Connect with us

Sustentabilidade

Agro dos EUA acumula quatro anos no vermelho com alta de custos e queda de preços – MAIS SOJA

Published

on


Hélio Sirimarco, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), comenta sobre as quatro safras no prejuízo nos EUA. Confira!

Entre economistas do setor agrícola norte-americano, circula uma avaliação direta que resume o momento atual: o país caminha para o quarto ano consecutivo de resultados negativos na economia rural. A afirmação foi feita por Faith Parum, economista da American Farm Bureau Federation (AFBF), em entrevista à National Public Radio (NPR), no dia 1º de abril.

A análise não tem viés político e nem tom alarmista. Trata-se da leitura técnica de quem acompanha os dados financeiros de milhões de propriedades distribuídas pelo Meio-Oeste, Sul e planícies do Norte dos Estados Unidos. O cenário indica uma sequência inédita de safras operando no vermelho.

Retrospectiva

Para compreender esse quadro é preciso retornar a 2022, quando o setor registrava lucros recordes, impulsionados por preços elevados das commodities e forte demanda global no pós-pandemia. Soja, milho e trigo estavam valorizados, permitindo investimentos, renovação de máquinas e redução de dívidas.

Desde então, houve uma mudança brusca. Os preços das commodities recuaram significativamente. A soja, por exemplo, caiu cerca de 40% em relação ao pico de meados de 2022, passando de US$ 16,40 por bushel para, aproximadamente, US$ 11,00 em 2025/26. Ao mesmo tempo, os custos de produção seguiram em alta, pressionados pela inflação pós-pandemia, pelos impactos da guerra na Ucrânia sobre fertilizantes e combustíveis, e ainda pelas tarifas da política comercial de Donald Trump.

O resultado é um desequilíbrio crescente entre receitas e despesas. Dados da Farm Bureau mostram aumentos expressivos nos custos por acre (1 acre equivale a 0,4 hectare) desde 2021, quando juros de empréstimos subiram 71%, mão de obra 47%, fertilizantes 37%, combustíveis e lubrificantes 32%, manutenção de equipamentos 27% e defensivos agrícolas 25%.

Projeção do USDA

Mesmo em anos de produção elevada, os preços de mercado não são suficientes para cobrir esses custos. O USDA projeta que a renda líquida agrícola em 2026 será cerca de US$ 30 bilhões inferior ao recorde de 2022, passando de US$ 182 bilhões para US$ 153,4 bilhões.

Acúmulo de perdas

Um levantamento da Farm Bureau publicado em janeiro deste ano aponta que, mesmo com seguros rurais e auxílios emergenciais, os produtores acumularam perdas próximas de US$ 50 bilhões nos últimos três anos. Considerando nove culturas principais: milho, soja, trigo, algodão, arroz, cevada, aveia, amendoim e sorgo, os resultados negativos anuais chegaram a US$ 20,2 bilhões, US$ 34,8 bilhões e US$ 34,6 bilhões antes de qualquer compensação pública.

Aumento do uso de crédito

Na prática, isso se traduz em produtores adiando investimentos, recorrendo à compra de equipamentos usados e ampliando o uso de crédito. Em 2025, o valor médio dos empréstimos operacionais cresceu 30% em relação ao ano anterior, com prazos mais longos. Dados do Federal Reserve de Kansas City mostram que o volume de contratos de crédito agrícola aumentou quase 40% no quarto trimestre de 2025.

Redução na venda de máquinas agrícolas

Outro indicador da crise é a queda nas vendas de máquinas agrícolas. Segundo a Association of Equipment Manufacturers, as vendas de tratores de grande porte e colheitadeiras recuaram entre 35% e 45% em 2025. A John Deere registrou queda de 12% na receita anual e redução de 29% no lucro líquido, além de demitir cerca de 1.800 funcionários em Iowa. A empresa projeta nova retração entre 15% e 20% nas vendas em 2026, impactada também por tarifas sobre aço e alumínio, que devem gerar custo adicional de US$ 1,2 bilhão.

