaio de Cultivares em Rede (ECR®) Soja RS Safra 2025/2026, estudo técnico coordenado pela Fundação Pró-Sementes em parceria com o Sistema Farsul, com patrocínio do Senar RS e da Bayer, cujos resultados já estão disponíveis para toda a cadeia produtiva gaúcha.
O dado foi observado em Vacaria, num dos nove pontos de avaliação da rede. Sob idênticas condições de solo e manejo, a produtividade das cultivares do Grupo I (ciclo precoce) variou de 65 a 79 sacos por hectare (scs/ha) – uma amplitude local de 14 sacos que, a R$ 115,00 a saca, representa R$ 1.610,00 de diferença por hectare só pela escolha do material genético. “O peso real da genética se mostra dentro de um mesmo ambiente. Essa variação prova que a escolha incorreta da cultivar pode custar mais de R$ 1.610,00 por hectare ao produtor”, afirma Kassiana Kehl, coordenadora de pesquisa da Fundação Pró-Sementes e responsável técnica pelo estudo.
Quando o recorte sai do ambiente controlado de um único município e passa a comparar as diferentes regiões do Rio Grande do Sul, a distância se amplia ainda mais. O teto produtivo do ECR 2025/2026 chegou a 114 scs/ha, obtido pela cultivar BRS 6105 RR (Grupo II) na área de várzea de Mostardas. No outro extremo, o mesmo Grupo II rendeu apenas 33 scs/ha em Cachoeira do Sul, uma amplitude de 81 sacos por hectare entre as pontas do estado, puxada pelas diferenças regionais de solo e clima.
Para dimensionar o tamanho do desafio, a produtividade média da soja no Rio Grande do Sul na safra 2025/2026 foi de 2.769 kg/há, o equivalente a cerca de 46 scs/ha, segundo a Conab. Ou seja, o potencial genético identificado nos ensaios chega a ser mais que o dobro da média estadual, evidenciando o quanto a escolha assertiva da cultivar ainda pode agregar ao resultado do produtor gaúcho.
Condução do estudo
O ECR Soja RS 2025/2026 avaliou 35 cultivares, entre as mais plantadas no estado, segundo o Mapa, e lançamentos recentes, divididas em dois grupos de maturação: o Grupo I, de ciclo precoce (GM 5.1 a 5.9, com 16 materiais), e o Grupo II, de ciclo médio/tardio (GM 6.0 a 6.7, com 19 materiais). Ao todo, 11 marcas estiveram representadas.
Os ensaios foram implantados em nove municípios (Bagé, Cachoeira do Sul, São Gabriel, Mostardas, Pelotas, Júlio de Castilhos, São Luiz Gonzaga, Passo Fundo e Vacaria), representando as principais microrregiões produtoras do estado (o ponto de Pelotas foi excluído da análise final por desuniformidade no estabelecimento das plantas).
A implantação da rede ocorreu sob condições propícias para a emergência na maior parte do estado, mas o ciclo da soja foi marcado por estiagens pontuais severas. Em Passo Fundo, por exemplo, choveu apenas 8 mm em janeiro e 55 mm em fevereiro, volumes bem abaixo do necessário no período crítico de enchimento de grãos, o que ajuda a explicar parte da variação de desempenho entre cultivares e regiões.
Os dados do ECR também ajudam a contextualizar um desafio de mais longo prazo. Nos últimos dez anos, a produtividade média da soja no Rio Grande do Sul oscilou com mais intensidade e ficou, na maior parte das safras, abaixo dos vizinhos Paraná e Santa Catarina, segundo série histórica da Conab. Safras de estiagem severa, como 2019/20, 2021/22 e 2022/23, demonstram a vulnerabilidade climática do estado, reforçando o papel de ensaios regionalizados como o ECR na mitigação de risco para o produtor.
Os resultados do ECR Soja RS Safra 2025/2026 estão disponíveis de forma gratuita no no site da Fundação Pró-Sementes. A versão imprensa dos resultados estão disponíveis nos Sindicatos Rurais do Rio Grande do Sul.
Fonte: FARSUL
Sustentabilidade
Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.
Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.
Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).
Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.
Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).
Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.
Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.

Referências:
DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.
ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.
SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.
Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.
O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.
Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.
O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.
Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
Cuiabá
Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.
O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.
Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).
Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.
CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
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