Aumento das falências

O aumento das falências agrícolas reforça o cenário. Em 2025, os pedidos de recuperação judicial pelo Chapter 12 cresceram 46%, totalizando 315 casos. Estados como Montana, Pennsylvania e Georgia registraram altas expressivas. Apesar de representarem pequena parcela das 1,9 milhão de fazendas do país, esses números indicam dificuldades estruturais. Muitos produtores sequer entram nas estatísticas por dependerem de renda externa, o que os desqualifica do mecanismo legal.

Desequilíbrio estrutural

Desde 2017, mais de 160 mil fazendas deixaram de existir nos EUA. Embora o governo tenha destinado mais de US$ 30 bilhões em auxílio direto desde 2025, incluindo US$ 12 bilhões para compensar impactos de tarifas, especialistas apontam que os recursos não resolvem o desequilíbrio estrutural. Uma pesquisa da Universidade de Purdue indica que grande parte desse dinheiro é usada para pagar dívidas antigas, sem gerar novos investimentos.

Conflito com o Irã

O conflito com o Irã, neste ano, agravou a situação. O fechamento do Estreito de Ormuz afetou o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, elevando preços. O diesel também encareceu com a alta do petróleo. Com isso, produtores que não haviam antecipado compras enfrentaram aumento de custos às vésperas do plantio.

Menor safra de milho desde 1919

As consequências já aparecem nas do USDA, que prevê a menor safra de trigo desde 1919 e redução superior a 3 milhões de acres na área plantada de milho. O sentimento no campo é de preocupação crescente, como relatado por Mark Mueller, produtor de Iowa, que afirmou estar mais apreensivo do que em qualquer momento de suas três décadas na atividade.

Desdobramentos políticos e sociais

Além do impacto econômico, a crise tem desdobramentos políticos e sociais. Tradicionalmente base eleitoral de Donald Trump, os agricultores começam a demonstrar insatisfação com a falta de avanços concretos em acordos comerciais. Ao mesmo tempo, o Brasil amplia sua presença no mercado global, com exportações agropecuárias recordes de US$ 169,2 bilhões em 2025, sendo US$ 55,3 bilhões destinados à China.

Brasil

No Brasil, o cenário também preocupa. O deputado Pedro Lupion destacou que fatores geopolíticos, juros elevados e custos crescentes têm pressionado os produtores. Segundo ele, taxas próximas de 20% inviabilizam investimentos.

Diante disso, a Frente Parlamentar da Agropecuária articula a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a renegociação ampla de dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-sal. A proposta já foi aprovada na Câmara e aguarda análise no Senado.

Autor/Fonte: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações de National Public Radio (NPR), USDA e Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
Continue Reading

Sustentabilidade

Pesquisador da Embrapa Soja alerta para avanço do caruru-roxo, uma das plantas daninhas mais agressivas

Published

on


Caruru Roxo – Crédito: Rafael Mendes

O avanço das plantas daninhas tem intensificado a preocupação no campo brasileiro, diante do aumento da pressão sobre as lavouras nas últimas safras. O tema ganhou destaque no dia 13 de abril, durante a ExpoLondrina, no painel sobre desafios no manejo de espécies de difícil controle, promovido pela Embrapa Soja em parceria com as cooperativas Cocamar, Coamo e Integrada.

Entre os principais focos de atenção está o caruru-roxo, considerado atualmente uma das espécies mais agressivas nas áreas agrícolas. Com crescimento acelerado, alta competitividade e grande capacidade de dispersão, a planta tem ampliado sua presença e já impacta diretamente o potencial produtivo das lavouras.

De acordo com o pesquisador Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja, a infestação da espécie cresceu de forma consistente nas últimas quatro safras. Ele destaca que o enfrentamento exige manejo integrado, com ações como limpeza de máquinas, manutenção de palhada, uso de cultivares com novas biotecnologias e adoção de herbicidas pré-emergentes, sobretudo em áreas com resistência ao glifosato.

O pesquisador ressalta que o uso desses produtos demanda atenção às condições de solo, clima e à cultivar utilizada, para evitar fitotoxicidade. Esse problema pode comprometer o estande das lavouras e provocar emergência irregular das plantas.

Já Lucas Pastre Dill, da cooperativa Integrada, aponta que a redução de práticas tradicionais contribuiu para o cenário atual. Segundo ele, a adoção de cultivares tolerantes ao glifosato levou parte dos produtores a abandonar estratégias como rotação de culturas, alternância de mecanismos de ação e controle cultural e mecânico.

Esse contexto, somado às condições tropicais, favorece a proliferação de plantas daninhas com alto potencial reprodutivo. Nesse sentido, a formação de palhada volta a ganhar protagonismo como ferramenta importante para reduzir a germinação dessas espécies.

As cooperativas têm reforçado o trabalho de orientação técnica junto aos produtores. Conforme explica Bruno Lopes Paes, da Coamo, treinamentos e capacitações vêm sendo intensificados, com foco no uso correto de herbicidas, manejo integrado e atenção às plantas daninhas quarentenárias, consideradas uma ameaça crescente.

Para o pesquisador Dionísio Gazziero, o país já dispõe de conhecimento e tecnologia suficientes para enfrentar grande parte das infestações. No entanto, a adesão às práticas recomendadas ainda é limitada. Ele também destaca que fatores climáticos podem influenciar a dinâmica das plantas daninhas, prolongando períodos de emergência.

A recomendação é tratar o controle como parte de um sistema contínuo de produção. A rotação de culturas, especialmente no inverno, aliada ao manejo do banco de sementes no solo, é essencial para reduzir a pressão das infestantes. Sem essas medidas, a tendência é de aumento das infestações, maior custo de produção e perdas crescentes de produtividade.

O post Pesquisador da Embrapa Soja alerta para avanço do caruru-roxo, uma das plantas daninhas mais agressivas apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Sustentabilidade

Safra de grãos pode chegar a 356,3 milhões de toneladas em 2025/26 influenciada por boas produtividades – MAIS SOJA

Published

on


A produção de grãos na safra 2025/26 pode chegar a 356,3 milhões de toneladas, Os dados estão no 7º Levantamento de Grãos para o atual ciclo, divulgado nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume estimado representa um incremento de 4,1 milhões de toneladas em relação à temporada de 2024/25 e uma alta de 2,9 milhões de toneladas em comparação ao 6º Levantamento publicado no mês anterior.

Caso o resultado se confirme, este será um novo recorde no volume a ser colhido pelos produtores brasileiros. A área semeada no atual ciclo deve registrar um crescimento de 2%, projetada em 83,3 milhões de hectares, enquanto que a produtividade deve sair de 4.310 quilos por hectares na safra passada para 4.276 quilos por hectares no ano safra 2025/26. Mesmo com a redução prevista de 0,8%, este é o segundo melhor desempenho médio nacional já registrado pela série histórica da Companhia.

A Conab prevê uma nova produção recorde para a soja, sendo estimada em 179,2 milhões de toneladas. A redução das precipitações em março garantiu melhores condições de campo para que a colheita pudesse evoluir, chegando a 85,7% da área. Mesmo com importantes estados produtores de soja apresentando um desempenho médio inferior ao registrado no ciclo passado, a produtividade média nacional das lavouras da oleaginosa foi a melhor já registrada, projetadas neste ciclo em 3.696 quilos por hectares.

Para o milho, segundo cultura mais cultivada no país, a Conab espera uma produção total de 139,6 milhões de toneladas, representando recuo de 1,1% em relação ao ciclo anterior. Enquanto que o cultivo da primeira safra do grão registrou uma elevação na área, estimada em 4,1 milhões de hectares, refletindo em uma alta da produção, podendo chegar a 28 milhões de toneladas; na segunda safra do cereal a colheita está prevista em 109,1 milhões de toneladas, redução de 3,6% em relação ao volume obtido na temporada 2024/25. A semeadura do segundo ciclo do milho está em fase conclusiva, e as lavouras se encontram desde a germinação à floração.

De acordo com o levantamento da Conab, também é esperada uma menor produção de arroz. Na atual safra, a produção está estimada em 11,1 milhões de toneladas, 12,9% inferior ao volume produzido na safra passada, esse resultado é atribuído, sobretudo, à redução de 13,1% na área de plantio, aliada às condições climáticas menos favoráveis em algumas lavouras. A colheita nos principais estados produtores atinge 72% no Rio Grande do Sul, 93% em Santa Catarina e 52% em Tocantins.

Assim como o arroz, a produção total de feijão indica um volume de 2,9 milhões de toneladas, redução de 5,2%, quando comparada com a safra anterior. Mesmo com a queda, o volume estimado na safra 2025/26 assegura o abastecimento interno.

Para o algodão, a expectativa é de uma colheita de 3,8 milhões de toneladas de pluma, redução de 5,8% em relação ao ciclo anterior, reflexo de uma diminuição de 2,1% na área plantada, estimada em 2 milhões de hectares. Até o período da pesquisa, as condições climáticas foram favoráveis, e as lavouras apresentavam um bom desenvolvimento.

Mercado

Neste levantamento, a Companhia ajustou as estimativas para o estoque de passagem de milho, uma vez que a produção total do cereal foi reajustada para 139,6 milhões de toneladas. Com isso, a nova expectativa é de um volume de 12,8 milhões de toneladas ao final de janeiro de 2027. As exportações seguem previstas em 46,5 milhões de toneladas, enquanto que o consumo interno teve uma leve variação sendo estimado em 96,5 milhões de toneladas.

As informações completas sobre as principais culturas cultivadas no país com as condições de mercados dos produtos estão no 7º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, publicado no Portal da Conab.

Fonte: Conab



 

FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

Continue Reading

Sustentabilidade

Milho/BR: Colheita do milho avança no Brasil com clima impactando ritmo nos estados – MAIS SOJA

Published

on


Milho 1ª Safra 

Em MG, a umidade tem sido menor e favorece a colheita. A qualidade dos grãos também apresentou melhora nessas condições. No RS, a priorização da soja e o clima instável inviabilizou um avanço expressivo da colheita. Ainda assim, cerca de 92% da área está colhida. Na BA, a colheita segue em andamento. No PI, as chuvas se estabeleceram em praticamente todas as regiões, o que beneficiou as lavouras, especialmente, àquelas no Sudeste do estado, que estavam sob deficit hídrico.

No PR, as chuvas dificultaram as operações de colheita, que está em reta final. Em SC, o clima firme no Oeste favoreceu a colheita que está em fase final no estado. Em SP, cerca de 75% da área está colhida. O clima mais estável tem favorecido a maturação e a colheita. No MA, as lavouras estão em boas condições, com a maioria delas já nos estádios reprodutivos. Em GO, as chuvas menos volumosas e as altas temperaturas ajudaram na maturação e colheita dos grãos, que avança e alcança 6% da área.

Milho 2ª Safra

Em MT, as chuvas recentes têm sido benéficas à cultura, que demonstra ótimo desenvolvimento. No PR, as chuvas seguem e auxiliam no desenvolvimento da cultura. Preocupação fica em torno das altas temperaturas recentes. Em MS, o plantio avançou, mesmo com as chuvas intensas, e está praticamente concluído, restando pequenas áreas no Norte do estado. Em GO, episódios de granizo e ventos fortes afetaram algumas lavouras no Sudoeste.

Em SP, a semeadura está em reta final. Em MG, o plantio foi concluído. As chuvas, mesmo que esparsas, seguem favorecendo o desenvolvimento. No TO, as chuvas seguem regulares, viabilizando um bom desenvolvimento da cultura. No MA, a escassez de chuvas tem provocado estresse hídrico em algumas áreas. No PI, a cultura segue em desenvolvimento com boas condições gerais. No PA, a semeadura segue avançando à medida que a colheita de soja se aproxima da conclusão.

Fonte: Conab



 

FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

Continue Reading
Advertisement

Agro MT